Notas de apreço — 3

Nesta série de “Notas de apreço” merece especial destaque a divulgação levada a cabo pelo Teatro Aberto.

O Novo Grupo não cede aos “encantos” da Nova Ortografia Unificada e nunca deixou de escrever em bom Português Europeu em todas as suas comunicações, em “newsletters” e no seu site institucional.

O qual foi recentemente reformulado, adoptando um novo grafismo. Belíssimo, aliás.

Mas ainda mais importante do que a beleza que ali se vê, desde sempre porque é Teatro, é a que lá se lê agora, sobre esta iniciativa cívica nacional que é também a de todos os que trabalham naquela casa.

 

Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico

Toda a comunicação do Teatro Aberto é escrita de acordo com a antiga ortografia. Porém, não colocamos a tão repetida frase informando os nossos espectadores e leitores que “o autor escreve segundo a antiga ortografia” que nos habituámos a ler em crónicas, nos jornais e em tantos textos publicados. Nos programas dos espectáculos, nas notas de imprensa e nas demais comunicações que fazemos mantemo-nos fieis à língua portuguesa e à forma como a aprendemos.

Solidarizamo-nos com o movimento “Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico” e aqui divulgamos o endereço para a subscrição electrónica da referida iniciativa: https://ilcao.com/subscricoes/subscrever/

 

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Notas de apreço — 2

No último artigo apresentámos uma série de entidades (e não só) que declararam o seu apoio à Iniciativa Legislativa de Cidadãos e, mais do que isso, aceitaram participar activamente na sua divulgação.

Rapidamente percebemos que a lista de apoiantes continua a crescer e por isso vamos aqui dando conta de mais  organizações apoiantes da ILC-AO.

Vejamos então, por ordem cronológica, os últimos apoios já expressos e declarados através de publicação nos “sites” e/ou respectivas páginas no Facebook.

A Livraria Gato Vadio, do Porto, sede da Associação Cultural e Espaço de Intervenção Social “Saco de Gatos”, publicou no passado dia 11 do corrente um  “post” que teve imensas repercussões, entre comentários e partilhas.

Aqui fica o registo, com a manifestação do nosso apreço e o devido reconhecimento.  

Outro tanto fez a Revista Intro, uma publicação dedicada em especial a Literatura, Música e Teatro.  Publicou, no passado dia 12 de Março, igualmente na rede social Facebook, um “post” de apoio à ILC-AO apelando aos seus leitores (aqueles que ainda o não fizeram, evidentemente) para que subscrevam esta iniciativa cívica.

Devemos também uma saudação muito especial a Luís de Matos, companheiro de luta e activista contra o AO90 desde a primeira hora. A sua miltância constante faz-se sentir nos mais pequenos pormenores, incluindo o apoio às nossas publicações no Facebook, através de comentários e “likes”, os quais, dada a imensa multidão de “seguidores” do mágico, multiplicam-se exponencialmente. Parecendo pouco, estes pequenos gestos contribuem bastante para dar visibilidade a esta Causa, contornando, tanto quanto possível, o famigerado algoritmo daquela rede social, que, fundamentada no lucro, de social tem pouco mas de rede tem muito.

Temos notícia de outras manifestações de apoio similares, das quais daremos também conta em breve, ou seja, assim que aqui possamos publicar as respectivas “fotografias”.

Desde já e mais uma vez, a todos — estes, os anteriores e os futuros — o nosso muito obrigado!

É claro que os exemplos que aqui temos vindo a destacar são apenas os “casos notáveis”, digamos assim. A grande força desta iniciativa continua a ser o empenho dos seus militantes, apoiantes e subscritores “anónimos” (digamos assim, também).

Refiro-me a si, caro leitor. Não duvide da sua capacidade para fazer a diferença — sem precisar de grande alarido, todos nós podemos sugerir a subscrição da ILC aos nossos familiares, vizinhos, amigos e colegas.

Passámos já a barreira dos 4/5 na nossa caminhada para as 20.000 assinaturas. Vamos morrer na praia? Nem pensar!

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Notas de apreço — 1

A ILC-AO esteve recentemente em contacto com alguns dos seus subscritores e amigos de longa data e — temos obrigação de o registar — recebemos muitas palavras de encorajamento. Alguns foram mais longe e, além das palavras, aproveitaram para divulgar um pouco mais esta Iniciativa. O Professor Carlos Fiolhais, por exemplo, publicou no seu blogue “De Rerum Natura” um apelo à subscrição da ILC-AO.
O Festival de Cinema “Olhares do Mediterrâneo” fez outro tanto na sua página oficial.


E já falámos aqui, no último artigo, do convite à subscrição da ILC que o José Diogo Quintela incluiu na sua coluna do Correio da Manhã. Estes apelos juntam-se, assim, a outros mais antigos como o do “Crítica na Rede” (blogue de Filosofia de Desidério Murcho), só para citar um exemplo.

