«ABOMINO o “Acordo”»

[…]

De facto, é como diz: desespera-se ao ver tantos erros… Agora imagine-me no ensino da Língua-pátria a ver exercícios em livros que pedem às “minhas” crianças que “corrijam” textos belíssimos pois “não respeitam o AO90″… Eles estão devidamente esclarecidos (são 150, este ano só do Básico, 7° e 8°), sabendo sobejamente que eu ABOMINO o “Acordo” e não o respeito! Sempre os ensino e ensinarei ao usufruto das suas plenas capacidades cerebrais, ou seja, entre os “meus” não há carneiradas seguidistas, passe o pleonasmo!

Imagino, na minha simplicidade de quem nunca viveu em estado de guerra ou entre inimigos, que será como ter o invasor a percorrer as minhas ruas e a obrigar-me a ler e escrever numa língua de gentios, a DELES! […]

[Transcrição parcial de comentário, da autoria de Maria Oliveira, neste mesmo “site”.]

[Imagem gerada em VistaPrint.]

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«Uma bassula ao Acordo Ortográfico» [“Jornal de Angola”, 25.10.12]

De repente, emudeceram as notícias sobre as análises e discussões institucionais à volta do tão polémico Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (AO), consideradas, mais do ponto de vista político que académico, como da maior importância para a promoção e difusão do Português no Mundo.

O assunto, aparentemente adormecido, parece ter fugido da agenda de prioridades da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), já que o mesmo acabou por não ser retomado na última Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo em Maputo, após os Ministros da Educação da CPLP, em Luanda, por determinação do Conselho de Ministros desta organização internacional, terem concluído, três meses antes, através da Declaração de Luanda, o seguinte:
“A aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 no processo de ensino e aprendizagem revelou a existência de constrangimentos”, pelo que os Ministros da Educação decidiram proceder a um diagnóstico relativo aos constrangimentos e estrangulamentos na aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 e a “acções conducentes à apresentação de uma proposta de ajustamento do Acordo Ortográfico de 1990, na sequência da apresentação do referido diagnóstico”.

Não havendo qualquer cronograma que estabeleça o início e o término para a realização do diagnóstico e não tendo, posteriormente, o Conselho de Ministros e a Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, em Maputo, retomado a questão do Acordo Ortográfico nas suas agendas de trabalho, esta polémica questão deixou de ser prioritária e retira qualquer pressão política sobre os países que não o ratificaram ou, mesmo que o tenham feito, ainda não o tenham posto em prática.

Em 15 de Setembro último, tudo se complicou com a posição da Associação Internacional de Escritores (PEN Internacional), ao aprovar, no seu 78º Congresso anual, realizado este ano em Gyeongju (Coreia do Sul), uma Resolução do Comité de Tradução e Direitos Linguísticos, em que o mesmo expressa preocupações quanto ao Acordo Ortográfico de 1990. Os 87 centros presentes, de um total de 144 em mais de 100 países, consideraram o Acordo Ortográfico “um problema complexo”, manifestaram, segundo o PEN Clube Português, evidente preocupação pela ameaça que o mesmo constitui para a própria Língua Portuguesa e expressaram a sua “incredulidade” ao interrogarem-se “como se teria chegado a tal situação”. Também refere a Resolução aprovada pelo PEN Internacional que “os tradutores que, em princípio, não pretendam seguir o Acordo Ortográfico de 1990, se vêem submetidos às imposições administrativas e comerciais”.

Na apresentação do tema, na Coreia do Sul, a presidente do PEN Clube Português, Teresa Salema, manifestou a “preocupação pela situação com que um número crescente de escritores e tradutores se vê confrontado”, nomeadamente pelo facto de muitos não se identificarem com o Acordo Ortográfico de 1990 ou “de deixarem que os seus textos sejam convertidos para uma ortografia que lhes é alheia ou de não verem as suas obras publicadas”.

O PEN Internacional, organização não governamental de escritores de diferentes géneros literários, poetas, novelistas e também jornalistas e historiadores, foi fundado em Londres em 1921, com o objectivo de promover a liberdade de expressão, difundir o papel da literatura na cultura mundial e incentivar a amizade e a cooperação intelectual entre seus membros a nível planetário. É a mais antiga entidade do mundo, criada em defesa da promoção dos direitos humanos e é, também, a mais antiga associação literária de carácter mundial.

