Dez 29 2016

Os dados estão lançados!

Este artigo dá sequência ao do passado dia 20, no qual começámos a definir uma espécie de “retrato-robot” dos subscritores da ILC. Como vimos nesse texto, se quiséssemos personificar um subscritor-tipo desta Iniciativa, teríamos de começar por dizer que é uma mulher e que reside em Lisboa.

Entre os 308 concelhos existentes em Portugal, Lisboa é, de facto, o mais representado. Seguem-se Cascais, Oeiras, Porto, Sintra, Lagos e Tomar. Pela sua posição no “ranking” identificam-se facilmente as cidades onde há mais militantes activos, gente que chamou a si a responsabilidade de recolher assinaturas além da sua própria. A posição “natural” de concelhos como Cascais, Lagos e Tomar seria certamente uns furos mais abaixo sem o contributo precioso destas pessoas (no quadro: “top-20” dos concelhos anti-acordistas).

Os anti-acordistas distribuem-se de forma mais ou menos uniforme por todas as faixas etárias da população. Este gráfico é apenas referencial ou indicativo, uma amostra do total, visto que somente obtivemos a data de nascimento de 433 dos subscritores desta versão em papel — até à alteração das regras das ILC a data de nascimento dos subscritores era um dado facultativo. De qualquer modo, graficamente fica bem clara a falácia dos argumentos acordistas quando referem os “velhos do Restelo” que recusam “a modernidade” do AO.

Um dado curioso prende-se com a percentagem de pessoas que optaram por subscrever a ILC enviando uma digitalização do impresso de subscrição, depois de preenchido e assinado. Recordamos que, quando esta Iniciativa Legislativa de Cidadãos começou, a Assembleia da República apenas admitia a “assinatura presencial em suporte físico”, isto é, subscrições em papel enviadas pelo correio ou entregues em mão. Esta regra já era há muito um anacronismo mas os serviços da AR concordaram, a solicitação nossa, em pelo menos aceitar as assinaturas digitalizadas e enviadas por e-mail. O papel continuava a ser omnipresente, mas era possível digitalizá-lo e enviá-lo como imagem por correio electrónico.

Não sendo tão fácil como a assinatura via formulário electrónico, este método era, ainda assim, menos complicado do que a ida aos correios: quase dois mil subscritores optaram por esta via.

Por fim, um dado que é apenas uma curiosidade: esta ILC atravessa também uma mudança gradual do velho Bilhete de Identidade para o Cartão de Cidadão, sendo que a nossa anti-acordista modelo, à data da subscrição, usou ainda o seu Bilhete de Identidade.

Entretanto, e para lá da estatística, este artigo é também o primeiro que publicamos já depois de recolhidos todos os dados das assinaturas em papel.

O que significa isto? Desde logo, significa que devo um imenso obrigado à Hermínia, à Isabel e à Olga, só para citar alguns nomes. Graças a elas e a outros voluntários como elas foi possível concluir a enorme tarefa de recolher, compilar e tratar informaticamente um volume gigantesco de dados.

Significa também que está cumprida uma etapa crucial desta nova vida da ILC. A partir de agora, abrem-se novas possibilidades de trabalho. O primeiro passo foi, obviamente, a eliminação de subscrições repetidas. Por estranho que possa parecer, houve de facto um número considerável de pessoas que assinaram a ILC mais de uma vez. Sem este tratamento dos dados, era impossível detectar uma repetição de alguém que, por exemplo, subscreveu a ILC em 2012, tendo voltado a fazê-lo um ano depois. Essa primeira triagem, que teve naturalmente reflexos no total apurado, já foi também feita.

A partir de agora, vamos também poder dar resposta às pessoas que nos perguntam se já subscreveram a ILC. Há várias pedidos nesse sentido que aguardavam, precisamente, a conclusão desta última tarefa — as respostas vão começar a ser enviadas já durante a próxima semana.

A conclusão desta enorme empreitada significa, ainda, que o quadro que actualizámos na coluna da direita é o quadro com os valores FINAIS, relativamente à recolha de dados das subscrições em papel da era pré-digital. Uma alteração que este quadro poderá ainda sofrer prende-se com os casos “a resolver” — aqueles em que os dados estão incompletos ou ilegíveis mas em que poderá ainda haver um contacto com o subscritor.

