João Ricardo Rosa subscreveu a ILC

João Ricardo Rosa é natural de Faro e estudante de Engenharia Informática na Universidade do Algarve.

Não esconde o facto de, no geral, não gostar de ler livros. Dito isto, quando lê seja o que for, onde quer que seja, quer que esteja bem escrito, tendo já chegado a admitir-se como mais um Grammar Nazi. Estando farto e enojado de ser forçado a ler sites com conteúdo em “acordês”, decidiu procurar por formas de alterar o conteúdo visualizado. Conseguiu encontrar uma solução aplicável no browser Firefox e decidiu criar e gerir o site Firefox contra o Acordo Ortográfico, onde explica como é possível colocar o Firefox a apresentar sites com conteúdo pós-AO90 em pré-AO90.

«Subscrevi a ILC logo que me falaram dela e de seguida pus-me a recolher assinaturas que ia enviando por intermédio dessa mesma pessoa, que também as recolhia. O único sítio onde me era possível recolher efectivamente as assinaturas era dentro do próprio campus universitário, mas eventualmente deixou de me ser possível continuar a fazê-lo. Mas isso é o menos. O que mais me assusta é a ignorância passiva da sociedade e os discursos falsos que lhe apresentam, qual lavagem cerebral. Incontável o número de pessoas com quem me cruzo que se limitam a ignorar o dito cujo quando se deparam com ele, não fazendo nada quanto a isso, mesmo que sejam contra. Nem sequer sabem da ILC e que podem ajudar a pôr um ponto final nisto tudo.

Estou farto de comentários que apenas dizem “Não ao AO!”, “O AO é um atentado à língua!” e “Não vou escrever segundo o AO. Vou escrever como aprendi!”. Ok, já percebemos, ninguém quer o AO, essa questão já está mais que respondida e deslavada, não precisamos de novas respostas repetidas. A próxima questão (que é ainda mais importante) é “E o que é que já fez para o travar?”. As próximas gerações não vão deixar de aprender a escrever com o AO só porque nós não queremos mudar a maneira como escrevemos. O Português não vai deixar de ser destruído e abastardado se não nos movermos e insurgirmos contra tal desastre. Cabe-nos a nós todos lutar e exigir que sejamos ouvidos. Estou certo que quando foram às urnas ninguém votou para esta calamidade.»
João Ricardo Rosa

Subscreveu a Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação da entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990. É o autor do “site” Firefox contra o Acordo Ortográfico, uma excelente e prática ideia que permite navegar à vontade na Internet corrigindo automaticamente para Português-padrão as páginas contaminadas pelo “acordês”.

Este é mais um perfil publicado na “galeria” de subscritores, activistas e apoiantes da nossa ILC.

Nota: esta publicação foi autorizada pelo subscritor, que redigiu e nos enviou, expressamente para o efeito, a respectiva nota biográfica, a sua fotografia e o texto de apoio.

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8 comentários

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  1. Graças ao João Rosa até pode-se ler a Internete em português, com um mínimo de náusea por causa do dejecto abrasileirado que para aí puseram. Estou-lhe muito grato. Pena não haver nada no iPad como o que o Firefoz tem. Perdem as páginas de contrafacção este leitor, garantidamente. Pena maior que não haja um lince ao contrário para documentos impressos em .pdf… E soubesse eu como revirar o «dicionário» do Lince e não andava todas as semanas à caça do animal que o patrão teima recorrentemente em instalar no computador que me emprestou, e que eu insisto em exterminar mal o vejo. Parece um jogo do gato e do rato às avessas. Eu vou com o rato e removo o Lince.

  2. Bic Laranja,

    Pois, um Lince que funcione ao contrário é manifestamente impossível. Já quando tive fisico-química a minha professora me ensinou uma verdade científica: o Universo avança naturalmente no sentido da entropia, ou seja, depois de algo perdido ou destruído, é preciso usar muita energia para o recuperar.

    É por essa razão que FoxReplace não consegue, por exemplo, meter acentos nos verbos que os perderam nas suas formas verbais nos pretéritos (e.g. contratamos/contratámos). Com o Lince é o mesmo. Como poderia ele voltar a meter alguma coisa quando não precisou de perceber o seu contexto quando a tirou? É como tudo: para tirar é fácil. O difícil é voltar a pôr.

    ——————————-

    Quanto ao Firefox, sei que a Mozilla anunciou recentemente o Firefox para iPad, mas não sei até que ponto as actuais extensões irão ser compatíveis, até porque o “motor” desse Firefox para iPad teve de ser diferente, para poderem fazer a aplicação funcionar no dispositivo. Mas quem sabe, pode ser que tenha sorte 😉

  3. Parabéns pela iniciativa.
    De facto, não basta lamentarmo-nos e cruzar-mos os braços, imbuídos da postura de brandos costumes que nos caracteriza perante todas as cangas com que nos subjugam.
    Há que partir para acções de luta concretas, que mostrem a todo o “mundo civilizado” aquilo que se está a passar neste país.

    • J.Gervásio on 22 Junho, 2012 at 10:27
    • Responder

    O Ricardo devia arranjar uma coisa dessas para pôr nos óculos e não termos de ler brasileiro em todas as televisões e legendas no cinema.
    Quando a essa regra do avanço do universo e o custo incomportável da recuperação do perdido, o melhor é apagar o comentário, ou parte dele, porque é como dar munições a acordeses.

  4. Sobre revolver (noutro contexto alguns dizem «fazer revolução») o Lince referia-me a algo mais… subversivo. (Cá está, revolução, não dizia eu?…)
    Mero desejo, utópico, entenda-se.
    Cumpts.

    • Jorge Teixeira on 23 Junho, 2012 at 0:51
    • Responder

    @J.Gervásio: não acho que dê munições aos acordeses, antes pelo contrário — é fácil destruir informação, mas não é possível recuperar a informação que já não existe! Daí que seja essencial não destruir informação!

  5. Off-topic mas importante para quem utiliza o LibreOffice como suite “office” no computador:

    Como provavelmente alguns constataram, o LibreOffice instala automaticamente no Writer (processador de texto) os correctores ortográficos – o que faz com que marque como erro palavras como “acção” ou “decepção”. Felizmente, há uma forma de nos livrarmos do “acordês”. Passo a explicitar:

    1) Se o LibreOffice estiver aberto, fechem-no. O próximo passo só funciona se o programa não estiver a ser executado.

    2) Abrir a pasta “C:Program FilesLibreOffice 3.5shareextensions” (ou no caso do Windows), ou a directoria equivalente do vosso computador

    3) Alterar o nome das pastas “dict-pt” e “dict-pt-pt” para outro nome qualquer.

    4) Abrir o LibreOffice

    5) Abrir o navegador de Internet e descarregar o dicionário pré-AO, do endereço http://maracujah.net/software/dict .

    6) Abrir o ficheiro descarregado no LibreOffice. Seguindo as instruções, livram-se de vez dos erros marcados e passarão a poder escrever “excepção” ou “actividade” sem verem o traço vermelho por debaixo das palavras.

    1. @LuisC, muito obrigado por mais essa indicação. Poderia fazer o favor de a repetir na página “Português PT” ( http://ilcao.com/?page_id=5097 ) ?

      Cumprimentos.

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