Na VII reunião de ministros da Educação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa não ocorreu a nenhum dos presentes invocar o famigerado segundo protocolo modificativo do Acordo Ortográfico, em que algumas luminárias se baseavam, para sustentar que ele tinha o condão de fazer vigorar o que não estava em condições para tal.
A evidência era gritante: se esse protocolo, soi-disant dispensador de mais de três ratificações, não tinha sido ratificado por todos os estados signatários, também não estava, nem está, em vigor na ordem jurídica internacional e muito menos nas ordens jurídicas nacionais… Agora ficou claro que este entendimento é pacífico.
A declaração refere a existência de constrangimentos, que podem de futuro “dificultar a boa aplicação do Acordo”, e de estrangulamentos no processo de ensino e aprendizagem (não se percebe muito bem em que consistam, mas é certo que eles não se verificam pelo menos em Angola e em Moçambique, onde o AO não está a ser aplicado…).
Com data de 29.3.2012, podemos ler no Blog da Casa Civil do Presidente da República de Angola (http://www.casacivilpr.com/ pt/noticias/2012/03/29/angola-protela-adopcao-do-acordo-ortografico/) que Angola protela a adopção do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, porque pretende estudar e avaliar uma série de aspectos de conteúdo, no sentido de acautelar as implicações no sistema educativo nacional. O AO continua a ser avaliado, para que “no caso de ser ratificado” (note-se bem: no caso de…), “o mesmo não cause dificuldades ao sistema educativo em vigor no país”. E aponta-se a falta de preparação dos alunos, professores e as implicações que têm a ver com a produção de materiais didácticos, como alguns factores que condicionam a adesão de Angola ao novo acordo.
Acresce um ponto verdadeiramente enigmático na declaração final do encontro: o reconhecimento da “necessidade de se estabelecer formas de cooperação entre a Língua Portuguesa e as demais línguas em convívio nos Estados Membros”. O que é que isto quer dizer? O que é cooperação entre línguas? Quais são as línguas em questão? O francês na África Ocidental? O inglês na África Austral? As várias línguas nativas a leste e a oeste?
O significado profundo desta coisa traduz provavelmente a confissão envergonhada, por parte do neocolonialismo luso-brasileiro, de que o AO não dispõe absolutamente nada para a grafia de vocábulos das línguas nativas que tenham sido incorporados no português. Se é este o sentido útil desse ponto, isto significa o reconhecimento, por todos os governos, de que, também por esta razão, o AO não pode ser aplicado enquanto não for alterado!
Abr 11 2012
«A suspensão» [Vasco Graça Moura, “DN”]
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Abr 10 2012
Firefox contra o AO90
Sejam bem-vindos ao site oficial da solução Firefox+FoxReplace contra o AO90!
Este é o nosso primeiro post e vou fazer-vos uma pequena visita guiada!
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Este site pretende ser mais uma frente de luta contra a aberração que é o Acordo Ortográfico. Mais especificamente, será o site oficial de suporte e divulgação ao método para colocar o seu Firefox a mostrar textos em acordês como se estivessem escritos de acordo com a norma do AO45, que é aquela que todos conhecemos muito bem e estamos familiarizados. Isto é feito com recurso ao extra FoxReplace, para o Firefox. Não sabe o que é? Encontra a resposta na página convenientemente denominada O que é?.
Depois de ver o que é e do que é que se trata, certamente que ficará interessado em experimentar. O processo é simples e está tudo explicadinho na página que diz exactamente como instalar e configurar.
Este processo de tentativa de conversão AO90->AO45 é, na realidade um processo de substituição, ou seja, existe uma lista que contém um conjunto de expressões a procurar que, depois de encontradas, devem ser substituídas por outras expressões. Esta lista de substituições é livre para consulta no site e incentivamos o leitor a sugerir mais palavras ou grupos de palavras que ainda não façam parte da actual lista. Se se quiser aventurar na criação das expressões que identificam as palavras a serem substituídas, pode sempre passar pela página que explica como criar as entradas da lista de substituição. Qualquer coisa, não se esqueça de partilhar conosco!
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Qualquer dúvida, passe pela página que fala um pouco sobre o site e/ou contacte o staff.
