Notas de apreço – 5

O apoio precioso que A Barraca tem vindo a prestar à ILC-AO é um bom motivo para actualizarmos as “Notas de Apreço” que aqui temos vindo a publicar.

Assim, temos desde logo a recolha de assinaturas no Teatro Cinearte, integrada na apresentação do mais recente espectáculo do grupo.

Estamos nos últimos dias desta carreira especial de 1936 – O Ano da Morte de Ricardo Reis.A Barraca celebra os 20 anos…

Posted by A BARRACA Teatro on Monday, 9 July 2018

 

É justo, também, que se refira a divulgação da In-Libris. Editora com sede no Porto, apoiantes de longa data desta ILC, voltou a divulgar a nossa Iniciativa no seu blog “tertúlia”. À In-Libris e, em especial ao Paulo Ferreira, proprietário da editora, o nosso muito obrigado.

Por fim, apesar de já o termos referido em artigos próprios, não podemos também deixar de agradecer à Gradiva o apoio inestimável que nos prestou ao longo de toda a Feira do Livro de Lisboa, ao longo de onze jornadas memoráveis em que, apesar de um ou outro dia de chuva e de alguns percalços logísticos, digamos assim, foi possível recolher mais de 2.000 subscrições… a juntar às dezasseis mil que já tínhamos.

 

A todas as entidades, organizações e pessoas — as que já mencionámos mas também as que por algum motivo (ainda) não foram referidas — aqui fica o nosso modesto, porém muito reconhecido testemunho de gratidão.

A Língua Portuguesa agradece!

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Em defesa da ortografia II (por João Esperança Barroca)

EM DEFESA DA ORTOGRAFIA
II
Ou o AO 90, os partidos políticos, Tomar e os cidadãos

Como é hábito em Portugal, a discussão sobre o Acordo Ortográfico foi sendo desviada do essencial, com a irracionalidade a invadir o debate. Os contra eram uma cambada de retrógrados, os apoiantes
davamprovas de progressismo. O curioso é que nesta matéria, o sonho imperial
e saloio do cavaquismo linguístico deu as mãos ao deslumbramento
modernaço e igualmente saloio do socratismo.

Ana Cristina Leonardo, autora do livro O Centro do Mundo

No primeiro artigo de opinião, publicado no n.º 4334, em 29 de Junho, abordámos pormenorizadamente o projecto de resolução n.º 1340/XIII/3.ª, de iniciativa do PCP, que recomendava a saída de Portugal do Acordo Ortográfico (AO) de 1990.

Alguns dias depois, em Março, em carta de demissão do cargo de secretário-geral do PSD, Feliciano Barreiras Duarte escrevia nos pontos 6, 8 e 9 dessa carta os excertos que se seguem:
6. Ao mesmo tempo, tenho perfeita consciência, como qualquer observador minimamente atento, de que não sou eu o alvo, mas sim o líder do meu Partido e a sua direcção; por isso ficar seria avolumar o problema e não contribuir nada para a solução.
8. Espero que a minha demissão faça cessar os ataques à direcção do PSD e permita que o Dr. Rui Rio, a quem agradeço a confiança e a amizade, bem como a sua equipa, consigam atingir os objectivos que justamente perseguem, pois isso é o que é o melhor para o País e deve constituir a única preocupação de todos e de qualquer de nós.
10. Não há lugar a arrependimentos: dediquei os melhores anos da minha vida ao PSD e à actividade política e voltaria a fazer o mesmo, pois considero que servir o País é o mais nobre dos deveres.

Verifica-se, pois, que o deputado Feliciano Barreiras Duarte utiliza, nos seus escritos, a grafia anterior ao AO 90 (direcção, objectivos e actividade), mas, na Assembleia da República, vota ao lado dos que defendem a grafia do AO 90, promovendo uma ortografia incoerente e que não respeita a etimologia. Provavelmente, nem ele saberá explicar esta contradição…

Foi (e é) contra o caos ortográfico, que o AO 90 veio potenciar, que a Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico foi lançada há já alguns anos.

Curiosamente, até ao momento há, no nosso concelho, 423 subscritores, distribuídos pelas várias freguesias, com predomínio da freguesia urbana.

