Audições GT AO90 (1): deputado Michael Seufert

logoCECC

(“click” no botão para ouvir)

Transcrição de intervenção do deputado Michael Seufert na audiência de 14.02.13 no Grupo de Trabalho parlamentar sobre o AO90.

«Começou-se aqui com o Sr. engenheiro citando Passos Manuel, dizendo que a discussão é para… para… tem de ter alguma utilidade, vá lá, isso é evidente e é para isso que estamos aqui, mas sobretudo para ouvir, eu diria, porque as matérias da aplicação, que é essas que nós estamos aqui a estudar, a analisar, do AO, levantam algumas emoções, levantam a própria questão da legitimidade ou não do acordo em si, de 90, da sua aplicação. Depois nas formas, como aqui também foi explicitado, nos vários países, dos protocolos modificativos também e, portanto, são matérias que nós ouvimos muitos argumentos e bons argumentos de todos os lados, eu diria que não há, ou se houvesse, argumentos definitivos nós não teríamos tanta dificuldade como aquela que eu pelo menos sinto que estamos a ter em analisar estas questões.

Continue reading

Share

Link permanente para este artigo: https://ilcao.com/2013/02/25/audicoes-gt-ao90-1-deputado-michael-seufert/

«Acordo? Qual acordo? Há quatro!» [João Roque Dias (áudio), GT AO90]

logoCECC

Excerto da intervenção de João Roque Dias na audiência concedida pelo Grupo de Trabalho parlamentar sobre o AO90 em 21 de Fevereiro de 2013.

Esta gravação é parte da que foi disponibilizada pelos serviços parlamentares e que pode ser ouvida na íntegra através da página daquela audiência específica, no “site” da A.R.

Share

Link permanente para este artigo: https://ilcao.com/2013/02/24/acordo-qual-acordo-ha-quatro-joao-roque-dias-audio-gt-ao90/

«AO90: Um atentado […]» [Luis Canau, GT AO90]

GTao90forumlogo

Exmas. Senhoras Deputadas,
Exmos. Senhores Deputados,

Gostaria de principiar por agradecer a oportunidade que é dada aos cidadãos de se pronunciarem sobre a aplicação em Portugal do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990. Para melhor clareza na leitura, optei por juntar o meu contributo num anexo em formato pdf.

Penso que estes fóruns serviriam melhor o propósito para os quais foram criados com alguma espécie de autenticação dos participantes, para evitar múltiplos contributos pelas mesmas pessoas que vêem o fórum como uma espécie de votação, onde o que parece contar é o número de entradas que apoiem a sua posição.

Assim, contributos que correspondem realmente a uma posição pessoal, sejam pró ou contra a matéria em debate, perdem-se no meio de citações de artigos de jornais, recados, “bocas” e comentários com pouca ou nenhuma relevância para a discussão.

Aparentemente, nada me impede de, por exemplo, seleccionar 200 artigos de jornal e criar uma entrada para cada um, mas opto por colocar apenas o meu contributo pessoal, o qual deixo à vossa consideração.

Com os melhores cumprimentos,

Luis Canau

[Transcrição integral de entrada, da autoria de Luis Canau, no “fórum” do Grupo de Trabalho parlamentar sobre o AO90.]

Share

Link permanente para este artigo: https://ilcao.com/2013/02/23/ao90-um-atentado-luis-canau-gt-ao90/

«A inutilidade do acordo» [Isabel C. Monteiro, GT AO90]

tshirt-300x258Congratulando-me pela constituição do Grupo de Trabalho para Acompanhamento da Aplicação do Acordo Ortográfico de 1990, não quis deixar de dar o meu modesto contributo quanto à questão em apreço, esperando que este e todos os demais contributos endereçados a este Grupo de Trabalho não venham a ser ignorados, como tem vindo a acontecer.

De facto, o Estado Português ignorou (desde 1986!) TODOS os pareceres negativos das instituições qualificadas e autoritárias na matéria, além das opiniões de inúmeros cidadãos que recusaram ver alterada por decreto a sua língua materna. Tudo isso foi simplesmente ignorado, mas o Estado Português não se furtou a assinar um acordo, em cujo preâmbulo se afirma, sem escrúpulos: «(…) Considerando que o texto do Acordo que ora se aprova resulta de um aprofundado debate nos países signatários: (…)»

Assim, passo a expor em breves linhas, e de acordo com a estrutura recomendada no Anexo fornecido na página relevante do sítio deste Grupo de Trabalho na Internet, aquilo que me parece ser nefasto não apenas na aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90), mas também na própria existência deste ou qualquer outro acordo ortográfico da língua portuguesa.