No pior cenário, em que nenhum desses casos se transforma numa assinatura válida, temos assim que a recolha de assinaturas em papel “rendeu” 14.238 assinaturas. Para completar o total de 20.000 assinaturas, é agora necessário que a subscrição por via digital e as novas assinaturas em papel perfaçam a soma de 5.762 assinaturas.

Este é o principal mérito desta maratona de recolha de dados. A partir de agora temos um objectivo definido — e temos uma forma de saber quão perto estamos de o cumprir. Dito de outra forma, vamos poder saber se as assinaturas que já chegaram e continuam a chegar através do formulário de subscrição, são efectivamente subscrições novas ou se existem repetições das assinaturas em papel já processadas.

Naturalmente, esta é a primeira das nossas prioridades para os tempos mais próximos: a concepção de uma ferramenta que permita comparar automaticamente as duas bases de dados. Uma coisa é certa: mesmo que não se verifiquem novas repetições, a soma das assinaturas em papel (novas e velhas) e electrónicas não é ainda suficiente para que a ILC possa dar entrada no parlamento.

Mas sabemos que “a praia” está próxima. E acredito que teremos a força de vontade suficiente para não soçobrar tão perto do nosso objectivo final.

Por tudo isto, ao invés de um singelo “Quem Somos (parte II)”, não posso deixar de acatar a excelente sugestão do João Pedro Graça para o título deste artigo — “Os dados estão lançados”.

Os dados estão efectivamente lançados. Mas o sucesso desta Iniciativa está longe de depender apenas da sorte. Como se vê, o número de subscritores que já temos constitui  uma “massa crítica” suficiente para garantir o êxito desta iniciativa. Todos nós conhecemos pelo menos um amigo que ainda não subscreveu a ILC. Para usar uma linguagem futebolística, a ILC depende apenas de si própria para conseguir os seus objectivos — está nas nossas mãos levá-la até ao fim.

Boas entradas em 2017 — que este seja o ano em que o famigerado “Acordo” desaparece de vez.

Rui Valente

PS. — Estou a fazer um esforço para agradecer individualmente a todas as pessoas que, à luz das novas regras das ILC, nos estão a enviar a sua data de nascimento — em especial nos casos em que esse dado nos chega acompanhado por palavras de incentivo e com a promessa de divulgação da ILC pela lista de contactos do subscritor. Prevendo que esse volume de mensagens acabe por ser impossível responder a todos individualmente,  aproveito para deixar aqui, desde já, o meu agradecimento público (e colectivo) aos subscritores que optem por nos enviar essa informação.

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Dez 20 2016

Quem somos?

Muitas vezes, ao percorrer a longa lista de nomes dos subscritores da ILC, dei comigo a perguntar: quem são estas pessoas? O que motivou gente de todos os cantos do país a manifestar a sua voz contra um Acordo Ortográfico que, dizem os  acordistas, apenas altera meia dúzia de palavras do nosso vocabulário?

Que educação tiveram, escolar e familiar? Que percurso fizeram? O que os levou a cimentar o carinho que certamente sentem pela sua Língua?

Pressente-se, por detrás de cada folha de papel, gente de todas as origens e estratos sociais. Ricos e pobres, gente de esquerda e de direita, gente de todas as artes e ofícios, académicos e intelectuais, figuras públicas — mas também muita, muita gente anónima. Cidadãos “next door”, como lhes chamei há tempos.

Não é possível ignorar o facto de esta ILC se ter transformado numa daquelas raras Causas capazes de unir a grande maioria da população. Há poucos temas assim, capazes de gerar consenso: além da inevitável Selecção Nacional de futebol, só o nosso riquíssimo património histórico enquanto povo e a Língua que falamos conseguem aceder ao restrito lote das coisas que nos unem incondicionalmente.

É claro que, no plano individual, a pergunta “Quem somos?” ficará sempre sem resposta — é impossível conhecermos pessoalmente cada um dos subscritores.

Mas agora, graças ao levantamento que está a ser concluído, podemos pelo menos chegar a alguns dados interessantes — e as poucas centenas de subscrições cujo tratamento está ainda por fazer já não deverão alterar este “retrato robot” do subscritor da ILC.

