Perguntas ao Governo [por deputados] (2)

Assunto: Acordo Ortográfico repudiado e em crise
Destinatário: Min. de Estado e dos Negócios Estrangeiros

Ex.ma Sr.ª Presidente da Assembleia da República

Excelência:

Agora que a aplicação do Acordo Ortográfico se tornou obrigatória nos documentos oficiais, vai surgindo com evidência o empobrecimento da língua portuguesa dele decorrente, o que causa profundo desgosto a muitos dos nossos concidadãos na Região Autónoma dos Açores.

A fúria para a aplicação à força dos devaneios de alguns teóricos é mais uma marca negativa da desgraçada governação socratiana, que pôs o país na bancarrota e infligiu rombos vários nos próprios alicerces da sociedade portuguesa.

A língua, que é um nos nossos maiores patrimónios e define a nossa própria identidade, não conseguiu escapar à modernice inculta de tão infausto período.

Foi apressada a entrada em vigor do Acordo, apesar da maior parte dos países em que o Português é a língua oficial não ter dado mostras de querer aplicar regras tão insanas e ainda por cima confusas.

Invocou-se a importância do Brasil, que é inegável — mas entretanto não há sinais de as empresas editoriais portuguesas estarem a ter facilidades de exportação para aquele mercado imenso e até a Livraria Camões, no Rio de Janeiro — marco de presença cultural portuguesa — foi abandonada por entidade públicas e vai fechar.

Nota-se já um movimento de revolta contra o Acordo Ortográfico e a generalidade dos colunistas residentes da imprensa de referência recusa ostensivamente escrever segundo as suas estultas prescrições.

Os formulários electrónicos do Parlamento não respeitam essa liberdade aos Deputados, o que é lamentável!

O Governo em funções tem já provas dadas na correcção de erros de palmatória da governação exautorada nas eleições de Junho de 2011 — e nisso, com troika ou sem troika, convém que não se coíba!

Nestes termos, os Deputados do PSD eleitos pela Região Autónoma dos Açores, ao abrigo das disposições aplicáveis da Constituição e do Regimento formulam ao Governo, através do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, as seguintes perguntas:

a) Que vantagens para Portugal decorreram até agora da aplicação do Acordo Ortográfico, nas relações com os outros países lusófonos?

b) A diplomacia económica do Governo inclui a promoção das edições portuguesas no Brasil e com que resultados, estimados e já obtidos?

c) Na prática, o Acordo Ortográfico põe-nos a escrever o português do Brasil. Que outros países lusófonos estão a proceder do mesmo modo?

d) Acha o Governo viável promover a revisão do Acordo Ortográfico, envolvendo todos os países lusófonos e nestes com participação directa dos seus escritores e homens de letras, com expresso afastamento de linguistas teóricos e sem produção literária conhecida?

e) De imediato, encara o Governo a possibilidade de suspender a aplicação do Acordo Ortográfico em Portugal, revogando mais uma lei socratiana e assim dando resposta a críticas e apelos vários de pessoas credenciadas?

Palácio de São Bento, terça-feira, 31 de Janeiro de 2012

Deputado(a)s
MOTA AMARAL(PSD)
JOAQUIM PONTE(PSD)
LÍDIA BULCÃO(PSD)

Perguntas ao Primeiro-Ministro submetidas pelos deputados do grupo parlamentar do PSD, fornecidas pelos próprios deputados subscritores.

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Perguntas ao Governo [por deputados] (3)

Assunto: Rejeição do Acordo Ortográfico na Região Autónoma dos Açores e não só
Destinatário: Min. de Estado e dos Negócios Estrangeiros

Ex.ma Sr.ª Presidente da Assembleia da República

Continuamos a receber mensagens de apoio à nossa anterior intervenção parlamentar de crítica ao Acordo Ortográfico (AO) e incentivo à imediata suspensão do mesmo.

Estas mensagens procedem em parte de concidadãos nossos da Região Autónoma dos Açores, onde há grande indignação sobre a matéria e de repúdio à decisão do anterior Governo socialista de impor à força a degradação da escrita da língua portuguesa em Portugal por via do AO.

Mas a maior parte das ditas mensagens provêm afinal de cidadãos de todo o País, revelando que há um movimento bastante espalhado entre a população culturalmente mais exigente contra o AO e a sua teimosa e infundamentada aplicação.

