Sou tradutora/intérprete profissional, trabalho há quase 30 anos neste ramo, primeiro em Portugal, de onde sou natural, e de há 10 anos a esta parte no Reino Unido onde hoje resido. Especializei-me nas línguas inglesa (indiferenciadamente GB, USA, Australiana, NZ, Canadiana, Queniana, Sul Africana, Indiana, Jamaicana… etc…), e, na língua portuguesa, ou seja na fatia dela muito recentemente restrita à designação: “de Portugal” ou “UE” pela comunidade anglófona.
Esta última fatia do Português UE, cada vez está mais difícil de definir… Será a que aprendi na escola, e na qual fiz os meus estudos, inclusivamente os superiores, que me têm valido sempre sem sobressalto até à data presente… aquela com que sempre trabalhei ao longo dos anos sem problemas… a que abrangia o Brasil, Moçambique Guiné Bissau, Cabo Verde, Angola, Timor e Macau?… Ou aquela do recente “Acordo” Ortográfico para o qual comprei dicionário especializado, e à qual já não sei quem adere, nem o que é que abrange? Convenhamos que é profundamente triste, ridículo e embaraçoso quando os clientes, ao fim de tantos anos de vida profissional, agora me interpelam: “Mas a Sra trabalha com brasileiro?” “Haaa… então vai-me desculpar mas não serve, vamos procurar outra pessoa… é que nós só queremos brasileiro, não estamos interessados em português…
Por muito que eu lhes tente explicar que a língua é só uma, embora utilizada com as devidas adaptações culturais e de localização que qualquer língua exige de um bom tradutor, não há maneira de os convencer. E até compreendo… pois na óptica deles quem sou eu afinal, ali a querer contrariar o óbvio tão recentemente confirmado preto no branco à comunidade internacional?? Olham para mim como que a dizer: “A mulher passou-se! Está desactualizada…” Profissionalmente até me prejudico com esta imagem de “ignorância”!
Mar 31 2013
Da “ignorância” [por Helena Langford, comentário Facebook]
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Mar 30 2013
«O AO90 e os seus trolhas» [António Guerreiro, “Ípsilon”, 29.03.13]
O Acordo Ortográfico e os seus trolhas
António Guerreiro
Há poucos dias, um dos auditórios da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa encheu-se de gente, ao ponto de muitos não terem conseguido entrar, para ouvir alguns convidados da universidade e exteriores a ela exporem os seus argumentos contra o Acordo Ortográfico. Porque é que uma questão aparentemente menor em relação aos problemas políticos e sociais consegue mobilizar tanta gente e provocar discursos inflamados? A resposta a esta questão tem múltiplas parcelas. Em primeiro lugar, as pessoas sentem como intolerável que o poder político se ocupe de questões que não lhe dizem respeito e que não podem ser submetidas ao arbítrio de quem detém o monopólio da violência legal. O Governo legisla hoje sobre a norma ortográfica como legisla sobre a nossa saúde, o nosso corpo e a nossa vida. É a isto que se chama biopolítica. Mas as razões de indignação surgem agravadas por um outro factor: o Governo arroga-se o direito não apenas de exercer essa violência legal, mas de o fazer em relação a uma matéria da qual manifestamente não percebe nada. À violência junta-se a ignorância. E, a somar à violência e à ignorância, há ainda uma razão estratégica absurda e anedótica: a de fazer da unificação ortográfica (que, afinal, é uma miragem e, por agora, já resultou num desacordo mais fundo do que aquele que tínhamos antes) um instrumento de conquista de poder e de influência da língua portuguesa no mundo. Por último, a coroar todas estas razões, há a desordem ortográfica a que afinal ficámos submetidos (e a quem pretende que está a aplicar o novo Acordo Ortográfico deve ser dito que aquilo que está a fazer é a inventá-lo à sua maneira para o tornar exequível). Mas a indignação de tanta gente contra o Acordo Ortográfico (na verdade, os seus públicos defensores passaram ao silêncio e já só se defendem a si próprios) e a reivindicação de uma espécie de objecção de consciência, por parte de muitos, para se subtraírem a ele, como se de uma guerra se tratasse, mostra bem que aquele argumento do aspecto meramente convencional da ortografia e da sua exterioridade em relação à língua está longe de dizer a verdade. Se assim fosse, as pessoas não reagiriam como quem as esfola e as espolia. Joga-se na ortografia algo muito mais profundo do que um sistema de regras gráficas convencionais. É certo que a linguística, por via de Saussure, está essencialmente voltada para a parole, a fala. Mas foi precisamente contra o primado da phonè que um filósofo como Derrida construiu a sua “gramatologia”. E de que modo é que a gramatologia aqui nos interessa? Interessa-nos para perceber que há uma arqui-escrita, como se fosse anterior à fala; e que é preciso instalar a escrita no coração da linguagem e não no exterior dela, como pretendem os construtores (autênticos patos-bravos) do Acordo Ortográfico e os seus seguidores. Esta ideia de uma arqui-escrita é bastante complicada, mas por agora poderíamos deduzir dela a seguinte conclusão: a partir do momento em que aprendemos a escrever e passamos a utilizar o código escrito, a palavra é para nós, mais do que uma fonação (isto é, uma imagem acústica), um traço gráfico. E esse traço deixa de ser meramente convencional, ganha uma dimensão “arqui-“, archè, isto é, situa-se numa dimensão originária. Só os engenheiros civis da língua e os trolhas ao seu serviço não percebem isto.
