Debate no Goethe Institut, 09.01.2012 (vídeo 1)


«Conversa com Maria Alzira Seixo, Rui Zink e Vasco Graça Moura»
Goethe Institut, Lisboa, 09.01.2012.

As intervenções dos três oradores convidados.

[A posteriori foram acrescentadas algumas intervenções de pessoas da assistência. Ver AQUI apenas estas.]

Pedimos desculpa pelos problemas técnicos de montagem que esta “playlist” (sequência de gravações) apresenta, nomeadamente na sincronização som/imagem e quanto às passagens de uma parte para a seguinte. O importante é que se entendam os testemunhos dos intervenientes, o que felizmente acontece, e que fique para a posteridade o registo de tão importantes depoimentos.

Filmagem de Rui Valente. Montagem de JPG.

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Teresa Salema subscreveu a ILC

Teresa Salema (nome literário de Teresa Maria Loureiro Rodrigues Cadete) nasceu em Lisboa, em 23 de Outubro de 1947. Concluídos os estudos liceais, partiu para a Alemanha Federal e, posteriormente, para Berlim Ocidental, onde, na Universidade Livre, se licenciou em Estudos Germanísticos, Ciências Políticas e Ciências da Comunicação. É actualmente Assistente de Cultura Alemã na Faculdade de Letras de Lisboa.

Para além de diversos textos científicos na área da sua especialidade, publicou anteriormente “Entre Dois Países”, 1978, (sob o nome de Teresa Rodrigues Cadete) e “Nós. Outros”, 1979, (em colaboração com Casimiro de Brito).

Educação e Memória de André Maria S. – obteve em 1981 o Prémio de Ficção de Originais Portugueses instituído pela Associação Portuguesa de Escritores com o patrocínio do Instituto Português do Livro, sendo o respectivo júri constituído por Augusto Abelaira, José Palla e Carmo e Manuel Frias Martins.

Sobre o “acordo ortográfico” (im)propriamente dito, Teresa Salema deixou-nos um comentário neste mesmo site:

«Será a falta de educação musical obrigatória que torna tantas pessoas indiferentes a esta hecatombe das nossas raízes comuns europeias? Ficaremos à deriva no meio do oceano, do lado de fora de um Brasil que não pediu nada disto e ignorando a dignidade dos nossos irmãos africanos? Temos o direito à diferença, à plasticidade da nossa língua. A pretexto de terem uma aprendizagem facilitada, os miúdos na escola não verão dificultada a aprendizagem de outras línguas de raiz indo-europeia??? Subscrevi a iniciativa em nome da preservação do nosso mais precioso instrumento comunicativo.»

Subscreveu a Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação da entrada em vigor do “acordo ortográfico”.

Este é mais um perfil publicado na “galeria” de subscritores, activistas e apoiantes da ILC pela revogação do “acordo ortográfico”.

Nota: esta publicação foi autorizada pela subscritora.

[Nota biográfica transcrita de http://www.mulheres-ps20.ipp.pt/Teresa_Salema.htm#Biografia. Foto de http://www.internationalpencongress2011.com/centri.php?id=36]

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«Primeira ronda» [Goethe Institut]

O mal-estar com o Acordo Ortográfico de 1990
(na sequência da sessão de 9.1.2012 no Goethe-Institut)

A sessão teve uma dinâmica que só o entusiasmo e a raiva e a vontade de defender a pele da língua que é nossa, uma forma de energia viva e não de ergon que se funcionaliza, comercializa, retalha e manipula, podem dar. A biblioteca do GI estava cheia, nem havia cadeiras para todos aqueles que se preocupam com os livros que lêem, com o que os filhos aprendem nas escolas, com os letreiros (mal) escritos nas ruas, com revistas e jornais que soam de forma estranha. Trata-se, nem mais nem menos da modulação de uma língua em vias de quebrar amarras com as suas congéneres europeias para embarcar em falácias e quimeras de uma pretensa unificação lusófona, quando todos sabemos que o sabor e o encanto da diversidade é aquilo que nos mantém curiosos e vivos face à comunidade falante de um português. Esse sim que incorpora palavras e neologismos mas não corta letras para que ingleses, franceses, alemães, suecos e noruegueses cultos (entre outros europeus) continuem a poder ler traços gerais nas nossas publicações graças à corrente etimológica indoeuropeia comum. De raiz ST – estável, estaca.

