«É necessário preservar a memória etimológica que existe, como uma “reserva ecológica”»
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Há entre os opositores ao Acordo Ortográfico de 1990 (A090) quem menoscabe a importância da etimologia e antes se fundamente em motivos de ordem fonografémica intrínsecos ao sistema da língua: designadamente o valor diacrítico das chamadas consoantes mudas no Português euro-afro-asiático, mantendo a abertura da vogal átona precedente (contrariamente à tendência comum de fechamento). É que a etimologia sofreu desde a reforma de 1911 diversos ataques que a fizeram recuar, com privilégio da aproximação à fonética, afinal o argumento mais utilizado pelos paladinos do AO90. E há muito foram simplificadas certas consoantes duplas etimológicas, e extirpados os “y” e os “ph”, além de outras mudas que acabaram por sucumbir nesses processos de mudança, u.g. o “c” em “traduCção”. A defesa da memória etimológica, para que seja um argumento bem-sucedido, justificar-se-ia radicalmente com o recuo a antes de 1911, reaproximando o Português de línguas como o Francês e o Inglês, e consequentemente do Latim, e afastando-a de outras românicas que se “modernizaram”, como o Italiano e o Castelhano. Não vou ao ponto de advogar o recuo à “orthographia” pré-Republicana. Contudo, por defeito de formação e profissão, entendo necessário preservar a memória etimológica que existe, como uma “reserva ecológica”.
Ago 17 2012
«A razão das raízes» [Rui Miguel Ventura Duarte , “Público”, 17.08.12]
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Ago 15 2012
«Lusofonias» [Duarte Branquinho, semanário “O Diabo”, 14.08.12]
Fui este ano pela primeira vez ao Rio de Janeiro, cidade de uma beleza natural espantosa que já foi capital de Portugal. Observando as pessoas e os seus hábitos, houve algo que me deixou perplexo. Mesmo sabendo que o brasileiro comum não entende bem a nossa pronúncia, não deixei de ficar chocado – a palavra é mesmo esta – com o facto de a maioria deles não perceber sequer que língua é que falamos! Perguntaram-me se eu era italiano ou argentino e alguns responderam-me em espanhol (por este termo entenda-se o castelhano com sotaque e termos sul-americanos)!
Claro que basta abrir as vogais, mudar o tempo verbal para o gerúndio e usar alguns termos locais para se ser entendido. Mas a adaptação tem que ser nossa.
Estabelecida a comunicação, verifica-se que há um carinho e uma admiração por Portugal. Mas não nos deixemos iludir.
O cidadão comum conhece muito pouco do país que lhes levou a língua e onde um dia aportou uma corte europeia, algo único na História. Apesar de demonstrar curiosidade e interesse.
Esta experiência pessoal leva-me à questão de fundo da lusofonia. Conceito a partir do qual quase tudo se tem defendido. Incluindo o famigerado Acordo Ortográfico, que em nada aproximou, nem aproximará, os países lusófonos.
Este é um assunto de elevada importância que não deve ser descurado. A lusofonia é uma área de influência geopolítica natural de Portugal e que deve por nós ser utilizada na afirmação da nossa cultura e posição internacional, mas há que recordar que não pode ser deixada a outros. Nunca pela lusofonia devemos submeter-nos a interesses alheios. Pelo contrário, devemos ter sempre presente que a nossa gloriosa gesta lusa foi mais uma das projecções da Europa. Não podemos esquecer o poder e amplitude da forma como locámos o mundo, mas o que não podemos mesmo fazer é esquecer o nosso país e o nosso povo em nome dessa projecção.Duarte Branquinho
“O Diabo”, 14 Agosto 2012
[Editorial da autoria de Duarte Branquinho no semanário “O Diabo” de 14.08.2012. Transcrição copiada do Facebook.]
[Nota: os conteúdos publicados na imprensa ou divulgados mediaticamente que de alguma forma digam respeito ao “acordo ortográfico” são, por regra e por inerência, transcritos no site da ILC já que a ela dizem respeito (quando dizem ou se dizem) e são por definição de interesse público (quando são ou se são).]