Vejamos alguns resultados extraídos da penúltima actualização.

A surpresa maior prende-se com o género: esta é uma Iniciativa que está a ser feita no feminino, tendo sido subscrita na primeira versão em papel (e continuará certamente a sê-lo na actual modalidade electrónica)  maioritariamente por mulheres: 56%.

Já quanto à distribuição geográfica não há surpresas: existem subscritores da ILC-AO em todos os distritos do país, incluindo as regiões autónomas dos Açores e da Madeira.

Muito em breve apresentaremos resultados e gráficos finais (ou quase) deste levantamento das subscrições em papel antes da alteração da Lei que regula as ILC. Nessa altura poderemos começar a tratar os dados das subscrições electrónicas desta nova fase da ILC. Electrónicas… e em papel — tendo em conta que esta forma de subscrição, naturalmente, continua a ser válida.

Se por acaso não subscreveu a ILC, ainda está a tempo de juntar a sua voz à deste extraordinário conjunto de cidadãos.

Diga NÃO ao Acordo Ortográfico — contamos consigo para continuarmos a traçar o mapa do nosso descontentamento. É um mapa que percorre o país de lés a lés e tem um destino óbvio: a Assembleia da República.

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Dez 18 2016

Cidadãos ou cobaias?

PÚBLICO, 18 de Dezembro de 2016, 2:03

Cidadãos ou cobaias?

Se antes poucos motivos existiam para não agir, agora ainda menos – ou nenhum – há. É mais do que tempo de acabar com esta atroz aberração, esta aviltante abominação do acordo ortográfico. Definitivamente.

Não mereceram muitas referências na comunicação social nacional – o PÚBLICO, através de Nuno Pacheco, foi uma (expectável e louvável) excepção – as declarações no passado mês de Outubro, e em pelo menos duas ocasiões, por Murade Murargy, anterior secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa  (entretanto substituído no cargo por Maria do Carmo Silveira),  referentes aos objectivos e às actividades daquela organização em geral, e, ao dito «acordo ortográfico [AO] de 1990» em particular…

E de que se podem destacar: «a língua é muito importante, não há dúvida nenhuma, e é nossa obrigação difundi-la, promovê-la, internacionalizá-la. Mas não podemos ficar apenas agarrados à nostalgia da língua. A língua é um meio de transmissão de conhecimento, de negócios, do comércio, do investimento. Eu, por exemplo, não me preocupo se estou a aplicar (o acordo ortográfico) ou não. Se as pessoas me entendem, vamos em frente. (…) Muita gente não está de acordo (com o AO90), há muitos intelectuais, jornalistas, que não aplicam, pois acham que não traz vantagens. Não há uma unanimidade sobre se valeu a pena, ou não, o tanto de dinheiro que se gastou. As implicações financeiras da aplicação do acordo são grandes. (…) Acredito que devemos concentrar-nos no que é fundamental para permitir que os outros (países-membros) possam se desenvolver.» Posteriormente, disse: «os países africanos talvez não estivessem preparados para um investimento dessa envergadura. (…) É preciso perceber que estes países (como a Guiné-Bissau e Moçambique) têm outras prioridades. Há questões que dizem respeito ao combate à fome e à pobreza que são mais importantes que alterar esta ou aquela forma de escrever.»

Ou seja, e por outras palavras, o prévio líder da CPLP declarou que utilizar o «acordo ortográfico de 1990» não é a mais importante entre as metas daquela organização e dos povos que aquela agrega, e que é até algo dispensável. Trata-se de uma atitude surpreendente, não tanto pela avaliação do AO90 – qualquer pessoa honesta e inteligente reconhece que o dito cujo é, para além de ridículo e de ilegal, também inútil e mesmo prejudicial – mas mais por representar uma alteração da perspectiva de Murade Murargy sobre este assunto. Em Maio último – então, sim, com alguma repercussão mediática – ele afirmara que «o acordo ortográfico está a seguir o seu caminho. Os países que ainda não ratificaram estão no processo de ratificação. Penso que é um debate desnecessário neste momento. As pessoas são livres de falar sobre isso, mas não há nenhuma controvérsia em relação ao acordo ortográfico. (…) Moçambique e Angola estão a preparar-se para ratificar. Não vejo qual é o problema. Não há retorno. (…) Se for preciso fazer uma revisão vai-se fazer, mas não porque o acordo esteja mal elaborado. Se for necessário, se há certos ajustamentos que têm que ser feitos, serão feitos no momento próprio e dentro do contexto em que se verificar essa necessidade.»

