Um trabalho de João Roque Dias.
Link permanente para este artigo: https://ilcao.com/2012/08/29/a-choldra-ortografica-por-joao-roque-dias/
Ago 27 2012
Carlos Alberto Pinto subscreveu a ILC
Carlos Alberto Pinto
Nascido a 16 de Julho de 1947
Natural de Covilhã / Portugal
Diplomado em Tecnologia Industrial
Pós-Graduação em Direito das Autarquias Locais, pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa
Frequência do 4º ano da Licenciatura em Direito (Universidade Clássica de Lisboa)CARGOS ACTUAIS
– Presidente da Câmara Municipal da Covilhã/Portugal, desde 1990
– Presidente da Comurbeiras – Comunidade Urbana das Beiras/Portugal
– Presidente da AEM – Associação Europeia dos Eleitos de Montanha
– Membro do Comité das Regiões – Bruxelas
– Membro Honorário da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa
– Membro do Conselho Geral do Instituto Francisco Sá-CarneiroFUNÇÕES EXERCIDAS
– Deputado na Assembleia da República/Portugal – 1985/1997
– Deputado na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa – 1988/1996
– Vice-Presidente da Comissão Norte/Sul
– Membro da Comissão para a Paz Israelo/Palestiniana
– Deputado na U.E.O. – União da Europa Ocidental
– Membro da OSCE – Organização de Segurança e Cooperação na EuropaAUTOR DE RELATÓRIOS INTERNACIONAIS SOBRE:
– Actividades da OCDE
– Desenvolvimento Rural
– Poderes Locais e Regionalização
– Rede de Transportes/CEMAT
– Carta Urbana EuropeiaCONDECORAÇÕES / DISTINÇÕES:
– Chevalier dans l’Ordre National de La Légion D’Honneur – República Francesa
Carlos Alberto Pinto, Presidente da Câmara Municipal da Covilhã, determinou em 15 de Junho do corrente ano que aquela “Câmara não adopta o Novo Acordo Ortográfico“.
Subscreveu a Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação da entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990.
Nota: esta publicação foi autorizada pelo subscritor, que nos enviou, expressamente para o efeito, nota biográfica e fotografia.
Ver “galeria” de subscritores, activistas e apoiantes da nossa ILC.
Link permanente para este artigo: https://ilcao.com/2012/08/27/carlos-alberto-pinto-subscreveu-a-ilc/
Ago 23 2012
«Evolução artificial imposta por decreto» [Pedro Afonso, “Público”, 23.08.12]
O escopo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (AO90), unificação e fortalecimento do prestígio internacional da Língua Portuguesa (L.P.), é quimérico. Uma alucinação. Só plausível no mundo ficcional das mentes mais ingénuas, crédulas e de apurado romantismo. Se por um lado é quixotesco acreditar na possibilidade de unificar as diferentes variantes da L.P. através de uma normatização ortográfica, por outro, o AO90 arrima-se em critérios e argumentos questionáveis, contraditórios, inconsistentes e ilógicos. Ao mesmo tempo que resulta de uma medida prepotente e antidemocrática do Governo português.
A Língua não é estanque. É viva e evolui moldando-se ao uso, espontâneo, dos seus falantes e escreventes. A evolução imposta pelo AO90 de natural nada tem. É uma evolução artificial, imposta por decreto, que o uso e o hábito ainda não consagraram. A firmação deste acordo revela falta, além de razão, coerência e visão, de bom senso. As diferentes variantes da L.P. distinguem-se não só pela grafia e fonética mas também pelo vocabulário e sintaxe frásica. Diferenças essas a que o AO90 não responde e que qualquer norma ortográfica jamais conseguirá colmatar. Sob a égide da utópica unificação linguística o AO90 mutila e desfigura a ortografia da L.P e, juntamente, todo o valor histórico, cultural e identitário que cada variante encerra.
Admitindo uma pluralidade de casos de dupla grafia, algumas delas inéditas para ambas as variantes, o acordo contraria o fim a que se propõe. Admitindo grafias facultativas o AO90 não unifica, apenas consagra a diferença. As consoantes mudas suprimidas influem no timbre das vogais precedentes, abrindo-as. Caso contrário, “recepção” e “recessão” ler-se-iam do mesmo modo. Por isso, a sua manutenção não se prende com a teimosia lusitana como é referido, ingenuamente, na “Nota Explicativa”. A abolição, facultativa ou não, destas consoantes pode desencadear alterações fonéticas nestes vocábulos.
