Boato, ameaça ou manobra de diversão?

CongressoBrasilpinterest
«Provavelmente esta nova ideia luminosa agora apresentada por Pimentel y sus muchachos não foi apresentada para ser aprovada. A ideia por trás desta proposta deve ser a de apresentar uma alternativa tão disparatada e desprovida de toda a lógica que convença os até agora resistentes ao acordo a conformarem-se com ele e a aceitá-lo de uma vez pois a alternativa é tão estapafúrdia que se vêem obrigados a escolher o menor dos males.»
Olga Rodrigues (comentário no Facebook)


Afinal, este “AO2016” foi um simples “boato”, é uma ameaça real ou não passa de (mais uma) manobra de diversão?

“Boato” é o que diz dele, por outras palavras, o senador Cyro Miranda, desmentindo assim o Senado de que faz parte e desmentindo-se até a si mesmo e aos seus pares.

Então, se era apenas um “boato”, já não é uma ameaça, certo?

Errado. É uma ameaça que faz parte de uma… manobra de diversão.

A táctica parece-me nisto evidente e é de resto utilizada amiúde no chamado “jogo político”: ameaçar com um “facto” horripilante iminente para tentar garantir a subsistência de um outro que, apesar de não menos horroroso, parecerá ainda assim bem menos assustador. Genericamente falando, trata-se de agitar um espantalho monstruoso, qual bicho-papão, para que as pessoas, como se fossem criancinhas, passem a ver com olhos mais condescendentes o monstro real que na verdade se pretende fazer passar.

No limite, permitirá esta táctica levar alguns a não apenas ver com condescendência o monstruoso AO90 como até a acolher-se à sua “proteção”. “Do mal, o menos”, não é o que se diz nestes casos?

É, é mesmo isso o que se diz. Mas diz-se mal.

Continue reading

Share

Link permanente para este artigo: https://ilcao.com/2014/08/23/boato-ameaca-ou-manobra-de-diversao/

Um “esclarecimento” muito pouco ou nada claro

Nos últimos dias temos sido “metralhados” com uma saraivada de notícias sobre os avanços – mas nunca, até agora, sobre os recuos – da “reforma da reforma“, isto é, a respeito da formação no Congresso brasileiro de uma “comissão técnica” visando a “simplificação” do AO90. E não sabíamos até agora dos recuos, mas ficamos desde já a saber: o senador Cyro Miranda vem “esclarecer” oficialmente que as ditas notícias “não procedem”, “desmentindo” assim todas elas, a começar pelas difundidas pelo próprio Senado a que pertence, o mesmíssimo Senado onde publica o seu “esclarecimento”. Aliás, neste “esclarecimento” o senador consegue a extraordinária proeza de se desmentir a si próprio, vindo agora “esclarecer” rigorosamente o contrário de anteriores declarações suas à imprensa.

Afinal, diz agora o senador, o tal “grupo de trabalho” da Comissão de Educação, Cultura e Esporte (Desporto, em Português europeu) terá por finalidade não “propor a simplificação” da ortografia mas sim… “propor a unificação ortográfica da Língua Portuguesa, conforme Acordo já firmado em 1990.”

Espantoso. Novidades destas não apanhamos nós todos os dias. Mas ainda há mais “novidades estrondosas” neste estrondoso “esclarecimento” do senador Cyro Miranda.

Uma é que “a unificação em questão terá que ser feita em comum entendimento com os demais países”, o que significa que o AO90 afinal não unificou coisa nenhuma (outra espantosa novidade, obrigado, senhor senador) e que, portanto, agora é “necessário” um “grupo de trabalho” brasileiro propor a mesma coisa que o AO90 já propunha mas que no fim de contas não deu em nada.

Um bocadinho confuso, não, senhor senador?

governo_federal_do_brasil1Esclarecimento sobre Acordo Ortográfico
18/08/2014

Em resposta à demanda de professores de português, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte aprovou, no dia 1º de outubro de 2013, a criação de um Grupo de Trabalho destinado a propor a unificação ortográfica da Língua Portuguesa, conforme Acordo já firmado em 1990.

Esse Acordo entraria em vigor no Brasil em 1º de janeiro de 2013, mas o início da vigência foi adiado para janeiro de 2016, por decreto da presidente Dilma Rousseff.

A unificação em questão terá que ser feita em comum entendimento com os demais países. Portanto, não há nada que senadores, a Comissão de Educação e até mesmo o Brasil possa fazer unilateralmente.

Recentes notícias de que estaríamos a ponto de reformular a ortografia da Língua Portuguesa não procedem.

Senador Cyro Miranda (PSDB-GO)

Presidente da Comissão de Educação, Cultura e Esporte

[Comunicado em “senado.gov.br” (“link” acrescentado)]

Share

Link permanente para este artigo: https://ilcao.com/2014/08/21/um-esclarecimento-muito-pouco-ou-nada-claro/

«Um ‘desserviço’» [J.B. Oliveira, jornal “O Imparcial” (Brasil), 21.08.14]

logo_imparcial

Escritor avalia mudanças na ortografia

por Mariane Gaspareto-ESPECIAL

Conferencista J.B. Oliveira considera a reforma na língua portuguesa um “desserviço” e combate excesso do estrangeirismo

A nova reforma ortográfica é um “desserviço” para a língua portuguesa, pois suprime acentos que geram dúvidas aos leitores, de acordo com o conferencista, escritor, consultor de empresas e jornalista João Batista de Oliveira, o J.B. Oliveira.