O que terá acontecido ao diplomata moçambicano nos cinco meses decorridos entre estas duas, e contraditórias, posições públicas? Vou especular: ele entendeu por si próprio, ou alguém lhe explicou, que não faz muito sentido, que não é lógico nem digno, um africano defender um plano concebido e concretizado por uns quantos neofascistas e neocolonialistas portugueses e brasileiros também com a finalidade explícita de condicionar a comunicação e a cultura, a língua e a literatura dos países que conquistaram a independência depois de 25 de Abril de 1974. Ele entendeu por si próprio, ou alguém lhe explicou, que não é admissível, e que seria inclusivamente vergonhoso, submeter-se, sujeitar-se a um novo «Estatuto do Indigenato», apesar de (aparentemente) apenas «ortográfico», e colaborar na imposição daquele aos seus compatriotas e aos estrangeiros do mesmo continente, quantos deles irmanados ideologicamente e que com ele partilham o mesmo idioma oficial…

Embora em Portugal, e ao contrário de Angola e de Moçambique, que se recusam – felizmente, e esperemos que definitivamente – a recuar no tempo, a regredirem enquanto nações, esse novo «Estatuto do Indigenato» tenha entrado efectivamente (?) em vigor, por via da famigerada Resolução da Assembleia da República Nº 35/2008, de 29 de Julho. Para a revogar, para a repelir, para – literalmente – a rasgar, e, assim, as pessoas deste país deixarem de ser peões de interesses que lhes são estranhos e/ou externos, de serem cobaias em duvidosas «experiências filo(i)lógicas» dirigidas por pervertidos protegidos pelo poder político, e porque não basta que Murade Murargy dê a sua «autorização», há que assinar e concluir a Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico – que, não, não só não «morreu» como está bem viva e se recomenda.

Rui Valente, o meu colega da ILCAO e desta agora líder, em artigo publicado neste jornal a 1 de Outubro, em várias mensagens que tem enviado, e no novo sítio da Iniciativa, tem esclarecido o porquê e o como da (renovada) missão: «a Assembleia da República aprovou, no passado dia 20 de Julho, alterações importantes à Lei 17/2003, que regula as Iniciativas Legislativas de Cidadãos: deixa de ser necessário o número de eleitor, passando a ser necessária a data de nascimento; o número de assinaturas necessário para uma ILC baixa de 35.000 para 20.000; além da subscrição tradicional em papel, as assinaturas passam a poder ser recolhidas também por via electrónica. Neste contexto, ficam a faltar-nos “apenas” 5.000 assinaturas para que consigamos o nosso objectivo de entregar a ILC no Parlamento. Em face desta nova realidade, a ILCAO mobilizou-se, criando um formulário que permite subscrever a Iniciativa sem necessidade de papel, envelopes ou selos do correio. Basta ir a http://ilcao.com/?page_id=19213 e submeter os seus dados, utilizando para tal um endereço de e-mail válido.»

Se antes poucos motivos existiam para não agir, agora ainda menos – ou nenhum – há. É mais do que tempo de acabar com esta atroz aberração, esta aviltante abominação. Definitivamente.

Octávio dos Santos

(artigo publicado na edição online do PÚBLICO)

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Dez 13 2016

Fire and Forget?

Quando este artigo saiu no Público, o primeiro comentário que surgiu na edição online do jornal dizia o seguinte: “Já lá têm o meu papelinho assinado. Boa sorte daqui por diante”.

Em primeiro lugar (e em segundo, e em terceiro…): nunca é demais enaltecer o esforço e a militância de quem se deu ao trabalho de imprimir, preencher, assinar e enviar um papel pelo correio. Para o “Anjo Caído”, autor/a do comentário, o meu sincero agradecimento.

Agradeço também o tom despreocupado e divertido: seria bom podermos fazer desta luta contra o AO90 uma campanha alegre, para usar um dos títulos mais célebres de Eça de Queiroz. Passará a sê-lo, certamente, a partir do momento em que consigamos reunir as assinaturas em falta.

