Triste, muito triste

Este livro respeita o acordo ortográfico?

Não escrevo com acordo. Mas já deitei a toalha, o acordo é estúpido e gastou-se imenso dinheiro com isso e não uniformiza de facto. A pronúncia é que vai fazer a diferença. O que não quero é que me mudem palavras como comboio para trem. É bom haver diversidade nas línguas. Também não quereria ver o Jorge Amado a dizer comboio. Mas há um ano ligaram-me do Brasil a querer comprar o meu livro “Nas Tuas Mãos”. O governo anda a comprar livros para as escolas e quando o faz são encomendas de milhares de exemplares para os liceus. Mas só o compravam se fosse com o acordo. Eram 7 mil ou 10 mil a mais, e eu disse “com certeza”.

[Transcrição parcial de entrevista a Inês Pedrosa, jornal i de 12.05.2012. Os destaques e sublinhado são nossos.]

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João Ricardo Rosa subscreveu a ILC

João Ricardo Rosa é natural de Faro e estudante de Engenharia Informática na Universidade do Algarve.

Não esconde o facto de, no geral, não gostar de ler livros. Dito isto, quando lê seja o que for, onde quer que seja, quer que esteja bem escrito, tendo já chegado a admitir-se como mais um Grammar Nazi. Estando farto e enojado de ser forçado a ler sites com conteúdo em “acordês”, decidiu procurar por formas de alterar o conteúdo visualizado. Conseguiu encontrar uma solução aplicável no browser Firefox e decidiu criar e gerir o site Firefox contra o Acordo Ortográfico, onde explica como é possível colocar o Firefox a apresentar sites com conteúdo pós-AO90 em pré-AO90.

«Subscrevi a ILC logo que me falaram dela e de seguida pus-me a recolher assinaturas que ia enviando por intermédio dessa mesma pessoa, que também as recolhia. O único sítio onde me era possível recolher efectivamente as assinaturas era dentro do próprio campus universitário, mas eventualmente deixou de me ser possível continuar a fazê-lo. Mas isso é o menos. O que mais me assusta é a ignorância passiva da sociedade e os discursos falsos que lhe apresentam, qual lavagem cerebral. Incontável o número de pessoas com quem me cruzo que se limitam a ignorar o dito cujo quando se deparam com ele, não fazendo nada quanto a isso, mesmo que sejam contra. Nem sequer sabem da ILC e que podem ajudar a pôr um ponto final nisto tudo.

Estou farto de comentários que apenas dizem “Não ao AO!”, “O AO é um atentado à língua!” e “Não vou escrever segundo o AO. Vou escrever como aprendi!”. Ok, já percebemos, ninguém quer o AO, essa questão já está mais que respondida e deslavada, não precisamos de novas respostas repetidas. A próxima questão (que é ainda mais importante) é “E o que é que já fez para o travar?”. As próximas gerações não vão deixar de aprender a escrever com o AO só porque nós não queremos mudar a maneira como escrevemos. O Português não vai deixar de ser destruído e abastardado se não nos movermos e insurgirmos contra tal desastre. Cabe-nos a nós todos lutar e exigir que sejamos ouvidos. Estou certo que quando foram às urnas ninguém votou para esta calamidade.»
João Ricardo Rosa

Subscreveu a Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação da entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990. É o autor do “site” Firefox contra o Acordo Ortográfico, uma excelente e prática ideia que permite navegar à vontade na Internet corrigindo automaticamente para Português-padrão as páginas contaminadas pelo “acordês”.

Este é mais um perfil publicado na “galeria” de subscritores, activistas e apoiantes da nossa ILC.

Nota: esta publicação foi autorizada pelo subscritor, que redigiu e nos enviou, expressamente para o efeito, a respectiva nota biográfica, a sua fotografia e o texto de apoio.

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Carta ao Primeiro-Ministro [por António de Macedo, cineasta]

«Enviei a missiva ao Primeiro-Ministro no dia 13 de Junho, dia de Santo António, figura que simboliza bem, pelo que dela tem sido feito em Portugal, o estado lamacento (irremediável?) em que este país se vem atascando.

