O “espetro” está “estupefato”

espetro

«Foi criada uma rede de Unidades de Ensino Estruturado para o Apoio à Inclusão de Alunos com Perturbações do Espetro do Autismo em escolas ou agrupamentos de escolas, com vista a concentrar meios humanos e materiais que possam oferecer uma resposta educativa de qualidade a estes alunos.»

MEC –  Ministério da Educação e Ciência


estupefato

«No entanto, para sua grande surpresa e desconforto, Sophie é capaz de numerosas proezas a ler a mente e apresenta outros poderes sobrenaturais que desafiam todas as explicações racionais, o que o deixa completamente estupefato.»

Câmara Municipal de Guimarães (Turismo)

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«Evolução do Português por cognatos» [por Isabel Coutinho Monteiro]

Facebook_icon“Cognatos” são palavras que têm a mesma origem etimológica. É um fenómeno frequente quando se observa um par de palavras com a mesma etimologia e grafia semelhante em duas línguas diferentes, mas tendo evoluído cada uma para um significado diverso nas línguas em questão.

Posto isto, tomemos como exemplo as palavras “parente” em Português e “parent” em Inglês. Ambas derivam do étimo latino “parentem”, mas seguiram rumos semânticos diferentes: se em Português significa “pessoa da mesma família”, já em Inglês se refere a “um dos progenitores de alguém” ou a ambos, quando no plural.

“Sim, claro, já toda a gente sabe disso!” – Comentará o leitor. E tem toda a razão. Mas há mais.

O Código Civil português estipula as disposições relativas à regulação do “poder paternal” de menores, por exemplo, em caso de divórcio dos pais. Já em Inglês, fala-se de “parental authority”, e muito bem.

“Então, se está tudo correcto, para que serve esta ladainha?” – Perguntará o leitor, já enfastiado.

Esta ladainha, caro leitor, serve para – por minha vez – perguntar de onde vem, em Português, a expressão “poder parental”, que anda a abrir caminho por tudo o que é jornal, revista e toda a espécie de comunicações Portugal fora.

Como se não bastasse o aviltamento que o acordo ortográfico de 1990 trouxe à Língua Portuguesa, teremos de assistir impávidos a esta “evolução” da língua pelo facilitismo da tradução visual e fonética? Pela via da incultura de jornalistas, advogados, psicólogos e outros néscios que tinham a obrigação e o dever de saber e informar?

Falámos aqui de palavras vulgarmente conhecidas por “falsos-amigos” e, se ninguém de direito tomar medidas sérias a tempo, a Língua Portuguesa corre sérios riscos de se tornar uma falsa amiga de todos nós, portugueses.

Isabel Coutinho Monteiro

8 de Fevereiro de 2015

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Jovem: pretendes um curso “tenológico” num instituto “politénico”?

tenologico

«(…) Fundos Europeus Estruturais e de Investimento (Feder, FSE e Fundo de Coesão) para reforçar a aposta na Investigação, no desenvolvimento Tenológico e na Inovação»

Programa Operacional Factores de Competitividade


politenico1

«(…) o 
inventário 
do 
património 
do
 POLITÉNICO 
DE 
COIMBRA, 
bem
 como
 o 
cadastro (…)»

IPC – Instituto Politécnico de Coimbra

Nota: neste documento existem 15 ocorrências de “politénico”.

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«Uma reportagem fitícia» [por Fernando C. Kvistgaard]

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Uma reportagem fitícia, compatada e ilariante de leitura ocional e sem uso de corretor ortográfico

As autoridades sanitárias da Organização decidiram enviar ao Egito ténicos de saúde dos vários ramos da ciência, para ajudar os egícios. Havia necessidade de médicos protologistas, médicos especialistas em gravidez etópica, investigadores de doenças baterianas, etc. Alguns eram do Irã, outros eram canadenses especialistas em acupuntura.

O fim em vista era contatar os autótenes do setor afetado do país e conetar as informações de todas as seções da organização, sobre este surto abruto de doenças de caráter desconhecido, de maneira a saber se se tratava de infeções, pois os casos observados mostravam-se também com eruções e tumefações na pele, e, muitos deles, estavam convitos de que se podia tratar de ezema infecioso com manchas de formas elíticas e otogonais, que se podiam tratar com frições. Muitos tinham dores no adómen, havendo outros com sintomas parecidos com iterícia. O interessante é que todas as pessoas sofriam de ostipação, sendo espetável que se pudesse chegar a uma conclusão que tivesse impato nas resoluções a tomar. Houve igualmente que recorrer a médicos com idade proveta – otogenários – por não haver muitos especialistas jovens. Conosco, seguiam também ténicos de critografia da Cidade Invita, com sede na rua São João Batista; isto porque se tornava necessário interpretar o que estava escrito num trítico antigo que tinha sido encontrado intato, o qual também relatava casos semelhantes. A capa, pitórica, tinha a gravura de um monarca com coroa e cetro. O texto fora feito com encritação.

