Escrevo como “indígena” desta terra na qual em parte se encontram as raizes da nossa Língua e que se chama Galiza. Fago-o também como falante e escrevente desta Língua que nos une, por muito que haja portugueses e espanhóis que neguem essa unidade, e que Espanha tentou e tenta apagar das nossas vidas de galegos.
Uma das formas tem sido pôr uma farda castelhana à nossa ortografia e afastá-la da ortografia comum: viajar por Galiza e ver escritas aberraçoes como *fillos, *años, *carballo ou *sentenza é testemunhar este propósito lingüicida que o diz tudo de um estado incapaz de respeitar a diferença e a diversidade.
Assisto indignado e frustrado ao que está a ocorrer em Portugal com a imposiçao do AO, com o esquecimento que ele implica para as nossas raízes na hoje quase ignorada língua chamada Latim, para com a cedência para com um critério foneticista e avulgarado da língua escrita, para com o domínio de critérios simplesmente economicistas e de mercado em algo que, como a Língua, deveria ser considerado um acervo a manter afastado do reino do despautério plutocrático.
Infelizmente, também na Galiza aqueles sectores que antes propugnavam uma ortografia comum mas uma norma galega, agora, ante a miragem do AO optam por escrever numa ortografia uniformizada e homogeneizante de acordo à norma brasileira. Dói à vista ver escrito “concetualismo, trator, setor, ato” e demais barbárie que se está instalando na nossa Língua escrita.
Acompanho-os e solidarizo-me na sua luita. E exprimo-o com aquilo que modestamente pretende ser uma norma galega da nossa Língua baseada naquilo que alguns pseudoeruditos e pseudolingüistas chamam agora de “português antigo”.
Jun 11 2012
A nossa luita
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Jun 11 2012
A “Newsletter” do deputado
O deputado Mendes Bota é subscritor e apoiante da ILC pela revogação da entrada em vigor do AO90.
[Imagem recortada de “newsletter” recebida por email.]
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Jun 11 2012
A “internacionalização do português brasileiro”
O Acordo Ortográfico visa dois objectivos: reforçar o papel da língua portuguesa como língua de comunicação internacional e garantir uma maior harmonização ortográfica entre os oito países que fazem parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Em primeiro lugar, a aplicação do Acordo Ortográfico e a definição de uma base ortográfica comum aos oito países que partilham este património linguístico permitem reforçar o papel da língua portuguesa como língua de comunicação internacional. Trata-se de algo particularmente relevante na criação de oportunidades e na exploração do seu potencial económico, cujo valor é consensualmente reconhecido.
Este instrumento visa contribuir para a expansão e afirmação da língua através da consolidação do seu papel como meio de comunicação e difusão do conhecimento, como suporte de discurso científico, como expressão literária, cultural e artística e, ainda, para o estreitamento dos laços culturais.
I Congresso de Internacionalização do Português
Os eventos objetivam discutir políticas linguísticas relacionadas à internacionalização do português brasileiro, decorrente do papel do Brasil no contexto contemporâneo das relações internacionais. Concomitantemente, visa a discutir políticas linguísticas e educacionais que promovem o ensino português como língua estrangeira e/ou segunda língua para estrangeiros e também para cidadãos brasileiros falantes de outras línguas (surdos, indígenas etc.).
Pretende informar às comunidades interna e externa à UERJ, especialmente, sobre as pesquisas mais recentes nas áreas de PL2E e PL2S, marcando a inserção da UERJ como uma das Instituições que promove pesquisa e formação de professores nesse campo de estudos e atuação profissional. Os eventos procuram trazer resultados que se transformem em respaldo para o processo de internacionalização da UERJ.
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Jun 10 2012
«A Herança», por Maria José Abranches
Verba volant, scripta manent (loc. lat.) – As palavras voam, os escritos permanecem
Carta aberta aos portugueses, presentes e futuros!
Portugal fica mortalmente ferido, vergonhosamente espoliado e cruelmente amesquinhado e ridicularizado pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (AOLP). Ferido na sua língua, seu património maior, espoliado do seu direito a ela, amesquinhado e ridicularizado na sua dignidade de antiga nação europeia, pelo próprio processo e pelos termos desse documento.
Porque as palavras voam, os escritos permanecem, proponho-me passar em revista, por ordem cronológica, aspectos significativos do que tem ficado escrito de todo este processo, para ilustração dos contemporâneos e memória dos vindouros. Antes, porém, gostaria de salientar duas ou três coisas, para que melhor se possa compreender a dimensão do que está em causa.
