1500

o 2.º site da ILC-AO
 
Como talvez já tenha reparado, o sítio oficial da Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico tem um novo aspecto gráfico.

Contudo, as maiores alterações são as que não estão à vista.

De facto, as mudanças mais significativas ultrapassam a simples cosmética. Desde logo, mudámos o local onde o “site” está fisicamente alojado. Para quem gosta destas curiosidades, mudámo-nos dos Estados Unidos para o Reino Unido.

Como podem imaginar, não mudámos apenas por mudar. Mudámos para melhor. Por exemplo, os milhares de ficheiros que constituem este “sítio” estão agora num suporte físico (disco SSD), o que garante, à partida, melhores velocidades de acesso. Mas a própria estrutura de alojamento é diferente — deixámos o habitual alojamento partilhado, comum à esmagadora maioria dos “sites” de todo o mundo, e estamos agora num VPS (Virtual Private Server), com todas as vantagens inerentes: mais segurança, mais estabilidade, maior largura de banda ao nosso dispor e, em especial, maior resistência a ataques de hackers.

Uma palavra aos “hackers” que costumam atacar-nos: isto não é um desafio. Sabemos que nenhum “site” é 100% seguro. Se quiserem mandar-nos abaixo (outra vez, e apenas em sentido figurado, note-se, ou apenas na acepção técnica da expressão) será agora bem mais difícil; mas já sabemos que conseguirão, por isso, poupem-nos e poupem-se: não vão conseguir deitar-nos abaixo, jamais, em sentido literal. A principal vantagem da maior robustez neste novo alojamento não é a de evitar ataques ao “site”. Queremos, simplesmente, assegurar que várias pessoas possam aceder, em segurança e em simultâneo, à página de subscrição online.

Claro que, na tradição da velha máxima de Murphy, muita coisa correu mal neste processo de mudança de um lado para o outro. A migração de um domínio já de si é uma tarefa complexa. Num site como o da ILCAO, com várias bases de dados em pleno funcionamento (formulário de subscrição, gestão de arquivos, envio automático de e-mails, blog WordPress, comentários, utilizadores, estatísticas) as coisas complicam-se enormemente.

Houve alguns erros da nossa parte, como pelos vistos é inevitável nestas operações, mas houve também enormes equívocos (digamos assim) da parte do novo “host”, por mecanização excessiva de tarefas que, para eles, são — ou deviam ser, já que se trata de  profissionais do ramo — simples e rotineiras: por pouco não tínhamos os visitantes do nosso domínio www.ilcao.com a ir parar a um site que prometia “coisas grátis”…

Depois de tudo pronto, lá decorreu o habitual processo de “propagação”, através do qual os “servidores de nomes” de todo o mundo aprendem a nova localização do “site”. Para quem tentou contactar-nos (ou subscrever a ILC) nessa fase, as nossas desculpas por qualquer falha que possa ter ocorrido.

Completada esta complexa empreitada, cá estamos nós, prontos, mais do que nunca, para continuar a luta.

Uma pequena nota final, que não é assim tão pequena nem é técnica: este é o artigo 1500.º (milésimo quingentésimo!)  publicado pela Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Não sei se o João Pedro Graça terá imaginado, quando publicou o primeiro artigo, em Setembro de 2008, que esta praga do AO90 ainda continuaria a enojar-nos a todos em 2017, mil e quinhentos artigos depois.

Convém deixar claro que, com a mesma determinação com que ele escreveu grande parte dos primeiros 1.500, cá estaremos para escrever mais 1.500, se preciso for.

 
 
o 1.º site da ILC-AO

 

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Até prova em contrário

Acaba de me chegar às mãos um e-mail a apelar à subscrição de (mais) uma petição contra o Acordo Ortográfico. Quem estiver interessado, pode encontrá-la no sítio do costume.

Por ironia do destino, quem me remeteu esse apelo foi uma subscritora da ILC.

E, como se isso não bastasse, não foi uma subscritora qualquer — tratou-se, nada mais nada menos, de uma das militantes mais activas, responsável, por si só, por centenas de assinaturas — no tempo em que só valiam as assinaturas em papel e era bem mais difícil subscrever esta Iniciativa.

Há aqui qualquer coisa que me escapa. Posso parar de recolher assinaturas? Será que a ILC já deu entrada na Assembleia da República e ninguém me avisou?