No imediato, porém, aquele comentário parece reflectir um sentimento comum à grande maioria dos subscritores da ILC: “Cumpri o meu dever, fiz o que tinha a fazer, resta-me esperar pelos resultados”.

Infelizmente, nesta luta contra o AO90, todos nós precisamos de boa sorte — a começar pela Língua Portuguesa.

Desde logo, preciso eu de toda a boa sorte do mundo, nesta tarefa de juntar assinaturas para entregar uma ILC na Assembleia da República, Precisamos também de muita sorte, eu e todos os subscritores que abraçaram esta causa, para reunirmos as assinaturas de que ainda necessitamos.

E, por fim, precisam de sorte todos aqueles que já subscreveram, a começar pelo autor ou autora do comentário no Público — para que a sua subscrição não seja um acto falhado, um voto perdido, um tiro que saiu pela culatra.

O facto é que assinar uma ILC não é o mesmo que disparar um moderno míssil teleguiado, tão certeiro que não precisamos sequer de seguir a sua trajectória — sabemos que ele atingirá infalivelmente o alvo.

Ao contrário desse avançadissimo “Fire and Forget”, esta ILC precisa que os seus subscritores continuem a acompanhá-la, a acarinhá-la e a promovê-la. Se cada um de vós trouxer um novo assinante, esta ILC poderá ser entregue no Parlamento no dia seguinte. Parece simples — e, de facto, já faltou mais, muito mais.

Na verdade, o que ainda falta tem pouco que ver com sorte ou azar — implica que você, caro leitor e subscritor da ILC, faça este pequeno gesto: envie este link aos seus amigos, colegas e familiares.

Não podemos ficar de braços cruzados enquanto o AO continua a instalar-se e a fazer estragos, ou, pior ainda, enquanto se cozinha mais uma revisão, um “aperfeiçoamento”, como se diz agora — mesmo quando todos sabemos que o AO90 não tem arranjo possível.

Já percebemos que esta ILC vai ser uma dura luta, até ao fim, assinatura a assinatura. Faça valer a sua: arranje outra. O Anjo Caído agradece. E eu também. ;^)

Rui Valente

PS.: como talvez tenha reparado, temos vindo a actualizar o quadro “Quantas assinaturas temos?” (ver na coluna da direita); já falta pouco para que estejam processadas todas as assinaturas em papel do período anterior à alteração da Lei 17/2003.

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Dez 01 2016

“Quantas assinaturas temos?” Primeiros números

susbscricao_manuscritaImaginem uma pilha de folhas A4 com dois metros de altura. Imaginem que a cada folha correspondem, no mínimo, quinze dados diferentes, entre texto, números e campos alfa-numéricos.

Como? — perguntarão — não é só o nome, nº de BI e número de eleitor?

De facto, não é só isso. A cada subscrição corresponde um número de série, o nome completo, o sexo do subscritor (um dado estatístico que não é irrelevante, ao contrário do que poderão pensar), o tipo de cartão de identificação, o número desse cartão, a data de nascimento do subscritor (caso conste), o número de eleitor, freguesia e concelho de recenseamento, a data de subscrição, o número da operação de levantamento de dados, o código do operador responsável pelo levantamento, o número da caixa onde se encontra a subscrição (ou o nome do respectivo ficheiro, quanto às recebidas por email), a indicação do suporte da subscrição (digitalizada ou em papel) e dois campos para observações (endereço de email ou postal, dúvidas, erros, anotações várias).

Contas por alto e de cabeça, isto dá algo como 225.000 dados a recolher. Se tomarmos como média 80 caracteres por subscrição chegamos à bonita soma de 18 milhões de teclas premidas nos computadores onde está a ser feito o levantamento.

Foi esta a informação que nos propusemos recolher, na sequência das novas regras para as ILC aprovadas pela Assembleia da República em Julho passado. E foi o que começámos a fazer depois de actualizado o nosso processo junto da Comissão Nacional de Protecção de Dados, tal como anunciámos no dia 21 de Agosto.

E tudo isto para quê?

