A Química em português “universal” [por Luís Ferreira]

«A dissociação de sais pela solvatação em solução aquosa representa a separação entre cátions e ânions. O sal original pode ser recuperado pela evaporação do solvente ou pela cristalização em um resfriamento.»

 

CÁTIONS em vez de CATIÕES15494052-a-mad-scientist-is-excited-with-electricity

ÂNIONS em vez de ANIÕES

RESFRIAMENTO em vez de ARREFECIMENTO

http://saber.sapo.pt/wiki/Dissociação_(química)

 

[Recebido por e-mail, de Luís Ferreira]

[Imagem de 123RF]

 

Na página inicial do Projecto Sapo Saber, pode ler-se o seguinte:

SapoSaber_22Out2013

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«Saber se de fato* este acordo é válido» [Senadora (brasileira) Ana Amélia, Rádio ONU, 18.10.13]

breakthrough-keyholeSenadora diz que países devem reabrir debate sobre Acordo Ortográfico

A brasileira Ana Amélia Lemos defende mais diálogo entre as academias de língua portuguesa dos oito países lusófonos, além de consultas amplas a professores de português sobre a eficiência da reforma.

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

Os países de língua portuguesa devem iniciar um debate sobre a eficiência do Acordo Ortográfico. A entrada em vigor em Portugal e no Brasil da tentativa de harmonização das ortografias brasileira e europeia está prevista agora para 1º de janeiro de 2016.

A proposta de diálogo foi feita pela senadora do Brasil, Ana Amélia Lemos. Ela é autora do projeto de lei que propôs que o país adiasse a entrada em vigor do Acordo de 2013 para 2016. O projeto deu origem ao decreto da presidente Dilma Rousseff, sancionado no fim do ano passado.

Ponto de Vista
Nesta entrevista à Rádio ONU, Ana Amélia Lemos defendeu a realização de consultas em todas as oito nações lusófonas sobre a validade da reforma ortográfica.

“Percebo que existe uma certa resistência bastante visível dos portugueses. Não só em Portugal, mas dos outros países de língua portuguesa em relação a esta questão. Então, eu penso que é preciso fazer um trabalho novamente de examinar, do ponto de vista diplomático, do ponto de vista da própria língua com a academia, com as universidades, com os professores da língua portuguesa não só no Brasil, mas nos outros países, para saber se de fato este acordo é válido, se deve ser feito e assim por diante. Então, acho que nós temos esse trabalho para fazer agora.”

Ratificaçãocracking-wall
Para a senadora brasileira, a falta de ratificação do tratado por pelo menos um país africano de língua portuguesa** demonstra que o Acordo Ortográfico, da forma como está, não é bem-sucedido.

“Eu acho que ele (Acordo Ortográfico) já fracassou por isso porque se esses países não assinaram ainda. Imagine, nós não temos outras formas de entender por que Angola não ratificou (o Congresso assinou, mas não ratificou), Portugal – o Congresso português está manifestando o desejo de haver um adiamento do Acordo também. Está claro que não há consenso em torno de uma matéria tão delicada. O que é a língua? É a identidade de um país. A identidade dos países de língua portuguesa.”

Cplp
Anunciado em 1990, o atual Acordo Ortográfico foi endossado por todos os oito membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, que abriga as nações que falam o idioma. A decisão foi anunciada em 2008, durante a 7ª. Cimeira dos Chefes de Estado e Governo da Cplp, em Lisboa. Na mesma ocasião, o bloco aprovou a estratégia de “internacionalização” do português.
Um ano depois, o Brasil implementou a reforma ortográfica, de modo voluntário, o que foi seguido em parte por Portugal.

Segundo a Cplp, o Acordo Ortográfico tem como objetivo harmonizar as duas escritas do português: a brasileira e a europeia com o intuito de melhor promover a língua no mundo incluindo em organizações internacionais.

[Transcrição integral de artigo publicado no “site” da ONU em 18.10.13.]

“Click” em baixo para ouvir a gravação completa da reportagem e da entrevista da Rádio ONU.

