Resposta a Gabriela Canavilhas
Exma. senhora deputada, Gabriela Canavilhas,
Sem o respeito que me não merece no exercício das suas funções, mas com o respeito que me merece como ser humano que é, permita que clarifique alguma confusão que V. Exa faz sobre a língua que ambas usamos.
Ponto nº um: a identidade da nação não se resume ao hino e à bandeira, ela faz-se principalmente pela língua. Ninguém emigra ou viaja com uma bandeira nacional a tiracolo, ou a trautear o hino a cada hora, mas todos somos identificados assim que abrimos a boca. Penso que não é difícil para si concordar comigo. Era isto que o grande Fernando Pessoa – concordamos no adjectivo – difundia quando disse, “a minha pátria é a língua portuguesa.”
Ponto nº 2: a unicidade da língua só é possível nos países que partilham o mesmo idioma e um idioma faz-se pela palavra escrita e falada. Ora, o Brasil não fala nem escreve o nosso português, ao contrário dos restantes países da CPLP. E, por incrível que lhe pareça, acrescento que por opção própria, do Brasil, dado nunca terem implementado as várias reformas ortográficas, criando a desvinculação, que V. Exa tanto parece temer, à nossa norma. Ora, diz o bom-senso e a inteligência que a unicidade só se consegue em algo que nos é próximo, nunca no que é dissemelhante, e se a maioria dos países da CPLP – com a única excepção do Brasil – escrevem o Português de Portugal, estamos a unificar o quê ou com quem?
Mar 03 2013
«Filólogos por inerência de cargo?» [Graça Maciel Costa, “blog” Inflorescências]
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Mar 03 2013
«Importantíssima questão identitária» [Isabel Buescu, mensagem]
—-Mensagem original—–
De: anabuescu
Enviada: sexta-feira, 1 de Março de 2013 11:35
Para: ‘Tânia Duarte’
Assunto: RE: Blogue Europa – Parceria de Colaboração Representação Comissão Europeia em PortugalCara Drª Tânia,
Agradeço a sua mensagem, que li com toda a atenção. Enquanto professora da FCSH, instituição de produção e irradiação de cultura e conhecimentos, e enquanto cidadã deste país, não posso colaborar nem prestar qualquer apoio a um projecto ou “ferramenta”, como diz, que adere, para ser mais “moderno”, ao “Acordo” Ortográfico, que, como tantos linguistas e pessoas de cultura previram, veio lançar o caos ortográfico e uma verdadeira desortografia da língua.
Num país tradicionalmente pouco alfabetizado, este caos é a machadada final que, pelos vistos, não a fez pensar no verdadeiro alcance dessa decisão. Se é um projecto europeu, então escrevamos, com orgulho e sem complexos, em Português Europeu, e não numa “mixórdia” como é o “acordês”.
A minha contribuição é a seguinte:
1. Sou de há muito uma opositora total do “Acordo” Ortográfico que desfigurou, a um ponto irreversível, a Língua Portuguesa. Como dizia o conde de Vimioso no século XVII, nas suas Sentenças, “a ignorância gera monstros”. Foi isso que, infelizmente, aconteceu.
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Mar 02 2013
«A propósito do AO – Depoimento» [Maria do Carmo Vieira, GT AO90]
A qualidade do Ensino, e no caso específico da Língua Portuguesa, depende em muito da competência dos professores, o que significa estudo contínuo, espírito crítico, gosto pela matéria leccionada, conhecimentos de Pedagogia, em suma, que um professor seja um advogado à altura, lembrando palavras de Séneca.
Esta breve introdução serve para evidenciar que vivemos num mundo às avessas no que aos aspectos descritos diz respeito. Com efeito, são os professores obrigados a esquecer o que lhes foi ensinado e o que estudaram, sendo igualmente convidados a silenciar o seu espírito crítico, a sua experiência de anos de trabalho e os resultados obtidos pelos seus alunos, em nome de uma mudança transformada em dogma.