Por outro lado, a sua abolição destrói a harmonia gráfica em morfemas lexicais, dificultando o reconhecimento lexical entre formas afins (Ex.: Egi(p)to, Egípcio). A supressão da acentuação entre formas verbais homógrafas do presente e do pretérito perfeito do indicativo aumenta a ambiguidade do texto escrito. As facultatividades e mutilações do AO90 admitem uma multiplicidade de fonéticas e de grafias dentro da mesma variante da Língua, dependente de juízos individuais. Estes fenómenos costuram uma babel na L.P., até então inexistente, que dificulta a sua aprendizagem.
Além dos avultados custos sociais e culturais, o AO90 acarreta também consideráveis custos económicos: substituição de milhões de livros, ferramentas informáticas, documentos, etc., que assim ficam obsoletos, e perda de posição das exportações de edição portuguesa para o mercado brasileiro.
Este acordo foi forjado nas costas dos portugueses, à revelia dos seus interesses. Antes da sua entrada em vigor não só foram ignorados, sistematicamente, os pareceres negativos de inúmeras personalidades da área como não foi requerido nenhum parecer técnico e científico no sentido de mensurar as (des)vantagens, à semelhança do que é feito em tantos outros projectos. Resultado de uma medida precipitada e irreflectida, a entrada em vigor do AO90 constitui uma irresponsabilidade social, política, geoestratégica e económica. Este acordo serve unicamente interesses de índole geopolítica e empresarial, ortogonais aos dos portugueses, pelos quais o nosso erário está a ser saqueado e a nossa Língua prostituída.
Dirijo ao leitor um convite. Convido-o a ler o documento do AO90 e a respectiva “Nota Explicativa”. Se não for filólogo ou linguista não se amedronte. Também não o sou. Garanto-lhe que uma modesta dose de bom senso é mais do que suficiente para constatar a incoerência deste acordo. Um autêntico dislate que não assevera qualquer mais-valia.
O AO90 não é inevitável. Através de uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos é possível libertarmo-nos dos seus grilhões. Saiba mais em: www.cedilha.net/ilcao.
Pedro M. Afonso
Dirigente associativo estudantil no IST (Instituto Superior Técnico)
In jornal “Público” de 23.08.12, página 47. Link para a versão online disponível apenas para assinantes do jornal.
Link permanente para este artigo: https://ilcao.com/2012/08/23/evolucao-artificial-imposta-por-decreto-pedro-afonso-publico-23-08-12/
Ago 21 2012
«É esta a internacionalização do Português» [Paula Blank, via Facebook]
[Mensagem dirigida a Pedro Passos Coelho por Paula Blank (via Facebook)]
«Situação de hoje no decurso do meu trabalho: Alguém num dos sectores de uma empresa estrangeira que produz manuais de utilização em ambas as versões de Português (Portugal e Brasil), reparou que noutros sectores dessa empresa só se produz um manual em Português (que é o PT_PT com atenção a diferenças de terminologia, revistos por mim – uma excepção à regra). Não tendo a noção desse pormenor, esta pessoa perguntou ao responsável pelo sector se, havendo só uma versão de Português noutros sectores, podia eliminar a versão em Português Europeu no sector dele. Sem piscar os olhos. Vamos eliminar uma versão. Qual? A Portuguesa, evidentemente.
Resultado: um tradutor Português ficará sem este trabalho e os utilizadores Portugueses e Africanos passarão a ler instruções em Português do Brasil.
É esta a internacionalização e unificação do Português. Aqueles que usam o argumento que, sem o acordo ortográfico, o Português será uma língua em vias de extinção, nada mais são que os verdadeiros cangalheiros do Português de Portugal.
RIP.»
[Texto copiado, com autorização da autora, do seu “mural” pessoal.]
[“Post” publicado primeiramente num dos nossos “murais” no Facebook. Paula Blank, tradutora, activista da ILC.]
Link permanente para este artigo: https://ilcao.com/2012/08/21/e-esta-a-internacionalizacao-do-portugues-paula-blank-via-facebook/
Ago 18 2012
«Esquisso do acordista» [António Fernando Nabais, “Público”, 18.08.12]
Acordo Ortográfico: esquisso do acordista
Tenho pouco jeito para o desenho e não gosto de generalizações. Evito dedicar-me a ambas as actividades pela mesma razão: a forte possibilidade de falsear a realidade. No entanto, o tempo que tenho passado na polémica acerca do Acordo Ortográfico tem-me permitido reunir alguns traços que, com maior ou menor frequência, surgem no retrato daqueles que defendem o Acordo.
