O Acordo Ortográfico foi um processo infeliz, tratado nas costas da população dos países lusófonos, como se a língua fosse propriedade de um grupo de linguistas e os governos tivessem legitimidade para mudar por decreto uma língua que não é propriedade sua, mas do país e dos cidadãos.
O percurso errático do Acordo Ortográfico arrasta-se há 23 anos (ou melhor, há 38, porque começou a ser pensado em 1975) e ainda não está legalmente em vigor, porque as populações dos vários países lhe resistem e porque, quando se tentou impô-lo pela força de um decreto, o resultado foi o caos.
O que faltará acontecer para que os sucessivos governos reconheçam que pretendem a quadratura do círculo e que estas tentativas pura e simplesmente não funcionam?
Recentemente a presidente Dilma adiou para 2016 a entrada em vigor do Acordo Ortográfico no Brasil, e, a acreditar nos jornais, tomou essa decisão unilateralmente, sem consultar os seus parceiros.
Pretende-se vender-nos a ideia patética de que o português de grafia uniformizada (vulgo, o “acordês”) é a língua do poder e dos negócios. Seguindo o “acordês” todos seríamos, a reboque do Brasil, grandes potências emergentes, a caminho de um mundo magnífico de poder e riqueza, partilhado por 240 milhões de falantes. Será que não percebemos a irracionalidade desta ideia?
Mar 09 2013
«Processo delirante» [Teolinda Gersão, GT AO90]
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Mar 08 2013
(citações de) «Uma reforma falhada» [João Guisan Seixas, GT AO90]
Transcrevemos seguidamente algumas citações do texto de João Guisan Seixas com o título “Uma reforma ortográfica que gera mais excepções das que resolve é uma reforma falhada“, publicado em “Contributos” na página do Grupo de Trabalho parlamentar sobre o AO90.
Esta selecção de citações curtas não segue um critério rígido, destinando-se apenas a ilustrar com alguns exemplos um documento cuja leitura na íntegra recomendamos vivamente.
«Defender a “nova ortografia” por ser nova, e desqualificar a actual por ser “velha” (velha de 68 anos, mas para uma ortografia, é ser adolescente), é uma forma de raciocínio irracional.»
«Esvaziar a língua culta de cultura (fazer uma língua escrita em função de que as pessoas possam adquiri-la sem terem hábitos de leitura) é como esvaziar a piscina de água para facilitar a aprendizagem a pessoas que não sabem nadar.»
«Para as pessoas que se movem nessa maionese mental [privilegiar a língua oral sobre a escrita] pensar que uma mudança na escrita possa condicionar uma mudança na pronúncia, é heresia elitista merecedora do maior dos anátemas.»
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Mar 07 2013
Para o Governo português a ILC AO90 tem “conteúdos impróprios”?
ACESSO NÃO AUTORIZADO A página pretendida foi catalogada como contendo conteúdos impróprios (filtro automático).
Caso considere que a página em questão tem interesse pedagógico por favor solicite, através da direção da sua escola, o seu desbloqueio para a caixa de correio eletrónico: acessos@dge.mec.pt
A mensagem retratada apareceu através do endereço electrónico (URL) seguinte (ver nota):
http://83.240.205.129/public/stoppages/stop.htmopt?CAT=%5Bblogs-lg%7Cpornography– ac%5D&RULE=%5Bgeneral%5D&DATETIME=***0*/Mar/2013:**:2*:**%**&FILE=- &CODE=****************************************************************************************************************************&LANG=eng&URL= https://ilcao.com/%3Fp=10038
Esta página de “erro” surgiu quando alguém tentou aceder, a partir de computador em estabelecimento de ensino, à nossa página seguinte: «Ridículo, caros colegas. Ridículo.» [Rodrigo de Sá, mensagem]
Alerta recebido por email, de pessoa identificada.
Já tínhamos ficado a “saber” que para a governamental Wikipédia “lusófona” esta ILC é “proselitismo” e “spam”, logo, apagável, agora ficamos também a “saber” que para o Governo de Portugal por junto esta mesma ILC é… “pornografia”, logo, censurável.
