AO90: «um documento “analfabético”» [por Fernando Paulo Baptista]

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Acordo Ortográfico /1990” — um documento “analfabético” e “grafemo-fágico”, potenciador da iliteracia cultural e científica…

Qualifico de “analfabético” o texto do novo «Acordo Ortográfico / 1990”, no sentido literal e próprio do termo (do grego: an-alphá-betos, isto é, que não sabe nem «a» nem «b»).

Na verdade, como é possível haver quem defenda um «acordo» que se diz «ortográfico» e que, na regulação e normalização da expressão «grafémica» dos textos escritos, impõe, contra todos os pareceres dos melhores especialistas da Linguística e da Filologia, o critério fono-cêntrico e buco-auditivo da «pronúncia» que, por determinação normativa da liquidatária e assassina Base IV, «devora» letras fundamentais da estrutura morfo-semântica e identitária das matrizes histórico-genealógicas mais profundas do vocabulário mais denso, mais rigoroso e mais expressivo da Língua Portuguesa, que é, importa lembrá-lo, uma língua românica ou neo-latina?…

Só se, paradoxalmente, se estiver a pensar numa espécie de aproximativo retorno à fase da «Pré-história», ou seja, ao tempo em que ainda não tinha sido inventada a «escrita», com a qual se inaugura a fase da «História»!… Nessa altura (ou seja, há cerca de 6. 000 anos [*]…), ainda não se comunicava através de textos alfabético-grafémicos: era o tempo exclusivo do modo oral de comunicar, sem qualquer outro modo que lhe fizesse concorrência…

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«Um aborto político» [Eduardo Cintra Torres, “CM”, 01.07.12]

A ver vamos

O Acordo Ortográfico é um aborto político: suspensão, já!

Antes de ser secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas opunha-se ao Acordo Ortográfico, que não é nem acordo — não o há entre os países de língua portuguesa – nem ortográfico — muitas das mudanças ortográficas são incompetentes e indecentes. A nova “ortografia” é um aborto político. No governo, Viegas passou a “nim”: nem sim, nem não. Ao fim de um ano, a prática mostra que passou ao sim. Entretanto, a situação ortográfica está caótica. A resistência é, felizmente, grande e determinada. Nos documentos públicos, escolas, exames, media, a confusão é generalizada. É lamentável que Viegas mude como o vento, deixe andar o caos, e se demita da defesa da cultura no mais basilar dos seus instrumentos.

Eduardo Cintra Torres, jornal “Correio da Manhã“, 1 de Julho de 2012, crónica com o título “Panóptico“.

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Maria João Brito de Sousa subscreveu a ILC

Maria João Brito de Sousa nasceu em Lisboa, Concelho de Oeiras, a 4 de Novembro de 1952.

Neta do poeta António de Sousa e de Alice Brito de Sousa, pintora, teve o privilégio de conviver, durante a infância e adolescência, com alguns dos mais representativos nomes da cultura portuguesa do séc XX, Miguel Torga, Vitorino Nemésio, Natália Correia, Manuel Ribeiro de Pavia, Guilherme Filipe e Julio, eram visitas assíduas da casa onde cresceu.

Foi com Manuel Ribeiro de Pavia e ainda muito pequenina que se lançou à aventura dos pincéis e do carvão esta será uma das razões pelas quais, ainda hoje, gosta de se definir como “pintora precoce de trabalhos adiados”. É com cerca de três anos de idade que se inicia nas quadras em redondilha maior, algumas registadas pela mão de seu avô em pedacinhos de papel que ainda hoje guarda.

A sua pintura define-a numa linha expressionista-simbolista, sempre aberta ao surrealismo. A sua Poesia surge na riqueza do vocabulário, na utilização sistemática da metáfora e na musicalidade da rima.

