O Museu da Língua Portuguesa do Brasil

Museu da Língua PortuguesaDe passagem por São Paulo, não podíamos deixar de passar pelo famoso Museu da Língua Portuguesa, na Estação da Luz. É realmente um passeio que vale a pena, quer pelas exposições temporárias, quer pelo espectáculo multimédia e pelo cronograma que nos mostra a viagem da Língua.

No campo do multimédia destacamos o écran com 106 metros de comprimento, um autêntico fresco da sociedade e da cultura brasileira que nos leva em passeio pela gastronomia, pela natureza, pelas praias, pelo futebol, pelo carnaval… e nos mostra de que forma essas áreas influenciam a Língua.IMG_3931 Também vale a pena ver um filme sobre a Língua num auditório vocacionado para esse fim. No final do filme o écran levanta-se e dá acesso a uma nova sala onde somos cercados por palavras que voam pelas quatro paredes, evocando as frases mais marcantes da literatura em Português, tal como foram escritas por Fernando Pessoa, Camões, Herberto Helder, Machado de Assis, e muitos outros autores dos vários países de expressão oficial portuguesa.

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«Os acordistas já não acordam» [Fernando Venâncio, “post” no Facebook]

Facebook_iconOS ACORDISTAS JÁ NÃO ACORDAM

Fernando Venâncio

Saturday, April 11, 2015 at 12:04pm

 

A julgar pelos ares displicentes (quando há sequer ares) dos que se dizem felizes com o «Acordo Ortográfico de 1990», eis-nos acabados de aterrar no melhor dos mundos. Chatices, só estes piolhos importunos e tagarelas dos anti-acordistas.

Não se lhes ouve um pio, a esses portugueses ditosos. O Ministério, a Academia, os Centros de Linguística, o ILTEC, eles dormem a sono solto, mas silencioso. «Está tudo a correr com normalidade», reza o mantra dos gabinetes. «Até que enfim, sossego!», ronronam os gatos nos tapetes das Receções.

Entretanto, no mundo acordado, passam-se fenómenos insólitos. Um vírus, uma programação maligna, veio-se instalando em mentes portuguesas, comandando-lhes: «Se achares duas consoantes seguidas, corta uma». Até ao momento, os encontros com líquidas («tr», «pl» etc.) são poupados. A fonologia tem as suas resistências. Mas fora daí, o vírus é eficaz.

Já publiquei aqui listas sempre actualizadas dessas curiosas novidades. Essas listas (em que aproveitei sempre o denodado e inteligente esforço alheio) distinguem-se de outras do género por isto: são sempre confrontadas com o «Vocabulário da Mudança» do oficialíssimo ILTEC. Isto é, TODOS os vocábulos nelas contidos contrariam o AO90. E também todos figuraram pelo menos uma vez (e vários deles bastantes vezes) em textos públicos, assinados, e não raro provenientes de entidades oficiais.

Aqui vai nova lista com o estado de coisas presente. Tenha-se em conta que outras inovações haverá, que escapam à nossa atenção. Tenha-se em conta (e isto é decisivo!) que antes da entrada em vigor do AO90 fenómenos deste tipo eram residuais. Isto foi já inequivocamente demonstrado. Além disso, o carácter científico e ‘culto’ da larga maioria destas grafias mostra que elas nasceram duma busca de correcção e rigor.

*

GRAFIAS CONTRÁRIAS AO ACORDO ORTOGRÁFICO 1990,
PÚBLICAS E RECENTEMENTE DOCUMENTADAS EM PORTUGAL

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Tomar partido, sim!

tshirt1A Constituição da República portuguesa atribui a “Iniciativa da Lei” aos deputados, ao Governo e — conquista importante da democracia — a grupos de cidadãos devidamente recenseados. Infelizmente, a Lei que regulamenta a Iniciativa Legislativa de Cidadãos fixa um limite mínimo de 35.000 assinaturas para a submissão de um Projecto de Lei a discussão e votação no Parlamento. É um número absurdamente alto, que na prática inviabiliza o exercício deste direito por parte dos portugueses.

Trinta e cinco mil subscrições em papel são uma tarefa quase impossível para um grupo de cidadãos que, sem outros meios além da vontade individual dos seus promotores, activistas e voluntários, tenta levar um Projecto de Lei ao Parlamento. O número é de tal forma elevado que se presta a esta confusão: muitas pessoas julgam que basta reunir 35.000 assinaturas para que a Lei seja automaticamente aprovada. Na verdade, o Projecto de Lei contido numa ILC terá ainda de ser votado em plenário — isto, claro, se não tropeçar antes num qualquer tecnicismo de secretaria e não chegar sequer a ser admitido. Ou seja: a vontade expressa de 35.000 cidadãos eleitores poderá não servir para nada.

A Lei 17/2003, que rege as ILC, é, de facto, uma lei “para cidadão ver”.

A ILC-AO, visando a revogação da RAR 35/2008, reuniu até agora cerca de 15.000 assinaturas. Em papel. Um número extraordinário para uma Iniciativa sem meios, mas insuficiente para o fim em vista. Muitas vezes olhámos para este número e pensámos: “Quinze mil assinaturas… bem, isso daria para promover duas candidaturas à Presidência da República! Ou para inscrever dois partidos políticos no Tribunal Constitucional…”

De facto, a ideia sempre andou por aí. Rondou-nos, insinuou-se, às vezes quase se metia pelos nossos olhos dentro. “Apenas” teríamos de voltar ao princípio, ou seja, lançar uma nova campanha de recolha de  assinaturas, mas desta vez tendo por objectivo “só” 7.500 e já não 35.000, essa absurda enormidade.

