Uma ciber-dúvida: o que é ao certo o Ciberdúvidas?

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Em cima, extractos da gravação do depoimento de José Mário Costa, jornalista do Ciberdúvidas, e, em baixo, extractos do documento entregue pelo próprio na ocasião (com o título de “Desinformação e inverdades à volta do Acordo Ortográfico”), em audição no dia 4 de Abril de 2013, a convite do Grupo de Trabalho parlamentar sobre o AO90.

Fica uma adivinha: qual será o jornal que, segundo o jornalista do Ciberdúvidas, se constituiu como “órgão oficial” e “tribuna permanente” do “anti”?

E fica também uma pergunta: o jornalismo, para o dito jornalista do Ciberdúvidas, só é jornalismo se não for “anti”, certo?


⇒ inverdades sucessivas e uma desinformação que nem é exclusiva dos mais acirrados oponentes da actual reforma do português escrito.

⇒ Lastimável, no mínimo. Especialmente se umas e outra – as inverdades e a desinformação – colhem também os que, por dever de ofício e dos valores profissionais nele inerentes, sacrificam o rigor e a seriedade informativa ao vale-tudo deste tipo de campanhas.

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«Um acto de verticalidade e de grandeza» [Isabel Buescu, GT AO90]

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Da coragem política
para anular o “Acordo” Ortográfico

Texto apresentado e entregue à 8ª Comissão de Educação, Ciência e Cultura da Assembleia da República

11 de Abril de 2013
Ana Isabel Buescu

A questão da norma linguística, que se foi definindo na Europa para todas as línguas vulgares a partir do século XVI e que sempre foi – e é – imperioso que qualquer língua tenha, está objectiva e sistematicamente a ser destruída no caso da Língua Portuguesa.

Neste Acordo que supostamente devia unificar a ortografia, a existência de centenas de facultatividades veio fazer “explodir” qualquer veleidade de uma norma. E uma Língua não é só ortografia: há derivas ortográficas, lexicais, vocabulares, sintácticas – saudáveis e normais na evolução das línguas – que marcam essa condição de “órgão vivo” que é qualquer Língua. Assim sendo, não é com uma pretensa – e política – imposição de uma artificial norma ortográfica, que obviamente tem de se abrir a facultatividades e deixar de lado tudo o resto que faz uma língua, que se fortalece a Lusofonia.

Num momento civilizacional marcado pela abertura, atenção e respeito pelas diferenças e pela diversidade, a verdadeira Lusofonia, tal como eu e os meus companheiros de luta a entendemos, deve mostrar-se e afirmar-se na sua riquíssima diversidade, que é cultural, material, mas também linguística.

O tema do Acordo Ortográfico está a ser cada vez mais vivamente debatido na sociedade civil, que manifesta crescentemente a sua discordância. Na verdade, são cada vez mais claros os constrangimentos e mesmo a rejeição declarada por esta imposição, quase orwelliana, de uma “novi-língua” onde só os seus fautores e respectivas cliques se revêem. E, no fundo, talvez nem esses. E – é preciso dizê-lo com firmeza – há neste momento em muitos organismos e instituições estatais, escolas, repartições, em que se faz uma surda imposição do AO; onde a “cadeia de comando” obriga, contra a vontade e a convicção de muitos portugueses, o que é um sintoma inquietante para a nossa democracia.

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«Vamos a “Pârich”? Ou a “Páriss”?» [Nuno Pacheco, “Revista 2”, 14.04.2013]

NP-rev2_14Abr2013Quem for de Algés para Belém, há-de encontrar do seu lado direito um vistoso edifício com o seguinte dístico, em letras grandes e brancas a erguerem-se da relva: Champalimaud Centre for the Unknow. Pormenor: se este centro tivesse sido edificado, por exemplo, na América Latina, chamar-se-ia certamente, Center for the Unknow. Porque “center” é a grafia usada nos Estados Unidos, do outro lado do Atlântico, e “centre” a usada em Inglaterra, do lado de cá. Ninguém tem ou teve, jamais, o mínimo problema com isso e, como se vê por cá, até os não anglófonos escolhem a grafia que mais lhes convém – ou simplesmente a que mais lhes apetece.

Outro exemplo. Peguemos numa palavra simples, conhecida de todos e com a mesma grafia em várias línguas: Paris. Se pedirmos a um lisboeta que a leia, ele dirá: “Pârich”. Se fizermos a mesma experiência com um espanhol, dirá “Párís”. Um brasileiro lerá “Páriss”, um catalão “Párríss”, um alemão “Párriss” e um francês, parisiense ou não, dirá “Párrí”.

O que importa isto? Importa em dois sentidos. Primeiro, comprova (se ainda fosse preciso fazê-lo) que há divisões ortográficas naturais num mesmo idioma, derivadas da sua adopção por diferentes povos, que vão modelando a língua e criando novas variantes. Segundo, que uma mesma palavra é pronunciada de diferentes formas consoante os sistemas vocálicos existentes em cada país, distrito ou mesmo região. Paris não muda de grafia quando é pronunciada “Pârich” ou “Páriss”, embora noutros idiomas tenha assumido forma gráfica diversa. Os italianos, por exemplo, escrevem Parigi.

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«A nossa língua não precisa de engenharias computadorizadas» [Teresa Cadete, GT AO90]

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Tópicos da intervenção junto da 8ª Comissão da AR

por Teresa M.L.R. Cadete (Prof. Catedrática da FLUL, Pres. do PEN Clube Português)

Introdução

– Neste momento presente, encontramo-nos numa situação de evidente impasse no que diz respeito às opções ortográficas realmente assumidas pela população portuguesa, em confronto com um estado de coisas imposto contra o senso comum e a prática instituída do português europeu.

– Tentando fazer uma síntese da experiência dos últimos quinze meses, chegamos às seguintes conclusões:

– Por um lado, têm sido exemplificadas até à exaustão as razões pelas quais o Acordo Ortográfico de 1990 (AO) não só não cumpre os objectivos que alegadamente se propôs atingir – ou seja, unificação e simplificação ortográficas e por aí intensificação comunicacional oral e escrita entre os países lusófonos – como sobretudo são neste momento evidentes os resultados diametralmente inversos a esses mesmos objectivos, a saber: desorientação e dispersão ortográfica devido às facultatividades previstas no próprio AO, complicação devido à aproximação entre ortografia e pronúncia, o que equivale a uma dissolução do conceito de ‘ortho-graphia’, escrita recta, correcta.

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Audição de Anselmo Soares, Vice-Presidente da ACL [GT AO90, 28.03.13]

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Transcrição do espantoso depoimento do Professor Doutor Anselmo Soares, Vice-Presidente da Academia das Ciências de Lisboa, em audição (no dia 28 de Março p.p.) a convite do Grupo de Trabalho parlamentar sobre o Acordo Ortográfico.

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