A esmagadora maioria dos Portugueses só conhece de Santo António a falsa mitografia folclórica do santo namoradeiro que se divertia a quebrar bilhas às moças nas fontes, ao passo que o verdadeiro Santo António, desconhecido do povo português, foi um dos maiores eruditos de Filosofia Medieval, um dos 33 Doutores da Igreja a par de Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, São João da Cruz ou Santa Teresa de Ávila, cujo pensamento original tem sido exaustivamente analisado e investigado por conceituados estudiosos internacionais, e cujos textos e sermões (escritos em latim) estão traduzidos desde o século XVIII em todas as línguas cultas… – menos em português!

Em português só conseguiu ser publicado em 1987 graças aos persistentes e isolados esforços do Padre Henrique Rema, douto especialista em Santo António que conheci pessoalmente e com quem trabalhei, e que durante mais de quinze anos batalhou junto de editoras com responsabilidades como a Imprensa Nacional ou a Fundação Gulbenkian, sem êxito, até que em 1987 a Lello, do Porto, lá condescendeu em publicar a edição bilingue (latim/português) dessa preciosidade nacional.

Naquele inenarrável concurso da RTP “Os Grandes Portugueses” (2006-2007), sujeito ao voto popular, Santo António nem sequer vem mencionado entre os 10 finalistas.

Vem este aparente desvio a talho de foice para reiterar que a escolha do dia 13 de Junho não foi inocente: para mim o caso de Santo António simboliza e resume tristemente o estado de miséria cultural de um povo que se compraz na auto-aniquilação, desconhecendo ou mesmo desprezando o que deveria torná-lo grande e enaltecer-lhe a auto-estima. Pelo contrário, parece que os Portugueses sentem uma necessidade doentia de aderirem ao que mais pode aviltá-los e descaracterizá-los. O desleixo pela língua Mátria, evidenciado pela acrítica e progressiva aceitação do AO90 (salvo uma ou outra honrosa excepção), não precisa infelizmente de mais comentários.»

António de Macedo, em mensagem de email para a ILC AO90.

———- Mensagem encaminhada ———-
De: Antonio de Macedo
Data: 13 de Junho de 2012 13:02
Assunto: Oportunidade
Para: Gabinete do Primeiro-Ministro

Exm.º Senhor

PRIMEIRO-MINISTRO

Ao cabo de 81 anos de penar por este mundo, e sobretudo pelas tortuosas vicissitudes de Portugal, venho junto de V. Ex.ª solicitar um pouco da sua atenção, caso lhe interesse acolher alguma da experiência de um causticado octogenário “enriquecido por muitas batalhas perdidas – discipular maneira de se lhes descobrir o verdadeiro ganho”, como digo no prefácio de um livro meu (Da Essência da Libertação, IN-CM, Lisboa 2002).

Vem isto a propósito da cancerígena proliferação do novo Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) cujas metástases ameaçam sufocar irremediavelmente a expressão escrita da língua Mátria deste país, língua que se disseminou pelos continentes do planeta onde foi adquirindo tonalidades e matizes distintos ao contacto com as diferentes culturas e geografias. E digo língua Mátria, e não língua Pátria, para me servir de uma feliz expressão da saudosa, vibrante e combativa Natália Correia, extraordinária mulher de letras e de cultura, de quem tive o privilégio de ser admirador e amigo pessoal.

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«Uma capitulação ao capital» [carta de P.R.C.]

From: Paulo J R Costa

To: Comissão de Trabalhadores

Sent: Thursday, June 14, 2012 5:08 PM

Subject: RE: Comunicado nº 7 da Comissão de Trabalhadores da TAP.

Exm.ª Comissão,

Li o vosso comunicado. De acordo quanto ao conteúdo.