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Tomar partido

NAO2cmaiorNo dia 10 de Abril de 2010 a Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o AO90 “saiu para as ruas”, ou seja, foi iniciada a campanha de recolha de assinaturas para levar ao Parlamento esta iniciativa cívica. Cumpre-se hoje, por conseguinte, o 5.º aniversário da ILC-AO.

Foram cinco anos de luta intensa, de resistência coerente, de afirmação responsável e sempre firme, sem desvios ou contaminações de qualquer espécie e também sem qualquer tipo de apoios, institucionais ou outros, contando apenas com a determinação de um punhado de corajosos voluntários.

É hoje também, até pelo simbolismo desta data marcante, o momento certo para que a nossa luta se transfigure e evolua, passando a um novo e ainda mais abrangente patamar de intervenção política.

Das inúmeras mensagens que desde o início vamos recebendo dos nossos subscritores, apoiantes e voluntários, houve uma, mais recente, que de imediato chamou a nossa atenção:

«Bom dia. Gostava de colocar à vossa consideração a hipótese de ser iniciada a recolha de assinaturas para a legalização de um partido para concorrer às próximas eleições, com o ponto único no programa de defesa da língua portuguesa.
Mesmo que não chegasse às urnas, o facto de se iniciar a recolha de assinaturas pode constituir um facto político que obrigue os partidos existentes a definirem-se.»

Como sabemos, foi na Assembleia da República que se deu a aprovação, por esmagadora maioria, da RAR 35/2008, isto é, do instrumento  que determinou a entrada em vigor do “acordo ortográfico”.  Aquela aprovação só foi possível porque os partidos políticos “do arco da governação” atendem apenas aos seus próprios interesses político-partidários, numa lógica autocrática de “alternância de poder”; não  atendem, por conseguinte e pela sua própria natureza de pilares do statu quo partidário, a tudo aquilo que escape a essa mesma lógica de alternância de poder e de manutenção do establishment, como é o flagrante caso do AO90 em geral e da RAR 35/2008 em particular.

Mesmo considerando a honrosa excepção dos poucos deputados que “ousaram” votar contra a dita Resolução e mesmo que se reconheça que muitos deles não sabiam sequer, ao certo, aquilo que estavam a aprovar, o facto é que os nossos representantes não nos representaram, aqueles que nós elegemos votaram contra a vontade da maioria daqueles que os elegeram. Ou seja, no que diz respeito ao “acordo ortográfico” e, em especial, à sua entrada em vigor, os partidos políticos existentes… não existem.

Pois então, se esses partidos não nos representam quanto a esta Causa que é de todos; se os mecanismos político-partidários estabelecidos não respondem a uma aspiração legítima da maioria da população; se os partidos da situação estão acomodados ao seu estatuto de imutabilidade e amarrados aos seus compromissos estratégicos; visto que ignoram (ou fingem ignorar) o cAOs que se vai instalando; já que se mostram (ou fingem mostrar-se) indiferentes a todos os protestos – estudos e pareceres, sondagens de opinião e inquéritos, cartas abertas e petições – por parte da mesmíssima “sociedade civil” que supostamente representam; pois bem, assim sendo, é nosso dever assumirmos nós mesmos a responsabilidade que esses partidos não assumem: nada mais simples, então fundemos nós outros o nosso próprio partido político!

Logótipo, já temos: é aquele que lançámos em 2009, ainda antes da criação da ILC-AO, e é aquele que não apenas identifica de forma imediata a nossa Causa como é o símbolo com o qual se identifica a generalidade dos anti-acordistas.

Designação, já temos: tratando-se não de um partido político convencional mas de um movimento da sociedade civil que se transfigura em partido com um objectivo programático único, então seremos o “Movimento nAO” — uma designação que é em si mesma todo um programa.

Lema (e objectivo programático), já temos: o mais óbvio, transparente, abrangente e transversal, “em defesa da Língua Portuguesa, pela revogação da entrada em vigor do acordo ortográfico”.

E já temos também, evidentemente, nomes possíveis para encabeçar o Movimento nAO, pessoas com historial e provas dadas nesta luta: basta escolher os mais veteranos activistas de entre os  listados na “galeria” de apoiantes da ILC-AO.

Como diz o nosso voluntário naquela mensagem, este partido,  “mesmo que não chegasse às urnas, o facto de se iniciar a recolha de assinaturas pode constituir um facto político que obrigue os partidos existentes a definirem-se.”

Aqui está a oportunidade ideal, portanto, para que finalmente se realize (e materialize) a desde sempre tão falada “união de esforços”. Que os diversos grupos anti-AO que por aí existem se unam em torno de um objectivo comum (e único), eis em suma o que fervorosamente se deseja. Será necessário começar pela recolha de assinaturas exigidas para este efeito específico (7.500) e isto implicará um tremendo esforço em termos de mobilização e de organização, como é evidente, mas não é de todo impossível. Impossível é desistir.

O nosso partido é, hoje como sempre, apenas e só, a defesa da Língua Portuguesa enquanto património cultural e legado histórico inalienável.

Assim haja, a partir de agora, a vontade de muitos e a determinação de outros tantos para levar essa mesma defesa até ao fim, ou seja, de volta ao próprio local onde a nossa Língua foi brutalmente agredida: o Parlamento,  a chamada “casa da democracia”.

Assim haja a coragem de tomar partido.

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Um “seleto” “setário” que é o “predileto” da “setária”

seleto
«O colégio seleto não quer ser uma fábrica de fazer notas, mas treina exames»
Diário de Notícias


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