Com a aprovação, em Julho de 2010, na Cimeira de Luanda, do Plano de Acção para o biénio 2010-2012, saído da “I Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial”, realizada, em Brasília, em Março de 2010, estava criado, ao mais alto nível, o suporte político, para o relançamento de projectos direccionados para a desejada projecção planetária da língua portuguesa.
Foram promovidos quatro colóquios, de cariz técnico, pelo Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP) realizados em quatros diferentes Estados membros: “A diversidade da Língua Portuguesa nos países da CPLP”, em Setembro de 2011, em Maputo; “A Língua Portuguesa nas Diásporas”, em Novembro daquele ano, na cidade da Praia; “A Língua Portuguesa na Internet”, em Abril de 2012, em Guaramiranga (Brasil); e “A Língua Portuguesa nas Organizações Internacionais”, em Julho último, em Luanda.
Paralelamente, a polémica questão do Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa de 1990 (AO), levou o nosso país, no decurso da Presidência angolana da CPLP, a empreender um conjunto de acções diplomáticas, para apresentação de um parecer oficial sobre as dificuldades de aplicação do referido Acordo, na VII Reunião Extraordinária do Conselho de Ministros, realizada em Fevereiro de 2012, em Lisboa. Neste fórum recomendou-se aos Ministros da Educação da CPLP, para se debruçassem, mais maduramente, sobre este assunto, tendo os mesmos, em finais de Março passado, em Luanda, concluído o seguinte: “A aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 no processo de ensino e aprendizagem revelou a existência de constrangimentos”, pelo que os Ministros da Educação decidiram proceder a um diagnóstico relativo aos constrangimentos e estrangulamentos na aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 e a “acções conducentes à apresentação de uma proposta de ajustamento do Acordo Ortográfico de 1990, na sequência da apresentação do referido diagnóstico”.
Jan 16 2013
«À vontade do freguês» [Wa Zani, “Jornal de Angola”, 15.01.13]
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Jan 15 2013
«Desacordo» [Abel Neves, PÚBLICO, 15.01.2013]
Não tenho armas afiadas para entrar nesta batalha, e sou fraco, mas cá vou. Este texto breve não é de ciência nem de sabedoria académica. Não poderia sê-lo porque, simplesmente, não sou nem cientista nem académico. Convivo em desacordo com o Acordo Ortográfico do Inverno de 1990 e não é tanto pelos espectadores passarem a ser espetadores ou os actos se mudarem em atos ou o Egipto passar a ser Egito. No português daqui – a geografia é bela – o Egipto sem pê é como sacar o deserto aos faraós. Surripiar o pê do Egipto é quase antiestético. Deixem-me gostar e escrever o Egipto como sempre foi para mim. É que não sinto que a Língua esteja a querer mudar o seu aparato escrito só porque uns tantos trouxeram a necessidade de lhe padronizar algumas formas para que, à leitura, o lusófono de uma praia em Cabo Verde esteja apreendendo exactamente o mesmo que um outro lusófono nas vielas de São Paulo ou no escadório do Bom Jesus em Braga. A unificação talvez seja melhor para as empresas e congressos que arrastam a Língua nos seus comércios – supondo que haja preguiça para ler as mesmas palavras escritas com diferença – mas a verdade – sejamos honestos – é que, seja onde for, os lusófonos apreendem exactamente o mesmo com a mesma palavra grafada com distinção. Pelo visto, e lido, serão poucas as palavras a suprimir, por exemplo, no caso da extinção das consoantes não pronunciadas. Diz-se que pouco mais de seiscentas num universo de cento e dez mil. É o receio anunciado da desagregação ortográfica? Não será preferível defender a singularidade, a riqueza da língua, em vez do propósito da unicidade?
Não sou da época em que se escrevia ‘theatro’ ou ‘choreographia’ ou ‘auctores’ e ‘escriptores’ ‘distinctos’ com as suas ‘phrases’. A cena era ‘scena’ e o ‘scenario’ mostrava-se com os seus ‘pannos’. Há cem anos ‘applauso’ tinha dois pês e nada garante que não venha a recuperar o pê perdido daqui a outros cem se se entender que o reforço do pê na pronúncia deve estimular na escrita a sua vibração. Aqui e acolá, a escrita vai mudando, sim, a língua, falada e escrita vai-se refrescando e recompondo com os climas e os modos de ser das gentes que se dão ao gosto de trocar as voltas às palavras, aceitando-as no sabor das falas, no alinhamento das páginas, e, clarinho como a água, a Língua com os seus dizeres de voz e ortografias mudará sempre que lhe apetecer porque a Língua é um dragão vivo e anda ao ar, mas conservá-la com as suas diferenças e, sobretudo, longe dos impulsos mexeriqueiros de uma certa política, é o que parece mais sensato.