Primeiro – a reforma ortográfica de uma língua é em geral um processo interno, mais ou menos profundo, levado a cabo por especialistas, com amplo debate público, tendo em conta a evolução, a história e as especificidades dessa mesma língua. Outra coisa, bem diferente, no âmbito, forçosamente muito restrito, e nos objectivos, é um acordo ortográfico internacional. Em qualquer dos casos, a informação e o debate públicos são imprescindíveis.
Segundo – a Academia Brasileira de Letras fez, em 1907, unilateralmente, uma reforma da ortografia brasileira, afastando-a da portuguesa, com o intuito de a simplificar, e de a aproximar da fonética; por sua vez, em 1911, o Governo português nomeou uma comissão de filólogos para que estabelecesse as bases duma reforma da ortografia portuguesa.
Terceiro – a preocupação com a ortografia do Português, que atravessou todo o século XX e continua até hoje, concerne essencialmente as duas normas da língua, a brasileira e a portuguesa, já que esta última é também a que vigora nos outros países de língua portuguesa.
Quarto – em consequência do que foi referido no segundo ponto, a questão ortográfica levou a sucessivas tentativas de reaproximação da ortografia portuguesa e brasileira, sob a forma de Acordos, sistematicamente desrespeitados pelo Brasil, designadamente o de 1931 e o de 1945, sendo este último, no essencial, o que tem estado em vigor em Portugal e restantes países de língua portuguesa.
Quinto – O já referido Acordo de 1945 foi também inicialmente adoptado no Brasil (Dec.-lei 8.286, de 05.12.1945), tendo sido aí rejeitado, dez anos mais tarde, pelo Dec.-lei 2.623, de 21.10.1955. Aliás, a própria Constituição brasileira de 1946 foi redigida segundo as normas anteriormente estipuladas pelo Formulário Ortográfico de 1943.
Sexto – Estas questões poderiam ter ficado tranquilamente por aqui, Portugal e Brasil usufruindo de total soberania, também no que toca à sua própria norma do Português . Mas elas reacenderam-se, nomeadamente em 1975 e em 1986 e, de novo, em 1990, com este AOLP. A propósito, convoco agora o testemunho insuspeito do Prof. Maurício Silva, brasileiro, da Universidade de São Paulo: «Assim, pode-se dizer que grande parte da discussão em torno da ortografia da língua portuguesa – como , de resto, em torno da própria língua – redunda na tentativa de afirmação nacionalista de uma vertente brasileira do idioma, em franca oposição à vertente lusitana.» (in Reforma Ortográfica e Nacionalismo Lingüístico no Brasil)
Posto isto, como é possível que este falso “Acordo” de 1990 – porque se trata de facto, pela sua dimensão e implicações, da imposição de uma verdadeira reforma ortográfica da nossa língua materna, o Português europeu – constitua a base de um tratado internacional, assinado por Portugal, apesar de amplamente condenado do ponto de vista linguístico pelos nossos especialistas?
Todos os aspectos nefastos, propriamente científicos e culturais, deste AOLP foram já abundante e rigorosamente tratados por quem de direito. Parece, contudo, que os decisores políticos, por qualquer razão obscura, se mantêm imunes a todos esses argumentos, a pretexto de não poderem ter “opinião”… Revelam assim uma tremenda insensibilidade face ao valor patrimonial e identitário da nossa língua nacional, que é também, convém lembrar, património europeu, ao mesmo título que qualquer uma das outras 22 línguas nacionais da União Europeia.
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Jun 08 2012
Carta à Sociedade da Língua Portuguesa [Eng. Miguel Casquilho]
Cara Amiga e Presidente Elsa Rodrigues dos Santos,
(Qua, 06Jun2012, 22h30) Decidiu a SLP adoptar (adotar, adutar, etc.) o famoso Aborto Hortográfico. Com (sincera) mágoa, venho desligar-me de todas as actividades da SLP, inclusivamente como sócio, neste seu (da SLP), vosso e (ex-)nosso dificílimo momento. De facto, não quereria ser conotado –eu, que sempre o abjurei– com este atentado linguístico e, principalmente, científico.
Fico, no entanto, ainda, ao dispor para “passar o testemunho”, se assim o entenderem, quanto ao sítio Internet da SLP, que gratuitamente construí e mantive com gosto, no sentido, eventualmente, de vos sugerir alguém ou alguma entidade para dele cuidar.
Creia, amiga Elsa –assim continuarei a considerá-la–, que é com desgosto que tomo esta decisão, mas desgosto e vergonha maior é ver-vos, a si e à Sociedade, enveredar por esta degradação e subserviência.
Cordiais saudações,
Miguel Casquilho
[carta enviada pelo Eng. Miguel Casquilho à SLP e reproduzida com a autorização do autor. Cópia recebida por email.]
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