Para compor o ramalhete, foram divulgadas posições oficiosas dos governos de Angola e Moçambique, argumentando que se recusam a aplicar o AO por respeito para com a língua portuguesa, que afirmam pretender preservar na sua genuinidade.

Acresce que os opositores do AO apresentam argumentos jurídicos de peso contrariando que o AO possa ser considerado como estando sequer em vigor — o que, em termos de Estado de Direito torna, na opinião dos mesmos, a resolução socratiana de o fazer aplicar num caso de polícia…

Face à apoplética interpelação do actual líder socialista em defesa do AO, o que se compreende por o PS estar afinal altamente comprometido com a aplicação do triste instrumento, retorquiu o Sr. Primeiro-Ministro, no Parlamento, em termos ríspidos, contrariando a revogação da aplicação do AO no CCB, determinada pelo novo Presidente acabado de nomear — o que, naturalmente, não teve quaisquer consequências práticas.

Estando o Governo obrigado a respeitar as regras do Estado de Direito, por força da Constituição, impõe-se apurar que posição defende sobre os argumentos jurídicos dos opositores ao AO.

Assim, os Deputados do PSD eleitos pela Região Autónoma dos Açores, ao abrigo das disposições aplicáveis da Constituição e do Regimento, formulam ao Governo, através do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, as seguintes perguntas:

a) Tem o Governo a intenção de responder, oficial ou oficiosamente, às declarações angolana e moçambicana contra o AO invocando a defesa do património genuíno da língua portuguesa, que pretendem preservar?

b) Como enquadra o Governo a pretensão do segundo protocolo modificado de aplicar o AO logo que três estados o ratifiquem, sendo certo que vários outros dos subscritores não o fizeram nem parecem dispostos a fazê-lo, antes pelo contrário?

c) Estando a entrada em vigor do AO condicionada, no próprio texto do mesmo, à elaboração de “um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa, tão completo quanto desejável e tão normalizador quanto possível, no que se refere às terminologias científicas e técnicas” – o que nunca foi feito! — como se pode contrariar o próprio AO e passar a aplicá-lo?

d) Os efeitos deletérios já detectados, no âmbito educativo e mediático, da aplicação do AO deixam o Governo tranquilo quanto ao respeito das regras constitucionais de protecção e defesa da língua portuguesa, como factor de identidade nacional e enquanto valor cultural em si mesmo, contidas em especial no Artigo 9º, alíneas e) e f) e 78º, alíneas c) e d)?

e) Está o Governo disponível para solicitar parecer ao Conselho Consultivo da ProcuradoriaGeral da República sobre os aspectos jurídicos suscitados quanto à própria vigência do AO e à sua apressada aplicação pelo Governo socialista?

Palácio de São Bento, sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012

Deputado(a)s
MOTA AMARAL(PSD)
JOAQUIM PONTE(PSD)
LÍDIA BULCÃO(PSD)

Perguntas ao Primeiro-Ministro submetidas pelos deputados do grupo parlamentar do PSD, fornecidas pelos próprios deputados subscritores.

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Perguntas ao Governo [por deputados] (4)

Assunto: “Acordo Ortográfico”
Destinatário: Min. da Educação e Ciência

Ex. ma Sr.ª Presidente da Assembleia da República

Sua Excelência

Continuamos a receber mensagens de apoio, provenientes da Região Autónoma dos Açores e de muitos outros pontos do País, às nossas diligências de contestação ao chamado “Acordo Ortográfico”.

Impõe-se-nos voltar à carga, face às conclusões da reunião de ministros da Educação da CPLP, realizada em Luanda em finais do mês passado.

Os relatos da imprensa aludem à verificação de constrangimentos na aprendizagem da língua portuguesa segundo as insanas regras do dito “Acordo”.

A declaração final da reunião informa que foi decidido proceder a “um diagnóstico relativo aos constrangimentos e estrangulamentos na aplicação do AO de 1990” e a “acções conducentes à apresentação de uma proposta de ajustamento do AO de 1990, na sequência da apresentação do referido diagnóstico”.

Entretanto, é óbvio que o “Acordo” só está a ser aplicado a outrance em Portugal, já que no Brasil a língua continua a evoluir naturalmente e os outros países de CPLP simplesmente o ignoram.

