Terceiro Protocolo Modificativo do AO90?

No Rerum Natura encontrei esta enormidade:

http://dererummundi.blogspot.pt/2012/04/e-agora-jose.html

Fui procurar uma fonte que me beliscasse ao ponto de eu perceber que não estava a ter um pesadelo. Pois é verdade:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12605.htm

LEI Nº 12.605, DE 3 DE ABRIL DE 2012.
Determina o emprego obrigatório da flexão de gênero para nomear profissão ou grau em diplomas.

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1 As instituições de ensino públicas e privadas expedirão diplomas e certificados com a flexão de gênero correspondente ao sexo da pessoa diplomada, ao designar a profissão e o grau obtido.
Art. 2 As pessoas já diplomadas poderão requerer das instituições referidas no art. 1o a reemissão gratuita dos diplomas, com a devida correção, segundo regulamento do respectivo sistema de ensino.
Art. 3 Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 3 de abril de 2012; 191o da Independência e 124o da República.
DILMA ROUSSEFF
Aloizio Mercadante
Eleonora Menicucci de Oliveira

[Transcrição de comentário de Luís Ferreira, aqui no site da ILC, às 17: 30 de hoje.]

Share

Link permanente para este artigo: https://ilcao.com/2012/04/09/terceiro-protocolo-modificativo-do-ao90/

Pedro Mexia subscreveu a ILC

Pedro Mexia

Pedro Mexia (Lisboa, 1972) é um escritor e crítico literário português.

Licenciado em Direito pela Universidade Católica Portuguesa. Foi crítico e cronista no Diário de Notícias (1998-2007) e no Público (2007-2011). Escreve actualmente no Expresso. Assina também uma coluna mensal na revista LER.

Foi subdirector e director interino da Cinemateca Portuguesa (2008-2010). Tem colaborado regularmente em projectos das Produções Fictícias (É a Cultura, Estúpido, O Eixo do Mal, O Inimigo Público, Canal Q). É um dos membros do Governo Sombra, na TSF.

Publicou seis livros de poemas: Duplo Império (1999), Em Memória (2000), Avalanche (2001), Eliot e Outras Observações (2003), Vida Oculta (2004), Senhor Fantasma (2007). Em 2011, saiu Menos por Menos – Poemas Escolhidos.

Editou quatro colectâneas de crónicas, Primeira Pessoa (2006), Nada de Melancolia (2008), As Vidas dos Outros (2010) e O Mundo dos Vivos (2012).

Manteve os blogues A Coluna Infame (com João Pereira Coutinho e Pedro Lomba), 2002-2003; Dicionário do Diabo, 2003-2004, Fora do Mundo (com Francisco José Viegas e Pedro Lomba), 2004-2005; Estado Civil, 2005-2009, e Lei Seca, desde 2009. Desses blogues nasceram três volumes de diários: Fora do Mundo (2004), Prova de Vida (2007) e Estado Civil (2009).

Está representado em 366 Poemas que Falam de Amor (2003), org. Vasco Graça Moura; Antologia do Humor Português (2008), org. Nuno Artur Silva e Inês Fonseca Santos; Poemas Portugueses – Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, org. Jorge Reis-Sá e Rui Lage (2009); Alma Minha Gentil: Antologia general de la poesía portuguesa, org. Carlos Clementson (Espanha, 2009); e Poemas com Cinema, org. Joana Matos Frias, Luís Miguel Queirós e Rosa Maria Martelo (2010).

Organizou e prefaciou o volume de ensaios de Agustina Bessa-Luís Contemplação Carinhosa da Angústia. Traduziu Notas sobre o Cinematógrafo, do cineasta francês Robert Bresson. Publicou uma versão de uma peça de Tom Stoppard (Agora a Sério, 2010).

Escreveu a letra de uma canção (“Lixo”) do álbum “Equilíbrio” (2010), de Balla.

Colaborou duas vezes no projecto de peças curtas portuguesas Urgências (Teatro Maria Matos, 2004 e 2006). Adaptou para teatro (com Ricardo de Araújo Pereira) Como Fazer Coisas com Palavras, do filósofo inglês John Austin (Teatro São Luiz, 2008). Publicou a peça Nada de Dois (2009, encenada no Brasil em 2010 e no Canadá em 2011) e escreveu Pigmalião, a partir de Ovídio (Teatro Oficina, Guimarães, 2010). Encenou Agora a Sério, de Tom Stoppard (Teatro Aberto, 2010).

[Transcrição integral da biografia do autor na Wikipedia. Fotografia gentilmente enviada pelo subscritor para o efeito.]

Pedro Mexia subscreveu a Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação da entrada em vigor do “acordo ortográfico”.

Este é mais um perfil publicado na “galeria” de subscritores, activistas e apoiantes da ILC pela revogação do “acordo ortográfico”.

Nota: esta publicação foi autorizada pelo subscritor.

 

Share

Link permanente para este artigo: https://ilcao.com/2012/04/09/pedro-mexia-subscreveu-a-ilc/

«A ‘unificação’ prometida» [jornal “O Diabo]

(“click” na imagem para a ampliar)

[Digitalização de página do semanário “O Diabo” de 03.04.12, artigo da autoria de Duarte Branquinho.]

[Esta imagem é uma cópia da que foi publicada no blog “Real Associação da Beira Litoral”.]

