Exemplos [um trabalho de João Ricardo Rosa]

Este é um trabalho (contínuo) de João Ricardo Rosa, que pode acompanhar na página Firefox contra o Acordo Ortográfico ou no “mural” do autor no Facebook.

[Sobre esta mesma temática (o caos ortográfico nos OCS portugueses), ver também o trabalho de João Roque Dias: “A Choldra Ortográfica“.]

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A edição de aniversário do PÚBLICO: um esclarecimento.

05-Mar-2013_JB_PublicoApesar de a notícia já ter alguns dias, várias pessoas continuam a questionar-nos sobre a veracidade deste artigo de Jorge Buescu. Trata-se de uma excelente premonição mas, por enquanto, decorre apenas da iniciativa que o jornal PÚBLICO leva a cabo anualmente, por ocasião do seu aniversário: o “Director por um dia”.

O Director convidado deste ano, o cineasta Miguel Gomes, trouxe duas propostas para a edição comemorativa deste ano. Escreve o próprio: “Na prática, propus duas alterações. Ficam em vigor duas novas regras, dois invulgares acrescentos ao livro de estilo do jornal neste dia:

1) todas as fotografias (a preto e branco) só serão incluídas nas páginas do jornal depois de sujeitas aos desenhos e pinturas de crianças de uma escola primária;

2) mais de uma dezena de artigos terão um prolongamento ficcional por convidados que continuam a peça após o jornalista a terminar, narrando factos nunca verificados, mencionando relatórios nunca redigidos, produzindo ficção a partir da realidade…”

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Nesta imagem, à direita, vemos o editorial completo, em que Miguel Gomes desenvolve a sua ideia para um jornal diferente do habitual. Jorge Buescu foi um dos convidados para “finalizar” um dos referidos artigos.

Esperemos que a premonição de Jorge Buescu se realize muito rapidamente…

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«Não colhem os argumentos…» [Bernardo Vasconcelos e Sousa, GT AO90]

GTAO90participe

SOBRE A INCORRECÇÃO E OS EFEITOS NOCIVOS
DO ACORDO ORTOGRÁFICO

Não sendo linguista, nem escritor, nem, sequer, estudioso da língua, apresento de seguida apenas três notas que resultam do que vou vendo e do que me vou apercebendo na minha actividade, incluindo a profissional.

I – A língua é uma questão política porque é um elemento de comunicação entre os membros da comunidade, da polis, sendo, portanto, um elemento fundamental para a relação entre os membros dessa comunidade social e política.

Mas o chamado Acordo Ortográfico (AO) não é uma querela entre “cosmopolitas” e “castiços”, nem entre “progressistas” e conservadores”, nem entre “Esquerda” e “Direita”.

A língua é um elemento central da política cultural do país e, também, da sua política cultural externa. Nesta perspectiva, faz sentido que os governos e as instituições políticas fomentem o ensino, a promoção, a difusão e a defesa da língua. Mas a “norma” da língua é de cariz gramatical e etimológico, resultando da sua origem e evolução natural, não de qualquer imposição jurídica ou diplomática.

II – Em termos correntes, a língua que falamos, lemos e escrevemos cumpre duas funções essenciais:

1º) É o principal meio para a comunicação entre as pessoas
2º) É uma componente fundamental da identidade cultural

O AO contraria estas duas funções, porque:

1º) Com as grafias facultativas, com as dúvidas que suscita, com as discrepâncias que tem criado multiplica os equívocos e as confusões (“fatos” por “factos”, os “espetadores”, “egício” por “egípcio”…), assim dificultando a comunicação e o entendimento de como se escreve;
2º) Alterar a língua, na forma como a escrevemos, de modo voluntarista e artificial, por decisão política, contraria o processo natural de sedimentação da identidade cultural. Mais: vai contra esse processo e contribui para que os cidadãos ponham em causa um dos elementos mais estáveis e consensuais da identidade cultural e da identidade nacional portuguesa.


III – Não colhem os argumentos segundo os quais “o AO facilita as relações culturais com o Brasil” e “ou seguimos o Brasil ou o nosso Português desaparece”.

