«Vasco Graça Moura defende suspensão do AO90» [Rádio Renascença]

renascenca_logo2Vasco Graça Moura defende a suspensão do acordo ortográfico. É a reacção de uma das vozes mais críticas a esta medida, depois de o governo brasileiro ter anunciado o adiamento da aplicação obrigatória do acordo para Janeiro de 2016.

Em declarações à Renascença, o presidente do Centro Cultural de Belém defende a suspensão do acordo em Portugal e uma renegociação com os restantes países.

“O Brasil vai rever o acordo, portanto é completamente delirante nós ficarmos para trás. Agora vamos ter três grafias: a brasileira actual, a africana, porque Angola mantéma) e muito bem as regras ortográficas que estão em vigor e não as do acordo, e a portuguesa, que é uma coisa sem pés nem cabeça”, critica Vasco Graça Moura.

“Penso que vai ter de acontecer forçosamente a suspensão da resolução do conselho de ministros de 2009b) e que se volte a permitir a forma, negociando entretanto a revisão do acordoc) com os outros países”, defende.

As críticas reiteradas de Vasco Graça Moura ao acordo ortográfico no dia depois de o Governo brasileiro anunciou o adiamento da aplicação obrigatória da medida até Janeiro de 2016.

[Transcrição integral de notícia da Rádio Renascença, 29.12.12 (com áudio). “Links” adicionados por nós.]

a) Moçambique também não adoptou o AO90. Apenas foi aprovada em Junho passado, pelo Conselho de Ministros, uma proposta de ratificação.
b) Trata-se da RCM 8/2011. De 2011 e não de 2009, portanto, como certamente por lapso foi dito.
c) Nos termos da Convenção de Viena o texto de um Tratado internacional não pode ser alterado.

[Nota: este “post” foi apagado pelo “host” do domínio (WebHS), tendo sido depois recuperado/recomposto e republicado por nós. Qualquer comentário ao mesmo desapareceu também neste “apagão” inopinado, pelo qual não somos nem fomos responsáveis. De qualquer forma, mesmo sendo alheios ao sucedido, aqui ficam as nossas desculpas.]

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Brasil adia AO90 para 1 de Janeiro de 2016

governo_federal_do_brasil1DECRETO No 7.875, DE 27 DE DEZEMBRO DE 2012

Altera o Decreto no 6.583, de 29 de setembro de 2008, que promulga o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, caput, inciso IV, da Constituição, D E C R E T A :

Art. 1o O Decreto no 6.583, de 29 de setembro de 2008, passa a vigorar com as seguintes alterações:

“Art. 2o ………………………………………………………………………..
Parágrafo único. A implementação do Acordo obedecerá ao período de transição de 1o de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2015, durante o qual coexistirão a norma ortográfica atualmente em vigor e a nova norma estabelecida.” (NR)

Art. 2o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 27 de dezembro de 2012; 191º da Independência e 124º da República.

DILMA ROUSSEFF

[Transcrição integral de decreto publicado no “Diário da União” (órgão oficial do Governo brasileiro) de 28.12.12.]

[Nota: este “post” foi apagado pelo “host” do domínio (WebHS), tendo sido depois recuperado/recomposto e republicado por nós. Qualquer comentário ao mesmo desapareceu também neste “apagão” inopinado, pelo qual não somos nem fomos responsáveis. De qualquer forma, mesmo sendo alheios ao sucedido, aqui ficam as nossas desculpas.]

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«Processo Retro-ortográfico Sem Curso» [Octávio dos Santos, PÚBLICO, 26.12.2012]

artigo Octávio[…]

… O maior dos quais é, obviamente, o denominado “Acordo Ortográfico de 1990”. Seria de perguntar a todas as centenas, a todos os milhares que grita(ra)m nas ruas contra as decisões do actual Governo se também… escrevem contra a (continuação da) aplicação do AO90 — uma decisão específica, concreta, daquele. Seria de perguntar a todos aqueles que, sem qualquer noção do ridículo de que se cobrem, se insurgem contra a (eventual) privatização da RTP e/ou alienação de um dos seus canais, classificando tais hipóteses como “inconstitucionais” ou “sem igual em toda a Europa”, se não consideram igualmente, e mais ainda, contra a constituição — a da “República Portuguesa” ou qualquer outra — e indigna de uma nação do Velho Continente a alteração leviana de algo tão básico na identidade, na estrutura, na actividade de um país como o é a ortografia, alteração essa que se traduz num autêntico “Processo Retro-ortográfico Sem Curso”.

