Estudantes de Português em Espanha apoiam a ILC

APOIO À ILC CONTRA O ACORDO ORTOGRÁFICO

Nós, abaixo-assinados, estudantes de língua portuguesa em Espanha, perante a lógica impossibilidade de poder subscrever a Iniciativa Legislativa de Cidadãos por não possuir a nacionalidade portuguesa mas no desejo de colaborar da maneira possível na defesa do Português, APOIAMOS a ILC contra o A090 por considerar que as línguas hão-de evoluir de forma natural conforme a sua utilização pelas pessoas que através delas se comunicam e não por decreto imposto.

Rocío Ramos promoveu na FRAH (Fundação Rei D. Afonso Henriques) e na EOI (Escola Oficial de Idiomas), ambas em Zamora – Espanha, uma recolha de assinaturas de apoio à nossa iniciativa cívica.

No total, são 88 estudantes e uma professora de Língua Portuguesa, todos de nacionalidade espanhola, que assim manifestam publicamente o seu apoio à ILC pela revogação da entrada em vigor do “acordo ortográfico” de 1990.

Como não existem palavras suficientes para agradecer individualmente a cada um destes “nuestros hermanos” por tão extraordinária prova de amor pela Língua Portuguesa, aqui ficam as imagens – que valem cada uma por mil palavras, como sabemos – das suas assinaturas em prol desta Causa.

Páginas: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8.

[Os originais das folhas de subscrição foram-nos entregues pessoalmente. Por questões de preservação dos dados pessoais dos cidadãos espanhóis que subscreveram as listas de apoio à ILC, os respectivos nomes, “NIF” e assinaturas foram parcialmente apagados nas imagens digitalizadas dos impressos.]

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«A Viúva e a Virgem» [por Janer Cristaldo (Brasil)]

Escreve um leitor: o “benfeito” devemos ao pandemônio causado pela última reforma ortográfica. Escreve um outro: “Você está dizendo que a regra é equivocada. Concordo com você. Recuso-me a escrever “benfeito” e outras coisas. Mas o fato é que a regra mudou. Caso uma pessoa escreva “bem-feito” em um concurso público, ao invés de “benfeito”, terá pontos descontados por erro de ortografia. A Veja não é uma instituição pública, contudo, e, por isso, a menos que tivesse tomado a bandeira da pureza gramatical – opondo-se a uma reforma colocada em vigor por um semi-analfabeto – não vejo por qual razão deveria ser criticada por seguir a norma atual”.

Pode ser! Mas jornalista deveria raciocinar além dos gramáticos responsáveis pela reforma espúria. Se bem-feito deriva de bem-fazer, não pode ser benfeito. Ainda no ano passado, escrevia Thaís Nicoleti, no Uol:

Num primeiro momento após a implantação do Novo Acordo Ortográfico, entendeu-se que a forma “benfeito” substituiria a grafia “bem-feito”, preservando o sentido de “feito com esmero, com cuidado”. De acordo com esse primeiro entendimento, a forma “bem-feito” deixaria de existir. Não foi o que ocorreu.

A ideia era fazer a aglutinação tomando por base palavras da mesma família etimológica, como “benfeitor” e “benfeitoria”. Embora a mudança obedecesse a um critério lógico, a forma “benfeito” parece ter sido rejeitada pelos usuários. O fato concreto é que, na errata do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (e já na versão eletrônica), figura o verbo “bem-fazer”, com hífen, cujo particípio é a forma “bem-feito”.

O “Vocabulário” não é um dicionário, portanto registra os vocábulos sem indicar suas possíveis diferenças semânticas. O dicionário “Houaiss” traz, no entanto, a informação precisa. Registra as duas formas, “benfeito” e “bem-feito”, indicando o sentido exato de cada uma delas.

A distinção é simples: “bem-fazer”, com hífen, é fazer com esmero (“ trabalho bem-feito”, “corpo bem-feito”, “unhas bem-feitas” etc.) e “benfazer” é fazer o bem, fazer caridade (“Tinha benfeito aos pobres”, ou seja, “Tinha beneficiado os pobres”). O termo “benfeito” pode ainda ser um substantivo (sinônimo de “benefício” ou “benfeitoria”).

Não por acaso o dicionário Houaiss admite benfeito, afinal Antonio Houaiss é o responsável por esta reforma esdrúxula. Seu dicionário é demagógico, aceita o errado para parecer popular. Um só verbete desqualifica todo o dicionário: Houaiss admite as formas “adéqua”, “adéquam”. Com isto, absolve milhões de analfabetos. A reforma teve por finalidade não simplificar a língua – em verdade a complica, por suas incoerências – mas sim facilitar a vida dos analfabetos.

Fosse só isso não era nada. Uma reforma ortográfica é como a mudança da tomada de dois pinos para uma de três. Parece uma bagatela, mas rende milhões a vivaldinos que sabem que a mais eficaz forma de roubar não é roubar milhões de poucos, mas roubar centavos de milhões.

Tudo parece tão inocente, não é verdade? Coisinhas banais, como tirar um hífen aqui, um acentinho lá. Mas pense no que vem embutido com a reforma: novas edições de dicionários, reedições de toda a literatura, incluindo nisto os livros escolares e os paradidáticos, a galinha dos ovos de ouro dos editores. Um acentinho aqui, um hifenzinho ali… e o movimento de milhões de reais na indústria do livro.

Esse é o verdadeiro significado da reforma. A universidade e a imprensa brasileiras se renderam vilmente aos mercadores da língua. Não há sanções para quem não aceitar a reforma. Se não há sanções, pode-se continuar escrevendo como se escrevia. Se a universidade e os jornais – não falo dos editores, que são os principais beneficiados – continuassem grafando como sempre se grafou, o acordo espúrio iria águas abaixo.

