
Caro subscritor da ILC,
Em primeiro lugar, as boas notícias: a ILC-AO regressou anteontem [26 de Janeiro] à Assembleia da República e ali obteve a garantia de que esta Iniciativa será tratada com toda a imparcialidade, e não será prejudicada pelo facto de, no curto espaço de um ano, ter atravessado três normas diferentes para a recolha de subscrições. É uma medida justa, que premeia o esforço que sempre fizemos para acompanhar as diferentes (e sucessivas) disposições da Lei.
Recordamos que, mesmo quando a mudança trouxe de volta o Nº de Eleitor — com a inerente complicação do processo de subscrição — a ILC acatou essa alteração e modificou o formulário de recolha, bem como toda a estrutura da sua base de dados, de modo a que as subscrições continuassem a ser recolhidas nos termos da Lei.
Para que esta ILC possa seguir o seu caminho resta apenas um “pequeno” senão: é necessário recolhermos as assinaturas que faltam. É certo que nos aproximamos do objectivo — para que possamos entregar esta ILC no Parlamento são necessárias 20.000 subscrições e faltam pouco mais de 4.000. Mas também é verdade que, à medida que avançamos, o caminho parece tornar-se cada vez mais penoso.
Estas são as más notícias.
A explicação para este fenómeno é simples: recolher quatro mil assinaturas contra o Acordo Ortográfico não é, pelo menos aparentemente, tarefa complicada. O problema é que não estamos a falar de quaisquer 4.000 assinaturas — estamos a falar das assinaturas que vão da 16.001 à 20.001. Nesta altura do campeonato, já todos nós — os mais envolvidos na questão — subscrevemos a Iniciativa, bem como o fez a maior parte das pessoas que conhecemos.
Para quem gosta de Matemática, esta ILC fez 2/3 do seu caminho no tempo das subscrições em papel. Com a criação da subscrição “online” passámos a barreira dos 3/4 e estamos agora a caminho dos 4/5 do percurso. Trata-se de incrementos cada vez menores mas, para que este exercício não se transforme num paradoxo de Zenão, é necessário que o tempo gasto em cada uma destas etapas não aumente exponencialmente.
Por este motivo, peço a todos os subscritores da ILC um esforço redobrado na angariação de assinaturas. As perspectivas, apesar de tudo, são boas — e queria deixar-vos estas palavras de ânimo. Mas é necessário que todos nós façamos mais do que recolher a própria assinatura e, quando muito, mais uma ou duas.
Há pequenos gestos que estão ao alcance de todos:
1) Difundir este texto. Como sabem, só temos contacto com uma pequena parte dos nossos subscritores. Se conhece alguém que subscreveu a ILC mas não acompanha regularmente este nosso “sítio” oficial ou a nossa página no Facebook, envie-lhe este artigo.
2) Em segundo lugar, certifique-se de que está tudo bem com a sua própria assinatura. Se subscreveu esta ILC em papel, envie-nos a sua data de nascimento, bem como o seu nº de BI ou CC para que possamos localizar a sua subscrição. Pode fazê-lo através do e-mail data_nascimento@ilcao.com, por exemplo. Mais explicações sobre este passo aqui.
3) Finalmente, e isto será talvez o mais importante, é preciso divulgar, divulgar, divulgar a ILC. Há uma grande maioria de portugueses que continua a não aceitar o AO mas, para chegarmos até eles, será talvez necessário sairmos da nossa zona de conforto e do nosso círculo mais próximo de amigos.
Temos a obrigação de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que as gerações seguintes não fiquem limitadas a uma ortografia pobre, confusa e feia.
Vamos a isto!
Uma boa semana para todos.
Rui Valente
imagem http://sites.unicentro.br/wp/petfisica/2017/09/24/paradoxo-da-dicotomia/ sem indicação de autor.







