Maria José Abranches subscreveu a ILC

Maria José Abranches Gonçalves dos Santos

Licenciada em Filologia Românica, pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Professora efectiva do Ensino Secundário (Português e Francês), em Lagos, de 1980 até à sua aposentação no final de Janeiro de 2006.

Foi também professora de Português no Departamento de Estudos Ibéricos da Universidade de Paris III, na qualidade de chargée de cours (de 1972 a 1976) e de Leitora, pela mesma Universidade e pelo ICALP (de 1976 a 1980).

Porque sou contra o Acordo Ortográfico de 1990?

Cresci entre familiares e professores que me incutiram o amor e o respeito pela nossa língua, bem colectivo, patrimonial e identitário, de que apenas temos o usufruto, “responsável”, em vida. Cedo interiorizei que é pela língua que realizamos plenamente a nossa condição de humanos. É ela que nos estrutura, é por ela que acedemos ao conhecimento de nós próprios, dos outros, da vida e do universo. É ela que nos torna livres e iguais, solidários e únicos.

Por isso me choca e me indigna o modo como o Estado e as instituições responsáveis têm tratado a nossa língua materna, ignorando-a ou rebaixando-a e subalternizando-a em nome de interesses que lhe são alheios e hostis. No país, o ensino do Português, graças às políticas e orientações do Ministério da Educação, está de rastos. No estrangeiro, as nossas comunidades estão longe de ter o apoio de que precisam e a que têm direito, visto que o Instituto Camões defende outras prioridades. A Academia das Ciências – que levou duzentos anos para produzir um dicionário que está longe de ser a obra de referência de que necessitamos – vive há décadas elaborando e promovendo acordos ortográficos com a Academia Brasileira de Letras, designadamente o de 1990 que agora nos ocupa… E o Estado, que se diz democrático e que tão pouco tem zelado pela nossa língua materna, decidiu impor-nos arbitrária e ditatorialmente uma ortografia que em nada corresponde à sua índole, à sua história ou à sua evolução.

Este Acordo Ortográfico é uma fraude do ponto de vista linguístico, não favorece nenhuma uniformização ortográfica, aliás totalmente desnecessária, ignora a reforma brasileira de 1907, para num tom “vexatório” culpabilizar a nossa reforma de 1911 pela dupla ortografia da língua, impõe “mutatis mutandis” os “princípios” que o Brasil rejeitou em 1945 (consoantes mudas, acentuação), resumindo, é uma mera cedência ao “nacionalismo linguístico” brasileiro, visando descaradamente a promoção universal do “português.br”.

De facto, os cerca de 15 milhões de falantes portugueses que nós somos são irrelevantes, para quem embasbacou perante os quase 200 milhões de brasileiros! É a capitulação nacional perante a força do número e do dinheiro!

Aos que gostam de nos chamar “velhos do Restelo”, aconselho que leiam atenta e integralmente “Os Lusíadas”: perceberão que não nos estão a insultar, como gostariam! E leiam também estas duas passagens:
“… esteve perto/ De destruir-se o Reino totalmente,/ Que um fraco rei faz fraca a forte gente.” (Canto III, CXXXVIII);
“Fazei, Senhor, que nunca os admirados/ Alemães, Galos, Ítalos e Ingleses/ Possam dizer que são pera mandados,/ Mais que pera mandar, os Portugueses.” (Canto X, CLII).

Nota: esta publicação foi autorizada pela subscritora, que elaborou estes conteúdos expressamente para o efeito.

Evidentemente, Maria José Abranches subscreveu também a Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação da entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990, participando desde o início nesta acção cívica com determinação, coragem e dedicação.

Galeria de subscritores, militantes e apoiantes.

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A querela ortográfica? Que quer ela?

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Ainda o desacordo ortográfico

Por José Queirós

Reclamações e dúvidas sobre a orientação do PÚBLICO face às novas regras de escrita em português

Cinco semanas atrás, em crónica dedicada às inquietações de alguns leitores sobre a vontade do PÚBLICO em manter-se fiel à sua anunciada recusa de aplicar as normas do Acordo Ortográfico (AO), escrevi que presumia – não o podendo saber ao certo – que boa parte dos leitores simpatizasse com a opção assumida pelo jornal. Tal presunção baseava-se, como expliquei, no facto de receber numerosas mensagens manifestando apoio à posição do PÚBLICO, ou o receio de que ela possa vir a ser alterada face à aproximação da entrada em vigor do AO no sistema de ensino e na administração pública. Em contrapartida, nunca me tinham chegado reclamações contra a fidelidade do jornal à ortografia tradicional.Já não é exactamente assim. No próprio dia da publicação dessa crónica, escreveu-me o leitor Manuel Leal, a colocar-me, em mensagem escrita de acordo com as normas do AO, “a hipótese de o PÚBLICO receber mais cartas de apoio à orientação atual simplesmente porque tem tido grande êxito em afastar todos os leitores que (…) não se reveem na histeria dos opositores ao acordo”. É uma hipótese possível, mas que me parece pouco convincente. Tenho recebido por vezes cartas de leitores comunicando que tencionam pôr termo (ou que admitem fazê-lo) à sua ligação ao jornal, por um qualquer motivo de desagrado com a linha editorial ou algum trabalho jornalístico concreto, mas nunca por discordarem da posição adoptada na querela ortográfica. Por outro lado, a direcção editorial informa-me de que as reacções que lhe chegam sempre que o tema regressa com alguma força às páginas do jornal, como sucedeu nas últimas semanas, são esmagadoramente favoráveis à orientação vigente.
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«Minifesto» [Marcelo Soriano, Brasil]

Marcelo Soriano
Brasileiro, escritor, Engenheiro, Cidadão da Língua Portuguesa.

Apoia a Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação da entrada em vigor do “acordo ortográfico”.

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Onde assinar a ILC: restaurante Pinto's 2, Estoril


O restaurante Pinto’s 2 fica nas arcadas ao fundo da alameda do Casino Estoril, mesmo ao pé da estação dos comboios. Abre às 8 da noite e fecha às 2 da madrugada.

Encerra às 3ªs Feiras.

A partir de agora poderá subscrever a ILC pela revogação da entrada em vigor do “acordo ortográfico” também naquele local.

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«Acordo ortográfico é um desastre» – José Cutileiro

 

O embaixador José Cutileiro fala à RDP sobre o “acordo ortográfico”.

«Este último acordo ortográfico é um desastre. De maneira que talvez o actual Governo pudesse pensar em pô-lo de parte.

É uma coisa completamente absurda e só pode ter sido feito por gente que não faz ideia do que é ler ou escrever. Espero que este Governo se lembre de pôr isto de parte.»

Gravação extraída do programa “Visão Global” da RDP – Antena 1 emitido em 25.07.11.

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