Senhor deputado Luís Fazenda, dois esclarecimentos

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«Do ponto de vista político nós vamos ter duas circunstâncias: uma é o tempo de espera daquilo que o Brasil disse que será a sua forma de aplicação, de acordo aliás com as regras que estavam estabelecidas do processamento do acordo ortográfico. O Governo português já disse, pela voz do seu Ministro dos Negócios Estrangeiros, que darão todo o tempo ao Brasil e não haverá da parte do Estado português qualquer flexão na sua posição acerca disto. Este é o tempo do Governo, é o tempo inter-Estados, é o tempo da diplomacia.

Mas o tempo do Parlamento é outro. Esta Comissão, como aliás já aqui se disse, não vai conduzir a conclusões; terá um relatório, terá as várias opiniões, terá sobretudo os contributos daqueles que, da Academia e da sociedade civil, chegaram até nós, mas há um tempo no Parlamento, que é o tempo de discussão de uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos, também dirigida ou conduzida pelo Doutor Vasco Graça Moura, em que os vários Partidos aqui presentes vão ter que… e os deputados, creio eu, com muita heterogeneidade nas várias bancadas, vão posicionar-se sobre essa Iniciativa, que é, tout court, de revogação do “acordo”. Não creio que seja para uma alteração das circunstâncias, mas enfim, é, na sua óptica, legítima com certeza, uma re-confirmação da grafia prévia ao “acordo ortográfico”. Esse será um momento importante no Parlamento. É claro que circunstâncias em que os vários grupos têm externamente e no seu interior para uma votação mais tendencial numa direcção ou noutra dependerá muito dos argumentos e sobretudo dos fundamentos técnicos que nos trouxerem aqui os vários especialistas nesta área, com certeza, não é?»
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[Intervenção do deputado Luís Fazenda na (1.ª) audição do Grupo de Trabalho parlamentar sobre o “acordo ortográfico”, em 28.02.13.]

Senhor deputado Luís Fazenda, dois esclarecimentos:

1. A ILC pela revogação da entrada em vigor do AO90 NÃO é nem dirigida nem conduzida pelo senhor Doutor Vasco Graça Moura. O senhor Doutor Vasco Graça Moura é um subscritor desta ILC, simplesmente.

2. A ILC pela revogação da entrada em vigor do AO90 NÃO advoga ou sequer propõe “a revogação do AO90”. A ILC pela revogação da entrada em vigor do AO90 pretende apenas apresentar no Parlamento um Projecto de Lei visando a revogação da RAR 35/2008.

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3 comentários

    • Maria José Abranches on 6 Março, 2013 at 0:06
    • Responder

    Uma das coisas que mais me impressionam em tudo isto, e aqui mais uma vez se confirma, é a falta de rigor e de conhecimento seguro com que os políticos se exprimem sobre estas matérias. Aqueles dois esclarecimentos impunham-se obviamente!

    E depois este cândido reconhecimento dessa “circunstância” de que dependem as opções políticas nacionais: “o tempo de espera daquilo que o Brasil disse que será a sua forma de aplicação”… “darão todo o tempo ao Brasil”… Em suma, é ao Brasil que cabe decidir do presente e do futuro da língua de Portugal, que é também língua oficial dos restantes seis países da CPLP! É o Brasil “quem mais ordena”! O “povo” bem pode esperar!… Até quando teremos de ser castigados e perseguidos pelo Império que perdemos?

  1. Não sei se esses esclarecimentos lhe foram enviados, mas se não o foram era sem dúvida algo que os convidados da audiência de amanhã poderiam esclarecer de uma vez por todas. Mas vá, esse senhor deputado também não esteve em todas as audiências. Porém, deveria fazer o trabalho de casa, é o mínimo que se exige.

  2. A questão é que o nossos políticos não sabem quase nada sobre o AO, oque me leva a crer que eles assinaram sem ler uma linha. Assinar sem ler, senhores deputados, é “entrar pelo cano”

    Esperar o Brasil?
    Portugal deve alguma coisa ao Brasil?
    O parlamento português precisa ter mais brio e vergonha na cara.

    Manuela Carneiro

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