A ILC na Feira do Livro de Lisboa: “Zéfiro”

Saudamos a preciosa colaboração da Zéfiro – Edições e Actividades Culturais, que se prontificou a disponibilizar impressos e a recolher subscrições da ILC na 82ª Feira do Livro de Lisboa, no Parque Eduardo VII, de 24 de Abril a 13 de Maio.

Todos temos, assim, bons motivos para ir visitar o pavilhão deste expositor.

– quem ainda não subscreveu a ILC, poderá fazê-lo;

– quem já subscreveu, poderá ir abastecer-se de bons livros.

Desejamos à Zéfiro o maior sucesso e aqui lhe deixamos o nosso reconhecimento.

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Ver localização do pavilhão da Zéfiro no mapa da Feira do Livro de Lisboa.

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«Quando há um desastre também se reconstrói.» [Vasco Graça Moura, “Sol”, entrevista]

Vasco Graça Moura

‘Acordo Ortográfico foi um desastre para a língua portuguesa’

A segunda parte da entrevista de Graça Moura ao SOL. O presidente do Centro Cultural de Belém fala sobre o Acordo Ortográfico.

Uma das suas primeiras decisões como presidente do CCB foi cancelar a aplicação do Acordo Ortográfico dentro da instituição, indo até contra a tomada de posição do Governo. Mantém essa guerra anti-acordo?

Agora com a seguinte nuance: a declaração de Luanda há 15 dias, em que foi patentemente reconhecido que este acordo precisa de ser revisto, que Angola e Moçambique não o ratificaram e, portanto, não está em vigor. E, mais ainda, não existindo o vocabulário comum da língua portuguesa, penso que não há outro remédio senão rever o acordo. Acho que, para ninguém perder a face, deveria ser suspenso aquilo a que se chama a aplicação do Acordo Ortográfico. Esta é uma fraude do anterior Governo, que deu como existente um vocabulário ortográfico comum que não existe, e que veio dar como tendo entrado em vigor um tratado internacional que não entrou em vigor.

O Secretário de Estado disse que o acordo estava em vigor e era para aplicar, as escolas já aplicaram…

As escolas não podem ser condenadas a desfigurar a língua portuguesa.

Mas as crianças já estão a aprender com o acordo.

Mas estão a aprender mal e portanto espero que haja maneira de corrigir isso. Quem avisou das consequências a tempo só pode lamentar que as coisas tenham chegado a esse ponto. Espero que se faça uma revisão sensata, que tome em consideração uma série de aspectos científicos, técnicos, políticos, sociais e culturais. Até aqui tivemos uma espécie de aplicação mecânica de uma coisa que ninguém sabe o que é e que ninguém consegue aplicar.

Não será complicado voltar atrás?

Quando há um desastre também se reconstrói. Isto foi um desastre para a língua portuguesa. Nós temos é de ser punidos pela irresponsabilidade com que alinhámos nisto e suportar as consequências.

Chegou a dizer que por trás do AO estavam desejos economicistas de grupos ou lóbis brasileiros.

Isso aconteceu inicialmente. Hoje penso que tem mais a ver com teimosias pessoais. Perdeu-se o império colonial e criou-se uma espécie de metafísica da língua, transferindo para o plano ontológico da língua essa noção de império frustrada. A verdade é que está a desfazer a língua. Introduz na língua portuguesa situações que virão a desfigurar a sua pronúncia. Porque é que toda a gente reage? Porque a língua tem uma dimensão identitária absolutamente real.

Sempre se manifestou contra o acordo.

Há 26 anos que estou nesta guerra…

Enquanto escritor tem toda a liberdade para escrever como bem entender. Mas enquanto pessoa nomeada pelo Estado para estar à frente de uma instituição…

Isto não é um serviço público. É uma fundação de direito privado de utilidade pública, e nessa medida eu não posso aplicar uma resolução que não é aplicável. Assenta numa decisão fraudulenta tomada pelo Governo Sócrates. Se tenho obrigação de promover e defender a cultura portuguesa, tenho obrigação de não o aplicar.

rita.s.freire@sol.pt e telma.miguel@sol.pt

[Transcrição integral. In jornal “Sol” de hoje, 03.05.12.]

[Nota: os conteúdos publicados na imprensa ou divulgados mediaticamente que de alguma forma digam respeito ao “acordo ortográfico” são, por regra e por inerência, transcritos no site da ILC já que a ela dizem respeito (quando dizem ou se dizem) e são por definição de interesse público (quando são ou se são).]

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«A acta do cidadão» [Mendes Bota, “Público”]

Até hoje, não identifiquei, no meu círculo familiar e de proximidades, uma só pessoa que se manifeste favorável ao famigerado Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, de 1990.

