Olhe que não, Magnífico Reitor, olhe que não…

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1. Despacho RT065.2011, Reitoria da Universidade do Algarve

Nestes termos, e no sentido de promover a aplicação do Acordo Ortográfico na Universidade do Algarve, estabelece-se que:
(…)
2. A partir do ano letivo 2011-12, todos os trabalhos sujeitos a avaliação, incluindo relatórios, dissertações, teses e trabalhos e outros documentos elaborados especificamente para apresentação no âmbito de provas e concursos académicos deverão ser redigidos de acordo com as normas do Acordo;
(…)

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2. Parecer “CADA” (Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos)

(…)
II – 2. As dissertações de mestrado e as teses de doutoramento são obras (originais), protegidas nos termos do CDADC (Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos – aprovado pelo Decreto-Lei nº 63/85, de 14 de Março, e alterado pela Lei nº 45/85, de 17 de Setembro, pela Lei nº 114/91, de 3 de Setembro, pelo Decreto-Lei nº 332/97, de 27 de Novembro, pelo Decreto-Lei nº 334/97, também de 27 de Novembro, pela Lei nº 50/2004, de 24 de Agosto, e pela Lei nº 24/2006, de 30 de Junho) – cfr. artigos 1º e seguintes do CDADC.
(…)

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3. Código do Direito de Autor, IST (UTL)

ARTIGO 58º

Reprodução de obra “ne varietur”

Quando o autor tiver revisto toda a sua obra, ou parte dela, e efectuado ou autorizado a respectiva divulgação ou publicação ‘ne varietur’, não poderá a mesma ser reproduzida pelos seus sucessores ou por terceiros em qualquer das versões anteriores.

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Rafaela Bidarra subscreveu a ILC

Pangur BanRafaela Bidarra nasceu em Lisboa, em 1985.

Inicia o seu percurso teatral em Setúbal com a companhia Teatro Estúdio Fontenova em 2004. Integrou o elenco de “O Crime do Século XXI”, de Edward Bond, “Se isto fosse uma Ópera seria de Três Cêntimos”, adaptação da “Ópera de Três Vinténs”, de Bertold Brecht e “Albérico Ponto Final”, de Ângelo Fernandes, todos com encenação de José Maria Dias, até 2006.

Em 2005 inicia os estudos em Ciências Farmacêuticas na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, mudando depois para o curso de Enfermagem em 2008 na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, terminando a licenciatura em Dezembro de 2013.

Em 2007 integra o TEUC – Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra, através do Curso Bienal de Teatro composto por formação em áreas distintas que culminou na apresentação do espectáculo “O Sonho”, de August Strindberg, com encenação de Pedro Matos. Integra o elenco do TEUC em “Oresteia – Fragmentos de Agamemnón e Coéforas”, de Ésquilo, com encenação de Rogério de Carvalho, “Batata Parapata”, de Caroline Stampone numa criação colectiva do TEUC, “Auto da Barca do Inferno”, de Gil Vicente, encenado por Ricardo Correia, “Deus, uma peça” de Woody Allen, com encenação de Ricardo Vaz Trindade, “Um Dia de Raiva”, encenação de Nuno Pino Custódio, “projectoH” uma co-criação TEUC e Joana Providência com direcção artística de Joana Providência e “Vitral” uma co-produção TEUC e ProjectoD, dirigido por Leonor Barata. Actualmente faz parte da direcção, como Presidente do TEUC. Foi também no TEUC que realizou a sua primeira performance a solo, no Teatro Académico de Gil Vicente: “A Morte de Empédocles”, de Holderlin. No TEUC participou em diversos workshops — com Miguel Seabra (Clown), Jorge Ribeiro (Luminotecnia), João Brites, n’O Bando (Estágio de Formação “Dilatação Tempo Presença”), Nuno Pino Custódio (Técnica da Máscara Neutra e Commedia dell’Arte), Andrés Bézares (Clown), e Joana Providência (Dança Contemporânea).

