«mas nunca uniformizá-las em tarefa impossível» [R.M. Rosado Fernandes]

Ortografia significa a “grafia correcta, certa” que reproduza em todas as suas particularidades as características fonéticas e  morfológicas de uma língua. Ora nos países lusófonos e em muitos outros, tal é impossível, por haver variantes fonéticas, e muitas, morfológicas e até semânticas e vocabulares. Basta ler “Chiquinho” ou qualquer livro brasileiro, para vermos a irredutível impossibilidade de uniformização. Não é por acaso que países mais pragmáticos, como a Inglaterra, a França e mesmo a Espanha, com as inúmeras variedades de pronúncia e de vocábulos que, como colonizadores, deixaram pelo mundo fora, para verificarmos que apesar das diferenças, tentam conhecê-las, mas nunca uniformizá-las em tarefa impossível, até porque o orgulho nacional e político o impede, digamos mesmo, o proíbe, pois em nadas acrescentaria. R.M.Rosado Fernandes

[Transcrição integral (e literal) da resposta do Professor Rosado Fernandes a um pedido de informação da CECC (Comissão de Educação, Ciência e Cultura).]

logoCECC

Share

Link permanente para este artigo: https://ilcao.com/2013/07/15/mas-nunca-uniformiza-las-em-tarefa-impossivel-r-m-rosado-fernandes/

«Estamos à espera de quê?» [F. M. Valada, “Público”, 14.07.13]

publico(…)

Em 1999, Ernesto d’Andrade e Maria do Céu Viana escreviam: “É hábito estabelecer-se uma diferença entre a forma comum em português ‘rotura’ e a forma erudita ‘ruptura’ (…) Note-se que se entrasse em vigor o “Acordo Ortográfico” de 1990 (…) teríamos mais uma variante (‘rutura’) que nos parece injustificada”. É verdade, ei-la, a rutura (sic), exclusivamente em Portugal.

Antes que alguém enverede pela lengalenga da “dupla grafia” anterior ao AO90, “ruptura” e “rotura” não são “grafias duplas”: são palavras homófonas (em português europeu), com a nominalização de um mesmo verbo (‘romper’) a ser feita através de vocábulos diferentes, havendo aparente consenso quanto às respectivas acepções – “rotura” incide sobre um objecto físico (“rotura de ligamentos ou “carga de rotura”), enquanto “ruptura” diz respeito à interrupção da continuidade de uma situação (como na citação de Frei Bento Domingues, em epígrafe).

Quanto a grafias múltiplas, considere-se a “electroóptica”. Segundo o VdM, antes do AO90, havia duas grafias: “electroóptica” (comum a Portugal e Brasil) e “eletroóptica” (apenas no Brasil). Com o AO90, além de Portugal e Brasil deixarem de ter grafia comum, passa a haver três grafias: em Portugal, “eletro-tica”; no Brasil, “eletroóptica” e “electro-óptica”. É evidente que acentos agudos e circunflexos complicariam tudo. Se quiserem um espectáculo digno de registo, consultem o VdM e dêem uma espreitadela a espectrofotómetro” e “espectrómetro”.

No passado dia 31 de Janeiro, na AR, durante audiência concedida à Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico, o deputado Luís Fazenda garantiu que “ficarmos com três grafias (…) é absolutamente insustentável, não faz sentido nenhum, é de uma ilogicidade total”. Pergunto ao senhor deputado Luís Fazenda e a todos os responsáveis políticos portugueses: estamos todos exactamente à espera de quê, para se acabar, duma vez por todas, com esta coisa insustentável?

Francisco Miguel Valada

[Transcrição parcial de texto, da autoria de Francisco Miguel Valada. “PÚBLICO” de 14.07.13. Destaques e “links” adicionados por nós.]

