E-mail de Pedro Passos Coelho acerca do Acordo Ortográfico

E-mail de Pedro Passos Coelho acerca do Acordo Ortográfico

Acedi ontem ao site de campanhã de Pedro Passos Coelho, e porque aprecio este candidato pela sua juventude e inteligência, enviei-lhe um mail para saber qual a sua opinião acerca da questão do acordo ortográfico. Mostrou a sua simpatia e atenção ao responder hoje mesmo. Fiquei contente por saber que ele partilha da visão de que o acordo é errado. Se eu fosse militante do PSD concerteza votaria nele. Um dia que se candidate a primeiro-ministro terá o meu voto. Fica a transcrição.

Caro Ruben Azevedo

Já tenho afirmado, em resposta a essa questão colocada por jornalistas, que o acordo que Portugal assinou há vários anos atrás (porque tal acordo já foi assinado) não representa nenhum benefício para a língua e cultura portuguesa, pelo que não traria qualquer prejuízo que não entrasse em vigor. De resto, não vejo qualquer problema em que o português escrito possa ter grafias um pouco diferentes conforme seja de origem portuguesa ou brasileira. Antes pelo contrário, ajuda a mostrar a diversidade das expressões e acentua os factores de diferenciação que nos distinguem realmente e que reforçam a nossa identidade. Aliás, considero míope a visão de que o mercado brasileiro de cultura passará a estar aberto aos autores portugueses em razão da homogeneidade da grafia, pois que o interesse desse mercado pela nossa produção só pode depender do real interesse pelas nossas especificidades e aí a suposta barreira do grafismo não chega a ser uma barreira, pode ser um factor de distinção que acentua o interesse pela diferença.

Com os melhores cumprimentos

Pedro Passos Coelho

Reprodução integral de “post” publicado no blog “Cenáculo de um (pseudo) filósofo“, em 20 de Maio de 2008, da autoria de Ruben D.

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O Acordo Ortográfico e o Secretário de Estado da Cultura

Em Outubro de 2010, o PSD levou a cabo um inquérito público para recolher sugestões para cortes na despesa http://www.cortardespesas.com/. Desse inquérito resultou um relatório que pode ser consultado no site acima referido, no link que se encontra na coluna do lado direito, no final do texto Relatório Síntese, mas que também pode consultar aqui. Poderão ver que, na página 16 desse relatório, está claramente apresentada a opinião das pessoas que responderam ao inquérito quanto ao AO:

“Outra proposta relevante foi a rejeição do Acordo Ortográfico, de modo a evitar os custos que a sua aplicação imporá ao sector editorial.”

Sabendo o PSD da opinião pública relativamente ao AO, veiculada através da ferramenta que o próprio partido disponibilizou, e sabendo que, além disso, houve uma petição apresentada na AR que resultou num documento que recomendava a revisão de todo esse processo, não será de todo descabido questionar a nomeação de Francisco José Viegas para a Secretaria de Estado da Cultura, já que, obviamente não vai de encontro à vontade popular.

Caso queiram questionar o PSD relativamente a este assunto, o email público do Grupo Parlamentar é gp_psd@psd.parlamento.pt .

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«Sou mais do que eu…»

Sou professora de Português e sinto-me duplamente ultrajada. Como especialista e como cidadã de duas Pátrias (nasci no Brasil e tenho dupla nacionalidade) estou indignada com este fenómeno de ausência de interculturalidade, num mundo que se diz e pretende global. A interculturalidade começa pelo respeito mútuo que começa pela identidade linguística na sua diversidade tão digna como o ser humano falante da língua. Este (des) acordo não só não contribui para o enriquecimento entre os povos, como também não uniformiza a língua como pretende, antes a altera na sua essência. “A minha Pátria é a língua portuguesa” (Pessoa/Bernardo Soares) é a frase-ideia paradigma que nos deve nortear para enfrentar mais um “Adamastor” que nos quer submergir em águas turvas e comprometer o futuro como País soberano de livres pensadores-navegadores. Ser contra não é ser “Velho do Restelo” no sentido possível que essa figura representa de oposição à mudança, mas antes representa um sinal de alerta contra (im)posições que não revelam nada de novo, pois constituem uma cedência a interesses sem explicação científica que os vindouros possam considerar relevante. Ser contra é um acto de cidadania, de cultura e de patriotismo. Contem com o meu repúdio, “pois aqui ao leme/Sou mais do que eu…” (F. Pessoa -Mensagem).
Maria do Carmo Albernaz

Reprodução integral de comentário neste mesmo site.

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Carta ao Círculo de Leitores

Carta de ex-sócia do Círculo de Leitores cuja identificação, no cabeçalho, foi ocultada por motivos óbvios.

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«Estamos com o Público» [MJA]

Estamos com o “Público” na defesa da nossa língua. E ainda bem que Nuno Pacheco salienta o ridículo da situação a que nos conduziu uma classe dirigente na sua maioria inculta. Entendo aqui cultura como “conjunto dos conhecimentos adquiridos que permitem desenvolver o sentido crítico, o gosto, o discernimento” (vd. Petit Robert). No mesmo sentido, recorde-se a conhecida frase “La culture, c’est ce qui reste quand on a tout oublié” (Herriot) – a cultura é o que fica quando se esqueceu tudo. Este conceito de cultura situa-se nos antípodas do apreço pelas modas súbitas e avassaladoras, que exercem entre nós uma sedução irresistível. Tudo menos correr o risco de passar por “retrógrado”, “antiquado”, “passadista”!…

Ora, justamente, a nossa língua materna não é, por definição, um gadget de última geração. Não foi inventada por nós nem no nosso tempo. Ela é património essencial do povo português. E a ortografia, face visível, significante, da palavra rege-se por convenções e regras meditadas e aperfeiçoadas ao longo dos tempos por especialistas e estudiosos conhecedores da nossa língua. É pois preservando a sua dignidade – o que inclui o respeito pelo modo como se escreve graficamente – que ela conservará o seu prestígio e permanecerá uma referência para nós e para todos aqueles a quem a nossa História comum a levou.

Maria José Abranches

Este texto foi publicado, neste mesmo site, por Maria José Abranches, como simples comentário a um “post”. Importante de mais, demasiadamente bem escrito para ficar “desterrado” nessa redutora condição. Não é um simples comentário, é todo um manifesto.

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