O que o leitor certamente não sabe é que Tomar é um dos concelhos mais representados, ficando, em valores absolutos, em 7.º lugar a nível nacional, apenas suplantado por Lisboa, Porto, Sintra, Oeiras, Lagos e Cascais. Se tivermos em conta a população de cada um destes concelhos, concluiremos que os números de Tomar são bastante impressionantes, pois, com excepção de Lagos, todas as outras cidades são grandes centros populacionais.

Coloquemos Tomar no pódio da recolha de assinaturas da Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico (ILCAO). Se ainda não assinou, não deixe de o fazer. Divulgue-a junto dos seus amigos e familiares.

Será, nas palavras sábias de Maria do Carmo Vieira, um acto de resistência contra a mentira e contra a hipocrisia. A Língua Portuguesa, património cultural e artístico, agradecer-lhe-á. Se tiver alguma dúvida acerca desta iniciativa, consulte o sítio oficial da ILC: https://ilcao.com/subscricoes/subscrever/

João Esperança Barroca

(artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de 27 de Julho de 2018)

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Estamos n’A Barraca

Passada a Feira do Livro de Lisboa e enquanto aguardamos pelo próximo grande evento do género, a ILC-AO vai-se desdobrando em outro tipo de acções de divulgação da iniciativa e de recolha de subscrições.

Neste momento está a decorrer mais uma, no Teatro Cinearte, a propósito da apresentação do espectáculo “1936, o Ano da Morte de Ricardo Reis“, baseado na obra de José Saramago.

Começou no passado fim-de-semana e durará até ao final da temporada: com o apoio d’A Barraca, quem for assistir ao espectáculo pode também encontrar-nos ali e, se ainda o não fez, subscrever esta ILC.

Com efeito, aquela histórica companhia de teatro abriu as portas à nossa Iniciativa, assegurando os meios para que pudéssemos instalar no local um ponto de recolha de assinaturas, o que desde já agradecemos, evidentemente.

Portanto, fica a sugestão de um “programa” para o seu próximo fim-de-semana: no Cinearte, pode juntar o útil ao agradável, assistindo à representação de um dos mais notáveis romances de Saramago e subscrevendo a ILC contra o Acordo Ortográfico.

O espectáculo termina a sua temporada este fim-de-semana, com sessões na quinta-feira, na sexta-feira e no sábado às 21.30h e domingo, dia 29, às 17:00h. A partir das 21:00h (das 16:00h no domingo) estará também a funcionar ali a “banca” da ILC. Já faltam poucas assinaturas para as 20.000.

Vá ao teatro… e junte-se a nós na defesa da Língua Portuguesa.


Nota: por motivos alheios à nossa vontade não teve lugar a sessão de ontem, sábado. Mantém-se o espectáculo agendado para hoje, domingo.

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Dignidade (por Maria do Carmo Vieira)

DIGNIDADE

Já expressámos, por inúmeras vezes, a nossa convicção de que o pouco interesse pela Cultura, manifestado por parte de quem manda, resulta da opção consciente em anular o que é espiritual, talvez porque também nunca tenham sentido os seus efeitos benéficos, defendendo e valorizando superlativamente tudo o que conduza, com facilidade e rapidez, à obtenção de um pretenso bem-estar material. Quanto mais ignorantes forem as pessoas, quanto mais se traírem, expondo-se perigosamente ao abdicar de pensar por si próprias, mais facilmente serão conduzidas e enganadas sem a menor compaixão. Testemunha-o o crescente populismo, seja qual for a ideologia que dele se aproveite, e a sociedade global e profundamente desumanizada em que vivemos. Ideias que repetimos porque constante a preocupação que não sentimos abrandada.

Este desejo de moldar o ser humano, estando dele ausente sensibilidade, espírito crítico e responsabilidade, por falta de educação e de treino, começa paradoxalmente na escola, temática que nos é cara e sobre a qual nos temos debruçado com regularidade. A obsessão pela facilidade e a não valorização da reflexão e do estudo, aspectos visíveis, por exemplo, no ensino da Língua Materna, com o uso forçado do absurdo e controverso Acordo Ortográfico de 1990 (AO 90), são sinais evidentes de uma autoridade, no sentido de competência, posta em causa, uma situação que se verifica igualmente em poemas, falsamente atribuídos a Fernando Pessoa, ortónimo e heterónimo, lidos e analisados em sala de aula. A rapidez com que se vai à internet, em procura de material didáctico, ocasiona esta lástima e as vítimas perpetuarão a ignorância.

