[Extracto de gravação de entrevista a Maria do Carmo Vieira emitida em 09.05.14 no programa “Livre Pensamento” da RTP2.]
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Mai 09 2014
«Deixem a ortografia em paz» [Jaime Pinsky, “Correio Braziliense”, 09.05.14]
Do Senado, duas notícias, uma boa e outra má. A boa: parece que temos senadores preocupados com o ensino de português. A má: querem alterar outra vez nossa ortografia, agora radicalmente, com a esperança de que, com isso, alunos possam obter melhores resultados na aprendizagem da língua. Criaram até uma comissão, com o objetivo de aplicar o acordo ortográfico (o mesmo que, na prática, já está em vigor), e para fazer com que “se escreva como se fala”.
Além de não ser boa, a ideia é impraticável. Fico curioso a respeito de como vai se escrever, por exemplo, aquilo que na ortografia atual é denominada Estação das Barcas (lá na Praça Mauá, no Rio de Janeiro). Para “fazer justiça” à pronúncia, deveríamos grafar “Ijtação daj Barcaj” ou Ixtação dax Barcax”? Fora do Rio, talvez “Istação”, ou ainda “Stação”, como muita gente fala, já que poucos dizem “estação”, além dos curitibanos…
E como redigir o quarto mês do ano? “Abriu”, como dizem muitos brasileiros, “abril”, como diriam alguns gaúchos, ou “abrir”, como parte dos paulistas, mineiros, paranaenses e outros pronunciam? Cabe ao leitor pensar em outros exemplos.
Pesquisas excelentes, feitas por linguistas sérios (Thais Cristófaro, Ataliba Castilho, Stella Maris Bortoni, entre muitos outros) têm mostrado enorme variação linguística até no chamado português culto. Qual seria, pois, o ponto de partida oral, para sua suposta reprodução em texto escrito? Obrigar todos a pronunciar as palavras de uma só maneira, ou ter uma infinidade de representações gráficas para diferentes expressões fonéticas?
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Mai 05 2014
«Os destinos da Língua Portuguesa serão ditados pelo Brasil» [Marcos Bagno, entrevista]
«…o Acordo é importante para afirmar o óbvio: os destinos da língua portuguesa, daqui para a frente, serão ditados pelo Brasil, como potência econômica emergente e como ator destacado na geopolítica mundial.»
Entrevista exclusiva com o linguista MARCOS BAGNO concedida a Ricardo Paes via email
Marcos Bagno é professor do Departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução da Universidade de Brasília, doutor em filologia e língua portuguesa pela Universidade de São Paulo, tradutor, escritor com diversos prêmios e mais de 30 títulos publicados, entre literatura e obras técnico-didáticas. Atua mais especificamente na área de sociolingüística e literatura infanto-juvenil, bem como questões pedagógicas sobre o ensino de português no Brasil.
ÊXITO NA EDUCAÇÃO: Marcos, sei que já esclareceu em outras entrevistas a sua posição em relação ao Acordo Ortográfico que passa a vigorar oficialmente este ano, mas Portugal ainda resiste e até a ABL expressou o desejo de aperfeiçoá-lo. Você já reafirmou que trata-se de um Acordo e não de uma Reforma, que seria decerto algo mais profundo. Você poderia explicar a diferença e a abrangência política deste Acordo (ou Desacordo) Ortográfico?
Marcos Bagno – Pessoalmente, seria preferível que as duas ortografias oficiais, a portuguesa e a brasileira, tivessem sido reconhecidas como igualmente válidas para qualquer usuário, nativo ou estrangeiro, da língua. Que cada pessoa escrevesse como bem lhe parecesse, respeitando as opções já tradicionais em todos os países. Mas, uma vez decidida a adoção de uma ortografia unificada, aparando as diferenças entre as duas e mantendo uma ampla possibilidade de variantes, teria sido mais racional que todos os países implementassem a nova ortografia ao mesmo tempo. No entanto, por chauvinismo de setores culturais portugueses, a implantação do Acordo em Portugal tem sofrido constantes adiamentos. A razão é muito simples: para nós, brasileiros, o Acordo afetará apenas 0,5% do vocabulário, enquanto para os portugueses será 1%. Isso, para eles, significa um “abrasileiramento” da língua. Grande bobagem.
Do ponto de vista de políticas linguísticas, o Acordo é importante para afirmar o óbvio: os destinos da língua portuguesa, daqui para a frente, serão ditados pelo Brasil, como potência econômica emergente e como ator destacado na geopolítica mundial. Ao mesmo tempo, infelizmente, Portugal se acha no fundo do poço, tragado pela desumana crise que assola a Europa. Continue reading
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Mai 03 2014
O Diário da República “de fato”
Critério de pesquisa: “de fato” OR “é um fato” OR “pelo fato” site:dre.pt
Cerca de 328 resultados na pesquisa efectuada em 03.05.14 às 17 h.
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Mai 01 2014
«A Perspectiva do Desastre» [Vasco Graça Moura, Parlamento, 7 de Abril de 2008]
«Comunicação lida [por Vasco Graça Moura] na Audição Parlamentar sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, promovida pela Comissão de Ética, Sociedade e Cultura da Assembleia da Republica, em Lisboa, no dia 7 de Abril de 2008.»
Transcrição do discurso alojada em “Issuu” por João Roque Dias.
Reprodução textual publicada em “Ciberdúvidas”. “Links” inseridos por nós.
Imagem: capa do livro que reúne as intervenções principais de Vasco Graça Moura sobre o AO90, publicado em 2008 por Alêtheia Editores.
Começo por agradecer o honroso convite que me foi dirigido para usar da palavra nesta conferência internacional que hoje decorre na Assembleia da República.
A relevância para o interesse nacional da matéria agendada é evidente. Outros casos porventura mereceriam tratamento semelhante. Estou a pensar na TLEBS, cuja revisão suponho estar concluída, e permito-me formular a correspondente sugestão aos meus colegas deputados.
E gostaria ainda de acentuar que é como escritor, como cidadão e como político, que intervenho nesta reunião, carreando para a minha intervenção muito do que entretanto escrevi sobre o assunto.
I. Quanto à questão da entrada em vigor do Acordo Ortográfico
Para o Acordo Ortográfico vigorar na ordem interna portuguesa não lhe bastam a aprovação parlamentar e a ratificação do Presidente da República.
Tem de ter assegurada a sua vigência no ordenamento internacional.
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