Acordo ortográfico exige planificação
Adelina Inácio | 30 de Abril, 2013
O ministro da Educação disse que Angola não aderiu ao Acordo Ortográfico porque a sua aplicação podia trazer implicações no sistema de ensino. Pinda Simão fez a revelação aos deputados da Sexta Comissão da Assembleia Nacional.
Para a adopção do acordo, salientou, devem ter-se em conta alguns aspectos que têm implicações no sistema educativo.
Angola, sublinhou, fez um estudo sobre o acordo ortográfico e conclui que não devia avançar sem uma planificação.
Até o Brasil, que já estava a aplicar o acordo, disse, recuou e Portugal também questiona alguns aspectos do diploma.
O acordo ortográfico, lembrou, tem 25 bases orientadoras para a sua aplicação, mas há dificuldades em 20, o que faz com que haja diversidade de fórmulas as utilizar. “Ao definirmos a ortografia de uma determinada palavra podemos ter duas ou mais formas”, alertou.
Por isso, disse, era muito difícil adoptar o acordo ortográfico em Angola, país que já enfrenta problemas de língua portuguesa. Alguns sons, sublinhou, não estão representados no acordo e a adesão do país ao diploma punha em risco o património nacional. O ministro deu o exemplo da palavra Ndalatando que pelo acordo deixava de ser escrita como se escreve.
A preocupação sobre a aplicação do Acordo Ortográfico foi levantada pelo deputado Boaventura Cardoso. Durante o encontro, o ministro da Educação garantiu aos deputados da Assembleia Nacional que o Executivo pretende alcançar até 2017 uma taxa de alfabetização de 87 por cento da população.
Abr 30 2013
Adesão ao AO90 “punha em risco património nacional” [Jornal de Angola, 30.04.13]
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Abr 26 2013
É a “adoção” por “entendimento geral”, estúpido!
É uma discussão intensa há já algum tempo no seio da equipa de tradução portuguesa do WordPress, adotar ou não o Acordo Ortográfico para a Língua Portuguesa (AO90). Dessa discussão destacam-se dois consensos alargados: a oposição quase unânime ao AO90 e uma enorme resistência em aplicá-lo ao WordPress pt-PT.
Todavia, houve um entendimento geral de que se deveria avançar para a adoção do AO90; apesar de toda a discussão sobre a sua aplicação, o AO90 está em vigor e existem instruções para que as instituições públicas o apliquem. Além disso, há já muitas outras entidades privadas que o estão a fazer, criando uma necessidade de que a plataforma acompanhe o uso que lhe é dado (e exigido).
[De “WordPress Portugal“, transcrição parcial de um “post” com o (curioso) título “WordPress em português: pré ou pós-AO90?“]
Muitas pessoas nos perguntam (e ainda mais pessoas se perguntam a si mesmas) o que diabo pode levar alguém a “adotar” o AO90. Pois bem, a transcrição acima esclarece espectacularmente o insondável mistério: há quem “adote” porque sim e há quem “adote” porque também.
Existe uma “oposição quase unânime ao AO90” mas não faz mal, “adota-se” na mesma.
Há “uma enorme resistência em aplicá-lo” mas pronto, assim como assim, aplica-se de qualquer forma.
Mas porquê, perguntarão de novo alguns, mais incrédulos ou renitentes, mas porquê, afinal? Se a oposição é “quase unânime” e se há “uma enorme resistência”, então como é possível alguém dizer que mesmo assim “houve um entendimento geral de que se deveria avançar para a adoção”?
“Entendimento geral” de quem? “Entendimento geral” da minoria irrisória que não se opõe ao “acordo”? “Entendimento geral” de meia dúzia?
O que significa, afinal, “entendimento”? E o que virá a ser então, no fim de contas, este estranhíssimo conceito de “geral”?
Ficamos na mesma, sem perceber nada de nada, é porque é e pronto, não se fala mais nisso?
Pois, exactamente. É assim e acabou-se. As perguntas contêm em si mesmas as respostas. Ou seja, não há respostas nenhumas. Eis o acordismo em todo o seu “esplendor”.
Portanto, estando as respostas dadas e sendo elas estas, é favor pararem de nos fazer perguntas, obrigado, e podem também os mais incrédulos parar de se interrogar a si mesmos, isto não tem nada que saber, sejam bem vindos ao mui restrito clube do “entendimento geral”.
[Por uma questão de preservação da sanidade mental (própria e alheia) reserva-se o autor deste “post” o privilégio de não se referir sequer aos restantes “argumentos” do (pelos vistos) patrão da “WordPress Portugal”.]
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Abr 23 2013
David Soares subscreveu a ILC
David Soares é um escritor português conhecido pelos seus romances meticulosamente pesquisados e complexos que versam sobre temas históricos e ocultismo. A revista literária portuguesa Os Meus Livros definiu-o como sendo «o mais importante escritor português de literatura fantástica». Escreveu quatro romances, quatro livros de contos, sete livros de banda desenhada (um deles publicado em França), um livro para crianças e dois livros de ensaios. Recebeu três troféus para “Melhor Argumentista Nacional” pelos seus livros de banda desenhada.
————————————————— Sobre o AO90, a imposição que nos vem de cima para baixo para o seu enxerto violento não tem mais nenhuma sustentabilidade que a pura cegueira ideológica; já para não referir outros interesses, de ordens muitíssimo variadas. Dê por onde der, o resultado será, no mínimo, a confusão e, em máxima espessura, o desastre, pois o AO90, de sincrética composição, crescerá tão torto quanto consiga, caso medre o dito enxerto. Em suma: será – está a ser – um obstáculo para as mais simples comunicações do dia-a-dia, uma ameaça para o ensino do português e uma calamidade para o edifício literário. Especificando o meu ponto de vista de acordo com a minha profissão, asseguro que o AO90 não consiste em nenhuma mais-valia, nem oferece quaisquer vantagens.