Ironia à parte, o facto é que já desisti de tentar compreender a lógica dos inúmeros grupos que dizem lutar contra o Acordo Ortográfico.

Vamos por partes: eu não defendo a ILC por ser esta a Iniciativa onde estou. Pelo contrário, é por ser uma ILC que eu estou aqui — e estarei até ao fim. Até prova em contrário, uma ILC — e esta ILC em concreto, desenhada para revogar a RAR 35/2008, que sustenta o AO — é a arma mais eficaz contra o Acordo Ortográfico.

Seria de esperar que, após o seu lançamento, em 2010, fosse ganhando uma adesão crescente, em militância e em assinaturas.

As subscrições, claro, foram sempre chegando, mas a um ritmo menor do que o esperado. Na verdade, contra todas as expectativas, o que tem acontecido ao longo destes anos tem sido a dispersão da militância contra o AO90 em iniciativas estéreis. Cartas abertas, petições, queixas na Provedoria de Justiça, manifestações, mais petições… e um longo etc.

A ILC não consegue juntar 35.000 assinaturas em papel? Não tem problema, nós vamos reunir 75.000… mas para um Referendo!

A ILC está perto de conseguir o seu objectivo de 20.000 assinaturas? Faltam-lhe 4.000? Ora bem, vamos já arranjar isso num instante… mas para uma petição.

O “dinamismo” e a “assertividade” destas acções são de tal forma avassaladores que a ILC, já por duas vezes, se sentiu compelida a parar a sua própria actividade — de facto, se “isto” não tem interesse nenhum, se a ILC não serve, então que avancem outros e que tenham muito sucesso.

Infelizmente, dos nossos “retiros” nunca saiu nada de proveitoso para a Causa. O AO90 continua por aí, a fazer estragos, e a ILC não teve outro remédio senão pegar novamente em armas. E agora, com a redução de 35.000 assinaturas para 20.000 podemos estar certos de que já não voltaremos a parar.

Também nunca percebi o voto de silêncio que nos dedicam alguns dos nomes sonantes da luta contra o Acordo. Mas folgo em saber que estão vivas, nesta nova petição, muitas das personalidades que contactei ao longo dos anos e que nunca me responderam.

E, finalmente, também não tenho explicação para o bloqueio a que nos vota boa parte da comunicação social. Diz que um destes dias haverá mais um debate sobre o Acordo Ortográfico na RTP1, no programa Prós e Contras. Faz sentido que esta ILC — sem dúvida a Iniciativa que mais próxima está de apresentar resultados concretos — não tenha sido contactada ou sequer informada? Parece-me que não.

Felizmente, as pessoas que realmente contam nesta luta continuam a acreditar em nós. Referimo-nos aos subscritores, em especial aos mais novos, cujas assinaturas continuam a chegar, diariamente. A ILC continua a ser, de facto, a voz do povo. E será através da ILC que a voz do povo irá chegar à Assembleia da República. Mais tarde ou mais cedo, cumpriremos os nossos objectivos. Se ainda não subscreveu a ILC, ainda está a tempo de o fazer — basta ir aqui: https://ilcao.com/?page_id=19213.

Se já subscreveu, então esta ILC já é sua, também: defenda-a, divulgando a página de subscrição junto de familiares e amigos.

Uma boa semana para todos.

PS. Tenho de saber o certo quando será apresentado o debate sobre o AO no Prós e Contras. Acho que será uma boa ocasião para ver mais um episódio do Mr Robot.

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Alô alô, Pampilhosa!

Ainda a propósito dos dados estatísticos que apresentámos no último artigo, não é demais realçar a enorme abrangência das subscrições (em papel) a nível nacional. A subscrição da Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação do Acordo Ortográfico é um “voto” de protesto contra o AO90 que se expressa de Norte a Sul do país, em todos os distritos e Regiões Autónomas.

A nível dos Concelhos o panorama repete-se e, ainda que o pleno dos 308 municípios seja difícil de alcançar, o facto é que apenas 37 Concelhos (12%) não têm pelo menos um registo de subscritor da ILC.