[Nota: substituímos por asteriscos alguns componentes do endereço electrónico (URL) acima indicado, por questões de preservação da fonte de informação. A página de “erro” genérica (sem registos) pode ser vista no seguinte endereço: http://83.240.205.129/public/stoppages/stop.htmopt?CAT=%5Bblogs-lg%7C]
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Mar 06 2013
«Acuso!» [Maria José Abranches, GT AO90]
Ex.mos Senhores Deputados,
“… melhor é duvidar que sandiamente determinar.” (D. Duarte, O Leal Conselheiro)
Começo por agradecer: ao grupo parlamentar do PCP, pela iniciativa de propor na Comissão de Educação, Ciência e Cultura, a criação de um grupo de trabalho para reflectir sobre o Acordo Ortográfico de 1990 (AO90); à referida Comissão e ao seu Presidente, pela aceitação unânime desta proposta; ao Grupo de Trabalho pela sua disponibilidade para esta missão.
Mais vale tarde do que nunca, diz o ditado! Efectivamente este debate já devia ter acontecido há muito, se o poder político estivesse atento ao sentir da população que representa e que maioritariamente considera este AO90 como um ultraje e uma expropriação de um bem patrimonial e identitário que dá sentido à sua vida. Porque é infelizmente preciso lembrar que somos um povo com História e língua próprias, um país constitucionalmente democrático, e que a democracia é um projecto permanentemente em construção, aberto, responsável e transparente, pelo que não se esgota no acto eleitoral, e muito menos nos objectivos secretos dos partidos.
Neste preciso momento, estamos todos a escrever uma página decisiva e indelével da História do nosso país. O que está em causa é a língua de Portugal, a língua materna dos portugueses, que aqui surgiu, que nós herdámos e que vem de longe, fruto das vivências e dos saberes dos nossos antepassados, e que temos a obrigação inalienável de transmitir aos vindouros, preservada na sua integridade que nos estrutura, embora enriquecida com a nossa experiência da vida e do mundo.
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Mar 05 2013
Senhor deputado Luís Fazenda, dois esclarecimentos
[transcrição]
«Do ponto de vista político nós vamos ter duas circunstâncias: uma é o tempo de espera daquilo que o Brasil disse que será a sua forma de aplicação, de acordo aliás com as regras que estavam estabelecidas do processamento do acordo ortográfico. O Governo português já disse, pela voz do seu Ministro dos Negócios Estrangeiros, que darão todo o tempo ao Brasil e não haverá da parte do Estado português qualquer flexão na sua posição acerca disto. Este é o tempo do Governo, é o tempo inter-Estados, é o tempo da diplomacia.
Mas o tempo do Parlamento é outro. Esta Comissão, como aliás já aqui se disse, não vai conduzir a conclusões; terá um relatório, terá as várias opiniões, terá sobretudo os contributos daqueles que, da Academia e da sociedade civil, chegaram até nós, mas há um tempo no Parlamento, que é o tempo de discussão de uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos, também dirigida ou conduzida pelo Doutor Vasco Graça Moura, em que os vários Partidos aqui presentes vão ter que… e os deputados, creio eu, com muita heterogeneidade nas várias bancadas, vão posicionar-se sobre essa Iniciativa, que é, tout court, de revogação do “acordo”. Não creio que seja para uma alteração das circunstâncias, mas enfim, é, na sua óptica, legítima com certeza, uma re-confirmação da grafia prévia ao “acordo ortográfico”. Esse será um momento importante no Parlamento. É claro que circunstâncias em que os vários grupos têm externamente e no seu interior para uma votação mais tendencial numa direcção ou noutra dependerá muito dos argumentos e sobretudo dos fundamentos técnicos que nos trouxerem aqui os vários especialistas nesta área, com certeza, não é?»
[/transcrição]
[Intervenção do deputado Luís Fazenda na (1.ª) audição do Grupo de Trabalho parlamentar sobre o “acordo ortográfico”, em 28.02.13.]
Senhor deputado Luís Fazenda, dois esclarecimentos:
1. A ILC pela revogação da entrada em vigor do AO90 NÃO é nem dirigida nem conduzida pelo senhor Doutor Vasco Graça Moura. O senhor Doutor Vasco Graça Moura é um subscritor desta ILC, simplesmente.
2. A ILC pela revogação da entrada em vigor do AO90 NÃO advoga ou sequer propõe “a revogação do AO90”. A ILC pela revogação da entrada em vigor do AO90 pretende apenas apresentar no Parlamento um Projecto de Lei visando a revogação da RAR 35/2008.
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