Ensaio sobre a loucura

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Governo cria grupo para simplificar língua portuguesa

Depois de ver as novas regras para ortografia da língua portuguesa, adotadas, via decreto, somente pelo Brasil, e de ter sido sinalizado pela sociedade civil sobre a necessidade de maior simplificação em vários pontos, o governo federal não só prorrogou a implementação para 2016 como também, através da Comissão de Educação do Senado criou o Grupo de Trabalho Técnico (GTT) para simplificar e aperfeiçoar a ortografia. O objetivo é de reduzir a quantidade de regras e exceções, tornando-as mais objetivas e de fácil entendimento.

De acordo com o professor Ernani Pimentel, que, ao lado do professor Pasquale Cipro, foi escolhido para coordenar o GTT, professores e estudantes de todos os países que têm como língua oficial o português têm até 20 de julho para sugerir mudanças. Todas as propostas serão avaliadas e apresentadas no Simpósio Internacional Linguístico-Ortográfico da Língua Portuguesa, que será realizado em Brasília, em setembro.

O professor Ernani Pimentel participou do CBN Santos por telefone, onde falou sobre a simplificação da ortografia e possibilidade de não adoção do novo acordo ortográfico.

Reportagem: Guilherme Pradella.

[citações]

– Existe um site chamado “simplificando a ortografia ponto com” [http://simplificandoaortografia.com/]. Não tem “ponto BR” [simplificandoaortografia.BR] porque é para todos os países de língua portuguesa.

– Nós não precisamos do “cê agá” [CH]. O “xis” [X] sozinho já resolve p’ra fazer esse som. P’ra escrever esse som. Então, se elimina o “cê agá”, ninguém vai ter dúvida entre o “xis” e o “cê agá”.

– Como é que você resolve o problema do “gê” [G] e do “jota” [J]? As outras línguas já resolveram isso. Por exemplo, o alemão, as línguas nórdicas, o inglês, a letra “gê” não é “gê”, é “guê” [G]! É “ânguêlá” [Angela], “volquiseváguen” [Volkswagen], não é verdade? “Ai guéte” [I get].

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«Senadores querem nova reforma ortográfica» [notícia do Senado brasileiro, 07.08.14]

Ora aí está de novo o “projeto” mas desta vez de forma não apenas oficial, visto que é o próprio Senado brasileiro quem publica a notícia, como também já temos o dito “projeto” calendarizado, estão nomeados os respectivos intervenientes, estabelecidos os passos a seguir e os “objetivos” a prosseguir: podendo entrar em vigor “já em 2016” nos oito países da CPLP, de que Portugal faz parte, irá ser produzida uma “nova reforma ortográfica” porque o AO90 não foi “suficientemente longe” na “simplificação” da Língua Portuguesa.

Em suma, é isto.

Em que consiste esta “reforma da reforma“, no que à Ortografia diz respeito, é algo que o próprio texto da notícia “esclarece”. Sabendo-se agora que este novo acordo ortográfico (AO16?) será feito “em cima” do anterior acordo ortográfico (AO90) e que será “votado” por tele-conferência (não, não é brincadeira, ou, melhor dizendo, é mas está na notícia), então pelos vistos a sua “aprovação” estará por essa via dada por garantida pelos autores “disto”.

Já quanto ao que significa “isto” para todos nós, portugueses (e angolanos e moçambicanos e cabo-verdianos e guineenses e são-tomenses e timorenses), o que significa “isto” em termos históricos, culturais e identitários para sete das oito nações de Língua oficial portuguesa, bom, digamos que “isto” significa…

Se calhar é melhor não dizer. Toda a gente sabe.