E mesmo esses Concelhos  poderão afinal estar já representados, sem que o saibamos, e por isso mesmo constam da lista de “pampilhosas”: alguns dos casos que nos chegaram sem indicação de Freguesia/Concelho de recenseamento podem perfeitamente ter sido enviados por subscritores não apenas de Pampilhosa da Serra, que aqui usamos como amostra, é claro,  mas também da ilha do Corvo ou de Marvão, Pinhel, Tarouca ou Armamar, por exemplo. E além destes casos com os campos “Freguesia” e “Concelho” em branco há ainda aqueles em que as pessoas preencheram efectivamente os campos mas… não se percebe nada, estão ilegíveis.

Mas isto respeita unicamente às subscrições em papel, ou seja, no enquadramento legal e com os requisitos anteriores à recente alteração da Lei 17/2003. Como se sabe, o recenseamento eleitoral passou a ser automático em Portugal para maiores de 18 anos e as novas regras das ILC acompanham essa disposição: na nossa página de subscrição “online” esse dado não está a ser pedido e portanto certamente a lista de Concelhos ainda não representados, que transcrevemos abaixo, será na realidade bem menor.

Naturalmente, quando esta ILC for debatida na Assembleia da República gostaríamos de poder dizer que não houve um único dos 308 Concelhos do país que não tivesse subscritores da nossa Iniciativa Legislativa.

No artigo anterior apresentámos o “top-20” dos (271) Concelhos com mais subscritores. Fica agora aqui a lista dos 37 Concelhos de que ainda não há registos de subscritores. Se pertence a um destes Concelhos e subscreveu, pedimos-lhe que nos contacte. Basta uma simples mensagem com a indicação do seu número de BI ou CC (para que possamos localizar a sua subscrição). Se pertence a um destes Concelhos e ainda não subscreveu a ILC, está ainda a tempo de o fazer… e de nos contactar também, se quiser, chamando a atenção para o facto de o seu Concelho que não constava ter de passar a constar. Algo do género “eh, eu sou de Pampilhosa e subscrevi a ILC-AO, ponham lá Pampilhosa no mapa”.

Concelho

Distrito

Aguiar da Beira Guarda
Alfândega da Fé Bragança
Alter do Chão Portalegre
Armamar Viseu
Avis Portalegre
Barrancos Beja
Boticas Vila Real
Calheta – Madeira Madeira
Celorico da Beira Guarda
Corvo Açores
Figueira de Castelo Rodrigo Guarda
Lajes das Flores Açores
Lajes do Pico Açores
Marvão Portalegre
Melgaço Viana do Castelo
Monção Viana do Castelo
Mortágua Viseu
Mourão Évora
Murça Vila Real
Pampilhosa da Serra Coimbra
Pedrógão Grande Leiria
Penedono Viseu
Pinhel Guarda
Portel Évora
Porto Moniz Madeira
Proença-A-Nova Castelo Branco
Reguengos de Monsaraz Évora
Ribeira de Pena Vila Real
Santa Cruz das Flores Açores
São Vicente Madeira
Sardoal Santarém
Sátão Viseu
Sousel Portalegre
Tarouca Viseu
Vila Flor Bragança
Vila Nova de Paiva Viseu
Vila Pouca de Aguiar Vila Real

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Os dados estão lançados!

Este artigo dá sequência ao do passado dia 20, no qual começámos a definir uma espécie de “retrato-robot” dos subscritores da ILC. Como vimos nesse texto, se quiséssemos personificar um subscritor-tipo desta Iniciativa, teríamos de começar por dizer que é uma mulher e que reside em Lisboa.

Entre os 308 concelhos existentes em Portugal, Lisboa é, de facto, o mais representado. Seguem-se Cascais, Oeiras, Porto, Sintra, Lagos e Tomar. Pela sua posição no “ranking” identificam-se facilmente as cidades onde há mais militantes activos, gente que chamou a si a responsabilidade de recolher assinaturas além da sua própria. A posição “natural” de concelhos como Cascais, Lagos e Tomar seria certamente uns furos mais abaixo sem o contributo precioso destas pessoas (no quadro: “top-20” dos concelhos anti-acordistas).

