Set 25 2008

95 petições

93 000 pessoas contra Acordo Ortográfico
00h30m

Até agora assinado por mais de 93 000 pessoas – números de meados deste mês -, o Manifesto em defesa da Língua Portuguesa contra o Acordo Ortográfico “volta” esta quinta-feira à Assembleia da República.

É mais uma etapa do processo a cumprir-se: a petição, com o número 495, vai ser “apreciada e discutida” pela Comissão de Ética, Sociedadade e Cultura, participando na sessão, pelos signatários do documento, o eurodeputado Vasco Graça Moura, Maria Alzira Seixo, Jorge Morais Barbosa e António Emiliano.

João Silva, do secretariado da Comissão, lembrou, à Lusa, que petições com mais de 1000 assinaturas têm direito a apreciação e discussão na Comissão e as que ultrapassem as 4500 vão a plenário, a menos que haja “decisão em contrário”. O mesmo responsável referiu que o número de signatários de que a comissão dispõe é de 33 054.

O processo, finda a reunião de hoje, seguirá os seus trâmites e oportunamente será agendada a discussão da petição em plenário.

O mesmo poderá suceder com uma segunda petição, a número 511, também a discutir hoje pela Comissão. Tem 5344 assinaturas averbadas e o primeiro titular é Nuno Mendonça Raimundo.

O Acordo Ortográfico já foi promulgado pelo presidente da República.

JN de hoje

Notas

1. Neste momento, a última assinatura na petição EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA tem o número 95.551.
2. Se “petições com mais de 1000 assinaturas têm direito a apreciação e discussão na Comissão e as que ultrapassem as 4500 vão a plenário”, então o montante total de assinaturas deste manifesto seria suficiente para obrigar a tal Comissão a apreciar e discutir NOVENTA E CINCO VEZES o assunto em causa e que o mesmo fosse VINTE E UMA VEZES a plenário parlamentar.
3. Actualmente, segundo a legislação portuguesa, são necessárias 35.000 assinaturas para que simples cidadãos apresentem iniciativas legislativas. Ou seja, o Manifesto contra ESTE Acordo Ortográfico poderia fazer valer TRÊS INICIATIVAS LEGISLATIVAS. Ou 18, se estivesse em vigor a proposta recentemente apresentada por um Partido político.
4. “O Acordo Ortográfico já foi promulgado pelo presidente da República”, em 21 de Julho deste ano, mesmo tendo Sua Excelência, pelos vistos para uma simples e amena cavaqueira, onomasticamente a condizer, recebido no dia 2 de Junho uma delegação de signatários do Manifesto contra o dito Acordo.


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Set 12 2008

Mentira(zita) e contradição(zita)

9. Por fim, quinta e última questão, a questão do espanhol e do inglês ou as comparações absurdas.
Ouço dizer: o Inglês  não tem acordo ortográfico e passa muito bem sem ele. Omite-se aqui que as oscilações ortográficas em Inglês (que, aliás, estão dicionarizadas) são muito reduzidas e também que, nele, a relação entre grafia e pronúncia é muito mais convencionada do que em Português; e falta  aprofundar  um pouco a questão, para chegarmos a uma resposta  óbvia: o Inglês não tem acordo ortográfico, porque simplesmente não precisa dele. E não precisa porque o seu esmagador poder linguístico é sobretudo um efeito de outros poderes que arrastam e praticamente impõem aquele poder linguístico: o poder político, o poder económico, o poder tecnológico, o poder cultural, etc. Numa palavra: o poder.

No caso do  Espanhol  importa ir um pouco mais longe e  lembrar que  a emancipação política da América Latina de colonização espanhola conduziu à fragmentação em cerca de uma vintena de países. Isso permitiu a sobrevivência de Espanha como uma espécie de “metrópole” europeia  com um certo ascendente  no plano linguístico; um ascendente que se reforça pelo labor de uma vigorosa política de difusão da língua, com a qual Portugal muito tem a aprender. Nessa política de língua intervém  a Real Academia Española, sendo inequívoco que esta última tem, no universo da Língua Espanhola, um prestígio normativo considerável: tenha-se em vista a capacidade de determinação e também de incorporação lexical que o Diccionario de la Lengua Española  possui, no vasto universo que cobre; uma capacidade de determinação que, evidentemente, vale por um amplo, tácito e respeitado acordo linguístico. Acresce a isto que, nos nossos dias, a Espanha é também uma potência económica, o que ajuda a fazer do Espanhol (e já não apenas naquele vasto espaço post-colonial, note-se) uma espécie de “inglês latino”.

Carlos Reis, in Ciberdúvidas

1. Incongruência(zita)

“as oscilações ortográficas em Inglês (que, aliás, estão dicionarizadas) são muito reduzidas”

Mas então o principal argumento não era a dos “apenas” 1,45%? Quer dizer: no Inglês, como são poucas as diferenças, não há necessidade de uniformização; já no Português, é necessário uniformizar porque as diferenças são poucas!

2. Lacuna(zita)

“a questão do espanhol e do inglês”

Então e o Francês? No MS-Word, existem 15 correctores ortográficos para Língua francesa: Suíça, Senegal, Reunião, RDC, Mónaco, Marrocos, Mali, Luxemburgo, Índias Ocidentais, Haiti, França, Costa do Marfim, Canadá, Camarões, Bélgica.

3. Ignorância(zita)

“o Inglês não tem acordo ortográfico, porque simplesmente não precisa dele”

Para Inglês, são 18 correctores ortográficos! E para Espanhol, são “só” 20!

4. Conclusão(zita)

Quanto ao Português… são 2!!! Apenas existem dois correctores, respectivamente para Português europeu (padrão) e para Português do Brasil.

Todos os diferentes glossários do MS-Word (como de qualquer outro processador de texto) incluem as variações ortográficas em conformidade com o país seleccionado. No caso de o utilizador importar ferramentas linguísticas (FLIP, por exemplo, no caso do Português europeu), também as variações sintácticas podem ser diferencialmente detectadas.

Assim como para o Inglês, o Francês e o Espanhol existe apenas um código de página (conjunto de caracteres), também para o Português existe apenas um (comando DOS: CHCP), 0 860.

Para ver as possibilidades de selecção de correctores, no MS-Word: Ferramentas/Tools, Idioma/Language, Definir Idioma/Select Language.

 

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