Se não foram bem sucedidas as duas anteriores tentativas de uniformização da língua portuguesa nos países de expressão oficial portuguesa – a Reforma Ortográfica de 1911, a que o Brasil aderiu em 1915 (sem propostas de alteração) para logo revogar em 1919, e a Convenção Ortográfica Luso-Brasileira de 1945 (ou Acordo Ortográfico de 1945), assinada em Lisboa a 6 de Outubro pela Academia de Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras e revogada no Brasil DEZ anos mais tarde (1955) – por que razão alcançaria o Acordo Ortográfico de 1990 um êxito que os dois documentos anteriores não lograram colher, apesar das muitas incongruências de que padece? Como diz o AO90 na sua Nota Explicativa (Anexo II), o Acordo de 1945 «…propunha uma unificação ortográfica absoluta que rondava os 100% do vocabulário geral da língua.»

Para quê, então, um novo acordo? A mesma Nota Explicativa aponta as consoantes “mudas” como obstáculo à aceitação do AO45 pelo Brasil. Ora, se foi o Brasil que se afastou, em 1919, teimando em não aceitar as ditas consoantes, porque deve Portugal agora alterar a sua ortografia? Anda o Estado Português a reboque dos caprichos do Brasil? Sem sequer ter em conta as diferenças de pronúncia entre os dois países? E porquê?

Continue reading

Share

Link permanente para este artigo: https://ilcao.com/2013/02/22/a-inutilidade-do-acordo-isabel-c-monteiro-gt-ao90/

Sinto-me como se me estivessem a tramar pelas costas [Paula Blank]

Durante uma procura pela tradução oficial para português da peça shakespeariana ‘Hamlet’, de modo a poder transcrever correctamente a famosa frase de Marcellus, “Something is rotten in the state of Denmark” para uma publicação no Facebook, encontrei a página do Plano Nacional de Leitura. Quando comecei a ler a versão da peça que lá está alojada, franzi o sobrolho ao verificar (achava eu) que já teria sido convertida para a nova ortografia. Respirei fundo e iniciei corajosamente a procura pelo termo “Dinamarca”. De repente, passa-me um “súdito” pelos olhos. Voltei ao início do documento e qual não é o meu espanto, a personagem Polónio era Polônio. Não quis ver mais nada, porque já o estômago se me embrulhava ao perceber que, no plano nacional de leitura de Portugal se encontra uma tradução para português do Brasil da peça Hamlet.

Há verdadeiramente algo de muito podre no estado da ‘Dinamarca’, muita leviandade e incompetência ou propósitos muito mais funestos. Tendo a acreditar na segunda hipótese.

Mandei-lhes uma mensagem por correio electrónico que, até agora, não teve resposta, e que passo a transcrever:
_________________________________________________________
From: Paula Blank 21 February 2013 10:20
To: lermais@planonacionaldeleitura.gov.pt
Bcc: ilcao@cedilha.net

Exmos Senhores,

Estou de tal forma chocada com a descoberta que acabo de fazer, enquanto procurava uma tradução para português da peça Hamlet, que me limito a estas perguntas:

Como é possível que, no plano nacional de leitura, para Portugal, conste uma tradução para português do Brasil? Com nomes como “Polônio”, e grafias como “súdito”?

Não há traduções para português de Portugal?!

É o destino da língua portuguesa, como a conhecemos, a total e absoluta aniquilação em favor da versão brasileira?

(Link para versão brasileira de Hamlet no site do PNL)

Paula Blank
_________________________________________________________

Neste momento, creio que a resposta à minha terceira pergunta é um redondo e retumbante SIM. E eu não me lembro de algum dia ter dado o meu aval a nenhum governo para alienar aquilo que é meu como cidadã portuguesa. Mas é isso que estão a fazer, pela calada, nas nossas costas, à nossa revelia. Vivemos dias de golpe de estado – mas ao contrário.

(Nota: não se coloca de todo em questão a qualidade da tradução)
suditos
[Imagem retirada do ficheiro PDF no “site” do “Plano Nacional de Leitura“.]

Share

Link permanente para este artigo: https://ilcao.com/2013/02/22/sinto-me-como-se-me-estivessem-a-tramar-pelas-costas/