A própria declaração final da reunião de Luanda ignora a arrevesada grafia imposta pelo “Acordo”, o que é muito significativo…

Autoridades de Angola deram já a saber que é necessário rever o “Acordo” e juntar-lhe um protocolo adicional, em nome da defesa da “Língua Portuguesa, que brota da gramática e da sua matriz latina”, conforme escreveu em editorial o oficioso “Jornal de Angola”, sob o título “Património em risco”, em 8 de Fevereiro passado. Assim, os Deputados do PSD eleitos pela Região Autónoma dos Açores, ao abrigo das disposições aplicáveis da Constituição e do Regimento formulam ao Governo, através do Ministério da Educação e Ciência, as seguintes perguntas:

a) Que constrangimentos identificou o Governo à aprendizagem da língua segundo as regras do “Acordo”?

b) Como avalia o Governo o impacto da imposição da grafia determinada pelo “Acordo” no funcionamento das escolas e no ensino da língua portuguesa e das outras matérias?

c) Que critérios vai o Governo adoptar para a avaliação ao aproveitamento dos alunos tendo em conta que na generalidade aprenderam a escrever de uma maneira e agora têm de prestar provas com outras regras de grafia?

d) Vai o Governo manter diálogo e colaboração com os Países que não estão aplicando o “Acordo” para elaborar a proposta de ajustamento, tendo em vista o eventual protocolo adicional?

e) Considera o Governo determinar a imediata suspensão do “Acordo”, a fim de evitar o agravamento das suas perniciosas consequências?

Palácio de São Bento, sexta-feira, 20 de Abril de 2012

Deputado(a)s
MOTA AMARAL(PSD)
JOAQUIM PONTE(PSD)
LÍDIA BULCÃO(PSD)

Perguntas ao Primeiro-Ministro submetidas pelos deputados do grupo parlamentar do PSD, fornecidas pelos próprios deputados subscritores.

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RESPOSTA DO GOVERNO

GABINETE DO MINISTRO DA EDUCAÇÃO E CIÊNCIA
N/ referência: PG. 401/2012.05.22 (2787)
Assunto: Resposta à Pergunta N.° 2787/XII/I .a, de 26 de abril de 2012 –
Acordo Ortográfico.

Em resposta à pergunta mencionada em epígrafe, apresentada pêlos Senhores Deputados Mota Amaral, Joaquim Ponte e Lídia Bulcão do Grupo Parlamentar do Partido Social Democrata (PSD), Sua Excelência o Ministro da Educação e Ciência encarrega-me de transmitir, relativamente às várias questões aí inscritas, os seguintes esclarecimentos:

De acordo com o Aviso n.° 255/2010, de 13 de setembro (Diário da República, 1.ª série, 17 de setembro de 2010), o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (A090) encontra-se em vigor na ordem jurídica portuguesa desde 13 de maio de 2009, data da promulgação presidencial e depósito do tratado.

Decorre desde então o período de transição da sua adoção, que durará seis anos, pelo que a implementação plena do A090 será oficial em maio de 2015. Entre outras medidas, essa implementação passa pela adoção da nova norma ortográfica nas escolas do sistema de ensino português. Até à data, e desde que se iniciou essa adoção, o Ministério da Educação e Ciência recebeu alguns pedidos de esclarecimento e reclamações, de alunos, pais e encarregados de educação, a que tem procurado dar as respostas mais esclarecedoras.

Não se identificam, além disso, dificuldades de maior no processo, nem estão apontados constrangimentos à aprendizagem da escrita da língua portuguesa por parte dos alunos, nem do seu ensino, por parte de professores. Continuam a ser feitas ações de formação, dinamizadas pelas próprias escolas ou por editoras.

A avaliação dos alunos durante este período de transição, em que muitos dos manuais escolares são publicados de acordo com a nova grafia mas ainda se utilizam alguns com a ortografia anterior ao A090, é feita em consonância e coerência com os materiais e os métodos utilizados; as regras de avaliação são explicitadas e conhecidas de alunos e professores antes de cada momento de avaliação.