Esta Resolução, aprovada por unanimidade, não deixa de ser preocupante para a CPLP, que se rege por princípios assentes no primado dos direitos humanos e é uma organização institucionalizada em redor de uma forte componente cultural, que é a própria Língua Portuguesa. Se, por um lado, o papel do Acordo Ortográfico, no que respeita à unificação gráfica (de todo impossível) já estava posto em causa, agora acaba por se desmistificar também o papel político e cultural do Acordo, quanto à promoção e difusão internacional do próprio idioma. Ainda segundo a Resolução, “tentar centrar uma língua em prioridades administrativas e/ou comerciais é enfraquecê-la ao atacar a sua complexidade e criatividade inata, a fim de promover métodos burocráticos de natureza pública e privada”.

Acrescenta ainda que “no que toca ao inglês, houve tentativas equivalentes para uma aproximação universal no tempo do Império Britânico. Contudo, a força das regiões anglófonas (situação similar à do português) levou a que tais regras tivessem sido quebradas tanto internacional como nacionalmente”. Lê-se também na mesma Resolução: “duvidamos muitíssimo que essa proposta de estandardização produza outros efeitos além de burocratizar os textos usados nas escolas, separando assim os alunos da real criatividade da Língua Portuguesa, nos planos regional e internacional”.

Estas bassulas não ajudam a promover, nem comunitariamente, nem fora da CPLP, um idioma comum a oito países situados em diferentes comunidades regionais. Em vez da fuga em frente, há, evidentemente, a necessidade de se discutir e analisar de forma mais séria e urgente esta questão, que a todos os falantes e escritores da Língua Portuguesa diz respeito.

[Transcrição integral de artigo publicado no “Jornal de Angola” de 25.10.12. “Links”, destaques a “bold” e sublinhados inseridos por nós. Conhecimento do artigo através da página Facebook “Tradutores Contra o Acordo Ortográfico”.]

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Uma questão higiénica

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O jornal “Notícias de Cascais Oeiras” lá continua honradamente a publicar em Português, como aliás a esmagadora maioria da imprensa regional, isto é, aquela que não obedece à voz do dono (grandes grupos editoriais), e ainda por cima tem a gentileza – e a prudência – de ir avisando os seus leitores de que poderão porventura tropeçar, certamente com indisfarçável horror, em um ou outro texto redigido “ao abrigo” do acordês.

Honra lhe seja feita, aqui fica o testemunho de tão louvável quanto higiénica medida. Os nossos parabéns à Direcção daquele prestigiado órgão de comunicação social.

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Onde assinar a ILC: Restaurante “Bota Velha”, Lisboa

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Situado na nº 38 da Rua Domingos Sequeira, próximo da Basílica da Estrela, numa das zonas mais características de Lisboa (Lapa-Campo d’Ourique), o Restaurante Bota Velha oferece, desde 1974, um espaço agradável para se comer e conviver.

Aberto até às 2.00 da manhã, com zona de fumadores numa das suas três salas, nele encontramos comida portuguesa confeccionada pelo proprietário e fundador, Senhor Frederico Augusto Marques, que conta com a colaboração do seu filho, Carlos Filipe Marques, artista plástico, e de um funcionário, Senhor Albano.

No Bota Velha também se divulga e assina a Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico de 1990, pois é um daqueles locais onde o nome de Portugal é tratado com veneração.

Todos os da casa assinaram. E esperam a visita de quem queira assinar também. Com petiscos, um copo e dois dedos de conversa. É assim, por aquelas bandas. À antiga portuguesa!

Paulo Jorge Assunção

A partir de agora também ali poderá subscrever a ILC pela revogação da entrada em vigor do “acordo ortográfico”.

Mais um estabelecimento no mapa dos locais de recolha de assinaturas!

Se possui um estabelecimento e pretende apoiar a iniciativa, basta fazer download do cartaz e do impresso de subscrição para que os seus clientes possam subscrever a ILC. Depois remeta-nos um cartão-de-visita da casa para que ela apareça também neste mapa.