Seguia conosco um jornalista com um sobrenome fitício. Ele iria conetar toda a informação usando a nova tenologia.

O transporte foi feito de helicótero – o Netuno – que aliás tinha sido utilizado por um casal em viagem de núcias no dia anterior. Procurou-se um local próprio para aterragem, num terreno compato e sem umidade, o que não era difícil, pois na região havia eucalitos que fazem sução de toda a água sujacente. O terreno era de origem tetónica, compatada ao longo de milénios. Um dos ostáculos era o fato de haver muitos réteis entre a vegetação; uma das oções era limpar a área com uma vedação protetora que, com as novas tenologias, era fácil otimizar. Entretanto, havia que ter em atenção uma nova erução do vulcão próximo.

Agora que já não havia mais ostáculos, foi com espetativa que se fez o contato com o solo, sem impato violento; toda a aparelhagem e outros artefatos estavam intatos. Os espetadores eram muitos. Depois de acionar os interrutores para a paragem dos motores, a velocidade de rotações das hélices caiu abrutamente, e pudemos então sair.

No ar, sentia-se o cheiro do nétar das flores que, com as suas cores maníficas e variadas mais pareciam fogo piroténico, o que estimulou os nossos sentidos olfativos e óticos.

A receção foi bastante calorosa mas, antes de tudo, houve que patuar e fazer um pato com os principais das aldeias, que viviam em casas cujo teto se tinha elipsado com o temporal.

O reto que todos agora tinhamos de aceitar sem coação, foi o de dar início a uma coleta entre os adetos faciosos e ativistas políticos de uma associação ginodesportiva para os inteletuais da cidade próxima, de maneira a obter fundos para a compra de medicamentos e material. Alguns deles tinham estado presos, mas foram libertados por anistia.

No dia seguinte, e sem interrução, foi feita a recolha das mições matinais, excepto as das crianças latentes e outras de mais idade, que tinham tido uma boa adatação ao leite artificial. As provas foram transportadas em tubos de alumínio dútil e refratário, adatado a altas temperaturas das placas refratárias, para que a conveção não viesse a afetar a composição química da urina. Algumas das provas tinham um aspeto lático, por terem ingerido alimentos ricos em latose.

2/2/2014 – Fernando Coelho Kvistgaard

Texto de Fernando C. Kvistgaard, de Tranbjerg J (Aarhus), Dinamarca. Enviado pelo autor em 03.02.15.

Imagem: placa toponímica, substituída em 2013 pela Câmara Municipal, no Centro Histórico de Oeiras.

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«O Acordo ortográfico e a iliteracia» [Duarte Afonso, “Jornal da Madeira”, 08.02.15]

jornaldamadeira_logoO Acordo ortográfico e a iliteracia

ARTIGO | | POR DUARTE AFONSO

Passados alguns anos após a entrada em vigor do acordo ortográfico, importa reflectir na utilidade desse monstro.

Antes porém, vale a pena recordar o que foi escrito no preâmbulo do mesmo: “O projecto de texto de ortografia unificada de língua portuguesa aprovado em Lisboa em 12 de Outubro de 1990, constitui um passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestígio internacional”.

Ao contrário da unificação como afirmam os autores do acordo, a desunificação é total e a trapalhada não tem fim.

Há uns jornais que escrevem de acordo com as regras anteriores e outros em consonância com o monstro. Há textos escritos com e sem o acordo. Há zonas cinzentas onde se mistura tudo.

Agora, temos o português correcto que é o que se escreve em Angola, o português brasileiro, e o acordês, que é a trapalhada que se escreve em Portugal.

Na nota explicativa do acordo está escrito o seguinte: “Casos de dupla grafia (base IV)”. “Admitem as duas alternativas: cacto e cato, caracteres e carateres, dicção e dição, facto e fato etc.”

Por um lado, falam em texto de ortografia unificada. Por outro, impõem a dupla grafia. Os autores de tão iluminada trapalhada, deviam saber que a dupla grafia não une, afasta, que é bem diferente.

Outra trapalhada.

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