Mentiras e invenções tolas

Em “Cartas à Directora”, Jornal Público, 07.06.11

«Já agora: ao todo, as palavras que têm a dupla grafia em Portugal não chegam a 200, num universo de mais de 200 mil constantes do Vocabulário Ortográfico do Português, disponível no Portal da Língua Portuguesa, do ILTEC.»

Já agora: ao todo, as palavras que têm a [sic] dupla grafia em Portugal (e no Brasil) ultrapassam as 69.000, num universo de mais de 200 mil constantes do Vocabulário Ortográfico do Português, disponível no Portal da Língua Portuguesa, do ILTEC.

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Omens sem H [de Nuno Pacheco, jornal Público]

[transcrição]

Espantam-se? Não se espantem. Lá chegaremos. No Brasil, pelo menos, já se escreve “umidade”. Para facilitar? Não parece. A Bahia, felizmente, mantém orgulhosa o seu H (sem o qual seria uma baía qualquer), Itamar Assumpção ainda não perdeu o P e até Adriana Calcanhotto duplicou o T do nome porque fica bonito e porque sim.

Isto de tirar e pôr letras não é bem como fazer lego, embora pareça. Há uma poética na grafia que pode estragar-se com demasiadas lavagens a seco. Por exemplo: no Brasil há dois diários que ostentam no título esta antiguidade: Jornal do Commercio. Com duplo M, como o genial Drummond. Datam ambos dos anos 1820 e não actualizaram o nome até hoje. Comércio vem do latim commercium e na primeira vaga simplificadora perdeu, como se sabe, um M. Nivelando por baixo, temendo talvez que o povo ignaro não conseguisse nunca escrever como a minoria culta, a língua portuguesa foi perdendo parte das suas raízes latinas. Outras línguas, obviamente atrasadas, viraram a cara à modernização. É por isso que, hoje em dia, idiomas tão medievais quanto o inglês ou o francês consagram pharmacy e pharmacie (do grego pharmakeia e do latim pharmacïa) em lugar de farmácia; ou commerce em vez de comércio. O português tem andado, assim, satisfeito, a “limpar” acentos e consoantes espúrias. Até à lavagem de 1990, a mais recente, que permite até ao mais analfabeto dos analfabetos escrever sem nenhum medo de errar. Até porque, felicidade suprema, pode errar que ninguém nota. “É positivo para as crianças”, diz o iluminado Bechara, uma das inteligências que empunha, feliz, o facho do Acordo Ortográfico.

É verdade, as crianças, como ninguém se lembrou delas? O que passarão as pobres crianças inglesas, francesas, holandesas, alemãs, italianas, espanholas, em países onde há tantas consoantes duplas, tremas e hífens? A escrever summer, bibliographíe, tappezzería, damnificar, tnitteleuropãischen? Já viram o que é ter de escrever Abschnittfürsonnenschirme nas praias em vez de “zona de chapéus de sol”? Por isso é que nesses países com línguas tão complicadas (já para não falar na China, no Japão ou nas Arábias, valha-nos-Deus) as crianças sofrem tanto para escrever nas línguas maternas. Portugal, lavador-mor de grafias antigas, dá agora primazia à fonética, pois, disse-o um dia outra das inteligências pró-Acordo, “a oralidade precede a escrita”. Se é assim, tirem o H a homem ou a humanidade que não faz falta nenhuma. E escrevam Oliúde quando falarem de cinema. A etimologia foi uma invenção de loucos, tornemo-nos compulsivamente fonéticos.

Mas há mais: sabem que acabou o café-da-manhã? Agora é café da manhã. Pois é, as palavras compostas por justaposição (com hífens) são outro estorvo. Por isso os “acordistas” advogam cor de rosa (sem hífens) em vez de cor-de-rosa. Mas não pensaram, ó míseros, que há rosas de várias cores? Vermelhas? Amarelas? Brancas? Até cu-de-judas deixou, para eles, de ser lugar remoto para ser o eu do próprio Judas, com caixa alta, assim mesmo. Só omens sem H podem ter inventado isto, é garantido.

Nuno Pacheco, Jornalista

[/transcrição]

Transcrição integral e digitalização do artigo de Nuno Pacheco no caderno P2 (página 3) jornal Público de 06.06.11. Link para o artigo não disponível.

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Nojo

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Luís Romero subscreveu a ILC

Luís Viana RomeroVideógrafo freelancer desde 2007 com trabalhos desde os eventos sociais ao vídeo institucional, passando pelo vídeo-clip e o jornalismo.

Tendo a escrita como centro, logo seguida da música, encontrou no vídeo não só uma profissão como, devido à sua plasticidade, é disciplina que agrega em si várias das suas paixões.

Movem-no as ciências sociais quando sobretudo aliadas à arte como distinguível forma de expressão humana.

“Não sou Filólogo, nem Linguista, nem sequer Professor de Português.

Sou um cidadão e um falante de Português, um amante da minha expressão e do que ela produz e produziu, de forma nobre e, para riqueza própria e distinção, de AMBOS os lados do Atlântico, bem como nos PALOP e em Timor-Lorosae.

A palavra “uniformização”, se bem que viável em certas áreas, produz-me considerável preocupação, para não dizer mais, quando aliada à cultura e à expressão de comunidades, ou grupos, onde é na diferença que se encontra identidade e riqueza.

Sempre ouvi dizer que a Língua era algo que evoluía naturalmente…

Gostava de ter visto nestes 21 anos um esforço para que esta discussão tivesse envolvido mais gente, e um esforço ainda mais claro para que a mesma tivesse sido realizada, também fora, dos sempre legítimos mas também herméticos, fóruns de especialistas, já para não falar dos gabinetes impenetráveis do costume…

Subscrevo a Iniciativa Legislativa Contra o Acordo Ortográfico porque gostava de forma clara saber que implicações de facto (com c) estas alterações produzem em algo tão profundamente intrínseco à nossa identidade como povo, e acima de tudo e muito objectivamente, que grandes e nobres são essas mais-valias, que justifiquem o acto… também e ainda, com c…”

Luís Romero

Evidentemente, além de todo o trabalho que vai produzindo como voluntário para esta Causa, Luís Viana Romero subscreveu também a Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação da entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990.

Nota: esta publicação foi autorizada pelo subscritor, que redigiu expressamente para o efeito a nota biográfica e o texto acima.

Galeria de subscritores, militantes e apoiantes.

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Onde assinar a ILC: Jorge’s Bar, Tires

Jorge’s Bar
Praça Fernando Lopes Graça, 156
Centro Comercial Tirano, loja 4
Tires
2785 Cascais, Portugal

Jorge’s Bar
Tires

O Jorge’s Bar situa-se em pleno centro de Tires, uma localidade do Concelho de Cascais.

O proprietário é Jorge Rabaça, activo militante da ILC contra o AO90, que assim disponibiliza os seus dois estabelecimentos para entrega de subscrições.

Aberto todos os dias!

A partir de agora poderá ler e subscrever a ILC pela revogação da entrada em vigor do “acordo ortográfico” também naquele local.

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