Se o AO90 altera a pronúncia? Claro que sim!

Todos sabemos, até porque já o vamos ouvindo sistematicamente, na rádio e na TV, que de facto o AO90 afecta (e de que maneira!) a leitura. O que agora se comprova, com este trabalho, é isso mesmo, pegando num  “exemplo” electrónico, por assim dizer: se, como dizem acordistas, o “acordo” não interfere no modo como se lê, então vejamos como o lê um sintetizador de voz.

Dirão alguns, mais virados para estas coisas da programação, que “ah, e tal, mas isso corrige-se”, ou seja, que bastaria porventura alterar o programa (incluindo especificidades do algoritmo com as novas “regras”) para a leitura se adaptar melhor ao que lá está agora, à escrita em Português estropiado.

Ah, sim? Mas não. Poderia ficar um pouquinho melhor, o programa a que obedece o sintetizador, mas não inteiramente, pelo simples motivo de que não é possível estabelecer regras em programação quando elas não existem (sólidas, coerentes, sem excepções ou facultatividades) no objecto que se programa. Uma coisa é “treinar” um programa “speech to text” (voz para texto), outra totalmente diferente é (tentar) fazê-lo pela inversa, com “text to speech” (texto para voz).

Oiçamos então o que tem a dizer “nossa” Madalena quanto a isto.

 

 

Ideia original, redacção do texto e gravação áudio por João Ricardo Rosa.

Montagem vídeo de ILC AO.

Esta montagem vídeo resulta de um trabalho original, anteriormente aqui publicado, com gravações das leituras por sintetizador em duas “vozes”, uma brasileira e outra portuguesa. Caso prefira ler o texto “corrido” e ouvir também a versão brasileira, “click” AQUI.

[Se usa o “Chrome” e caso necessite ainda de instalar uma extensão para ver “filmes” em formato WMV, siga as instruções desta página:
http://www.interoperabilitybridges.com/wmp-extension-for-chrome
O mesmo para o caso de usar Firefox:
https://support.mozilla.org/en-US/kb/play-windows-media-files-in-firefox]

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«Para os meus amigos acordistas» (parte I) [RV, “Diário de Coimbra”, 03.02.14]

dc_03022014Quando descobrem a minha aversão ao Acordo Ortográfico (AO90) alguns amigos espantam-se: “És contra o Acordo?!? Mas… a Língua tem de evoluir, não achas?”

Nesta pequena frase, muitas vezes dita com sincera simplicidade, traduz-se o enorme equívoco que constitui o AO90 — parte-se do princípio de que a norma ortográfica pode espartilhar a evolução de uma Língua, ou mesmo impedi-la por completo, ao mesmo tempo que se assume o AO90 como uma “evolução”. Ora, infelizmente para quem defende o Acordo, estas premissas estão erradas.

Veja-se, por exemplo, o Dicionário do Círculo de Leitores, na sua edição de 1985, onde faltam palavras como “telemóvel”, “internet” ou “bué”. Não foi preciso um acordo para as integrar, tal como também não será preciso um para os dicionários actuais incluirem “googlar” ou “selfie”.

Por outro lado, o AO90 é tudo menos uma evolução da Língua. A alteração da grafia de uma simples palavra devia limitar-se a fixar no papel, a posteriori, aquilo que fosse sendo consagrado pelo uso comum ou pela mão daqueles que melhor conhecem a Língua — os escritores. Com o AO acontece o inverso: milhares de palavras são alteradas por um acordo que não o é, ao sabor de critérios incoerentes. Em muitos casos as alterações impostas, além de serem um atentado à nossa identidade e fonte de um enorme caos ortográfico, acabam por alterar a própria pronúncia das palavras, pervertendo completamente o sentido da relação entre uma Língua e a sua norma escrita.

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A política linguística do Brasil [um estudo de Jacques Leclerc (Canadá)]

museulinguaportuguesa

[Museu da Língua Portuguesa, S. Paulo – Brasil]
Já aqui reproduzimos alguns conteúdos, tanto em texto como em áudio, que reflectem a visão que têm os estrangeiros em geral e os francófonos ou anglófonos em particular sobre o “acordo ortográfico” da Língua Portuguesa.

O que se segue é um conjunto de excertos (citações) de um estudo, da autoria de Jacques Leclerc, linguista canadiano, precisamente sobre a “política linguística do Brasil” — o que tem obviamente tudo a ver com o AO90.

Para ler em Português, coloque o “pointer” do seu “rato” em cima de cada parágrafo e verá o respectivo texto traduzido.

La politique linguistique à l’égard du portugais concerne deux grands volets: d’une part, le statut de la langue portugaise au Brésil, notamment en éducation et, d’autre part, le code linguistique lui-même, c’est-à-dire le portugais en tant qu’instrument de communication, que ce soit à l’échelle nationale ou internationale. (…)

L’activité brésilienne sur le code linguistique

La Constitution de 1988 (modifiée en 1994) proclame, dans son article 13, le statut officiel de la langue portugaise:

«Artigo 13
A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil.»
Une pareille déclaration dans d’autres pays s’avérerait inutile dans la mesure où la très grande majorité de la population parle la langue officielle comme langue maternelle. Mais il existe près de 200 langues au Brésil, dont 170 langues autochtones et une trentaine de langues immigrantes. Cette disposition sur la langue officielle était absente dans la version de 1988; elle n’est apparue qu’en 1994 lors des modifications constitutionnelles. Manifestement, le législateur a voulu, par cette disposition, renforcer le caractère identitaire du Brésil. Cela dit, toute la vie politique, culturelle, scolaire, économique, etc., se déroule massivement en portugais (brésilien), bien que, comme nous le verrons, l’influence de la langue anglo-américaine pèse d’un poids de plus en plus lourd sur la vie économique et, par voie de conséquence, sur la langue nationale.  

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Ainda estamos aqui!

homenagemVGMDecorridos quase quatro anos desde o lançamento, a 31 de Março de 2010, do texto da Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC) contra o Acordo Ortográfico e do início da recolha de assinaturas, a 8 de Abril desse ano, e apesar de toda a oposição que temos encontrado, por vezes, de “forças ocultas”, ainda estamos aqui!

Por coincidência, ou talvez não, precisamente no dia 31 de Março de 2010, Malaca Casteleiro, responsável pela redacção do AO90 por parte de Portugal, declarou à Lusa: «No prazo máximo de dois anos, todos os países da CPLP terão aplicado o novo Acordo Ortográfico.»

Como é sabido, o vaticínio de Malaca não se concretizou. Nós ainda estamos aqui!

E porque estamos nós aqui? Estamos aqui porque recusamos aceitar o atentado que o Acordo Ortográfico representa contra a nossa identidade enquanto povo soberano, o nosso património cultural, a nossa riquíssima herança histórica.

Estamos aqui porque sabemos que são muitos os portugueses que se sentem legitimamente ultrajados e traídos por um acordo celebrado à sua revelia sobre uma questão que lhes toca e lhes pertence.

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«Perigoso despesismo» [Editorial de “O Diabo” de 28.01.14]

 

1653410_10152208645628919_508115685_n(“click” na imagem para a ampliar)

Imagem da página Facebook de Duarte Branquinho.

 

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