Enfim, é de perguntar a todos aqueles que sugerem, ou acusam mesmo, os actuais governantes de serem “fascistas” e que os ameaçam com hipotéticos golpes militares, se: antes de mais, sabem ou se lembram como é que era, e o que implicava, o verdadeiro fascismo, mais concretamente a sua versão portuguesa salazarista-marcelista; e se eles próprios exercem o mais básico acto de antifascismo que é… não escrever segundo o “aborto pornortográfico”. Que é, mesmo, neofascista e neocolonialista; os seus criadores, os seus proponentes e defensores são, mesmo, neofascistas e neo-colonialistas. Quem tem dúvidas pode dissipá-las ouvindo Fernando Cristóvão numa entrevista concedida em 2008, que esclarece o que pensam os “acordistas” sobre o processo legislativo num regime democrático — em que, supostamente, as leis não são dogmas nem mandamentos, e, logo, são alteráveis e revogáveis — e a independência, a soberania — cultural e não só—dos países africanos de língua oficial portuguesa: “(…) Porque é que Angola também não há de ter uma ortografia diferente? E porque é que Moçambique qualquer dia não…? E a Guiné, lá por ser pequenina, não há de ter uma ortografia? Onde é que nós vamos parar? (…) O acordo tem de se fazer porque nós temos duas ortografias, não podemos continuar assim, e a continuar assim qualquer dia temos cinco ou seis. Qual é a língua que resiste a tanta ortografia? [O Francês, que tem 15, e o Inglês, que tem 18!] (…) Confesso que, perante a urgência de haver uma ortografia unificada, eu não entendo como é que há tanta teimosia em querer emendar uma coisa que ainda por cima é uma lei. (…)”

Depois disto, ainda acreditam em “25 de Abril sempre?” E escrevem “Abril” com “A” maiúsculo ou minúsculo?

Octávio dos Santos

[Transcrição parcial de artigo de opinião da autoria de Octávio dos Santos. In “Público” de 26.12.12. “Link” não disponível.]

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«Dilma, rasgue o acordo ortográfico» [JP Coutinho, rádio Folha (Brasil)]

DE LISBOA

Como falante e escritor da língua portuguesa, o colunista da “Ilustrada” João Pereira Coutinho pede à presidente Dilma Rousseff que rasgue o novo acordo ortográfico. Para ele, esse acordo é fruto do deslumbre de alguns acadêmicos. Se os povos de língua castelhana ou os povos anglosaxofônicos não necessitam de um acordo ortográfico para nada, é ridículo que se imponha à língua portuguesa uma uniformização artificial.

 

 
Leia mais em: http://noticias.bol.uol.com.br/brasil/2012/12/25/joao-pereira-coutinho-dilma-rasgue-o-acordo-ortografico.jhtm

[transcrição]
«Foi notícia em Portugal a intenção do governo brasileiro de adiar para 2016 a entrada em vigor do acordo ortográfico. E foi notícia por uma razão básica: é que desde Janeiro deste ano de 2012 que o acordo já vigora oficialmente em Portugal, nas escolas públicas e nos documentos oficiais. Será que o Brasil se prepara para deixar Portugal sozinho na vigência do acordo? Esta pergunta adquire outra relevância quando se sabe que o adiamento no Brasil pode ir até 2018, sem falar dos que defendem, também no Brasil, a elaboração de um novo acordo. Pessoalmente, como falante e escritor da Língua portuguesa, a única coisa que eu esperava da Presidente Dilma Rousseff é que ela rasgasse o acordo; mais importante do que adiar um acordo é rasgar um acordo que ninguém pediu que não faz qualquer falta à Língua portuguesa. Em primeiro lugar, o acordo é o típico produto de académicos deslumbrados que acreditam que a Língua lhes pertence por direito divino. Acontece que a Língua não é propriedade de nenhuma comissão de sábios. A Língua portuguesa pertence a milhões de seres humanos nos quatro cantos do mundo e as variações fonéticas ou lexicais ou sintácticas, longe de serem um prejuízo para a Língua, são pelo contrário a expressão da sua vitalidade e da sua pluralidade. Se os povos de língua castelhana ou os povos anglo-saxónicos não precisam de um acordo ortográfico para nada, é no mínimo ridículo tentar impor à língua portuguesa uma uniformização totalmente artificial. E artificial porque o Português escrito não pode ser, como pretendem os defensores do acordo, uma mera transcrição fonética ou de pronúncia. Existem marcas etimológicas em certas palavras que fazem parte de uma Língua, de um povo, de uma História, de uma pronúncia; sem esta particular sensibilidade para as sensibilidades particulares de cada falante da Língua o acordo não passa de um documento autoritário. Por isso digo com todas as letras: Senhora Presidente Dilma Rousseff, faça um favor à Língua portuguesa e enterre, de uma vez por todas, a loucura do acordo ortográfico. Pode ser assim que Portugal siga o bom exemplo do Brasil e deixe a Língua portuguesa em paz. João Pereira Coutinho, colunista da “Ilustrada”, de Lisboa para a “rádio Folha”.»
[/transcrição]

Transcrição feita por ILC AO90. Copie e cole à vontade mas não se “esqueça” de citar a origem do trabalho.

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Óptimo Natal, espectacular Ano Novo!

PBnatal2012

[Composição de Paula Blank]

[Imagem de fundo retirada do “site” Free Vectors Daily.]

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