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Jan 14 2013
A ILC visita o Parlamento
No passado dia 7 de Dezembro uma delegação representativa do grupo de cidadãos que promovem a ILC contra o AO90 foi recebida por dois deputados do Grupo Parlamentar do PCP na Assembleia da República, na sequência de encontros marcados com os diferentes grupos políticos com o fim de os informar ao respeito da nossa luta e procurar apoios entre eles(ver nota).
Esta reunião em particular alongou-se por várias horas e houve evidente interesse no assunto por parte dos deputados João Oliveira e Miguel Tiago.
Para mim, como cidadã espanhola, este encontro foi especialmente emotivo. Em primeiro lugar, é claro, por ser recebida na Assembleia da República, máximo expoente da representação do povo português (ao qual me sinto já há muito tempo e para sempre unida por laços de afecto indissolúveis) e, em segundo lugar, pela honra de, mesmo sendo estrangeira, fazer parte do grupo representativo da ILC em defesa da Língua Portuguesa, um idioma que não é a minha Língua materna mas que estudei ao longo de muitos anos e que aprendi a amar como se da minha própria Língua se tratasse.
Acompanham estas palavras algumas das fotografias que tirei no decorrer da visita que se seguiu à reunião e na qual o nosso amável cicerone (João Oliveira) nos mostrou o Palácio e amenizou a visita com interessantes (e por vezes divertidas) informações.
Permita-se-me destacar uma fotografia que sem possuir a qualidade técnica necessária passou a ser a minha preferida: trata-se dessa em que (no lintel de uma porta) aparece a escultura da coroa franqueada a um lado pela figura ameaçante de um homem de espada na mão e, do outro lado, uma mulher desarmada e de atitude franca e relaxada. O Deputado João Oliveira disse que é a representação da força contra a verdade e eu fiquei então (e fico agora de novo) a pensar que afinal é disso que a ILC pretende: a verdade (a lógica, o bom senso…) contra a força (dos interesses económicos).
Feliz pela experiência, grata pela amabilidade dos deputados e confiante na vitória da verdade seria o resumo do meu estado de espírito na hora de avaliar a reunião, a visita inesquecível.
Rocío Ramos
[Nota: este texto, bem como as fotografias que o ilustram, são da autoria de Rocío Ramos, a nossa mais veterana militante, e referem-se ao encontro entre uma delegação da ILC e dois deputados do PCP na Assembleia da República, no passado dia 7 de Dezembro, à semelhança de um outro encontro anterior, a 22 de Novembro, também com dois deputados mas dessa vez do PSD. Anteriormente já tínhamos sido recebidos em audiência na CECC, no dia 12 de Julho de 2012. Tencionamos evidentemente prosseguir com o nosso programa de reuniões e audiências com deputados de todas as áreas político-partidárias, a fim de os sensibilizar para a esta iniciativa cívica em particular e para a oposição ao “acordo ortográfico” em geral.
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Jan 13 2013
«Um “acordo” cada vez mais “corruto”» [Nuno Pacheco, PÚBLICO, 13.01.2012]
Há boas e más maneiras de começar o ano. Entre as boas, conta-se a reabilitação das tradicionais Janeiras, que José Barros e os Navegante levaram ao Olga Cadaval, em Sintra, na véspera do Dia de Reis. Uma festa com temas tradicionais de Trás-os-Montes, Alentejo, Beira Baixa e Algarve, onde não faltou, no exterior, fogueira e prova de queimada galega, herança medieval de aguardente a arder (sim, com fogo mesmo). Quem assistiu aplaudiu com razão. Porque a memória de Portugal teve, ali, nota alta.
Entre as más, está a renitência em reconhecer o desconchavo do acordo ortográfico (AO). No início do ano, um jornal que até aqui (e bem) não o aplicava, o ‘Correio da Manhã’ (CM), cedeu. O pior está menos na cedência do que na argumentação. “A nossa prioridade”, escreveram dias antes, “é tornar a comunicação mais fácil”. Mas onde a trapalhada se insinua é quando, para garantir a tal “comunicação fácil”, o ‘CM’ escreve isto: “Nesse sentido, nas palavras que admitem dupla grafia, optámos por manter tal como na “escrita antiga” [sic].” Ah, e escreverão “pára” e não “para”, no verbo parar.