Também não podemos deixar de sublinhar as palavras amigas de Abel Neves, Luís de Matos, Ana Bustorff, Elsa Ligeiro, Isabel Coutinho Monteiro, Daniel Jonas e Ricardo Pais, entre outros, e ainda o eloquente “tudo tudo tudo TUDO” (contra o AO90) de João Cutileiro e Margarida Lagarto.
Uma menção especial para José António Bandeirinha, que chegou ao ponto de escrever um pequeno texto sobre o populismo de quem diz que a Língua, para ser “livre e popular”, não pode ter regras. Trata-se de uma tese que, nos tempos que correm, explica muita coisa e merecia ser desenvolvida em artigo próprio — fica o desafio.

As manifestações de solidariedade e os apoios à divulgação não se ficam por aqui. Outros nomes e instituições aceitaram ser parte activa nesta luta e estão já a dar um contributo precioso na divulgação da ILC. Para não atrasarmos mais a publicação deste artigo — e porque o apoio que estamos a receber o justifica plenamente — fica desde já prometida uma segunda edição destas “Notas de apreço”.

Mas não foi “entre nós” que se zurziu o Acordo Ortográfico. Na Assembleia da República também houve deputados que lhe apontaram falhas — houve mesmo quem se referisse ao “elefante na sala”. Esperamos que, quando esta ILC chegar ao Parlamento os diferentes grupos parlamentares possam ser consequentes, associando-se às vozes destes nossos amigos. Nem são precisas palavras — basta que a aprovem.

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Assine a Iniciativa Legislativa de idadãos

José Diogo Quintela, subscritor e apoiante de longa data da Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o AO, volta a apelar à subscrição da ILC. Fê-lo, desta vez, na sua crónica habitual no Correio da Manhã.

Primeiro vieram pelas consoantes mudas. Depois, pelas sossegadas. Um dia, virão pelas que são só tímidas e se escondem atrás das outras. A maior trapalhada do acordo ortográfico é a falta de critério na queda de consoantes, como o “p” que cai em “céptico”, mas mantém-se firme em “apto”.
Por excesso de zelo, corta-se. Já faltou mais para que alguém mais malacacasteleirista que Malaca Casteleiro vir falar da nacionalização dos TT, tirando o “C” de CTT. Ou ver Sócrates, acusado pelo juiz de ser corruto, contrapor: “Ser corruto não é crime, ser corrupto é que é”. E sair em liberdade. É imprescindível subscrever a petição em ilcao.com. Ou, na nova grafia, a etição.

Embora o termo “petição” sirva normalmente para tudo, há uma diferença substancial entre petição e Iniciativa Legislativa de Cidadãos, à qual, naturalmente, José Diogo Quintela não é alheio. Claro que, com “Iniciativa Legislativa de idadãos”, a coisa perdia uma certa piada. E além disso há a questão do limite de caracteres da coluna: 600 não dão para esticar muito.

O termo “etição” surge, portanto, por economia de espaço e porque para os portugueses em geral essa designação genérica e abreviada é a mais comummente utilizada.

Ora, por falar em petições, no parlamento foi  debatida mais uma. Diz o PÚBLICO que foi a quinta, informação que tomo por boa, pois já deixei de contar. É sempre um exercício deprimente. Como habitualmente, toda a gente reconhece que o AO90 tem problemas e, como habitualmente, nunca acontece nada. Em 2014, a determinação dos partidos foi-se diluindo, diluindo… até não restar mais do que uma recomendação ao Governo, para a criação de um grupo de trabalho. Desta vez, assistimos ao triste espectáculo de ver o PSD, o BE e o CDS escudarem-se na existência de um Grupo de Trabalho — parado há meses — para dizerem que a Iniciativa do PCP é “extemporânea”, uma vez que se aguardam as conclusões desse Grupo.

Acontece que o Projecto de Resolução do PCP, desastradamente agendado para a mesma sessão desta última petição, pouco ou nada tinha que ver com ela — e, em muitos aspectos, até a contrariava. A associação entre o discurso assertivo, mas construtivo, da Resolução e a evidente exorbitância da petição — que exigia à Assembleia da República uma coisa que não lhe compete — pode muito bem ter contaminado uma apreciação serena da proposta do PCP.

Veja-se, por exemplo, o discurso do PS — regra geral, o paladino do discurso indigente nesta matéria. Diogo Leão não decepcionou, continuando a falar na suposta “cultura comum” dos países de Língua Portuguesa e assegurando, sem se rir, que o Acordo Ortográfico eliminou a tendência para o afastamento entre as duas variantes da Língua. O devaneio prosseguiu, no tom monocórdico do costume, com as vantagens do Acordo na facilitação da aprendizagem da escrita e da leitura. A cereja no topo do bolo veio, pela sonolenta voz do senhor deputado, com a garantia de que os textos de Fernão Lopes, do Cancioneiro Geral, de Bocage e de Eça de Queiroz não perdem qualidade literária em virtude das sucessivas actualizações da norma ortográfica. Comprovadamente, Diogo Leão nunca ouviu falar em métrica ou em estética da Ortografia. Vai sendo tempo de o PS, no mínimo, entregar a defesa da sua dama a alguém que tenha um módico de conhecimentos na matéria.