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* Ortografia brasileira, conforme original transcrito

** Nem Angola nem Moçambique ratificaram o 2.º Protocolo Modificativo.

[Imagens de 123RF e de Designblog]

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«Temos de fazer em Angola o mesmo que o Brasil fez» [Amélia Mingas, “Nova Gazeta” (Angola)]

«Temos de fazer em Angola [com o português] o mesmo que o Brasil fez»

– Quem o diz, e defende, é a linguista angolana Amélia Mingas, em entrevista publicada no semanário Nova Gazeta de 10 de Outubro de 2013, referindo o desvio ao português de Portugal no seu país como um «elemento definidor da norma do português angolano». A versão mais desenvolvida da entrevista concedida ao jornalista Edno Pimentel, assente na problemática do ensino em Angola das suas línguas nacionais, pode ser lida na rubrica Diversidades, aqui.

ameliamingas

Como vê o português em Angola?
Com muita força, mas precisa de ser controlado na sua evolução. Se não ensinarmos as nossas línguas, se não houver quem se debruce sobre a evolução que está a sofrer, pode correr o risco de desaparecer enquanto língua e transformar-se num crioulo.
De qualquer maneira, como é a língua oficial, é a única que permite o nosso contacto com o exterior, há a necessidade de protegê-la através do ensino, que não tenha como objectivo de ensinar o português de Portugal, mas a investigar o português de Angola que se apresenta em termos de norma. Ensinamos o português segundo a norma portuguesa, mas esta não consegue explicar as especificidades do nosso português. Há hoje uma série de dados. Há necessidade do levantamento de todas essas marcas e daí começar a pensar na norma do português de Angola.

Já temos um português angolano?
Sim, temos um português específico. Há o caso da próclise pronominal que está instaladíssima e o dos complementos directo (o) e o indirecto (lhe). No português de Portugal, diz-se “eu convidei-o para jantar”. Em Angola diz-se “eu convidei-lhe para jantar”.

Isso não é um desvio à norma?
Desvio à do português de Portugal, mas é um elemento definidor da norma do português angolano. Temos de fazer em Angola o mesmo que o Brasil fez. Está certo que eles têm muito mais gente que nós, mas juntaram-se os linguistas, fizeram um levantamento das especificidades do português brasileiro. Temos de ver qual é o nosso modo de estar no português para criarmos uma norma.

O que falta para a criação de uma norma angolana do português?
Falta investigação. Voltamos à questão da falta de meios e de condições. É preciso recolher esses falares junto do povo e verificar o que está escrito. Para irmos recolher dados não podemos dar aulas, não podemos ficar nos gabinetes. Há uma série de marcas que precisam de ser estudadas do ponto de vista científico que caracterizam esta comunidade e o português aqui falado.

O Governo[angolano] tem conhecimento desta realidade?
Sim e tem sido receptivo. Houve um aumento no orçamento para a Cultura para 1,23 por cento, mas que serve para o vencimento, subsídios e tudo o resto, incluindo a investigação.

Angola deve ou não ratificar o Acordo Ortográfico (AO)?
Trata-se de um problema do país, em que há uma parte política e outra científica. Se for do ponto de vista científico, não há razão para Angola ratificar esse protocolo sobre o AO, porque não reflecte a realidade e a contribuição dos angolanos para o enriquecimento dessa língua. Por exemplo, temos pré-nasais nas nossas línguas que são muito importantes, como é o caso de mb-, mp-, nt-, nd-, que são elementos que nas nossas línguas contrastam com outras consoantes. Na língua Oio que é falada em Cabinda, se se disser mbuku tem um significado referente à origem de alguma coisa. Mas se disser buku tem outro, «cogumelo». Isso ocorre no português em que não se pode fazer confusão entre bata e pata. Há especificidades das nossas línguas que não estão presentes no AO. Para que o AO seja correcto, cada país deve inventariar os termos das suas línguas e culturas para se ver como deverão ser escritas em português.

 

[Transcrição integral de entrevista a Amélia Mingas publicada em 10.10.13 no semanário “Nova Gazeta”, de Angola, e reproduzida “online” pelo “Clube K”. Destaques nossos. Foto da agência de notícias angolana ANGOP.]

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“Os verdadeiros donos da obra” [Rui Vieira Nery, discurso em conferência CPLP, 18.10.13]

cplp_logo(…)

Gostaria de começar por sublinhar, precisamente, a extrema importância e o carácter em muitos aspectos claramente inovador desta abordagem da problemática da Língua Portuguesa e do seu ensino assim proposta. Inovador, antes de mais pelo reconhecimento do papel decisivo que a sociedade civil deve desempenhar no debate sobre a Língua. Portugal e a generalidade dos países lusófonos vêm de uma tradição estatizante de raiz francesa, que remonta, em última análise, a Richelieu e a Napoleão, e que tende a abordar esta problemática na óptica exclusiva de uma definição das políticas para a Língua reservada ao Estado, através das múltiplas instituições públicas vocacionadas para este campo, dos Ministérios da Educação e Cultura às Academias e às Universidades.