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Ago 15 2012
Onde assinar a ILC: PÚBLICO Loja, Lisboa
Se vive em Lisboa, pode agora assinar a ILC também na Loja do jornal PÚBLICO, na Rua Viriato nº13 (Metro Picoas).
Este é mais um da nossa já longa lista de espaços onde pode subscrever a ILC pela revogação do Acordo Ortográfico, mas não é um espaço qualquer. Na verdade, muito nos apraz registar a presença do PÚBLICO Loja nesta lista, e logo através da sua “casa-mãe”, situada na sede do jornal.
Como todos saberão, o PÚBLICO é um jornal que desde a primeira hora se manifestou contra a imposição do Acordo Ortográfico, dando voz a muitos artigos de opinião que, sob diferentes pontos de vista, demonstram a insensatez do AO.
O PÚBLICO é também responsável pela edição de centenas de títulos da música, do vídeo e da literatura portuguesa e universal, em áreas que vão da banda desenhada ao romance clássico, passando pela História e pelo livro para a infância.
No contexto do AO90, as lojas PÚBLICO acabam assim por se tornar, como não podia deixar de ser, um porto seguro para quem quer comprar ou oferecer um livro sem ter a preocupação de verificar em que “língua” está escrito. E, agora, a loja da Rua Viriato é também um local onde pode subscrever a ILC.
Ver “Mapa de Locais“.
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Ago 15 2012
Uma entrevista sobre o “acordo ortográfico”
[Nota prévia:
Não nos revemos em algumas das opiniões expressadas pelo entrevistado, nem no “timing” e nos métodos das acções que em função dessas opiniões o mesmo advoga no âmbito da luta contra o “acordo ortográfico”.
Agradecemos, no entanto, a referência que aquele subscritor faz à nossa iniciativa.]
Nota posterior (18.08.12): o conteúdo deste “post” foi apagado a pedido do entrevistado.
“O Acordo Ortográfico é inconstitucional”
Duarte Branquinho
Nota posterior (18.08.12): o conteúdo deste “post” foi apagado a pedido do entrevistado.
In semanário “O Diabo” de 14.08.12.
[Nota: os conteúdos publicados na imprensa ou divulgados mediaticamente que de alguma forma digam respeito ao “acordo ortográfico” são, por regra e por inerência, transcritos no site da ILC já que a ela dizem respeito (quando dizem ou se dizem) e são por definição de interesse público (quando são ou se são).]
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Ago 12 2012
«”Eurofonia” e lusofonia, a mesma farsa» [Nuno Pacheco, “Público”, 12.08.12]
Nas primeiras imagens de uma deliciosa comédia de Ernst Lubitsch, A 8.ª Mulher do Barba Azul, vê-se um homem bem vestido a olhar a montra de uma loja na Riviera francesa. Franze o sobrolho quando lê este aviso: “Falamos alemão. Falamos italiano. Falamos inglês. Compreendemos americano.” Gary Cooper (é ele o actor) entra na loja e quando lhe perguntam “o cavalheiro, o que deseja?”, responde: “Pajamas.” Claro que era um americano. Porque se fosse inglês teria dito “Pyjamas”. Teria dito? De quantas maneiras poderá dizer-se uma mesma palavra? E de quantas nos é possível escrevê-la? As diferenças entre línguas, e particularmente entre variantes de uma mesma língua, têm sido ao longo dos séculos motivo de curiosidade ou de humor, mas nunca de conflito. São tão naturais como tudo aquilo que as fez nascer. Já agora: pijamas (que em Portugal se escreve com “i”) não é inglês nem “americano” – é uma palavra de origem persa.
Vem isto a propósito da mais recente “inovação” em matéria linguística. Num artigo recente, o economista italiano Edoardo Campanella (ver PÚBLICO de 8 de Agosto) defende “a adopção de uma língua comum” na União Europeia. Isto não teria que rejeitar as línguas existentes, que ele reconhece serem muitas (só em Itália, o seu país natal, há uns vinte dialectos regionais), mas levaria a que as línguas de cada país fossem para uso caseiro, sendo que em termos internacionais se usaria uma língua comum. Qual, ele não diz, mas só vê benefícios.
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