Por uma razão muito simples: a instalação de um inédito formulário online para a subscrição da ILC obriga-nos a ter, na ponta dos dedos, a lista completa dos cidadãos que subscreveram e subscrevem ainda a ILC-AO em papel — de contrário, seria impossível sabermos se cada nova subscrição online é de facto uma nova subscrição ou se é apenas alguém que, inadvertidamente, está a duplicar a sua própria subscrição em papel. Esta era, de facto, uma etapa inevitável.

Já sabíamos que iria ser morosa. Só não imaginámos até que ponto, havendo tantas pessoas envolvidas, cada qual com sua vida pessoal, seu emprego, sua família, seus problemas particulares e seu próprio tempo livre… ou falta dele.

Esta é uma empreitada que já mobilizou nove voluntários e, mesmo assim, está ainda por concluir. Pessoalmente, penitencio-me por não ter sabido medir a enormidade do trabalho que nos esperava — e os inúmeros obstáculos de toda a ordem que tínhamos, temos e teremos ainda pela frente.

O tempo que nos tem tomado esta tarefa não é, de forma alguma, tempo perdido para a luta contra o AO… mas esse mesmo tempo não chega para tudo — o que significa que há outras tarefas essenciais que ficam por fazer ou atrasadas. Como não é humanamente possível esticar as 24 horas do dia nem recolher dados com a mão direita e escrever “posts” com a esquerda, em simultâneo, alguma coisa passa necessariamente para segundo plano. Enquanto estamos a recolher dados não escrevemos textos, não divulgamos a Causa, não angariamos novos subscritores, não podemos, em suma, estar no terreno tanto e tão activamente como seria necessário.

E enquanto isto… o AO alastra, espalha-se pelos órgãos do Estado como as metástases de um cancro num ser vivo, instala-se insidiosa e violentamente, continua a promover o caos na Comunicação Social, infecta as escolas, estupidifica professores e estudantes, ameaça funcionários públicos, polui mesmo até as ruas.

Já se anuncia a mais que previsível Comissão de Revisão do AO que pretende pôr-nos a todos a escrever numa língua de contrabando — Portugal passará a ser o único país do mundo em que, para escrevermos uma palavra, teremos de saber como se pronuncia essa mesma palavra noutro país.

Também por isso entendemos que não podemos esperar mais, quanto a este pormaior das subscrições. Mesmo sem termos ainda os resultados definitivos, publicamos hoje os primeiros números relativos às subscrições da ILC em papel.

Assim que possível, colocaremos na coluna da direita, junto ao calendário, uma espécie de contador com quatro quantitativos: o maior corresponderá ao total das subscrições já processadas; o número seguinte será o da contabilização das subscrições que, por uma razão ou por outra, tiveram de ser invalidadas; a seguir, em destaque, teremos o total já apurado de assinaturas validadas; por fim, um último número no painel representará o número de subscrições em papel que, por estimativa, falta ainda processar.

Será algo como isto, correspondente à data de hoje, 1 de Dezembro de 2016:

Já processadas: 10687
Invalidadas: 184

Validadas: 10503

A processar (est.): 3928

Este pequeno painel irá sendo periodicamente actualizado (e corrigido, se necessário), consoante os dados que faltam forem recolhidos e processados. Quando esse processamento estiver completo — acreditamos que já não falte muito mais tempo — poderemos então fazer duas coisas: por um lado, dar resposta a todas as pessoas que nos perguntam se já subscreveram a ILC. Por outro lado, poderemos finalmente somar às subscrições em papel as subscrições via formulário que forem efectivamente novas subscrições. Mas isto já serão “outros quinhentos”, como se costuma dizer.

Desde já vos deixo um alerta: o ritmo de subscrições tem mesmo de aumentar exponencialmente, em papel e sobretudo via Internet, para que possamos ultrapassar efectivamente o número mítico de 20.000 assinaturas. Volto por isso a pedir a todos os subscritores que se associem à divulgação desta vossa Iniciativa. Pela parte que me toca, estou a enviar e-mails personalizados a toda a gente da minha lista de contactos. Peço-vos que façam o mesmo. Esta ILC é vossa. Não podemos cruzar os braços e ficar à espera de que ela cresça por si mesma.

E pronto, aqui está então a resposta para a célebre pergunta “quantas assinaturas temos“.

Rui Valente

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