Os livros das editoras portuguesas que seguem o AO continuam a não entrar ou a ter enormes dificuldades em entrar no Brasil (taxas aduaneiras altíssimas, resistências várias à importação de produtos culturais portugueses…).

O Português é uma língua falada em todos os continentes e que está e estará em expansão. A sua evolução não se concentrará num modelo único, mas terá vários pólos de evolução (no Brasil, em Portugal, nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, em Timor…). O AO não poderá contrariar esta inevitável tendência e arrisca-se a surgir como uma imposição exterior, um documento “estranho” e desligado das múltiplas realidades dos estados que adoptam o Português como língua.

*
* *

É por este conjunto de razões que considero que o AO, a existir e a ser aplicado, assentará em múltiplos equívocos e terá efeitos nocivos e muito prejudiciais para a língua portuguesa, para Portugal e para todos os países em que se fala o Português.

Assembleia da República, 7 de Março de 2013.

Bernardo Vasconcelos e Sousa
bjsvs@netcabo.pt

[Transcrição integral de documento publicado na página de “Contributos” do Grupo de Trabalho parlamentar sobre o “acordo ortográfico”. Realces conforme o original.]

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F.C.S.H., 20 de Março 2013 às 18 horas

cartazFCSH200313

4.ª Feira, 20 Março, 18H00 | FCSH, Auditório 1, piso 1 | Av. Berna, 26-C

Forum
Pára ou Para

Onde pára e para onde vai a Língua Portuguesa?

(oradores)
Abel Barros Baptista | Ana Silva | António Guerreiro
Hermínia Castro | João Bosco Mota Amaral | Jorge Buescu
José Luís Porfírio | José Pedro Serra
Miguel Sousa Tavares | Nuno Pacheco | Pedro Afonso

(organização)
Ana Isabel Buescu (FCSH, UNL) | Maria Filomena Molder (FCSH, UNL) | Teresa Cadete (FL, UL)

No painel de oradores deste evento a ILC AO90 estará representada por Hermínia Castro.

Graça Maciel Costa criou no Facebook uma página sobre este evento.

[Cartaz recebido por email.]

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«O problema das certezas absolutas» [Teresa Cadete, “Público”, 11.03.13]

fotoTSÉ de saudar o princípio do diálogo crítico e argumentativo, como um enriquecimento para todas as partes envolvidas que, a saberem ler e ouvir, questionam para perceber melhor. Confesso que foi na melhor das expectativas que principiei a ler a carta de leitor redigida por “M. Gaspar Martins” (M.G.M.) reportando-se ao meu artigo “O Manifesto de Girona e os fatos com-seus-medos“, publicado neste jornal a propósito do Dia Mundial da Língua Materna (21/2/2013). Essas expectativas tinham a ver com a grande perplexidade ali expressa no que diz respeito aos estragos e dissensões causadas por uma medida que nunca será pacífica. E com a sincera preocupação face ao sofrimento de quem tem, por razões de sobrevivência no seu posto de trabalho, de ceder à imposição do AO pelos seus superiores.

Espera-se ainda a resposta à pergunta básica que qualquer leitor atento do meu artigo não pode deixar de colocar e que ainda não foi satisfatoriamente respondida: Qual a necessidade de um “acordo” que se tornou num evidente desacordo? Para que o debate tenha um conteúdo que vá além do “porquessinismo” assertivo e recorrente dos defensores da aplicação do Lince, essa argumentação deveria vir a montante de tudo o resto. A alegada confusão entre ortografia e oralidade, que me é imputada, ou é uma caluniosa mentira ou uma prova de preocupante iliteracia – porque é precisamente M.G.M. que nela incorre. Como pode uma autora, que defende o princípio etimológico como sendo estruturante de uma língua, confundir a rectidão da escrita (orto-grafia) e a oralidade volátil, modulada segundo hábitos regionais? É esta, como defende M.G.M., que deve pautar a correcção da grafia? E que têm os acordistas a dizer com respeito às facultatividades – será que “facilitam a escrita”, como muitos afirmam?

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