De resto, todos convergem na confusão (propositada?) entre evolução da Língua e evolução da norma ortográfica para a sua representação gráfica. A primeira é natural e inevitável, a segunda é desnecessária e, tanto quanto possível, de evitar. Que o digam os falantes (e escreventes) de Inglês, Francês, Alemão ou Castelhano, por exemplo, os quais (além de “atrasados” e “retrógrados”) são evidentemente estúpidos por se estarem nas tintas para acordos ortográficos.

Também parece haver unanimidade, com a excepção do PCP, quanto à “terrível hecatombe” que seria a anulação de um Tratado Internacional como é o Acordo Ortográfico. Os deputados esquecem um pequeno pormenor: foram eleitos em Portugal — e essa é a vontade dos portugueses que os elegeram.

E podem demonstrá-lo facilmente, subscrevendo a Iniciativa Legislativa que os seus eleitos não querem assumir.

Passado que está o “frisson” de mais uma petição, podemos agora voltar ao que interessa? Obrigado.

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O Estado da Nação Ortográfica

O Grupo Parlamentar do PCP apresentou, no passado dia 16 de Fevereiro, um Projecto de Resolução sobre o Acordo Ortográfico. Esse documento será submetido a votação amanhã, 21 de Fevereiro de 2018.

Formalmente, trata-se de uma simples recomendação ao Governo. Dito de outro modo, só será eficaz se se verificarem, cumulativamente, duas improbabilidades: ser aprovada no Plenário e, a partir daí, ser a recomendação que ele encerra acatada pelo Governo. No entanto, independentemente do destino que lhe couber em sorte, o Projecto de Resolução já trouxe consigo vários aspectos positivos.

Desde logo, esta iniciativa partidária é o espelho de uma sociedade em luta contra o Acordo. Passados quase 30 anos sobre a criação de um acordo ortográfico que ninguém pediu, todos aqueles que militantemente rejeitam o AO90 estão longe de ser um grupo restrito. E, ao contrário da imagem que nos querem colar, estamos longe de ser meros tolinhos irredutíveis, fixados numa luta contra tudo o que é novo.

Há pelo menos um grupo parlamentar que se recusa a assobiar para o lado perante o cAOs vigente ou, pior ainda, a fingir que está tudo bem. O PCP não só não se presta a esse papel como, pelo contrário, assume-se como o partido que melhor conhece o dossier da Língua Portuguesa. É verdade que se trata de uma simples recomendação ao Governo, mas o documento que a suporta está longe de ser simples: é um diagnóstico completo do estado da Nação Ortográfica, sustentado do ponto de vista histórico e coerente na avaliação — que mais ninguém parece querer fazer — da (falhada) aplicação do AO90.

Escrito em “acordês” — porque tal é obrigatório em documentos oficiais — mais parece um manual da luta contra o Acordo. Nele podemos encontrar referências ao não seguimento do Acordo por vários países da CPLP ou ao fim do período de transição sem que haja um único estudo sobre a aplicação do AO em Portugal. Mais do que factos constatáveis, são meras constatações de facto.

Os autores deste Projecto de Resolução parecem ser, também, aqueles que melhor identificam o que pode ser uma saída airosa para o AO. Nesse aspecto, a solução agora proposta assenta, em grande parte, nos pressupostos que estão por detrás da ILCAO:

• Começa por propor uma recomendação ao Governo, como não podia deixar de ser, visto que o Acordo Ortográfico é um Tratado internacional e, como tal, não é matéria da competência da Assembleia.
• Mas, não obstante, identifica claramente a aprovação do II Protocolo Modificativo como o momento em que a Assembleia da República, no dia 16 de Maio de 2008, possibilitou a entrada em vigor, no nosso país, do AO90. Falamos, obviamente, da RAR 35/2008, cuja revogação é a peça-chave da nossa ILC.
• Por fim, o Projecto de Resolução do PCP preconiza, tal como a ILC, que se realizem estudos complementares com vista à aferição da adequação ou da necessidade de um Acordo Ortográfico entre os países de Língua Portuguesa.

Fazemos votos para que este Projecto de Resolução possa merecer a aprovação de todas as bancadas parlamentares. Não é tarefa impossível — assim possam os diversos partidos prescindir da disciplina de voto, como se espera, tendo em conta o tema em questão. Dado esse passo, ficaremos atentos à resposta do Governo. Caso seja negativa, cremos que competirá à Assembleia da República dar o passo seguinte: aprovar uma Iniciativa Legislativa que revogue a RAR 35/2008, retirando cobertura política — e sustentação jurídica — à Resolução do Conselho de Ministros 8/2011.

À cautela, estamos a tratar disso.

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