Querem ver a lista? É uma delícia. Escreverão, de futuro, ceptro e não ‘cetro’, amígdala e não ‘amídala’, espectador e não ‘espetador’; mas escolhem (porque a moderna “ortografia” é mesmo ‘a la carte’) ‘carateres’ em vez de caracteres,’receção’ em vez de recepção, ‘setor’ em vez de sector, ‘conceção’ em vez de concepção, ‘cato’ em vez de cacto. Grafia antiga? Fantástico. Mais fantástico ainda é confundir-se “duplas grafias” (mesmo ‘a la carte’) com grafias de uso corrente em Portugal e no Brasil há décadas. Ou seja, o ‘CM’ orgulha-se (para garantir a tal “comunicação fácil”) de escrever omnipotente, indemnizar, facto, subtil, sumptuoso, súbdito, académico, topónimo e não ‘onipotente’, ‘indenizar’, ‘fato’, ‘sutil’, ‘suntuoso’, ‘súdito’, ‘acadêmico’, ‘topônimo’, quando tais variantes não têm escolha possível. Por que motivo escreveríamos ‘Antônio’ ou ‘bebê’ se em Portugal dizemos António e bebé? Ou ‘sutil’, se dizemos e escrevemos subtil? Será isto uma “escolha”? Não, não é. Mas o mais inacreditável é o ‘CM’ dizer que escreverá aritmética e não ‘arimética’, corrupto e não ‘corruto’, fêmea e não ‘fémea’, dicção e não ‘dição’. Vamos por partes: no Brasil, apesar de alguns livrecos “modernos” consignarem tais “variantes”, diz-se e escreve-se aritmética e corrupto. Com t e p. Quanto a “dição”, existe na verdade, mas não tem nada a ver com dicção. Significa “domínio, autoridade”, enquanto dicção é o acto ou maneira de dizer ou de pronunciar. Já “fémea” só pode ser puro delírio de quem não sabe o que escreve.
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Jan 12 2013
Chrome em Português correcto
«Olá! Recentemente, criei uma extensão para o Google Chrome (link: http://bit.ly/13pNGd7) que converte páginas escritas ao abrigo do acordo ortográfico de 1990 para o de 1945. Acho que vão gostar de saber e partilhar. Obrigado!»
[Transcrição de mensagem no “mural” da ILC no Facebook, em 12.01.13, cerca das 13 h.]
Desacordo Ortográfico
Este repositório tem 3 pastas:
• chrome extension tem o código fonte da extensão para o Google Chrome
• bookmarklet tem o mesmo código em formato de bookmarklet, para ser usado noutros browsers
• scripts inclui o código python usado para criar o ficheiro mappings.js, que tem os mapeamentos do acordo de 1990 para o de 1945.Porquê
Não pretendo evangelizar ninguém, cada um tem os seus motivos. Se quiseres usar, usa. Se não quiseres, temos pena.Posso contribuir?
Claro. Há duas formas de o fazer:1.Identificar erros e/ou situações em que a extensão não funciona correctamente. Para isso basta abrir um issue e descrever o cenário.
2. Fazer fork e pull request com melhorias ao código. Cada pasta tem um ficheiro TODO.md com ideias de ajustes e correcções a fazer.[Transcrição das indicações sobre esta extensão na página do autor, Miguel Laginha, em “GitHub”.]
Este “post” sobre a extensão Pt-Pt do Google Chrome será (evidentemente) transcrito na nossa página “Português PT“, repositório de aplicações e métodos para que todos possamos continuar a “navegar” na Internet e a usar programas informáticos em paz e sossego, isto é, em Português e não em “acordês”.
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Não tenho armas afiadas para entrar nesta batalha, e sou fraco, mas cá vou. Este texto breve não é de ciência nem de sabedoria académica. Não poderia sê-lo porque, simplesmente, não sou nem cientista nem académico. Convivo em desacordo com o Acordo Ortográfico do Inverno de 1990 e não é tanto pelos espectadores passarem a ser espetadores ou os actos se mudarem em atos ou o Egipto passar a ser Egito. No português daqui – a geografia é bela – o Egipto sem pê é como sacar o deserto aos faraós. Surripiar o pê do Egipto é quase antiestético. Deixem-me gostar e escrever o Egipto como sempre foi para mim. É que não sinto que a Língua esteja a querer mudar o seu aparato escrito só porque uns tantos trouxeram a necessidade de lhe padronizar algumas formas para que, à leitura, o lusófono de uma praia em Cabo Verde esteja apreendendo exactamente o mesmo que um outro lusófono nas vielas de São Paulo ou no escadório do Bom Jesus em Braga. A unificação talvez seja melhor para as empresas e congressos que arrastam a Língua nos seus comércios – supondo que haja preguiça para ler as mesmas palavras escritas com diferença – mas a verdade – sejamos honestos – é que, seja onde for, os lusófonos apreendem exactamente o mesmo com a mesma palavra grafada com distinção. Pelo visto, e lido, serão poucas as palavras a suprimir, por exemplo, no caso da extinção das consoantes não pronunciadas. Diz-se que pouco mais de seiscentas num universo de cento e dez mil. É o receio anunciado da desagregação ortográfica? Não será preferível defender a singularidade, a riqueza da língua, em vez do propósito da unicidade?





