Requiescat In Pace

 

VGM1942_2014

Vasco Graça Moura

1942 – 2014

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«A fraude intelectual» [entrevista de Sidney Silveira a Sérgio Pachá]

Acaba de ser publicada a (prometida) entrevista de Sidney Silveira ao filólogo Sérgio de Carvalho Pachá. O que se segue é a reprodução integral do “post“, publicado no “blog” Contra Impugnantes em 25.04.14, com essa entrevista e um texto introdutório. No vídeo foram intercaladas pelo autor algumas notas que vão explicando as referências do entrevistado aos factos e aos envolvidos na (gigantesca) fraude intelectual que é o AO90.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

A fraude intelectual da reforma ortográfica da Língua Portuguesa

Sidney Silveira

Na época do Acordo Ortográfico levado a termo durante o governo Lula, Sérgio De Carvalho Pachá era Lexicógrafo-Chefe da Academia Brasileira de Letras.

Nesta entrevista-denúncia, ele conta a história de como nasceu este monstro lingüístico e alude às absurdidades implicadas na nova lei, que não é outra coisa senão o seguinte: uma mudança no idioma feita por decreto, algo similar ao que Mussolini tentou na Itália (como o próprio Pachá comenta).

Os intelectuais portugueses — professores, escritores, editores, etc. — já enviaram um documento ao seu parlamento, para que revogue o Acordo.

Que os brasileiros saiam do letargo e façam o mesmo.

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AO90: “desmascarada a vergonha” [por Sidney Silveira]

clipVistaPrintCom a devida vénia ao autor, Sidney Silveira, o que se segue é a transcrição integral (respeitando a ortografia e o aspecto gráfico do original) de um texto publicado no “blog” Contra Impugnantes em 21 de Abril de 2014.

Aguardamos ansiosamente novo artigo deste mesmo autor, com a entrevista agora prometida, de que aqui daremos notícia assim que possível.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa: desmascarada a vergonha

Sidney Silveira

Nesta segunda-feira (21/04) gravei uma breve entrevista com o filólogo Sergio De Carvalho Pachá, que, em 2009, era Lexicógrafo-Chefe da Academia Brasileira de Letras (ABL) e conheceu os bastidores da reforma ortográfica mais absurda de que se tem notícia entre nós.

Pachá foi defenestrado da ABL por ter uma opinião privada (de caráter absolutamente técnico!) contrária ao acordo. Ele viu o gramático Evanildo Bechara transformar-se, num passe de mágica, de grande crítico da reforma em seu principal garoto-propaganda — para depois, com aparente sã consciência, editar um pequeno manual da nova ortografia, trazendo para as próprias algibeiras certamente mais do que as trinta moedas com que Judas vendeu Cristo.

O ridículo argumento da “união política entre os países lusófonos”, como sabíamos previamente, não se cumpriu. Quem ganhou com a coisa no Brasil foram as editoras apaniguadas da “corte”, que recebem milhões do governo para imprimir livros paradidáticos.

Trata-se de um depoimento histórico, dado por pessoa abalizada tanto pelo apuro do seu conhecimento lingüístico como pelos cabelos brancos e os alquebrados olhos, que a terra há de comer. Olhos de quem, como Gonçalves Dias no “I-Juca Pirama”, pode muito bem dizer:

— Meninos, eu vi.

Reitero: entrevista concedida por uma autoridade em língua portuguesa que exercia papel importante na ABL quando da concepção do acordo ortográfico. Iniciativa esta chamada por Pachá de “fraude”, sem meias palavras.

O material será apresentado ao público em breve.

O mesmo vídeo traz um tira-gosto das questões vernáculas de que o Prof. Sergio Pachá tratará no curso “A Língua Absolvida”, do Instituto Angelicum, imperdível para todos os que precisamos usar bem da língua, ou seja, expressar conteúdos inteligíveis aproveitando as magníficas possibilidades do idioma de Camões.

Aguardem!

Enquanto isso, não percam esta oportunidade única: façam as suas inscrições na Escola Virtual do Instituto Angelicum, no seguinte link:

http://institutoangelicum.edools.com/curso/a-lingua-absolvida–3

A língua portuguesa agradece pelo serviço que quixotescamente lhe prestamos, com o curso do Prof. Sergio Pachá.

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«Penalidade de expressão» [Octávio dos Santos, “Público”, 21.04.14]

publicoNo ano em que se assinalam quatro décadas desde a revolução de 25 de Abril de 1974, a liberdade de expressão que – supostamente – dela resultou ainda não é um conceito completamente compreendido e consolidado.

Não porque exista uma entidade “oficial”, estatal, que imponha a censura prévia a órgãos de comunicação social mas sim porque ainda existem muitas pessoas em Portugal que pensam que a emissão de determinadas informações ou opiniões, pela sua forma e/ou o seu conteúdo, deve ser passível de penalização criminal, corporativa ou administrativa… apesar de aquelas não conterem, à partida e aparentemente, elementos falsos e/ou difamatórios. Seguem-se quatro exemplos recentes.

