Um dia em Lisboa

chapeu1Depois de Coimbra e do Porto, chegou a vez de Lisboa. Anteontem (14/07/2014) foi mais um dia de distribuição de impressos (informação e boletim de subscrição da ILC) pelas caixas de correio. Lisboa é uma cidade lindíssima… e enorme. O percurso foi extremamente agradável mas, mesmo ao fim de várias horas, mal conseguimos sair das zonas do Príncipe Real e do Rato.

Não se admire, pois, se não encontrar um boletim na sua caixa de correio. Claro que tem sempre a alternativa de descarregar um impresso aqui. Por outro lado, se encontrou um impresso mas precisa de mais, a solução é também bastante simples: normalmente só deixamos um impresso em cada caixa de correio mas este pode perfeitamente ser fotocopiado. Aliás, basta reproduzir apenas o interior, ou seja, a parte que se preenche. A exposição de motivos pode ser encontrada aqui.

Se quiser levar a cabo uma acção destas na sua cidade, não hesite: contacte-nos. Dar-lhe-emos todas as indicações para que possa organizar com sucesso o seu próprio passeio em prol da Língua Portuguesa.

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“Por Amor à Língua Portuguesa”, novo livro de Fernando Paulo Baptista

Piaget_livro de FPB

«A partir da próxima segunda feira, dia 14 de Julho estará disponível em todas as livrarias do país o melhor e maior ensaio, até agora elaborado, contra o novo Acordo Ortográfico….

Uma obra imperdível escrita por um dos maiores filólogos portugueses o Professor Dr. Fernando Paulo Baptista. Procurem, encomendem, adquiram na vossa Livraria Preferida.»
Edições Piaget (via Facebook)

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«Mostra-me como escreves, dir-te-ei quem és!» [Maria José Abranches, carta ao “Público”]

meuselonAO1Ex.ma Senhora Directora do jornal “Público”,

Começo por lhe manifestar, mais uma vez, a minha admiração e o meu reconhecimento pela inteligência, firmeza, coragem e perseverança com que o “Público” assumiu e inequivocamente mantém a defesa do Português europeu, rejeitando e condenando o “Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa” de 1990.

Esta carta vem a propósito das últimas notícias divulgadas por esse jornal relativamente à adesão da Guiné Equatorial à CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa). Fica desde já a pergunta: o que é que a Guiné Equatorial tem que ver com o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (AO90), um dos fundamentos da Comunidade (ver citação abaixo), congeminado pela Academia Brasileira de Letras e pela Academia das Ciências de Lisboa, na sequência de uma longa ‘guerra’ ortográfica entre académicos de Portugal e do Brasil, com início em 1907, quando o Brasil fez unilateralmente a sua reforma ortográfica?

Partindo da reflexão que me foi sugerida pelo Editorial de 06/07/2014, eu diria que, para a CPLP, uma organização cada vez mais abertamente de “conteúdo económico”, de facto “negócios são negócios”, como em tempos disse o brasileiro Celso Amorim. E o modo como a própria língua portuguesa, bandeira de fachada dessa instituição, tem vindo a ser usada e manipulada, negando a sua autenticidade e diversidade, pela imposição do pretensamente “unificador” AO90, é disso testemunho irrefutável. A propósito, recordemos as delirantes declarações de Pinto Ribeiro, Ministro da Cultura de José Sócrates, em São Paulo, a 10 de Junho de 2008: Façamos mais de duzentos milhões de grandes patriotas cultos e espalhemos pelo mundo esse modelo plural e heterónomo de ser e este modelo de xenofilia, de integração pela língua e pela cultura tolerantes e acolhedoras. (Lusa)

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Comunicado da ABN – Agência Brasileira de Notícias (07.07.14)

abnnews-1logoTranscrevemos abaixo alguns excertos de um comunicado da ABN – Agência Brasileira de Notícias, a propósito do evento que assinalou os “800 anos” da Língua Portuguesa.

O título do comunicado é “Língua Portuguesa completa 800 anos com celebrações longe do Brasil” e data de 7 de Julho de 2014.

MACAU [ ABN NEWS ] — A língua portuguesa celebrou 800 anos de existência no dia 27 de junho. O quarto idioma mais falado do planeta é usado hoje por 244 milhões de pessoas. O nascimento oficial do português coincide com a data da escritura do testamento do Rei Afonso II, a 27 de Junho de 1214.