O primeiro aspecto a considerar reside no facto de que raramente um acordista cita o Acordo, tentando demonstrar a sua validade. Na maior parte dos casos, fica-se com a estranha impressão de que o acordista não terá, sequer, lido o Acordo. Noutros casos, o acordista acaba por reconhecer a existência de incongruências, mas prefere desvalorizá-las, com o argumento de que qualquer acordo é melhor do que a inexistência de um acordo.
A importância do Acordo, aliás, é defendida por se considerar que é a tábua de salvação da língua. Sem o Acordo, e, portanto, sem o peso do Brasil, o português europeu passaria a ser uma língua rapidamente extinta. O acordista considera esta asserção tão evidente que se dispensa de a demonstrar, como se dispensa de demonstrar como é que a sobrevivência de uma língua depende tão completamente do sistema ortográfico.
O acordista sabe que o Acordo Ortográfico não trouxe acordo ortográfico, mas finge, ainda, ignorar que, para além da ortografia, não existem outras diferenças insanáveis, que só poderiam desaparecer se, para além de um acordo ortográfico, se realizassem, ainda, um acordo sintáctico, um acordo fonético e um acordo semântico. Nada disso impede o acordista de afirmar, por exemplo, que “qualquer livro editado em português possa ser impresso em qualquer país lusófono”.
O acordista insiste, ainda, em classificar como perniciosa “a circunstância de a língua portuguesa ser a única do mundo ocidental falada por mais de cem milhões de pessoas com duas ortografias ocidentais”, o que, mesmo que não fosse mentira, não chegaria para provar coisa nenhuma, pois não passa do típico argumento provinciano que se limita a considerar negativo o que for uma característica única.
É, ainda, vulgar, ouvir o acordista criticar os críticos do Acordo Ortográfico por se julgarem “donos da língua”. Tal crítica faria sentido se esses mesmos críticos defendessem a imposição da ortografia europeia a todos os outros países lusófonos. A língua pertence, evidentemente, a quem a usa, o que quer dizer que o português pertence a todos os países lusófonos e é, portanto, enriquecedor que esse facto provoque todo o género de aproximações e admita as inevitáveis diferenças, que podem ser fonéticas, semânticas ou ortográficas.
É nesta altura que o acordista deixa escapar a sua veia empreendedora, defendendo que o Acordo Ortográfico será uma oportunidade de negócio, com amanhãs comercialmente risonhos. Diante dessa certeza, o acordista desvaloriza, aliás, o contributo dos linguistas, seres estranhos, ratos de biblioteca que se alimentam de etimologias bafientas e querem impedir a evolução da língua.
Para o acordista, mesmo sendo um leigo ou exactamente por ser um leigo, o linguista é uma espécie que vai contra um século democrático em que a língua é do povo. Não será estranho, amanhã, encontrar o acordista a defender, noutros campos do conhecimento, a autoridade dos especialistas. Na língua, o especialista deve ser ignorado, é uma antiguidade sem sentido. Aliás, o acordista, tal como não leu o Acordo Ortográfico, também não se dá ao trabalho de ler os especialistas.
A recusa dessa leitura, no entanto, não impede o acordista de sustentar a sua opinião, que considera esmagadora, com argumentos tão vagos como “já havia palavras homógrafas” (o que não deveria ser razão para aumentar o seu número), “há palavras que se pronunciam com a vogal fechada, apesar de terem consoantes mudas” (o que, sendo inegável, constitui excepção) ou “a grafia não afecta a oralidade” (como se não existissem relações complexas entre a leitura, a oralidade e a escrita).
Não é fácil ser-se crítico do Acordo Ortográfico, num país em que tudo se discute pela rama e tudo se decide com leviandade. Ser acordista é mais fácil: basta não conhecer o Acordo Ortográfico e não estar na disposição de ler o que se escreve sobre ele.
António Fernando Nabais
[Transcrição de artigo de opinião da autoria de António Fernando Nabais. In jornal “Público”, 18.08.2012. Link disponível apenas para assinantes do jornal.]
[Nota: os conteúdos publicados na imprensa ou divulgados mediaticamente que de alguma forma digam respeito ao “acordo ortográfico” são, por regra e por inerência, transcritos no site da ILC já que a ela dizem respeito (quando dizem ou se dizem) e são por definição de interesse público (quando são ou se são).]
Link permanente para este artigo: https://ilcao.com/2012/08/18/esquisso-do-acordista-antonio-fernando-nabais-publico-18-08-12/