[…] […] […]

O quarto exemplo refere-se ao “acordo ortográfico”. Têm-se sucedido os casos de cidadãos a quem são recusadas regalias – ou, pior, a quem são aplicadas sanções – pessoais e/ou profissionais por se recusarem, com toda a legitimidade, a submeter-se à ilegal perversão da língua portuguesa decidida por uma ínfima minoria. Como o escritor Abel Neves, que revelou em Janeiro último que a Imprensa Nacional-Casa da Moeda não edita três das suas peças de teatro por ele não querer a(dul)terar aquelas segundo o infame (des)acordo. Será possível que na INCM não exista quem conheça e tenha lido o Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos nacional, que também reflecte e replica legislação e jurisprudência internacionais, e que dá inequivocamente a todos os artistas a prerrogativa de utilizarem e de verem respeitada a linguagem que eles quiserem? E os “antifascistas”, que, sob o menor pretexto e contra qualquer opressão, real ou imaginária, se manifestam, protestam, e cantam “Grândola, Vila Morena”, vão conformar-se, 40 anos depois, com celebrar “abril” com letra pequena? Vão aceitar a delapidação da ortografia que imita e até intensifica a que foi feita em 1943 em pleno regime do Estado Novo (sim, também foi essa a designação no Brasil) de Getúlio Vargas, numa manobra de deliberado afrontamento e afastamento – cultural e não só – em relação a Portugal?

Infelizmente, não faltam neste “jardim à beira-mar plantado” as pessoas que estão disponíveis para fazer queixas e cumprir ordens, por mais absurdas que sejam. O que explica também porque é que aqui se viveu em ditadura(s) durante mais de 70 anos. Ou serão mais de 100?

Octávio dos Santos
Jornalista e escritor

[Transcrição parcial de artigo da autoria de Octávio dos Santos. In jornal “Público” de 21.04.14. “Links” inseridos por nós.]

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«Carta aberta à Associação 25 de Abril» [por Maria José Abranches]

meuselonAO1—– Original Message —–
From: Maria Abranches
To: Associação 25 de Abril
Cc: ilcao@cedilha.net
Sent: Friday, April 18, 2014 11:50 PM
Subject: 25 de Abril!

Carta aberta à Associação 25 de Abril

«Não haverá democracia se o povo não for composto de verdadeiros cidadãos agindo permanentemente enquanto tais». (Pierre Mendès France)

Ex.mo Senhor Presidente,

Atendendo a que foi o 25 de Abril de 1974 que abriu a Portugal as portas da democracia, e considerando também que a democracia é um projecto em construção permanente em que todos nós, cidadãos, somos chamados a intervir:

– quero, por ocasião do 40º aniversário do 25 de Abril, exprimir pública e pessoalmente, o meu imenso reconhecimento e a minha profunda admiração aos militares que, quer pela sua determinação corajosa e firme, quer pela sua serena contenção, fizeram acontecer “o dia inicial inteiro e limpo” (Sophia), por que tantos de nós há muito esperávamos;

– quero também associar-me à homenagem a Salgueiro Maia e a todos os militares de Abril, que a A25A vai promover neste 25 de Abril de 2014;

– quero ainda agradecer à A25A pelo seu empenho persistente no cumprimento do “dever de memória”, contribuindo assim para que os portugueses, mais velhos e mais novos, não esqueçam ou não desconheçam este acontecimento capital, único e exemplar da nossa História recente.

No exercício da minha cidadania, gostaria também de chamar a atenção da A25A para a destruição da língua de Portugal – a nossa maior e mais valiosa herança cultural e identitária – que está a ser perpetrada com a imposição ao país do indefensável Acordo Ortográfico de 1990 (AO90), num processo que nada tem de democrático:

Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada (Sophia)

Permito-me enviar em anexo alguns dos textos que já escrevi sobre este assunto, que há anos me preocupa sobremaneira. Como estes textos já estão publicados no sítio da Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico, https://ilcao.com/ (que subscrevi, tenho divulgado e para a qual tenho recolhido assinaturas), envio também os links para essas publicações:

“Coragem, Portugal”: https://ilcao.com/?p=12101
“A Herança”: https://ilcao.com/?p=6272
“Bandeira e língua”: https://ilcao.com/?p=7890

Deixo também o link para uma mensagem que enviei ao Grupo de Trabalho da Assembleia da República sobre o AO90: https://ilcao.com/?p=10075

Dou de novo a palavra a Sophia de Mello Breyner Andresen:

A PALAVRA

Heraclito de Epheso diz:
«O pior de todos os males seria
A morte da palavra»

Diz o provérbio do Malinké.
«Um homem pode enganar-se em sua parte de alimento
Mas não pode
Enganar-se na sua parte de palavra»

E termino, com os meus respeitosos cumprimentos e agradecendo a atenção dispensada,

Maria José Abranches Gonçalves dos Santos

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