A data foi devidamente comemorada em todos os países lusófanos [sic], com excessão [sic] do Brasil, hoje mais centrado na promoção do idioma espanhol, uma posição política atrelada ao movimento bolivariano que se tenta implantar na América Latina.

O movimento dos 800 anos da Língua Portuguesa é subscrito pelas mais diversas personalidades nacionais da área da política à escrita, do jornalismo à televisão, da diplomacia à ciência, sempre em português e com apoio nas mais diversas geografias do planeta, com excessão [sic] do Brasil que se mostrou as margens [sic] das comemorações, levado por questões político-ideológicas de seu atual governo federal.

Como se constata, cada um sabe de si. As comemorações poderão ter decorrido longe do Brasil mas o Brasil também está longe das comemorações.

Ler o texto completo aqui.

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«A lei da subserviência e da permissividade» [editorial do “Público” de 06.07.14]

publicoDIRECÇÃO EDITORIAL 06/07/2014 – 00:59

A admissão da Guiné Equatorial na CPLP tem muito a ver com o mísero conceito de diplomacia que temos.

Há dias, com palavras entusiásticas e pretextos nobres, festejaram-se por aí os 800 anos da Língua Portuguesa (um número simbólico e não exacto, já foi dito e redito). Agora, a pretexto dessa mesma língua, vamos assistir a um dos mais vergonhosos actos de submissão que a nossa história já registou: a admissão oficial da Guiné Equatorial na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, vulgo CPLP. Os que se lhe opuseram, fizeram-no brandamente. Era óbvio, pelo correr dos meses e pela insinuação dos interesses, que tal aconteceria, mais tarde ou mais cedo. Brasil e Angola estavam de acordo. E Portugal, conformado à sua inamovível pequenez (honra seja feita aos que, no Governo ou em Belém, tentaram resistir), lá segue atrás, dobrando a espinha a tamanha desfaçatez.

Porque não é possível levantar alto a bandeira da Língua e, de seguida, rojá-la na lama de interesses que lhe são de todo alheios. Esta atitude dúplice tem a ver com o mísero conceito de diplomacia que temos, que é por um lado a diplomacia da concórdia e do apaziguamento e por outro a da subserviência e da permissividade. Que ninguém tenha sido capaz, a plenos pulmões, de dizer “basta” a esta farsa que tem por único objectivo dar um rosto “humano” e “internacionalizável” a uma ditadura que só deveria merecer condenação e desprezo, é deveras sintomático do estado a que chegámos. E que mostra que a partir daqui tudo será válido e que há-de ser possível descer ainda mais baixo.

É fácil antever o cenário. Teodoro Obiang precisa de credibilidade. Arranjou-a como sabe, através de amigos. Estes procuraram outros amigos. O cerco foi montado desde 2002, já lá vai uma boa dúzia de anos, sem que o seu regime tenha dado provas (para lá de pouco consistentes promessas) de reais mudanças. Para os que já estavam dispostos a recebê-lo, tanto fazia. Uns apadrinharam-no logo, outros vieram em sua defesa. Como diz hoje ao PÚBLICO, desassombradamente, Murade Murargy, secretário executivo da CPLP, “ninguém tem a folha limpa, ao fim e ao cabo”. Este argumento vem inquinado pela ideia de uma irresponsável diluição de princípios. Mas também essa tem resposta. Recordemos as declarações do antigo responsável pelas Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, quando Lula apoiou a candidatura de Obiang: “Negócios são negócios”.

Certamente que negócios são negócios, e que a CPLP caminhará (as palavras são ainda de Murargy) no sentido de se tornar uma organização de “conteúdo económico”. Mas isso justifica o branqueamento de actos contra os seus próprios princípios? Há-de haver quem pense que sim, embora o cale. Obiang tem um historial de violação dos direitos humanos? Teodorin, o seu filho, tem um mandado de captura da Interpol sob a acusação de práticas criminosas? E isso que importa?

No meio disto, Portugal move-se a medo. Como se o velho colonizador tivesse, para expiar antigos pecados, de comportar-se como colonizado. Um preço alto, que não nos livra do peso da vergonha. Mudem, ao menos, a sigla para CPNP: Comunidade dos Países dos Negócios Permanentes. Assim ninguém se espantará e podemos, enfim, deixar a Língua Portuguesa em paz.

[Transcrição integral do Editorial do jornal “Público” de 06.07.14. “Links” adicionados por nós.]

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