O PEN não pode deixar de defender a liberdade de expressão nem de abrigar sócios que pensem e escrevam de forma diferente. Mas o desafio da conflitualidade democrática obriga-nos a apresentar os melhores argumentos que tivermos e sobretudo a buscar plataformas onde possamos entender-nos, mesmo na dissonância. E obriga-nos, também por isso, a prosseguir com os debates.

Um obrigada daqui à Maria Alzira Seixo, ao Rui Zink e ao Vasco Graça Moura por se terem disponibilizado para esta primeira ronda!

1 comentários:
António Viriato disse…
Já salientei e elogiei a iniciativa. Partilhei também a notícia e enviei mensagem, mas receio que não tenha seguido, por qualquer anomalia informática momentânea.
Sugiro continuação de acções complementares à de ontem, que reuniu público interessado e bem informado. Nada está definitivamente perdido. Podemos e devemos agir em consonância com Angola e Moçambique que resistem à aplicação deste inconveniente Acordo Ortográfico, para o futuro do português africano e, sobretudo, do português europeu, na sua forma falada. É preciso agir. Saudações Cordiais.António Viriato_Lisboa_10-01-2012
11 de Janeiro de 2012 01:06


[Texto de “post” e primeiro comentário ao mesmo integralmente transcritos do blog “Proximidade“.]

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«O AO90 é uma submissão ao Brasil» [Bagão Félix, Antena 1]

Política

Bagão Félix considera que “o acordo ortográfico é uma submissão ao Brasil”

No Conselho Superior da Antena 1, António Bagão Félix criticou o acordo ortográfico adiantando que se trata de uma imposição artificial, não promove nem defende a língua portuguesa, e revela claramente uma submissão ao Brasil. Num tom bem humorado, Bagão Félix dá exemplos de como a falta de consoantes e acentos distorce o português.
2012-01-11 10:11:16

[Transcrição integral do resumo publicado juntamente com a gravação no site da Antena 1.]

Nota: os conteúdos publicados na imprensa ou divulgados mediaticamente que de alguma forma digam respeito ao “acordo ortográfico” são, por regra e por inerência, transcritos no site da ILC já que a ela dizem respeito e são por definição de interesse público.

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«O acordo (h)ortográfico» [Bagão Félix, JdN]

A língua, escrita ou falada, é a expressão viva da evolução social. Particularmente num mundo sem fronteiras, com novas formas de comunicação e de relação.

O português – a 5ª língua nativa mais falada – não foge a essa regra.

Mas uma coisa é a absorção de modificações que se vão verificando, outra é a sua imposição por decreto. O Acordo Ortográfico é o produto não de uma evolução natural e impregnada na prática, não de uma necessidade de defesa e promoção linguísticas, mas tão-só a imposição de iluminados, que o Estado avalizou, menosprezando posições diferentes e ignorando a voz do povo soberano.

O Acordo é também uma expressão de submissão às maiorias populacionais. Neste caso, do Brasil. Esquece-se que uma língua se enriquece na diversidade e se empobrece na “unicidade” por forçada via legal. Claro que há sempre prosaicas justificações mercantis (interesses?) em sua defesa e há quem vá ganhar com tudo isto.

Imagina-se o Governo britânico a uniformizar a grafia de vocábulos escritos nos Estados Unidos ou Austrália (v.g. “realise”/”realize”, “center”/”centre” ou “labour”/”labor”)? Ou o castelhano a adaptar, por lei, a escrita de certos vocábulos na Argentina?

Pequeninos geograficamente, teimamos em ser pequeninos patrioticamente. Dizia sabiamente Fernando Pessoa: “A palavra escrita é um elemento cultural, a falada apenas social”.

Adivinhem o que se quer dizer com “não me pelo pelo pelo de quem para para desistir”? Na rejeitada e antiga grafia escreve-se: “não me pélo pelo pêlo de quem pára para desistir”

Já não nos chegavam os agravos à nossa língua nas tv e textos públicos, eis que os tornam agora obrigatórios. Os “supônhamos” e “houveram” de braço dado com os “suntuosos” e os “contrassensos”.

Enfim, a lógica da batata. Ou da ” (H)ortografia”.

Bagão Félix

[Transcrição integral de artigo da autoria de Bagão Félix publicado no “Jornal de Negócios” de 10.01.2012.]

Nota: os conteúdos publicados na imprensa que de alguma forma digam respeito ao “acordo ortográfico” são, por regra e por inerência, transcritos no site da ILC já que a ela dizem respeito e são por definição de interesse público.

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