Share

Link permanente para este artigo: https://ilcao.com/2013/07/15/estamos-a-espera-de-que-f-m-valada-publico-14-07-13/

«Lincoln, Brasil e o acordo estabanado» [Nuno Pacheco, “Revista 2”, 14.07.13]

tabanusJá nestas crónicas se escreveu sobre isso, há três anos, mas como a coisa se mantém não é mau voltar a lembrar. Na edição de filmes em Blu-ray ainda se menciona “Brasileiro” como língua para legendas. Mas só na capa dos filmes, porque lá dentro, nos discos, vem claramente escrito Portuguese e Portuguese (Brazil) ou Brazilian Portuguese, tal como aliás sucede com o Espanhol, quando é subdividido em Castilian Spanish e Latin Spanish. O que leva então os portugueses a imprimirem capas com “Brasileiro” escrito? Enquanto não se descobre a razão de tal teimosia, comparem-se, por curiosidade, algumas legendas de um filme que muitos terão visto no cinema e agora já podem ver ou rever em casa: Lincoln, de Steven Spielberg.

Acertando as legendas para “Brasileiro”, Mary Todd Lincoln diz (aos 10m12s) ao marido: “Lembra que Robert [filho de ambos] vai estar aqui para a recepção? Sabia que ia esquecer.” Em Português, a tradução é assim: “Lembras-te que o Robert vem a casa para a receção? Eu sabia que ias esquecer-te.” Muda-se o tipo de tratamento, de “você” para “tu”, respeitando o uso de cada país, e a palavra “recepção”, que em Portugal se abastardou.

Continue reading

Share

Link permanente para este artigo: https://ilcao.com/2013/07/14/lincoln-brasil-e-o-acordo-estabanado-nuno-pacheco-revista-2-14-07-13/

José de Faria Costa, subscritor da ILC AO, Provedor de Justiça

jornali130713

Os grupos parlamentares do PS e do PSD chegaram a acordo e apresentaram ontem à presidente da Assembleia da República o nome do professor de Direito José Francisco de Faria Costa como candidato ao cargo de provedor de Justiça. Uma nota assinada pelos presidentes das bancadas do PSD, Luís Montenegro, e do PS, Carlos Zorrinho, referia que se trata “de um reputado professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, que actualmente exerce as funções de presidente da Direcção do Instituto de Direito Penal Económico e Europeu“.

Os dois partidos tinham-se comprometido a 3 de Julho a apresentar até ontem a sua proposta de candidato a provedor estando a eleição marcada para 24 de Julho, já que o mandato do actual provedor, Alfredo José de Sousa, termina a 15 de Julho.

Além de professor catedrático, José Francisco de Faria Costa é também poeta e escritor, utilizando o pseudónimo de Francisco d’Eulália. Nasceu em 1950, estudou no Porto e em Coimbra e é amigo de Manuel Alegre, tendo apoiado a sua candidatura nas últimas presidenciais. Doutorado em Coimbra com a tese “O Perigo em Direito Penal”, tem ainda uma pós-graduação em Ciências Jurídico-Criminais.

É um opositor assumido do acordo ortográfico, tendo considerado, num artigo publicado juntamente com outro professor de Coimbra, que Portugal “tristemente capitulou perante um patente abastardamento da língua portuguesa”.

FM., com Lusa

[Transcrição integral de notícia do jornal “i” de 13.07.13. “Links” e destaques inseridos por nós.]

Daqui endereçamos, em jeito de calorosa saudação e como público reconhecimento pela sua extraordinária dedicação a esta causa nacional, os nossos mais sinceros parabéns ao Senhor Professor José de Faria Costa, subscritor e apoiante da ILC pela revogação da entrada em vigor do “acordo ortográfico” de 1990.

Share

Link permanente para este artigo: https://ilcao.com/2013/07/13/jose-de-faria-costa-subscritor-da-ilc-ao-provedor-de-justica/

Imagens de campanha ILC AO

feito por Graça Maciel Costa

AO90

AO90-2

AO90 5

Para copiar e colar no seu “blog”, por exemplo, seleccione o código na caixa respectiva. Para aumentar ou diminuir a imagem, altere o número em “width”.

Se quiser usar uma destas imagens na sua página do Facebook, como imagem de topo (“cover photo”), deverá primeiro fazer “download” da mesma para o seu computador e depois “upload” para a sua conta de utilizador.

Autoria das imagens: Graça Maciel Costa.

Share

Link permanente para este artigo: https://ilcao.com/2013/07/11/imagens-de-campanha-ilc/