[Transcrição (e imagem) a partir de ficheiro PDF publicado por João Roque Dias na plataforma ISSUU. Texto da autoria de António Guerreiro publicado originalmente na revista “Ípsilon” (suplemento do jornal “Público“) de 29.03.13. “Links” inseridos por nós.]
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Mar 30 2013
Faz hoje três anos…
Língua: Em dois anos todos os países da CPLP já terão aplicado o novo Acordo Ortográfico – Malaca Casteleiro
Rio de Janeiro, Brasil, 30 Mar (Lusa) — No prazo máximo de dois anos todos os países de língua oficial portuguesa já terão aplicado o Acordo Ortográfico, disse à Lusa João Malaca Casteleiro, conhecido linguista português.
Lusa | 8:20 Terça-feira, 30 de Março de 2010 | Fonte: Expresso (http://bit.ly/X1ZFyN)
Imagem original de Luis Canau.
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Mar 29 2013
«Não merecia Vieira este tratamento» [M.C.V., mensagem]
Lançada obra integral do Padre António Vieira
Numa edição inédita, a totalidade da obra do jesuíta perseguido pela Inquisição ficará à disposição do público num projeto que prevê 30 volumes.
[Título e sinopse de notícia do semanário Expresso.]
De: Maria do Carmo Vieira
Enviada: sexta-feira, 29 de Março de 2013 14:11
Para: ‘pedrocalafate@hotmail.com‘
Assunto: Padre António Vieira——————————-
Caro Professor Pedro Calafate
Desnecessário será citar-lhe extractos de Vieira em que lamenta serem os portugueses tão pouco amantes da sua Pátria e da sua Cultura, mais interessados no lucro e no luxo, aceitando também perseguições inquisitoriais a todos os que ousam pensar (disso foi o autor uma vítima, como bem sabe). Desnecessário será também citar-lhe Pessoa sobre o espírito provinciano e a falta de auto-estima dos portugueses (que como é visível se mantêm), ou ainda sobre «a língua portuguesa» e o acordo de 1911 ou sobre Vieira, «o imperador da língua portuguesa» e «o maior prosador da língua portuguesa». Saberá também que foram estes dois autores usados em discursos políticos, respectivamente pelo Presidente Lula da Silva e Cavaco Silva, numa triste ostentação da sua ignorância literária que lamentavemente parece que contagiou muitos. Aconselho-o também a ler as actas da AR a propósito do AO e, sendo inteligente, não saberá se rir ou se chorar perante tais discursos.
Pelo que tenho constatado sobre as chorudas acções de formação que se têm feito para «ensinar a escrever o português correcto», ou a «ensinar a escrever o português moderno» ou «ensinar a escrever o bom português» (há para todos os gostos), não é só a ignorância que grassa mas também o gosto pelo «vil metal». Desnecessáriamente se tem gasto o dinheiro de todos nós, exigindo-se também que o gastemos (caso dos professores) para que meia dúzia de aventureiros (em que se incluem alguns TLEBIANOS) se ufane dos seus feitos. Estes senhores não são donos da Língua Portuguesa!
Tendo lutado ao longo dos anos pela qualidade do ensino da Língua Portuguesa e pela manutenção dos autores clássicos nos programas de Português, lamento ver a obra completa de Vieira, que não comprarei, devastada e profanada com a aplicação do AO. Relembro que Vieira foi considerado «chato» pelas muitas citações clássicas que fazia e porque «não se integrava nos «interesses dos alunos», por quantos estiveram ligados à Reforma de 2003 e ao esvaziamento dos programas da sua matéria literária. Esses são, na sua maioria, os mesmos que defendem a simplificação da língua por meio deste decretado AO.
Que se fez do trabalho de Margarida Vieira Mendes e de Arnaldo Espírito Santo?
Lamento, caro Professor, que aceite acriticamente a «Nota Explicativa» do AO, bem como as justificações dadas para muitas das «inovações» que inquisitorialmente nos impingem; lamento igualmente que pactue com uma decisão que fez tábua rasa do próprio parecer do Ministério da Educação sobre a aplicação do AO. Engoliu certamente tudo isto. Não merecia Vieira este tratamento.
Melhores cumprimentos
[Mensagem recebida por email. Publicação a pedido da autora. “Links” inseridos por nós.]
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Mar 28 2013
Ainda a audiência de Vasco Teixeira: questões dos deputados
Dada a sua extraordinária relevância, transcrevemos de seguida – a partir de gravação – as questões e observações colocadas pelos deputados durante a audição do Director da Porto Editora perante o Grupo de Trabalho Parlamentar sobre o AO90.
O depoimento de Vasco Teixeira já aqui foi anteriormente transcrito, bem como foi reproduzido o documento entregue pelo próprio na ocasião.
Perguntas dos deputados
[Gravação das intervenções dos/as deputados/as Miguel Tiago, Rosa Arezes, Gabriela Canavilhas e Carlos Enes.]
[Atenção: entre os minutos 34:35 e 38:54 há um espaço “em branco” de 4 minutos e 20’ na gravação.]
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