Há sempre quem se deixe aliciar pela facilidade e cultive a preguiça, no estudo e na reflexão, atitudes que não impedem intervenções arrogantes sobre o que não se conhece. Testemunhámo-lo, não há muito, com uma jovem professora universitária que, irritada pelo facto de se mencionar que Luís de Camões, em Os Lusíadas, estaria em consonância com a tese africana, representativa da vontade da nobreza que defendia a expansão para África, e não para Oriente, como desejava a burguesia, perguntou «se o poeta deixara isso escrito». E não se contentando com a questão que tentava confundir quem a expusera, no caso, eu própria, quis pôr à prova o conhecimento sobre outra matéria camoniana, indagando vivamente se o poeta também deixara explicado quem era a «Rosa» do seu soneto, «Rosa minha gentil, que te partiste». Um verso pretensamente decorado, e quem sabe se transferido para os alunos, adulterando o belíssimo soneto que se inicia com «Alma minha gentil que te partiste».

Este inebriamento pela própria ignorância encontra companhia fértil em quase toda a comunicação social, criada ao som da voz-do-dono e da procura do espectacular, com realce para a televisão, pública ou privada. O modo como se desenvolvem, por exemplo, muitos dos programas televisivos, explorando a privacidade humana, em que se incluem as próprias crianças, ou encenando uma assistência, previamente domesticada, que grita, ri ou aplaude sempre que recebe ordem para gritar, rir ou aplaudir, sentada ou de pé, em perfeita sintonia com apresentadores freneticamente apalhaçados, e de um nível cultural e linguístico confrangedores, é bem sintomático da vontade de alienar e de deseducar que grassa na sociedade. Mesmo nos programas de índole cultural, nomeadamente na Rádio, damo-nos, por vezes, conta de uma ignorância ostentada não só em relação à Literatura, mas também, e sobremaneira, em relação à História (tão maltratada porque desprezada tem sido a memória). Em relação a este último caso, não é raro que se confundam datas de acontecimentos históricos, dignos de referência, ou se galhofe com acontecimentos dramáticos e figuras históricas, ou até se espicace o entrevistado, estudioso na matéria, que expõe, para uma abordagem picante de um dado assunto, como forma de o aligeirar, cativando facilmente os ouvintes, assim devem pensar. Gostam estes mercenários da cultura de se ouvir e por isso interrompem constantemente, rindo de contínuo.

O mesmo pacto com a mediocridade, exposta sem pejo, aconteceu com o AO 90. Na verdade, é confrangedor ler ou ouvir a argumentação sobre o assunto, por parte de algumas pessoas ligadas à cultura e à política, a começar pelos mentores de tal aberração que a grande maioria dos portugueses inteligentemente contesta. Como é possível aceitar o critério acientífico da «pronúncia» na ortografia ou que a mesma se torne factor de sucessivos equívocos? Como é possível defender a «unificação ortográfica» quando, por exemplo, «recepção» e «concepção» continuam a existir no Brasil, pelo critério da pronúncia, tendo sido transformadas, em Portugal, nas aberrantes «receção» e «conceção», segundo o mesmo critério (neste caso, «p» não pronunciado), pondo em causa a vertente cultural da ortografia, ou seja, a etimologia?

Confunde, qualquer um, a estreita cumplicidade entre a comunicação social, salvo raras excepções, com destaque para o jornal Público, e a classe política, em que é justo relevar a postura crítica do Partido Comunista, cumplicidade desde sempre visível no pacto de silêncio relativamente ao AO 90. Sem pejo, escondeu-se o embuste que foi o processo relativo ao desenvolvimento do Tratado Internacional, que pelo seu significado exigiria uma maior seriedade, e, sem pejo, impediu-se igualmente a discussão que a matéria requeria porque a Língua, património colectivo, não é pertença de uns tantos supostamente iluminados; um embuste é ainda a unificação ortográfica pretendida quando a própria diversidade geográfica e cultural, da mencionada «lusofonia», a impede. Lamentável é o facto de alguma intelectualidade, traindo a sua função, aceitar acriticamente a «pronúncia» como critério científico ou que as crianças sejam estupidamente usadas em nome da facilidade que não procuram.