Desde 2009 tem investido na sua formação artística fora do âmbito do Teatro Universitário, participando em diversos workshops: “Pantomima” com Yurek Klonowski, no Teatro dos Castelos em Montemor, “Dança Contemporânea” com Joana Providência, n’A Escola da Noite em Coimbra, “Dance Impossible” com Peter Michael Dietz, na Circolando, Porto, “Butoh” com Anita Saij, na Nordic School of Butoh, em Bornholm na Dinamarca, “O actor enquanto criador” com Nuno Pino Custódio, na ESTE, Fundão, “Butoh” com Moeno Wakamatso e Masaki Iwana, em 2012 e 2013, na Maison Du Butoh Blanc em Le Reveillon, Sul da Normândia, França – culminando no Festival de Butoh, onde apresentou um solo da sua autoria, “Prisonnier des Songes”, “Butoh” com Yoko Kaseki, n’A Escola da Noite em Coimbra.

Em 2010 trabalhou com duas companhias profissionais da cidade de Coimbra — na Marionet, no espectáculo “BCC- Blind Carbon Copy”, encenado por Mário Montenegro e apresentado no Teatro da Cerca de São Bernardo, e n’A Escola da Noite, no espectáculo “Teatro Menor”, com textos de José Sanchis Sinisterra e encenação de António Augusto Barros.

Rafaela Bidarra subscreveu a Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação da entrada em vigor do “acordo ortográfico”.

[Nota: esta publicação foi autorizada pela subscritora, que nos remeteu, expressamente para o efeito, as respectivas nota biográfica e fotografia.]

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«Acabar já com este erro antes que fique muito caro» [Pacheco Pereira, “Público”, 18.01.14]

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Acordo ortográfico: acabar já com este erro antes que fique muito caro

JOSÉ PACHECO PEREIRA 18/01/2014 – 00:48
Passado um período de transição, pode voltar-se rapidamente à norma ortográfica vigente e colocar o acordo na gaveta das asneiras de Estado, junto com as PPP e os contratos swaps e muita da “má despesa”.

O acordo ortográfico é uma decisão política e como tal deve ser tratado. Não é uma decisão técnica sobre a melhor forma de escrever português, não é uma adaptação da língua escrita à língua falada, não é uma melhoria que alguém exigisse do português escrito, não é um instrumento de cultura e criação.

É um acto político falhado na área da política externa, cujas consequências serão gravosas principalmente para Portugal e para a sua identidade como casa-mãe da língua portuguesa. Porque, o que mostra a história das vicissitudes de um acordo que ninguém deseja, fora os governantes portugueses, é que vamos ficar sozinhos a arcar com as consequências dele.

O acordo vai a par do crescimento facilitista da ignorância, da destruição da memória e da história, de que a ortografia é um elemento fundamental, a que assistimos todos os dias. E como os nossos governantes, salvo raras excepções, pensam em inglês “economês”, detestam as humanidades, e gostam de modas simples e modernices, estão bem como estão e deixam as coisas andar, sem saber nem convicção.

O mais espantoso é que muitos do que atacaram o “eduquês” imponham este português pidgin, infantil e rudimentar, mais próximo da linguagem dos sms, e que nem sequer serve para aquilo que as línguas de contacto servem, comunicar. Ninguém que saiba escrever em português o quer usar, e é por isso que quase todos os escritores de relevo da língua portuguesa, sejam nacionais, brasileiros, angolanos ou moçambicanos, e muitas das principais personalidades que têm intervenção pública por via da escrita, se recusam a usá-lo. As notas de pé de página de jornais explicando que, “por vontade do autor”, não se aplicam ao seu texto as regras da nova ortografia são um bom atestado de como a escrita “viva” se recusa a usar o acordo. E escritores, pensadores, cronistas, jornalistas e outros recusam-no com uma veemência na negação que devia obrigar a pensar e reconsiderar.