Os anti-acordistas distribuem-se de forma mais ou menos uniforme por todas as faixas etárias da população. Este gráfico é apenas referencial ou indicativo, uma amostra do total, visto que somente obtivemos a data de nascimento de 433 dos subscritores desta versão em papel — até à alteração das regras das ILC a data de nascimento dos subscritores era um dado facultativo. De qualquer modo, graficamente fica bem clara a falácia dos argumentos acordistas quando referem os “velhos do Restelo” que recusam “a modernidade” do AO.

Um dado curioso prende-se com a percentagem de pessoas que optaram por subscrever a ILC enviando uma digitalização do impresso de subscrição, depois de preenchido e assinado. Recordamos que, quando esta Iniciativa Legislativa de Cidadãos começou, a Assembleia da República apenas admitia a “assinatura presencial em suporte físico”, isto é, subscrições em papel enviadas pelo correio ou entregues em mão. Esta regra já era há muito um anacronismo mas os serviços da AR concordaram, a solicitação nossa, em pelo menos aceitar as assinaturas digitalizadas e enviadas por e-mail. O papel continuava a ser omnipresente, mas era possível digitalizá-lo e enviá-lo como imagem por correio electrónico.

Não sendo tão fácil como a assinatura via formulário electrónico, este método era, ainda assim, menos complicado do que a ida aos correios: quase dois mil subscritores optaram por esta via.

Por fim, um dado que é apenas uma curiosidade: esta ILC atravessa também uma mudança gradual do velho Bilhete de Identidade para o Cartão de Cidadão, sendo que a nossa anti-acordista modelo, à data da subscrição, usou ainda o seu Bilhete de Identidade.

Entretanto, e para lá da estatística, este artigo é também o primeiro que publicamos já depois de recolhidos todos os dados das assinaturas em papel.

O que significa isto? Desde logo, significa que devo um imenso obrigado à Hermínia, à Isabel e à Olga, só para citar alguns nomes. Graças a elas e a outros voluntários como elas foi possível concluir a enorme tarefa de recolher, compilar e tratar informaticamente um volume gigantesco de dados.

Significa também que está cumprida uma etapa crucial desta nova vida da ILC. A partir de agora, abrem-se novas possibilidades de trabalho. O primeiro passo foi, obviamente, a eliminação de subscrições repetidas. Por estranho que possa parecer, houve de facto um número considerável de pessoas que assinaram a ILC mais de uma vez. Sem este tratamento dos dados, era impossível detectar uma repetição de alguém que, por exemplo, subscreveu a ILC em 2012, tendo voltado a fazê-lo um ano depois. Essa primeira triagem, que teve naturalmente reflexos no total apurado, já foi também feita.

A partir de agora, vamos também poder dar resposta às pessoas que nos perguntam se já subscreveram a ILC. Há várias pedidos nesse sentido que aguardavam, precisamente, a conclusão desta última tarefa — as respostas vão começar a ser enviadas já durante a próxima semana.

A conclusão desta enorme empreitada significa, ainda, que o quadro que actualizámos na coluna da direita é o quadro com os valores FINAIS, relativamente à recolha de dados das subscrições em papel da era pré-digital. Uma alteração que este quadro poderá ainda sofrer prende-se com os casos “a resolver” — aqueles em que os dados estão incompletos ou ilegíveis mas em que poderá ainda haver um contacto com o subscritor.

No pior cenário, em que nenhum desses casos se transforma numa assinatura válida, temos assim que a recolha de assinaturas em papel “rendeu” 14.238 assinaturas. Para completar o total de 20.000 assinaturas, é agora necessário que a subscrição por via digital e as novas assinaturas em papel perfaçam a soma de 5.762 assinaturas.

Este é o principal mérito desta maratona de recolha de dados. A partir de agora temos um objectivo definido — e temos uma forma de saber quão perto estamos de o cumprir. Dito de outra forma, vamos poder saber se as assinaturas que já chegaram e continuam a chegar através do formulário de subscrição, são efectivamente subscrições novas ou se existem repetições das assinaturas em papel já processadas.

Naturalmente, esta é a primeira das nossas prioridades para os tempos mais próximos: a concepção de uma ferramenta que permita comparar automaticamente as duas bases de dados. Uma coisa é certa: mesmo que não se verifiquem novas repetições, a soma das assinaturas em papel (novas e velhas) e electrónicas não é ainda suficiente para que a ILC possa dar entrada no parlamento.