Como se tudo isto não bastasse, festejou-se, há uns anos, a entrada, na CPLP, da Guiné Equatorial, paradoxalmente reconhecida como voz «lusófona», sem falar português, e perdoada na sua completa indiferença pelos direitos humanos. Depois do espanhol e do francês (processo de adesão à francofonia há 18 anos) o português é o seu terceiro idioma oficial (anunciado há 5 anos), mas ainda não falado, e, segundo informação vinda a público, os governantes têm tido acesso a acções de formação através da embaixada do Brasil.

Tentar enganar não é um comportamento digno de um político. Trair a inteligência, o estudo e a função de alertar não é um comportamento digno de um intelectual; obedecer à estupidez e aceitá-la com resignação é abdicar da dignidade que devemos a nós próprios.

Deixamos um apelo: A Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico (ILCAO),com 80% das assinaturas necessárias recolhidas (faltam menos de 4000), precisa do seu apoio. Contamos consigo para subscrevê-la, caso ainda não o tenha feito, e para nos ajudar a divulgá-la e a angariar as subscrições em falta.

Para o efeito, consulte e partilhe o sítio oficial da ILC: https://ilcao.com/subscricoes/subscrever/

Maria do Carmo Vieira
Lisboa, 3 de Abril de 2018
(artigo publicado na revista “Villa da Feira” de Junho 2018)

 

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Cem palavras

 

Ali estava eu, em pleno centro de Braga, sozinha no meio da rua, com esta mesa de campismo, com estes cartazes, com estes papeis, e sobretudo com esta fé inabalável: uma única assinatura e já valeu a pena ter vindo.

Ao que parece, nunca ninguém tinha tentado fazer isto…

Pois rapidamente fiquei sem palavras.

Olha, a primeira subscrição!

E a segunda.

E a terceira. E outra e outra e outra!

Em algumas alturas chegaram a formar-se pequenas filas de pessoas que esperaram pacientemente a sua vez para assinar.

Quando os transeuntes se apercebiam da finalidade desta ILC,  aproximavam-se para me dirigir palavras de incentivo, falavam sobre esta nossa causa com entusiasmo, demonstravam interesse, muito mais do que simples curiosidade; foram imensas as manifestações de apreço, que muito me sensibilizaram e deram força para continuar.

Um único incidente, com seu quê de cómico, nada de alarmante: uma senhora, que apesar de não estar em funções disse ser funcionária da Câmara Municipal, perguntou-me se tinha  autorização para estar a recolher assinaturas na via pública. Mostrei-lhe o Artigo 5.º da Lei que rege as Iniciativas Legislativas de Cidadãos que diz claramente que não deve ser levantado qualquer obstáculo à recolha de assinaturas. Pareceu compreender e seguiu o seu caminho. Uma acordista militante, suponho, pois que faça boa viagem de regresso a casa.

Em jeito de balanço, o que o último fim-de-semana vem demonstrar é que podemos e devemos continuar a reafirmar, sem qualquer receio de errar ou sequer de exagerar, que a luta contra o AO90 é de facto uma causa verdadeiramente nacional, envolvendo uma cada vez maior multidão de pessoas, de Norte a Sul do país.

A ILC-AO vai fazendo o seu caminho! Este fim-de-semana em Braga, com uma simples “banca” armada em pleno passeio e com uma só pessoa a tratar da recolha de assinaturas, é disso mesmo exemplo flagrante. E até comovente, se virmos bem, tão espontânea e entusiástica é a forma como os cidadãos reagem quando se apercebem de que a luta contra o AO90 está bem viva.

No comboio de regresso contei-as: 45! Caramba! Quase meia centena de subscrições. Se uma imagem vale por mil palavras, como se costuma dizer, então esta vale ao menos por cem: fui lá jurando a mim mesma que se conseguisse uma única assinatura então já teria valido a pena…

Podemos, alguns de nós, ficar sem palavras quando algo assim sucede; mas o que importa é continuar a lutar para que não fiquemos, nem cem, nem dez, nem um único de nós sem as palavras todas.

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