Se voltarmos ao lugar-comum em que se transformou a frase pessoana de que a “minha pátria é a língua portuguesa”, o acordo é um acto antipatriótico, de consequências nulas no melhor dos casos para as boas intenções dos seus proponentes, e de consequências negativas para a nossa cultura antiga, um dos poucos esteios a que nos podemos agarrar no meio desta rasoira do saber, do pensar, do falar e do escrever, que é o nosso quotidiano.

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Venham ver a “maravilhosa língua unificada”

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Porto Editora adapta dicionários para o mercado brasileiro

A Porto Editora adaptou os seus dicionários de Língua Portuguesa para o mercado brasileiro, envolvendo novas tecnologias, nomeadamente o sistema “kindle”, disse fonte do grupo editorial à Lusa.

O Grande Dicionário da Língua Portuguesa na versão “kindle”, já disponível, constitui “a maior cobertura do vocabulário do português do Brasil e do português de Portugal, antes e depois do Acordo Ortográfico, e inclui uma sucinta gramática”, disse a mesma fonte.

O Grande Dicionário é redigido “em português do Brasil, à luz do Acordo Ortográfico” e, através do sistema “kindle”, permite uma “rápida consulta e utilização durante a leitura”.

Este Grande Dicionário comporta mais de 300 mil definições e 120 mil entradas, incluindo locuções, expressões idiomáticas, informação sobre a pronúncia e a origem de algumas palavras, explicou a mesma fonte.

“Este dicionário regista as grafias anteriores e posteriores ao Acordo Ortográfico, informando, através de notas, as grafias preferenciais do Brasil e de Portugal“, acrescentou a mesma fonte.

Por outro lado, este produto editorial produzido em Portugal, possibilita a pesquisa das formas verbais, femininas e plurais durante a leitura do “ebook”.

“Esta edição foi concebida para brasileiros e apresenta características de usabilidade que vão agradar a utilizadores preferenciais, como jornalistas, professores, estudantes e todos os que desejam tirar dúvidas de forma rápida e aprofundar o conhecimento sobre a Língua Portuguesa”, salientou a mesma fonte.

Paralelamente, está já disponível no Brasil, uma versão mais compacta do Dicionário Porto Editora da Língua Portuguesa.

Esta edição reúne mais de 140 mil definições e 70 mil entradas que incluem sinónimos (sinônimos, na versão brasileira), antónimos (ou antônimos), locuções e expressões idiomáticas, e oferece também a possibilidade de pesquisar formas verbais, femininas e plurais durante a leitura do “ebook”.

“Esta obra destina-se fundamentalmente a brasileiros e tem características de usabilidade adequadas a todos os utilizadores do ‘kindle'”, sublinhou a mesma fonte.

“Adaptámos os nossos dicionários para o mercado brasileiro e fizemo-lo de uma forma inovadora, apostando nas novas tecnologias e nos novos hábitos de consulta destas obras. É, pois, um trabalho com dois fortes vectores de valorização, o linguístico, porque trabalhamos a Língua Portuguesa na variante brasileira, e o tecnológico, pela adopção do formato digital”, realçou a mesma fonte.

A Porto Editora está a celebrar este ano sete décadas de existência e tem uma componente histórica de especialização na área dos dicionários e da lexicografia.

No ano passado, lançou os primeiros dicionários para o Brasil em “kindle” — português/espanhol e espanhol/português.

Lusa/SOL

[Transcrição integral de notícia do semanário “Sol” publicada “online” em 17-01.14. Destaques a “bold” e sublinhados adicionados por nós. ]

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Revisionismo para totós

sentido_proibidoNesta matéria, só não vê quem não quer ver. Carlos Enes, o deputado que presidiu ao Grupo de Trabalho parlamentar sobre o AO90, escreveu uma série de 5 artigos “de opinião” – 4 apenas para tomar balanço e por fim chegar a este último, qual salto em comprimento – tentando demonstrar a inevitabilidade da “revisão” do “acordo”.