Segundo a “Declaração Final dos Ministros da Educação da CPLP”, na sua VII Reunião (de 30 de março de 2012), o Secretariado Técnico Permanente da CPLP (constituído por representantes de Portugal, de Angola e de Moçambique) trabalhará, “em conjunto e com o apoio do Conselho Científico do IILP e das instituições académicas dos Estados Membros”, no sentido de diagnosticar “constrangimentos e estrangulamentos na aplicação” do A090 e de desenvolver ações para a “apresentação de uma proposta de ajustamento” do A090.

Com os melhores cumprimentos
O Chefe do Gabinete
Vasco Lynce
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Sobre o AO90, Aveiro, 8 de Dezembro [Evento de “CCVA Aveiro”]

CCVA Aveiro
Sábado, 8 de Dezembro, 15h00

Stadium Park, Pavilhão P – Z.I. Tabueira, 3800-055 Aveiro, Portugal

www.ccvaaveiro.org

Conhecimento do assunto via “site” da UCB, de onde foi copiada a imagem deste “post”.

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«Uma grafia que não é nacional» [JPT, “blog” Ma-Schamba]

A EPM-CELP é uma instituição do estado português que nasceu como de “cooperação” no ensino (ainda que de facto seja algo diverso). Como tal faz-me alguma confusão que edite, em Moçambique, e para Moçambique (e, inclusivamente, para distribuição “gratuita nas escolas públicas e centros infantis de poucos recursos” no país), uma obra de escritora e artistas moçambicanos numa grafia que não é a nacional. Não só, nem fundamentalmente, por aquilo que tantos vão dizendo, isso de que a adopção do acordo ortográfico no contexto português assenta numa ilegalidade. Mas porque – e apesar de haver os tristes antecedentes locais, muito tristes acho, tão tristes que nem os adjectivo, da Ndjira (uma sucursal da Leya/Caminho, a olhar para aqui como se fosse Lisboa) e da própria Marimbique (a dizer-me que a olhar o futuro inevitável, e eu a não concordar) -, não me parece muito curial que o estado português (através da sua escola) edite aqui (repito, edite aqui) e dissemine – gratuitamente – a grafia que não está acordada no país. É uma espécie de (pouco) subtil imposição, um fait accompli desrespeitador da soberania (gráfica) local. Entenda-se, uma coisa é ensinar dentro de portas da Escola Portuguesa (onde a adopção é criticável, mas compreensível dada a pressão política), outra é publicar para distribuir fora de portas – sendo que, ainda por cima, que nem em Portugal é obrigatória a utilização da “nova” grafia.

Ou seja, é uma questão cultural, mas também uma questão política.

Estou a ser antipático? Poluindo a nota sobre a obra da amiga, cutucando a equipa editorial, gente amiga, resmungando com a EPM, cheia de gente amiga? Talvez. Mas é a minha forma de ser “ativista” (sic) face a uma “colecção” (sic). Para bons entendedores duas citações chegarão. Não é uma gralha (à escolha, qual delas o poderá ser). É apenas o confusionismo. O confusionismo gráfico que reina entre os colaboracionistas com o obscurantismo. Lusófono. Perdão, luso-tropical. Ele próprio confusionista. Ontologicamente confusionista.

jpt

[Transcrição parcial de “post” publicado no “blog” Ma-Schamba em 24.11.12.]

[Imagem (da Escola Portuguesa de Moçambique, EPM) retirada do “site” do GEPE – Ministério da Educação (português).]

Nota: ao contrário daquilo que alguns pretendem fazer crer O AO90 NÃO ESTÁ EM VIGOR EM MOÇAMBIQUE. Apenas foi aprovada em Junho passado, pelo Conselho de Ministros, uma proposta de ratificação que seguiu para o Parlamento moçambicano para discussão e eventual aprovação (ou rejeição, é claro); a discussão e votação da dita proposta não estão sequer agendadas.

«O governo moçambicano aprovou na última quinta-feira(7) a proposta que ratifica o Acordo Ortográfico de língua portuguesa, a ser submetido a Assembleia da República (AR), o parlamento moçambicano, para aprovação. Só depois de submetido ao mais alto órgão legislativo para efeitos de discussão e análise é que o mesmo será, por fim, aprovado e subsequentemente entrar em vigor.»
Jornal “A Verdade” (Moçambique), 10-06-12

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