De quando em quando, aparecem na comunicação social uns disparates sobre a historieta de que a língua está sempre a mudar e que a grafia segue a oralidade, como se as línguas fossem inventadas nas ruas. Isso é, pura e simplesmente, uma aldrabice: grafia e oralidade são coisas totalmente distintas e uma não tem de seguir a outra. A oralidade faz-se de atalhos e convenções que visam, somente, amoldar o coloquialismo à vida prática de todos os dias. É por isso que para se escrever bem não se deve escrever como se fala: no meu tempo, e não sou assim tão velho, ensinaram-me isso no ensino básico, mas, enfim, a gente bem sabe como vai por aí o ensino do português e o modo desolador como se escreve.
A língua, na verdade, muda – isso é evidente -, mas não evolui. Evoluir pressupõe sempre a existência de um desígnio para o qual se caminha e se vai abandonando versões toscas do objecto a aperfeiçoar até apurar-se a forma final. Ora, não há desígnio nenhum por trás das mudanças das línguas, logo não evoluem – e, nesse sentido, o AO90 não é o corolário dessa busca pela perfeição que os seus bonzos nos querem fazer acreditar. A língua muda, mas não muda tanto na rua, por influência da tal oralidade, como muda por acção da grafia, graças às palavras inventadas pelos escritores: o nosso léxico contemporâneo foi todo inventado por escritores, filósofos e cientistas, desde a Idade Média para cá. Quem muda a língua de modo natural e harmonioso não é quem a fala – nem quem acha como ela deve ser escrita -, mas quem, com efeito, trabalha com ela. De todas as mudanças impressas pospelamente sobre uma sociedade derivam consequências que só não são imprevisíveis na sua tragicidade. Ignore-se, pois, a história, mas que não se finja surpresa quando essas consequências erguerem a cabeça. Contudo, mantenho o meu optimismo: é por mantê-lo que subscrevi a ILCAO e a divulguei por todos os meus contactos para que também o fizessem. Fi-lo enquanto escritor e enquanto cidadão. Sobretudo, fi-lo enquanto amante da língua portuguesa, cujo espírito já está moribundo por culpa da convivência com este desacordo espiritocida.
David Soares subscreveu a Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação da entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990.
Veja a “galeria” de activistas, subscritores e apoiantes da ILC AO90.
[Nota: esta publicação foi autorizada pelo subscritor, que nos remeteu, expressamente para o efeito e a nosso pedido, a fotografia, a nota biográfica e o texto deste “post”. “Links” inseridos por nós.]
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Abr 22 2013
«Em desAcordo desde 1990» [Vasco Teixeira, “Público”, 22.04.13]
Eu, Vasco Teixeira, sou e sempre fui contra o Acordo Ortográfico assinado em 1990.
As razões que sustentam a minha posição foram por de mais conhecidas e divulgadas ao longo das quase duas décadas de luta contra o que apelidei, recorrentemente, de “malfadado acordo” e de “desacordo”.
Dito isto, quero sublinhar que a minha visão de responsabilidade social e empresarial num Estado de direito obriga a um respeito escrupuloso das regras legalmente definidas. Por isso, a partir do momento em que (í) a Assembleia da República aprovou o Acordo Ortográfico (AO) assinado em 2004 em sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e por todos os países constituintes (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste); e (ii) o Ministério da Educação definiu o calendário de implementação do AO no ensino, incluindo o período de transição, entendi que o processo tinha atingido o ponto de não-retorno. Apesar da minha discordância, repito.
Vem isto a propósito de um artigo de opinião de Madalena Homem Cardoso, publicado a 11 de Abril último, com o título “Audiência vs. audições e a ‘PPP’ dos livros escolares”. Nesse artigo, é feito um exercício que, tendo como base o meu depoimento perante os deputados do Grupo de Trabalho Parlamentar sobre o Acordo Ortográfico (14 de Março de 2013), procura apresentar o Grupo Porto Editora como eventual beneficiário da implementação do AO. É um artigo infeliz, pela leitura deturpada que faz do que eu transmiti ao referido grupo e pelas lamentáveis considerações pessoais que tece a meu respeito – que, por educação, as devolvo sem sobre elas perder tempo. Mas, mais do que infeliz, é um artigo intelectualmente desonesto ao fazer acusações graves sobre a nossa conduta editorial e empresarial numa área que encaramos com singular responsabilidade: a edição escolar.
Dá-me alguma tranquilidade o facto de o meu depoimento, bem como os esclarecimentos que prestei na sequência das dúvidas e questões colocadas pelos deputados, estar facilmente disponível à leitura de todos os interessados através de uma pesquisa na Internet. Contudo, faço questão de aproveitar esta oportunidade para esclarecer, mais uma vez, a nossa posição sobre este assunto.
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Abr 21 2013
A Sociedade Portuguesa de Autores e o AO90: 14% a favor, 86% contra
[Comunicado recebido por email.]
Esta audição com os presidentes da SPA realizou-se a 18.04.2013 no Grupo de Trabalho parlamentar sobre o AO90.
«A SPA representa os autores portugueses de todas as disciplinas literárias e artísticas, seus sucessores e cessionários, que nela se acham inscritos (cujo número hoje se eleva a cerca de 25.000). Representa ainda os autores, sucessores e cessionários inscritos em perto de 200 sociedades congéneres (ver contactos) existentes em cerca de 90 países de todos os continentes (…)»
[Citação da página “SPA – Quem Somos“.]
A SPA não adopta o “acordo ortográfico” de 1990. Ver notícia AQUI.
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