Os estados democráticos têm, como é evidente, toda a legitimidade para exercer esta função, mas essa legitimidade própria não pode iludir o facto de que a Língua é, antes de mais, um património colectivo e de que por isso as sociedades, como um todo, e cada cidadão, individualmente, devem ser mobilizados de forma participativa para o debate em torno das opções de futuro que afectam a gestão e o uso desse património. Julgo, de resto, que muita da polémica surgida ao longo da última década em torno da famigerada questão do Acordo Ortográfico de 1990 – e independentemente da maior ou menor consistência dos argumentos aduzidos a favor ou contra o novo normativo – derivou do carácter reservado do seu processo de gestação quase à porta fechada, que não se abriu suficientemente à participação da sociedade civil e não soube traduzir por isso consensos sociais suficientemente alargados no seio do espaço lusófono. A sociedade civil deveria ser, de facto, o verdadeiro protagonista em toda a sua a reflexão estratégica sobre a Língua, debatendo e definindo activamente metas e objectivos, bem como metodologias e pressupostos pedagógicos que, sem prejuízo das áreas de competência especializada que devem ser reconhecidas aos peritos, não podem ser discutidos e decididos no segredo dos iluminados – por um sinal muitas vezes de uma auto-legitimação pelo menos questionável -, sem obedecerem a um princípio de permanente prestação de contas para com os cidadãos, que são ou deveriam ser, afinal de contas, os verdadeiros “donos da obra”.

(…)

[Transcrição parcial do discurso de Rui Vieira Nery na conferência “Língua Portuguesa, Sociedade Civil e CPLP”, 18 de Outubro de 2013. Excerto copiado do “site” http://observatorio-lp.sapo.pt]

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«Carta aberta ao Sr. Presidente da República» [Duarte Afonso, J.M., 28.09.13]

jornalMadeira_logoA nossa língua está a ser atacada, mutilada e destruída por um monstro a que chamam acordo ortográfico, introduzido no nosso país pelo anterior governo e carinhosamente tratado pelo actual, com o beneplácito de V.Exª que o promulgou, e até hoje nada foi feito para evitar essa tragédia.

Nem os conselhos e alertas que têm surgido de todo o lado a chamar a atenção para a inutilidade do acordo, vindos de linguistas, escritores, juízes, historiadores, deputados, autarcas, professores, tradutores, jornalistas, etc., produziram qualquer efeito.

Infelizmente, já se ouve ao longe o som das trombetas anunciar o fim da estrada da nossa língua, e já começa a sentir-se o martelar no caixão da desgraça, que há-de servir para o funeral do nosso idioma, se não forem tomadas as medidas urgentes que se impõem para acabar com esse monstro.

O Estado não tinha nem tem o direito de legislar sobre matérias que dele não dependem, nem a ele competem, como é o caso da evolução da nossa língua em qualquer das suas vertentes, sendo a ortografia uma dessas vertentes.

A evolução da nossa língua foi-se adquirindo ao longo do tempo, com a introdução de alguns ajustamentos, mas foram feitos com rigor, com inteligência, por especialistas competentes, com conhecimento profundo do nosso idioma, e não com acordos inúteis e prejudiciais para o nosso país, nem com leis autoritárias e decretos abusivos.

Sr. Presidente. Os próprios responsáveis pelo acordo não estavam preparados para cumprir a sua missão, e demonstraram claramente quer no próprio acordo, quer na nota explicativa a sua impreparação, onde escreveram pérolas literárias dignas de registo. Vejamos uma pequenina passagem de uma dessas pérolas:
“Considerando que tais casos se encontram perfeitamente delimitados, como se referiu atrás, sendo assim possível enunciar a regra de aplicação, optou-se por fixar a dupla acentuação gráfica como a solução menos onerosa para a unificação ortográfica da língua portuguesa.” (5.2.4)

Esta explicação absurda, ignorante e inadmissível, só por si, reflecte de forma clara e objectiva a impreparação dos autores do acordo, porque demonstra claramente o contrário daquilo que defendem.

A dupla grafia não une, afasta, duplica, que é bem diferente. A consagração da grafia dupla reflecte a impossibilidade efectiva e incontornável de unificação.

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