Conforme o prudentino, que mora há mais de 50 anos na capital paulista e retornou a Presidente Prudente para realizar, ontem, palestra promovida pelo CIEE (Centro de Integração Empresa Escola), um exemplo prático é a confusão causada na retirada da acentuação da palavra “para”. “Não sei se é o verbo de ação, referente a parar, ou a preposição”, explica.

Segundo Oliveira, a nova reforma é tão importante, que dedicou um capítulo inteiro de seu livro “Mostrando a língua” ao tema. Segundo o escritor, a intenção do acordo é eliminar diferenças ortográficas observadas nos países que têm a língua portuguesa como idioma oficial, visando a unificação ortográfica das localidades. “No entanto, é uma maneira simples de complicar”, define.

Continue reading

Share

Link permanente para este artigo: https://ilcao.com/2014/08/21/um-desservico-j-b-oliveira-jornal-o-imparcial-brasil-21-08-14/

“A verdade? O que é a verdade?” Pôncio Pilatos (João, 18:38)

«Acordo ortográfico será discutido em audiências públicas»
Título de “press release” do Senado Federal do Brasil, 19.08.14

«Os encontros do GTT são internos e fechados ao público. Portanto, a CE não pode divulgar suas datas ou quem participa de cada um deles.»
Citação de notícia de “Congresso em foco”, 20.08.14

senado

Senado decide reabrir debate sobre novo acordo ortográfico

A Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Senado vem aprofundando o debate nacional a respeito do acordo ortográfico da língua portuguesa. Professores e linguistas consultados e atendidos pela comissão têm usado o espaço para trocar opiniões a respeito da data oficial de implantação definitiva do acordo e de possíveis alterações em seu conteúdo.

Os debates são realizados no âmbito de um grupo de trabalho técnico (GTT) montado pela comissão, que reúne o Centro de Estudos Linguísticos da Língua Portuguesa (Cellp), a Academia de Letras de Brasília (ALB) e o movimento Simplificando a Ortografia. Além dessas entidades, a Associação Brasileira de Linguística (Abralin) procurou a comissão para apresentar sua posição.

Os encontros do GTT são internos e fechados ao público. Portanto, a CE não pode divulgar suas datas ou quem participa de cada um deles. No entanto, a comissão planeja trazer à tona os temas debatidos ao longo dos últimos meses em uma audiência pública, prevista para outubro. Atualmente não há nenhuma proposição formalizada na comissão a respeito do assunto.

O presidente da CE, Cyro Miranda (PSDB-GO), disse acreditar que um debate abrangente a respeito do acordo ortográfico é urgente. “Tínhamos um acordo que não era acordo. A reforma foi feita sem ouvir ninguém. A comissão resolveu botar ordem na casa e tomamos a medida de convocar o debate”, disse.

O senador rejeita a possibilidade de promover mudanças profundas nos termos do acordo, mas ainda não vê uma solução definitiva próxima. “Não queremos fazer uma reforma geral da ortografia. Queremos fazer o mínimo possível de mudanças, mas chegar a um consenso entre os países. Ainda estamos longe disso. As autoridades competentes têm que se envolver mais. Só a comissão se movimenta”.

Continue reading

Share

Link permanente para este artigo: https://ilcao.com/2014/08/20/a-verdade-o-que-e-a-verdade-poncio-pilatos-joao-1838/

«Sts pltcs s dds!» [comentário de M. J. Teles]

CauseILCbig«Quando eu penso que os políticos já esgotaram todos os disparates possíveis, eis que surge esta idiotice pegada! Em nome de quê? Do facilitismo que já grassa há anos e que tem dado péssimos resultados na educação da juventude? Não é “facilitando” a aprendizagem da língua materna que a população vai ficar mais letrada e culta. Para que isso acontecesse, devia existir uma vontade política que, já se viu, está completamente posta de parte. A estes politiqueiros de meia tigela o que interessa mesmo é que as próximas gerações sejam cada vez mais ignorantes e sem vontade de aprender. Assim, mais facilmente serão manipuladas.

Daqui a uns anos vão propor o quê? Que se retirem as vogais para a escrita ficar mais próxima das mensagens nos telemóveis? Isso facilitaria imenso a vida a milhares de jovens que já escrevem dessa forma nos seus trabalhos e testes escolares! Afinal, a ideia não é facilitar, tornar acessível e padronizar? Portanto, padronizemos a escrita de disparates como “Sts pltcs s dds!” (“Estes políticos são doidos!”), para grande gáudio de todos aqueles que não gostam de perder muitas horas com a aprendizagem da sua língua.

O que me aflige mais é saber que, no nosso país, existem cabeças tão desmioladas como as destes senhores e que facilmente vão achar a ideia o máximo.»

[Comentário de MJTeles a “post” com o título “Decreta a ABP, Academia Brasileira de Pitacos” em 19.08.14.]

Share

Link permanente para este artigo: https://ilcao.com/2014/08/20/sts-pltcs-s-dds-comentario-de-m-j-teles/