Pelo contrário, percorrendo o caminho da transversalidade política e social da sociedade portuguesa, não será despiciendo afirmar-se que existe um profundo desacordo face a esta imposição convencional de renegar de um trago a forma como aprendemos a escrever e a falar a nossa pátria “pessoana”. As sondagens à opinião pública parecem confirmá-lo. Que acordo é este, então, que gera tamanha discórdia?

A disciplina partidária reinante no nosso sistema político-parlamentar pode obrigar a votar o absurdo. Mas não consegue, ainda, obrigar um cidadão a aplicar esse absurdo, naquilo que depende apenas da sua vontade. Não sei se a Iniciativa Legislativa dos Cidadãos que habita no sítio http://cedilha.net/ilcao logrará atingir os seus objectivos. Mas subscrevê-la será sempre o exercício de um direito de cidadania, que servirá de “acta” a todos quantos pretendam lavrar o seu protesto. E poderia ser, se os directórios partidários abdicassem por uma vez do seu código disciplinar, um caminho legislativo sem ónus eleitoral, para corrigir aquilo que se revela ser um erro enorme.

Seria interessante a abordagem constitucional para que nos convoca Vasco Graça Moura, sobre o que está em vigor na ordem jurídica portuguesa, o velho ou o novo Acordo Ortográfico, mas essa discussão está reservada aos deuses do olimpo, não parece mobilizadora da atenção do cidadão comum, de aqui e de agora. Este cidadão está a ser encaminhado para deixar de saber escrever, para decorar aquilo já lhe era intuitivo, para complicar aquilo que era simples.

Podem os editores dum lado e doutro do Atlântico esfregar as mãos de contentamento negocial, mas o seu ganho é uma minúscula à luz do nosso prejuízo maiúsculo. Não discuto as teses da etimologia ou da fonética. Podem desaparecer as consoantes mudas, nada fará calar a voz deste mal-estar, com forte acento gráfico e um hífen cravado entre o “anti” e o “acordo”. Esta aberração aí está, na prosa das escolas e das repartições públicas, e na escrita computorizada, a impor teimosamente um produto que tanta gente não quer consumir, sublinhando a vermelho erros não cometidos, qual “suave lavagem de cérebro”, no dizer autorizado de José Gil.

Mendes Bota
Presidente da Comissão para a Ética, a Cidadania e a Comunicação da AR

[Transcrição integral. In jornal “Público” de hoje, 03.05.12. Link não disponível.]

[Nota: os conteúdos publicados na imprensa ou divulgados mediaticamente que de alguma forma digam respeito ao “acordo ortográfico” são, por regra e por inerência, transcritos no site da ILC já que a ela dizem respeito (quando dizem ou se dizem) e são por definição de interesse público (quando são ou se são).]

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«Não voltará a repetir-se» [Francisco Assis, “Público”]

Por razões contrárias à minha vontade, mas não alheias à minha responsabilidade, o texto da semana passada seguiu as regras do novo Acordo Ortográfico. Tratou-se de um lapso, que não voltará a repetir-se.
Francisco Assis

[Excerto de texto (apenas o ponto 2) da autoria de Francisco Assis publicado no “Público” de hoje, 03.05.12. Link não disponível.]

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Carta de António de Macedo ao SEC

Exm.º Senhor

Secretário de Estado da Cultura,

A propósito do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90), li no Público de 25 de Abril deste ano, conforme se pode ver no seguinte local:
http://www.publico.pt/Cultura/a-crise-a-pirataria-e-o-acordo-ortografico-discutidas-na-abertura-da-feira-do-livro-de-lisboa–1543433

– que V. Ex.ª teria dito:

“Não há revisão. O acordo é um instrumento legal e foi ratificado por parlamentos de diferentes países. O que pode haver, e isso está consignado na lei, é a possibilidade de se fazerem acertos no Vocabulário Ortográfico Comum. Será apresentada uma versão beta, ainda durante este ano, e até 2014 estará encerrado. Repare, ainda nem sequer estão incluídas no Vocabulário Ortográfico Comum as contribuições de Angola e Moçambique. Nessa matéria é que há abertura. Agora o AO está em vigor.”

Ora, no mesmo jornal Público, de 29 de Fevereiro deste mesmo ano, V. Ex.ª admitia a possibilidade de “aperfeiçoamentos” e “correcções”:
http://www.publico.pt/Cultura/viegas-admite-aperfeicoar-regras-do-acordo-ortografico-ate-2015-1535754?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+PublicoRSS+%28Publico.pt%29

Muito gostaria de saber o que são esses novos “acertos” e a “versão beta”.

Demasiadas vezes têm sido denunciados por ilustres estudiosos da língua portuguesa os erros, as incongruências, os absurdos e as confusões que tem estado a provocar (no Ensino e não só) a aplicação desenfreada e incrítica (para não dizer inconsciente) do AO90.

Bem sei que V. Ex.ª não manda nada no Governo, mas talvez possa ter a amabilidade e a cortesia de me responder à seguinte dúvida:

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