Não se esqueça de subscrever às notícias do site por RSS para estar sempre a par de tudo o que for publicado.
Já agora, se é contra o Acordo Ortográfico e/ou pretende fazer uso deste extra para esse efeito, não deixe de passar pelo site oficial da Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico e de assinar a ILC. Não se limite à desonra que é a passividade perante coisas fáceis.
[Esta é uma transcrição integral (incluindo código) do “post” inicial publicado no blog “Firefox contra o Acordo Ortográfico“, da autoria de João Ricardo Rosa. ]
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Abr 10 2012
«O Tempo e as palavras» [M.A.V.F, revista “Tempo Livre”]
Ainda da (des)necessidade de um (des)acordo ortográfico – 3
Noite alta. Cobrindo totalmente o tampo da secretária, recortes de jornais de um tempo em que o projecto do Novo Acordo Ortográfico começava a revelar as suas debilidades e a ser contestado nos corredores universitários e folhas A4 recobertas de notas vão-se agrupando em montinhos, num trémulo equilíbrio instável. Pela enésima vez, releio, artigo a artigo, o texto do “Acordo” do meu descontentamento, a sua “Nota Explicativa” e a Resolução do Conselho N. 8/2011. Leitura lenta, como impõe a abundância de incongruências, cotejando cada regra, cada afirmação, com as críticas e com os encómios, que também os há e cumpre julgá-los com equidade.
Segundo a Resolução do Conselho de Ministros, o AO “simplifica e sistematiza vários aspectos da ortografia e elimina algumas excepções ortográficas, garantindo uma maior harmonização ortográfica”. Não há dúvida de que os termos sistematizar e algumas são usados aqui de forma muito lata. Uma das críticas ao AO é, precisamente, a proliferação do termo “facultativamente” e da resultante duplagrafia, aceite em algumas palavras, como é o caso, por exemplo, dos tão discutidos termos “facto” e “pacto”, que, ao contrário do que injustamente se questiona, manterão para o usuário português da língua o C, já que, em PE este é articulado.
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Abr 10 2012
«O autor repudia o acordo ortográfico»
José Agostinho Baptista nasceu a 15 de Agosto de 1948, na cidade do Funchal, Ilha da Madeira. Colaborou com a imprensa, é tradutor (traduziu W. B. Yeats, Tagore, Walt Whitman e Tennessee Williams, entre muitos outros), mas é sobretudo como poeta que se distingue. No seu novo livro, publicado pela Assírio & Alvim, escreve, para que não restem dúvidas: “O autor repudia o novo acordo ortográfico”. Ao CM, o poeta explica-se. “Acho que esse acordo, dito ortográfico, não é uma coisa séria. Parece um rol de mercearia. Negociou-se a Língua, o seu património, (coitado do Fernando Pessoa ao dizer ingenuamente que a Língua Portuguesa era a sua pátria…) como se fossem batatas, cebolas ou chouriços. Um caos, uma espécie de feira da ladra das palavras. Se já se escrevia e falava tão mal, agora será muito pior, tal a confusão instalada. Não sei como é possível tamanha leviandade, tamanho desrespeito. Ou talvez saiba.”
[in revista “Domingo”, do jornal “Correio da Manhã“, 08.04.12. Link indisponível.]
[Nota: os conteúdos publicados na imprensa ou divulgados mediaticamente que de alguma forma digam respeito ao “acordo ortográfico” são, por regra e por inerência, transcritos no site da ILC já que a ela dizem respeito (quando dizem ou se dizem) e são por definição de interesse público (quando são ou se são).]
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Abr 10 2012
Nota: actualizações técnicas
Devido ao último ataque de “hackers” ao site da ILC, durante parte do dia de ontem, foi necessário actualizar para as versões mais recentes alguns aspectos técnicos. Por este motivo o “interface” apresenta agora algumas diferenças em relação ao habitual e será necessário proceder a diversas alterações e correcções – logo que possível – para que tudo volte ao normal.
Assim que a situação estiver normalizada este “post” será apagado, visto que deixará de fazer sentido. Pensando melhor, não, não será apagado; fica para registo (de) histórico e para memória futura…
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