Os professores, seja qual for o seu nível de ensino, muitas vezes sob a ameaça de processo disciplinar, são forçados a obedecer:
1. A programas esvaziados de conteúdos, na sua maioria, de uma mediocridade confrangedora, devido a uma elaboração pouco cuidada e à ausência de um fio condutor que lhes dê sentido, e todos eles, sem excepção, centrados na estafada designação do «funcional», do «utilitário» e «do mundo real», numa tentativa de responder aos (pseudo) interesses dos alunos;
2. A uma Terminologia Linguística que constitui um «disparate»1, uma aventura que pretendeu substituir a Gramática tradicional, aquela cujas normas, na verdade, seria imperioso interiorizar e dominar. Ao contrário da Gramática que ensina a lógica da língua e a explica com clareza, e permite uma reflexão tranquila sobre a língua, a TLEBS, a tal terminologia linguística que avassalou o Ensino, do Básico ao Secundário, disseca-a impiedosamente, numa exaustiva e doentia obsessão descritiva em que abundam «palavrões»2 para extasiar os que não sabem Gramática, substituindo a clareza pela confusão e pelo caos. A TLEBS, diz-se, surgiu para «levar os alunos a reflectir sobre a língua», quando mais não faz que massacrar professores e alunos e anular o estudo basilar da Gramática;
3. Ao Acordo Ortográfico, ponto a que dedicarei obviamente mais espaço, e cuja Nota Explicativa espelha para qualquer um a brincadeira de mau gosto que constituiu a sua feitura. Com efeito, lendo-a, o que a maioria das pessoas não fez, nem tão pouco os deputados (na sua maioria) da Assembleia da República que, desconhecendo a matéria em causa não o souberam discutir (veja-se o conteúdo das actas), nem tiveram a preocupação de ouvir estudiosos creditados pelo seu trabalho.De uma forma leviana impôs-se este AO aos portugueses, na mais completa falta de respeito pela sua reacção, nomeadamente através de uma petição com milhares de assinaturas, e pela argumentação, até agora não contrariada, de autores de reconhecida competência linguística que em livros e em artigos sobre ele se pronunciaram. Como professora de Português devo igualmente registar o parecer da própria Direcção-Geral dos Ensinos Básico e Secundário que, a par de tantos outros, foi silenciada e esquecida numa qualquer gaveta: «Há acordos assináveis, sem grandes problemas e há outros que são de não assinar. O acordo recentemente assinado tem pontos que merecem séria contestação e é, frequentemente, uma simples consagração de desacordos.»
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Mar 02 2013
Voluntariado (10)
Não sendo possível fazê-lo individualmente, aqui fica a 10.ª relação (ver as anteriores AQUI), à laia de homenagem ao esforço de todos e de cada um, de algumas das subscrições recolhidas por voluntários. Nesta relação – bem como nas anteriores – não se incluem, como é evidente, as de proveniência sob total anonimato de quem as recolheu e enviou. Caso tenha falhado alguma referência, é favor avisarem-nos por email.
Por questões de reserva de privacidade e de protecção da identidade, os nomes são referidos apenas pelas respectivas iniciais e localidade do remetente, indicando-se o total de assinaturas conseguidas por cada qual.
U.S.O. (entidade), Oeiras, 3+5+5=13
M.P.T, Vila do Paço, 73
A.I.C, Faro, 14
M.J.A., Lagos, 27+18=45
M.E., S. Domingos de Rana, 10
A.I.B., Lisboa, 9+8+16+12=45
M.R.C., Portela de Sacavém, 8
P.R.C., Lisboa, 8 (v.e.)
A.A., Carcavelos, 8+4=12
J.R., Zambujal, 8 (v.e.)
A.E.S., Porto, 10
H.C., Setúbal, 10 (v.e.)
M.F.M. (FCSH), Lisboa, 9
J.M.S., Alfragide, 11+9=20
M.A.L., Alfragide, 8
A.S.T., Lisboa, 23
R.S., Serpa, 21
T.G.G., Salir (Loulé), 5+8=13
F.M.M., Setúbal, 9
G.M.C., Almada, 10
Bravo!
A Língua Portuguesa agradece.
O mínimo considerado tem sido geralmente de 8 assinaturas por voluntário.
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