Share

Link permanente para este artigo: https://ilcao.com/2012/04/09/a-unificacao-prometida-jornal-o-diabo/

«A desmontagem do ‘facto consumado’» [Teresa Cadete, “Público”]

TeresaCadete-08Abr2012

«A desmontagem do “facto consumado”»

Por Teresa R. Cadete

Há algumas semanas, numa conversa ocorrida no meio académico, alguém questionou, como se falasse consigo próprio: “Pois, não gosto do AO, mas tenho de ver o melhor modo de implementá-lo sem dor”. Isto junto de alunos de uma faculdade sem política ortográfica definida. O docente em questão tinha na sua mão decidir o modo de usar a língua materna e participar a sua decisão aos alunos, justificando as razões da opção tomada. E, naturalmente, respeitando as opções destes.

Porquê então tal conformismo? No momento que atravessamos, e perante toda a argumentação exposta nos planos linguístico, cultural e jurídico, já se tornou público e notório que ninguém será prejudicado por criticar as arbitrariedades, as inconsequências, as irregularidades do texto do acordo de 1990 e das posteriores “emendas”. (Já falaremos da situação de quem é profissionalmente coagido a adoptar o AO.) Recentemente, tive de ler uma tese de mestrado escrita por uma candidata brasileira e que continha palavras como excepção, aspecto, perspectiva, recepção, etc. Creio que mesmo um acordista honesto se teria aqui interrogado vezes sem conta sobre a razão do sacrifício de uma erradicação de consoantes (que indicam a pertença a uma família de palavras) imposta ao português europeu.

Não nos iludamos. Por um lado existe uma aparente liberalidade, por parte das autoridades legislativas e governativas, face à possibilidade de resistir às imposições do AO, que reconhecidamente falham as respectivas metas em todos os planos (alegada correspondência entre oralidade e escrita, pretensa unificação da língua para o mundo da lusofonia, real assalto das editoras ao mercado brasileiro, esse em que porém os leitores que amam a língua compreendem sem esforço o português europeu; será que esse assalto visa os analfabetos, os leitores light?). Por outro lado, essa liberalidade não consegue mascarar o carácter totalitarizante de uma medida que confronta o cidadão comum a par e passo com uma língua em que ele não se re-conhece. Porque quem usa o acordês parece ficar isento de passar por esse processo sensorial e reflexivo tão primorosamente descrito por José Gil no texto publicado na Visão no passado 16 de Fevereiro. Engole a língua, sem a mastigar, e vomita-a como moeda de troca que se gasta por passar rapidamente de mão em mão, com valor de comunicação imediata.

Tomemos como exemplo a alegada percentagem de 1,6% de palavras alteradas no Português europeu (Daniel Ricardo, O Novo Acordo Ortográfico, publicação da Impresa distribuída com jornais e revistas em 2011, p. 13). Ora acontece que essa percentagem pode ser verdadeira se tivermos em conta a totalidade lexical, mas que eu saiba ainda não existe nenhum estudo sobre a frequência e recorrência do uso das palavras mais afectadas pela razia acordista. Os resultados dessa nova estatística ultrapassariam, de longe, a percentagem que pressupõe a colocação no mesmo plano de palavras como acção, concepção, espectáculo por um lado, e manati, ornitorrinco, equidno, por outro, essas espécies animais cuja classificação nos deu outrora que fazer nos bancos escolares.

Mas são aquelas palavras que nos ligam não apenas às nossas origens greco-latinas (nesta altura, os acordistas preparam a batuta para o estafado argumento da “pharmácia”, como se precisassem de aspirinas para as dores de cabeça que os argumentos críticos ao AO porventura lhes causam) mas sobretudo, e aqui reside na minha opinião um dos pontos mais sensíveis dos efeitos do AO, à grande família que partilha essas origens. Tal tradição linguística faz com que leitores em numerosos países europeus, e não só, possam entender textos noutras línguas. Nomeadamente, no português europeu.

Sendo porém apartados pela força de uma medida prepotente, ao arrepio de reconhecidos especialistas ao longo de mais de vinte anos, Continue reading

Share

Link permanente para este artigo: https://ilcao.com/2012/04/08/a-desmontagem-do-facto-consumado-teresa-cadete-publico/

A pergunta de [“PÚBLICO”, 8 de Abril, 2012]

aperguntade
António Emiliano para Francisco José Viegas
O Acordo Ortográfico [AO], feito há 22 anos, recebeu pareceres técnicos muito negativos e só dois membros da CPLP o aplicam de facto. Portugal subscreveu a declaração de Luanda de 30/03/2012 que diz que o AO produz constrangimentos no processo de ensino e aprendizagem e deve ser revisto (em prazo indeterminado). Não se deveria suspender imediatamente o AO nas escolas e nas instituições do Estado?
Respondendo ao desafio do PÚBLICO, o professor de Linguística da UNL dirige uma pergunta ao secretário de Estado da Cultura

[Transcrição integral de “A Pergunta de”, secção da pág. 3 do Público de publicada no “PÚBLICO” de 08.04.2012.]

[Nota: os conteúdos publicados na imprensa ou divulgados mediaticamente que de alguma forma digam respeito ao “acordo ortográfico” são, por regra e por inerência, transcritos no site da ILC já que a ela dizem respeito e são por definição de interesse público.]

Share

Link permanente para este artigo: https://ilcao.com/2012/04/08/a-pergunta-de-publico-8-de-abril-2012/