Mas sabemos que “a praia” está próxima. E acredito que teremos a força de vontade suficiente para não soçobrar tão perto do nosso objectivo final.

Por tudo isto, ao invés de um singelo “Quem Somos (parte II)”, não posso deixar de acatar a excelente sugestão do João Pedro Graça para o título deste artigo — “Os dados estão lançados”.

Os dados estão efectivamente lançados. Mas o sucesso desta Iniciativa está longe de depender apenas da sorte. Como se vê, o número de subscritores que já temos constitui  uma “massa crítica” suficiente para garantir o êxito desta iniciativa. Todos nós conhecemos pelo menos um amigo que ainda não subscreveu a ILC. Para usar uma linguagem futebolística, a ILC depende apenas de si própria para conseguir os seus objectivos — está nas nossas mãos levá-la até ao fim.

Boas entradas em 2017 — que este seja o ano em que o famigerado “Acordo” desaparece de vez.

Rui Valente

PS. — Estou a fazer um esforço para agradecer individualmente a todas as pessoas que, à luz das novas regras das ILC, nos estão a enviar a sua data de nascimento — em especial nos casos em que esse dado nos chega acompanhado por palavras de incentivo e com a promessa de divulgação da ILC pela lista de contactos do subscritor. Prevendo que esse volume de mensagens acabe por ser impossível responder a todos individualmente,  aproveito para deixar aqui, desde já, o meu agradecimento público (e colectivo) aos subscritores que optem por nos enviar essa informação.

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Quem somos?

Muitas vezes, ao percorrer a longa lista de nomes dos subscritores da ILC, dei comigo a perguntar: quem são estas pessoas? O que motivou gente de todos os cantos do país a manifestar a sua voz contra um Acordo Ortográfico que, dizem os  acordistas, apenas altera meia dúzia de palavras do nosso vocabulário?

Que educação tiveram, escolar e familiar? Que percurso fizeram? O que os levou a cimentar o carinho que certamente sentem pela sua Língua?

Pressente-se, por detrás de cada folha de papel, gente de todas as origens e estratos sociais. Ricos e pobres, gente de esquerda e de direita, gente de todas as artes e ofícios, académicos e intelectuais, figuras públicas — mas também muita, muita gente anónima. Cidadãos “next door”, como lhes chamei há tempos.

Não é possível ignorar o facto de esta ILC se ter transformado numa daquelas raras Causas capazes de unir a grande maioria da população. Há poucos temas assim, capazes de gerar consenso: além da inevitável Selecção Nacional de futebol, só o nosso riquíssimo património histórico enquanto povo e a Língua que falamos conseguem aceder ao restrito lote das coisas que nos unem incondicionalmente.

É claro que, no plano individual, a pergunta “Quem somos?” ficará sempre sem resposta — é impossível conhecermos pessoalmente cada um dos subscritores.

Mas agora, graças ao levantamento que está a ser concluído, podemos pelo menos chegar a alguns dados interessantes — e as poucas centenas de subscrições cujo tratamento está ainda por fazer já não deverão alterar este “retrato robot” do subscritor da ILC.

Vejamos alguns resultados extraídos da penúltima actualização.

A surpresa maior prende-se com o género: esta é uma Iniciativa que está a ser feita no feminino, tendo sido subscrita na primeira versão em papel (e continuará certamente a sê-lo na actual modalidade electrónica)  maioritariamente por mulheres: 56%.

Já quanto à distribuição geográfica não há surpresas: existem subscritores da ILC-AO em todos os distritos do país, incluindo as regiões autónomas dos Açores e da Madeira.

Muito em breve apresentaremos resultados e gráficos finais (ou quase) deste levantamento das subscrições em papel antes da alteração da Lei que regula as ILC. Nessa altura poderemos começar a tratar os dados das subscrições electrónicas desta nova fase da ILC. Electrónicas… e em papel — tendo em conta que esta forma de subscrição, naturalmente, continua a ser válida.

Se por acaso não subscreveu a ILC, ainda está a tempo de juntar a sua voz à deste extraordinário conjunto de cidadãos.

Diga NÃO ao Acordo Ortográfico — contamos consigo para continuarmos a traçar o mapa do nosso descontentamento. É um mapa que percorre o país de lés a lés e tem um destino óbvio: a Assembleia da República.

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