Casou muito cedo e durante quase trinta anos dedicou-se exclusivamente às tarefas de esposa e mãe, pouco tempo lhe restando para se dedicar às Artes que nunca deixaram de a ir chamando. Em 1999, após um doloroso divórcio, renasceu, imperiosa, a necessidade de criar. Em Janeiro de 2000 inaugurou a sua primeira exposição individual de pintura em Lisboa, na Voz do Operário, à qual se seguiram dezassete exposições colectivas, sempre na qualidade de membro da associação de Artistas Plásticos Paço de Artes, da qual se tornou sócia. Foi também no Salão Nobre desta associação que, em 2007, inaugurou a sua segunda exposição individual; Auto-Retrato. Participou também, em 2007, no leilão “Telas de Esperança”, no Salão Paroquial de Stº. António de Nova Oeiras e em 2010 numa exposição colectiva de pintura promovida pela AMNO – Associação de Moradores de Nova Oeiras, sob o título Nova Oeiras Acontece.

No campo da Poesia, iniciou uma extensa produção de sonetos formalmente clássicos, em Janeiro de 2008, tendo publicado o seu primeiro livro, Poeta Porque Deus Quer, em Janeiro de 2009. Antes da publicação participou no Concurso de Poesia em Rede no Sapo, onde ganhou o primeiro prémio “ex aequo”, com o soneto Territorialidade que dedicou à vila de Oeiras onde terminou o curso complementar dos liceus e onde reside desde 1972.

Enquanto pintora, é membro da Associação de Artistas Plásticos Paço de Artes e é, desde 2005, membro da Associação Portuguesa de Poetas, para a qual entrou pela mão da actual Vice-Presidente, a poetisa Virgínia Branco.

Subscreveu a Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação da entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990 e tem participado militantemente na recolha de assinaturas para a iniciativa.

Este é mais um perfil publicado na “galeria” de subscritores, activistas e apoiantes da nossa ILC.

Nota: esta publicação foi autorizada pela subscritora, que redigiu e nos enviou, expressamente para o efeito, as respectivas nota biográfica e fotografia.

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Portugueses de todo o mundo subscrevem a ILC (11)

Alguns selos de correio (e franquias) de subscrições da ILC recebidas, dos Portugueses espalhados pelo mundo, neste caso com exemplares de Portugal, Luxemburgo, Estados Unidos da América e Suécia.

Ver a “colecção” completa de selos postais da ILC AO90.

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«A persistência do caos ortográfico» [F.M.V., “Público”]

A persistência do caos ortográfico: a APP

Por Francisco Miguel Valada

Independentemente do carácter consuetudinário ou prescritivo duma (orto)grafia de base alfabética, a atenção dedicada à estabilidade da sua estrutura deve constituir uma das tarefas primordiais duma sociedade alfabetizada e grafocêntrica. Modificações em aspectos essenciais do padrão ortográfico acarretam várias e indesejadas consequências, sendo a banalização do caos um dos desfechos mais óbvios e um dos aspectos mais infelizes de abruptas, incorrectas e injustificadas alterações. Escusado seria dizer-se que o recente surgimento duma prevista e específica tipologia de erros é um desenlace provocado por o Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) ainda não ter sido nem suspenso, como em devida altura foi recomendado por pareceres científicos imparciais que o Estado português solicitou, nem objecto de “diagnóstico relativo aos constrangimentos” detectados na sua aplicação, como se pode ler em recente documento político que contém a assinatura de Nuno Crato, o actual ministro da Educação e da Ciência.

Quando o caos ortográfico se instala em documentos do Estado (ou de instituições que de alguma forma dele dependem) e as deficiências na produção textual se generalizam, a capacidade de expressão escrita de Portugal corre o risco de ser profundamente afectada. Neste artigo, sublinho a absurda persistência do caos na produção escrita de quem promove a urgência na adopção do AO90, ministra acções de formação sobre o mesmo e assume a incumbência de definir critérios de correcção e de emitir pareceres sobre a Prova Escrita de Português do 12.º Ano na primeira fase dos Exames Nacionais do Ensino Secundário de 2012.

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