Quanto à forma, bem…

Se vos preocupais tanto em abrasileirar o português como preconizado pelo denominado «Acordo» ortográfico havíeis de lê-lo antes para saberdes como ele mutila com toda a «correção» o português. Não basta riscar muito burguesmente «ações» e «projeto»; é preciso verter em minúscula a inicial dos nomes dos meses («janeiro» «fevereiro» &c.) como se faz no Brasil. Logo, os nomes dos meses estão todos mal nos vossos comunicados.

Haveis de também passar a despromover as estações do ano. Se lerdes o dito «Acordo» (façamos de conta de conta que é um A.E. por desfastio) haveis de notar que o «Verão», com maiúscula, acabou. O que começa por daqui a oito dias há-de ser o primeiro «verão» português a valer (qual Verão quente, qual quê!…); calhando passa a ser assim porque em sendo como era, com maiúscula à boa maneira portuguesa, os nossos irmãos brasileiros nem haviam nunca de saber ler tal esquisitice. Portanto, já vedes, quem escreva «primavera», «verão», «outono», «inverno» — como o Brasil se faz desde talvez antes de …1500? — nunca jamais em tempo algum — presume-se — terá capacidade de entender, se o vir escrito, Primavera, Verão, Outono, Inverno. O mesmo que já disse para Janeiro, Fevereiro, Março, etc. — vá lá, pois, os nossos irmãos dos trópicos perceber que na língua deles (o português) aquilo é tão só… «janeiro», «fevereiro», etc..

Claro que isto é ironia. — Com a situação, não com brasileiros, como se entende.

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Vale sempre a pena protestar… (1)

1. O protesto

From: Rocío
Date: 2012/6/14
Subject: Guía (in)útil de pronunciación para periodistas – EUROCOPA 2012
To: consultas@fundeu.es

Buenas tardes,

No sé si esto es una consulta, una queja, o un lamento.

El caso es que he accedido a su Guía útil de pronunciación para periodistas en la Eurocopa 2012 y cual no habrá sido mi sorpresa al ver que Vds. no “pronuncian” en portugués de Portugal sino en portugués de Brasil.

Ignoro dónde se han documentado para elaborar esa guía y espero que en las demás lenguas esté correctamente indicado pero su “pronunciación” es cualquier cosa menos portuguesa. Y se lo digo yo que llevo 10 años estudiando portugués (5 años en la Escuela Oficial de Idiomas de mi ciudad y otros 5 de diferentes cursos tanto en España como en Portugal).

Les agradecería mucho (e imagino que el resto de estudiantes de Portugués así como los propios portugueses) que modifiquen la pronunciación de los nombres y palabras en portugués de su guía.

Si no tienen quien lo escriba correctamente, puedo facilitarles el contacto de algunos portugueses (profesores y traductores algunos de ellos) que, gratis, estoy segura que no tendrían inconveniente en hacerlo.

Un saludo,

Rocío Ramos Nieto

[Ver “post” inicial aqui.]

2. A resposta

2012/6/14 Fundéu BBVA <consultas@fundeu.es>

Muchas gracias por su ofrecimiento y lamentamos mucho el error.
Ya lo hemos corregido.

Saludos cordiales
________________________________

Fundación del Español Urgente
T. (34) 913467440
www.fundeu.es
www.twitter.com/fundeu
www.facebook.com/fundeu

3. O agradecimento

From: Rocío
Date: 2012/6/16
Subject: Re: Guía (in)útil de pronunciación para periodistas – EUROCOPA 2012
To: Fundéu BBVA

Buenos días,

Muchas gracias por la rectificación y por la rapidez con la que efectuaron la misma.

Los utilizadores de todo tipo que se sirvan de su Guía pueden estar satisfechos: los profesionales que la utilicen porque habrán sido bien informados y las personas que los escuchemos porque podremos reconocer en su pronunciación la lengua portuguesa y apreciar el trabajo realizado para intentar hacerlo correctamente.

Gracias de nuevo y un cordial saludo,

Rocío Ramos Nieto

4. O resultado

 

Antes estava assim (“click” para ouvir)

 

Agora está assim (click para ouvir)

Muchas gracias, Fundéu BBVA!

Bravo, Rocío Ramos!

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