Dia Internacional da Língua Materna. Debate em Cascais, 21.02.14

Reportagem vídeo realizada pelo “Canal C Cascais” sobre um debate realizado na Biblioteca Municipal de Cascais em 21 de Fevereiro de 2014.

Vale esta divulgação apenas pela presença e, principalmente, pelas intervenções de Nuno Pacheco, Director-Adjunto do jornal “Público”. Apesar de estar em minoria no painel de oradores (na proporção de 3 para 1, o que é uma inversão total da realidade nacional), a Nuno Pacheco coube a defesa da Causa anti-acordista, no que plenamente cumpriu, é claro, com as suas já proverbiais convicção e rigor, desmontando com mestria as falácias acordistas do costume.

Nota: os títulos desta reportagem do Canal C e a correspondente notícia no “site” da CMC foram redigidos em acordês pelos responsáveis respectivos.

Share

Link permanente para este artigo: https://ilcao.com/2014/02/22/dia-internacional-da-lingua-materna-debate-em-cascais-21-02-14/

«Adriano Moreira contra acordo ortográfico» [Adriano Moreira, “Renascença”, 20.02.14]

renascenca_logo2

“A língua não obedece a tratados”, diz o antigo presidente da Academia das Ciências de Lisboa, que abriu o festival literário Correntes d’Escritas.

 

Adriano Moreira defende que a língua portuguesa não precisa de um acordo ortográfico. O professor universitário considera que, tal como o inglês, o francês e o espanhol, os países falantes de português não precisam de um tratado.

“A língua não obedece a tratados, é melhor fazer declarações orientadoras que, a pouco e pouco, vão consagrando a evolução da língua – no meu tempo houve algumas e sem tratados – do que fazer tratados. Estamos todos atentos à língua, mas não pensamos dar ordens à língua. Um tratado é uma lei obrigatória”, afirmou aos jornalistas presentes no festival literário Correntes d’Escritas, na Póvoa de Varzim.

[Transcrição parcial de notícia da “Rádio Renascença” emitida em 20.02.14. Gravação áudio na página da notícia RR.]

Share

Link permanente para este artigo: https://ilcao.com/2014/02/21/adriano-moreira-contra-acordo-ortografico-adriano-moreira-renascenca-20-02-14/

«No Dia Internacional da Língua Materna»… [Teresa Cadete, “Público”, 21.02.14]

fotoTS

No Dia Internacional da Língua Materna: o sustentável peso da língua, casa comum

Quem passar pelas bandas da Cidade Universitária, por exemplo para se dirigir à zona das piscinas ou à Faculdade de Ciências contornando pelo poente a Aula Magna e a Faculdade de Letras, deparará com um curioso letreiro adicionado ao conhecido sinal de trânsito proibido: “EXETO UNIVERSIDADE.” Que quererá dizer esta mensagem e a quem se destina ela? Talvez a estudantes inseridos no programa Erasmus ou a professores visitantes, que comunicam nas aulas na língua de Shakespeare e que agradecerão que lhes indiquem uma saída do labiríntico campus ao fim de um dia de aulas? Mesmo com uma letra trocada, em princípio entende-se.

Ou haverá aqui outras razões e significações que toda a razoabilidade desconhece? Coloquemos algumas hipóteses absurdas. Por exemplo: talvez a confecção do letreiro tenha sido entregue a alguém que se excedeu na aplicação do programa Lince, austero depurador das facultatividades previstas no Acordo Ortográfico de 1990, ou, conspirativamente, a alguém empenhado em mostrar a absurdidade de um des-acordo que nunca cessará de dividir a população falante, escrevente e pensante, a menos que seja suspenso por decisão sensata, pragmática e soberana? Ou, ainda e algo simploriamente, terá porventura alguém mais lincesco que o Lince e, em dúvida quanto à pronúncia correcta da palavra EXCEPTO, resolvido cortar empiricamente o C e o P, por assim dizer deitando fora a criança com a água do banho?

Esta foto nada mais faz do que documentar a premente necessidade de dizer: alto e para o baile. Sim senhores, para e não pára. Entremos no baile porque se o quisermos parar até os acordistas serão levados a recorrer ao acento que o Acordo Ortográfico (AO) quer eliminar. Entremos no baile mandado das falácias dos defensores do AO, que têm vindo a desmoronar-se uma por uma mas que persistem em manter uma língua nada-morta e desacreditada no contexto das línguas-irmãs. Não só no âmbito da lusofonia, ela (o “acordês) vê-se ultrapassada pelo brasileiro de circulação ligeira e sensual, que goza de um maior número de falantes.

Continue reading

Share

Link permanente para este artigo: https://ilcao.com/2014/02/21/no-dia-internacional-da-lingua-materna-teresa-cadete-publico-21-02-14/

Um desconto igual à insanidade

vodafoneotica

[Imagem (“print screen”) de página do “site” da Vodafone, tirada às 14:15 horas de 20.02.14.]

priberamoptica1

[Imagem (“print screen”) de página do “site” da Priberam, tirada às 14:16 horas de 20.02.14.]

“Click” nas imagens para as ampliar. Os “links” abrem em nova “página”.

Share

Link permanente para este artigo: https://ilcao.com/2014/02/20/um-desconto-igual-a-insanidade/

«A imaculada concessão» [F.M.V., “Público”, 19.02.14]

Francisco Miguel Valada“[A] bem-aventurada Virgem Maria foi preservada intacta de toda a mancha do pecado original no primeiro instante da sua conceição.”

Pio IX, Bulla Ineffabilis Deus DS 2803, 8 de Dezembro de 1854
 

Em Outubro do ano passado, o astrofísico Neil deGrasse Tyson irritou-se com um pormenor do filme Gravidade. O motivo da fúria foi alguém ter-se lembrado de pôr uma médica (interpretada por Sandra Bullock) a fazer a manutenção do telescópio Hubble, em vez de entregar tal tarefa a um engenheiro especializado quer na correcção de aberrações esféricas da óptica, quer na calibragem de espectrómetros e detectores, quer no estudo da cinemática e da morfologia de objectos astrofísicos compactos (chamo a atenção para a quantidade de consoantes mudas e pronunciadas que tudo isto implica).

Apesar de pontualmente se atrever a um ou outro trocadilho sobre a ortografia inglesa, creio que o novo apresentador da série Cosmos não estará minimamente preocupado com o Acordo Ortográfico de 1990 (AO90). Imaginemos, todavia, que DeGrasse Tyson se interessava pelo processo que deu origem ao caos ortográfico actualmente instalado nas publicações oficiais e no ensino: rapidamente desconfiaria de que se tratava de mais uma obra de ficção escrita pelo argumentista do Gravidade e com repetição da graçola da médica a fazer de engenheiro ou vice-versa (sim, porque no filme há um “vice-versa”).

Uma das preocupações permanentemente ausentes do espírito dos negociadores, promotores e amigos do AO90 tem sido a das consequências na leitura (e não só na escrita) da supressão de diacríticos (consoantes e acentos). Os negociadores, promotores e amigos concentraram-se em – e ficaram-se por – aspectos políticos, como a famigerada “unificação”. Curiosamente, depois de a tese da “ortografia unificada” ter caído, porque é uma falácia do tamanho da Via Láctea, agora há quem se lembre de que a “unificação”, afinal, é das regras, independentemente de uma das consequências dessa “unificação das regras” ser a criação de discrepâncias anteriormente inexistentes.

Continue reading

Share

Link permanente para este artigo: https://ilcao.com/2014/02/19/a-imaculada-concessao-f-m-v-publico-19-02-14/