Trata-se, realmente, de uma espectacular explicação (mais clara do que isto, bem, só fazendo um desenho) da “estratégia” revisionista de que já aqui (e aqui e aqui e aqui e ainda aqui) falámos.

Isto é, em suma e em esquema, essa estratégia explicada aos totós… e aos que se fazem de totós, quer dizer, a quem porventura ainda não entendeu o que se está a passar e a quem anda por aí a fingir que não entendeu ainda.

Esquematizemos, portanto.

1. Primeiro, desvia-se o enfoque, iludem-se os motivos, perverte-se a verdade:
«Mas as objecções dos opositores que mais tocam o cidadão comum relacionam-se com questões técnico- linguísticas.»

2. Depois, enumeram-se os “erros flagrantes”:
«permite um excesso de facultatividades, ou seja, a possibilidade de escrever a mesma palavra de forma diferente – ex. peremptório/perentório; introduz divergência, em casos onde havia a mesma grafia – ex. aspecto (pt) e aspeto (br); revela incoerência nos critérios de anulação das consoantes mudas – elimina o p de Egipto, o c de espectador, mas não elimina o h de haver; a hifenização, ao seguir a adopção de critérios “já consagrados pelo uso”, permite que cor-de-rosa se grafe com hífen, mas cor de laranja fique sem hífen; no campo da acentuação, o Acordo prevê casos de dupla acentuação (ténis/tênis), mas o mais contestado é a abolição dos acentos nas palavras homófonas: – para (do verbo parar) que se confunde com para (preposição). Mas aqui critica-se o facto de se manter o acento circunflexo na forma verbal pôr, para distinguir da preposição por. Do mesmo modo estipula-se a obrigatoriedade do acento em pôde para se distinguir de pode, mas facultativamente em dêmos (presente do conjuntivo) para se distinguir de demos (pretérito perfeito do indicativo). O mesmo critério facultativo aplica-se a louvámos (pretérito perfeito do indicativo) para distinguir de louvamos (presente do indicativo).»

3. Por fim, aponta-se a “solução óbvia”, fazendo-a passar por única, inevitável e… evidente:
«Um tema complexo, que tem provocado amplas discussões, mas que merece ser aprofundado, corrigindo o que for necessário corrigir, mas seguir em frente.»

Ou seja…

Todas as movimentações mais recentes indiciam claramente que é isto e só isto o que se prepara nos bastidores, nos “passos perdidos”, no remanso dos gabinetes, nos esconsos e nos “mentideros” da política. O que se está a “cozinhar”, sejamos claros, claríssimos, ainda mais explícitos do que antes, é a “revisão” do AO90. Não é outra coisa qualquer, é só isto mesmo: uma “revisão” meramente cosmética em que se eliminarão as “aberrações”, os “casos mais flagrantes”, o que significa, em suma, eliminar as novas duplas grafias e… mais duas ou três coisinhas só para disfarçar.

Ora, como sabemos, isto representaria na prática o seguinte: os portugueses, os angolanos, os moçambicanos, os cabo-verdianos, os são-tomenses, os guineenses e os timorenses passariam a ser obrigados a memorizar a forma como se pronunciam determinadas palavras num país que não é o seu (o Brasil, evidentemente) antes de as poderem escrever na sua própria Língua!

Caso estas movimentações vão avante, se a tese revisionista vingar, se de facto um “novo” AO90 “revisto” e aumentado for impingido a 7 dos 8 países da CPLP, fica desde já, aqui e agora, o alerta: percebemos a estratégia, não queremos nada isso.

Revisão? Não, obrigado.

É preciso repetir isto mais quantas vezes?

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[As citações neste texto (corrigidas em Português onde era de corrigir) são de um artigo da autoria do deputado Carlos Enes publicado no jornal “Açoriano Oriental” de 08.01.14.]

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