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Notícia

Senadores querem nova reforma ortográfica

07/08/2014
Cristiane Britto

Projeto propõe a extinção da letra “h” no início das palavras e a troca de todas as expressões com “ch” pelo “x”

SENADOR CYRO MIRANDA disse que serão realizadas videoconferências com professores de países como Portugal e Angola para depois colocar o projeto em votação.
LEONARDO SUSSUARANA

A Comissão de Educação do Senado está desenvolvendo um projeto que pretende trazer mudanças nas atuais regras da língua portuguesa. Por meio de um grupo técnico de trabalho, os senadores vão propor novas regras para simplificar a ortografia e facilitar o ensino e a aprendizagem da escrita.

De acordo com algumas propostas do projeto, haveria a exclusão do “h” inicial, passando palavras como homem e hoje, por exemplo, a serem escritas omem e oje.

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Amasar por ezemplo com xá o qeijo do omem [“Gazeta Online” (Brasil)]

ILCAOflagJá aqui referimos, aliás, por diversas vezes, os “trabalhos” de preparação de (mais) uma “reforma ortográfica”, esta à “boleia” e na sequência do AO90: o Senado brasileiro constituiu uma Comissão para “reformar” o dito AO90 e “simplificar ainda mais” a ortografia do Português, devendo essa Comissão brasileira apresentar os resultados dos seus “trabalhos” em Setembro de 2014.

O artigo que seguidamente se transcreve, publicado na “Gazeta online”, do Brasil, adianta desde já quais são, em suma, esses resultados.

Citemos a propósito o que escreveu o jornalista Nuno Pacheco, há pouco mais de três anos, em artigo com o título (precisamente, terrível premonição) “Omens sem H“:

«Espantam-se? Não se espantem. Lá chegaremos.»

Pois bem, isso veremos. Liquidar o “acordo” de 1990 é a única forma de impedir a louca “reforma” da “reforma” louca.

Ou algém duvida de qe se naum u impedirmus istu avansa asim mesmu?

Que tal escrever “omem” sem h? E “qeijo” sem u?

Comissão técnica do Senado estuda nova reforma ortográfica na Língua Portuguesa

11/08/2014 – 23h08 – Atualizado em 12/08/2014 – 07h45
Autor: Wesley Ribeiro | wesleyribbe@gmail.com

Parece que o tempo do homem com “h” está mesmo chegando ao fim. Pelo menos é o que propõe uma comissão técnica do Senado Federal que estuda novas mudanças ortográficas na Língua Portuguesa. Além de querer eliminar a letra “h” do início de palavras, quer também um pedaço do queijo, ou melhor, sugere a eliminação da letra “u” da palavra queijo.

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“Há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz nAO!”

cartaJF080814

[Carta recebida no nosso Apartado, com (mais) 20 subscrições da ILC AO. Reprodução autorizada pelo voluntário. Ocultámos os dados pessoais.]

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“Só” dez por cento?!?

PACCEm face da enorme quantidade de “erros ortográficos” que surgiram nas PACC (Provas de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades dos Professores), o IAVE (Instituto de Avaliação Educativa) começou por dizer que não estava em condições de determinar quantos desses “erros” se deveram à não aplicação das regras do Acordo Ortográfico.

Mas no dia seguinte, afinal, já podia quantificar “com rigor” esse valor: dez por cento. Dir-se-ia um número caído do céu, redondinho, sem sequer uma única casa decimal a adorná-lo.

Como se chega a esta percentagem? Quem pode dizer que “o uso incorrecto da acentuação, troca de vogais e de consoantes” — “erros” que foram contabilizados nos restantes 90% — não se devem, também eles, no todo ou em parte, ao Acordo Ortográfico?

Diz o IAVE a propósito desse número: “o valor obtido representa uma percentagem residual e sem expressividade na totalidade das ocorrências de erros ortográficos registados“.

Se realmente estes 10% foram inventados para aligeirar o peso do Acordo Ortográfico na avaliação dos professores, quem inventou teve pouca mestria.

É que 10% não é pouco. Mesmo admitindo que esta percentagem esteja correcta, 10% é, ainda assim, uma percentagem enorme. E o que é mais surpreendente é que ninguém parece questionar a leitura que o IAVE faz dos seus próprios números.

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