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Brasil quer adiar entrada em vigor do AO90

Após pressão de estudiosos e de parlamentares, o governo federal decidiu elaborar um decreto para adiar para 2016 a implementação do novo acordo ortográfico no Brasil. De acordo com a assessoria do Ministério de Relações Exteriores, a pasta está a preparar uma minuta de decreto que será apresentada à presidente Dilma Rousseff.

De acordo com o ministério, numa reunião na quarta-feira com as pastas da Educação, Cultura e Casa Civil ficou definida a elaboração do decreto, mas quem dará a palavra final será a presidente. Na terça-feira, a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, reuniu-se com parlamentares e críticos do acordo ortográfico e prometeu que o governo trabalharia no adiamento da adesão.

De acordo com a assessoria do deputado Cyro Miranda (PSDB-GO), um dos críticos às mudanças na ortografia, a ministra confirmou que o decreto deve adiar a implementação do acordo para janeiro de 2016. O acordo foi assinado em setembro de 2008 e a previsão era de que entrasse em vigor de forma plena no Brasil no dia 1 de janeiro de 2013.

[Transcrição parcial de notícia da Rádio Moçambique.]

«Senado quer ampliar prazo para entrada em vigor do novo acordo ortográfico»

Notícia áudio de Rádioagência Nacional (Brasil)
[Registo áudio copiado do blog “Perspectivas“.]

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Onde subscrever a ILC: Universidade Sénior, Oeiras

A partir de agora também pode subscrever a ILC pela revogação da entrada em vigor do “acordo ortográfico” na secretaria da Universidade Sénior de Oeiras (USO), cuja sede fica no centro da vila, na chamada “zona antiga” de Oeiras.

Os nossos agradecimentos à Direcção da USO pela disponibilidade e pela simpatia.

Ver Mapa dos Locais de Recolha.

[Imagem do logótipo copiada do “site” RUTIS.]

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Perguntas ao Governo [por deputados] (1)

PERGUNTA AO GOVERNO

Destinatário: Primeiro-Ministro
Assunto: Rejeição do famigerado Acordo Ortográfico

Senhora Presidente da Assembleia da República

Excelência:

Está cada vez mais generalizada a rejeição do famigerado Acordo Ortográfico (AO). Nos meios cultos, o dito AO é mesmo objecto de mofa — estendido aos responsáveis políticos, que não tomam a peito questão tão delicada, roçando a própria identidade nacional.

Interesses económicos poderosos pressionaram no sentido da imediata aplicação de um tratado internacional que nem sequer está em vigor, por falta de condições nele expressas para tal, nomeadamente a elaboração e aprovação de um vocabulário ortográfico comum.

De resto, alguns dos subscritores do AO, Angola e Moçambique, concretamente, já declararam considerar o mesmo em pousio, invocando, para vergonha dos nossos responsáveis, o empenho na salvaguarda da genuinidade da língua portuguesa…

A nefasta situação, fruto da incúria socratiana, é mantida pelo Governo em funções, que tarda em agir no sentido devido, e nem sequer responde às críticas e apelos constantes das nossas anteriores intervenções sobre a matéria, das quais recebemos eco entusiástico por parte de inúmeros professores de Português e outras gentes de cultura.

Nas palavras de um laureado escritor, Vasco Graça Moura, com artigo publicado no DN de anteontem: “Estão a ser aplicadas não uma (como pretendia o AO, acrescentamos nós) mas três grafias da língua portuguesa — a correcta, em países como Angola e Moçambique, a brasileira (no Brasil) e a pateta (em Portugal e não se sabe em que outras paragens)”.

Nestes termos, os Deputados do PSD eleitos pela Região Autónoma dos Açores, ao abrigo das disposições aplicáveis da Constituição e do Regimento formulam ao Governo, através do Primeiro-Ministro, as perguntas seguintes:

a) Por que razão não respondeu o Governo às nossas anteriores perguntas sobre o AO (Perguntas n.° 1858/XII/1.ª e n.° 2240/XII/1.ª)?

b) Como avalia o Governo o caos linguístico que se está instalando em Portugal, susceptível de confundir a geração que frequenta as escolas e degenerar mesmo em prejuízo irrecuperável da nossa língua materna?

c) Já encontrou o Governo alguma vantagem prática, em termos de impulso às exportações de livros para o Brasil, por exemplo, da apressada e insana imposição do AO pelo anterior Executivo?

d) Sendo crescente o número, de pessoas que expressamente se recusam a usar a grafia do AO, porque insiste o Governo em aplicá-la nas publicações oficiais, em vez de determinar a suspensão imediata do dito AO?

e) Tem o Governo em preparação alguma edição dos clássicos da nossa língua na desaforada grafia do AO e vai mesmo levá-la por diante ou travá-la, com esclarecida prudência?

Lisboa e Sala das Sessões, 23 de Novembro de 2012

Os Deputados do PSD/Açores
João Bosco Mota Amaral
Joaquim Ponte
Lídia Bulcão

Perguntas ao Primeiro-Ministro submetidas pelos deputados do grupo parlamentar do PSD, fornecidas pelos próprios deputados subscritores.

[Nota (1): esta “Pergunta ao Governo” foi apresentada na passada 6.ª Feira, 23 de Novembro; publicamos seguidamente, por ordem cronológica, as três “perguntas ao Governo” anteriormente apresentadas sobre o AO90, em Janeiro, Fevereiro e Abril do ano corrente.]

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