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«A aberrante “ortografia”» [carta de Octávio dos Santos]

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From: Octávio dos Santos octaviodossantos@gmail.com
Date: 2012/10/12
Subject: Re: FW: CONVITE Prius InterPares # 13.Outubro.2012 – Os híbridos vão a Serralves
To: Relação Clientes – TCAP <relacao.clientes@toyotacaetano.pt>

Cara M**** J**** M******,

obrigado pela sua resposta. Porém, e infelizmente, porque continuam a utilizar a aberrante «ortografia» que, totalitariamente, alguns tentam impor à população portuguesa – que, segundo todos os indicadores, está maioritariamente contra a dita cuja – a Toyota Caetano Portugal, e, neste caso concreto, a senhora, continuam a ofender-me.

Que eu saiba, a vossa empresa não é pública, não é uma entidade estatal. Logo, não tem de se submeter, em qualquer circunstância, aos delírios de uma (falta de) classe política e de uma burocracia cada vez mais descontroladas.

Sem dúvida que os veículos Toyota são de elevada qualidade. Sendo assim, porque utilizam um «linguajar» completamente oposto a essa qualidade, ordinário, pindérico, mais adequado a um Trabant?

Já agora, posso informar que o meu sogro – que conduz Toyota’s há 40 anos! – recebeu recentemente um convite da Lexus para um «VIP Event» no Prior Velho. Mais valia, de facto, terem-no redigido em inglês… Lá lemos «selecionado», «outubro», «excecional»… Resultado? Se eu estou a pensar – muito seriamente, volto a dizer – ir à Honda, o meu sogro está a considerar acompanhar-me.

Uma última sugestão: pense muito bem antes de voltar a integrar alguém (eu, ou outra pessoa) num qualquer «arco-íris». É que tal expressão pode ter outras … conotações.

Cumprimentos,

Octávio dos Santos

http://cedilha.net/ilcao


2012/10/11 Relação Clientes – TCAP <relacao.clientes@toyotacaetano.pt>

CR-0682-12

Caro Sr. Octávio dos Santos

Registamos com atenção o contacto que o senhor dirigiu à nossa organização.

Preza-nos que o senhor seja proprietário de uma viatura da marca Toyota em particular um híbrido que a nosso ver contribui muito positivamente para uma maior sustentabilidade da sociedade em que nos inserimos.

Asseguramos que não é nem nunca foi, intenção da Toyota Caetano Portugal, ofender qualquer pessoa em circunstância alguma, muito menos por via da ortografia que utilizamos.

O enfoque da nossa atividade, é de proporcionar produtos e serviços da maior qualidade possível aos clientes que optam pela nossa marca. Esta continuará a ser a premissa essencial dos nossos esforços, associado a um respeito profundo por todas as pessoas, instituições e opiniões que compõem o arco-íris da nossa sociedade.

Agradecemos a atenção e subscrevemo-nos com a maior consideração.

M**** J**** M******

CS&CR

Departamento de CRM & BI

Toyota Caetano Portugal

Av. Vasco da Gama, 1410 – 4431-956 Vila Nova de Gaia

Tel: +351227867000 – Fax: +351227867213 – Ext. 2543

www.toyota.pt


De: Octávio dos Santos [mailto:octaviodossantos@gmail.com]
Enviada: terça-feira, 9 de Outubro de 2012 22:14
Para: Comunicação – TCAP Gaia
Assunto: Fwd: CONVITE Prius InterPares # 13.Outubro.2012 – Os híbridos vão a Serralves

«Atividades»? «Direção»? «Elétrica»?

Então a Toyota – e a Salvador Caetano – também se submeteram ao ilegítimo, ilegal, inútil, ridículo, abjecto, «acordo ortográfico»?

Tenho um Prius desde 2008; aliás, há 20 anos que conduzo Toyotas (antes passaram-me pelas mãos um Yaris Verso e um Starlet). Porém, agora, arriscam-se a que, da próxima vez que mudar de automóvel, vá à Honda.

OdS


———- Forwarded message ———-
From: L**** C****
Date: 2012/10/9
Subject: Fwd: CONVITE Prius InterPares # 13.Outubro.2012 – Os híbridos vão a Serralves
To: Octávio dos Santos octaviodossantos@gmail.com

[Troca de correspondência publicada com autorização expressa de Octávio dos Santos.]

[Foto publicada por SuperFM no Facebook. Autor desconhecido.]

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