Proteste!

Enviada: segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2011 15:07
Para: decolx@deco.pt
Assunto: Protesto
Importância: Alta

 

Para: DECO, Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor

         DECO PROTESTE, Editores, Lda.

 

Ex.mos Senhores,

 

Venho por este modo manifestar o meu profundo desagrado para com a DECO, de que sou sócio há muitos anos (n.º ……..). Motivo: a vossa decisão de adoptar desde já o novo Acordo Ortográfico nas vossas publicações e suportes, “poupando nas letras”, numa atitude seguidista acrítica e, a meu ver, pouco séria.

 

Contenção e prudência nesta matéria seriam o mínimo a esperar de uma entidade que se preocupa com os direitos dos consumidores. Mas seria até desejável que procurassem informar-se para saber se os portugueses aceitam que os políticos assim lhes estropiem a língua, componente essencial da sua identidade.

 

Em vez disso, a DECO pactua consciente ou inconscientemente com a conspiração de silêncio que tem imperado nos media e que tem contribuído para a opacidade e a prepotência com que este Acordo nos está a ser imposto. Quem tem medo de discutir abertamente o Acordo e as suas implicações? Quem receia o debate independente e cientificamente informado a que os cidadãos têm direito, num país livre, soberano e democrático?

 

Assim, a DECO também acha legítimo que a CPLP decida por nós, daquilo que é para nós vital, nos termos explicitados no Acordo do Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, de que destaco:

 

“Tendo em conta que, desde a IV Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), ocorrida em Brasília em 31 de Julho e 1 de Agosto de 2002, se adoptou a prática, nos Acordos da CPLP, de estipular a entrada em vigor com o depósito do terceiro instrumento de ratificação; (…)”

 

A CPLP é constituída por oito países soberanos e independentes. Estranha esta concepção de soberania e de democracia que permite que três dentre eles decidam sobre a língua que todos partilham e que constitui o cimento da própria organização!

 

E foi esta “prática”que permitiu a “nova redacção” do Artigo 3.º do Acordo assinado em 16 de Dezembro de 1990 e que previa que este só entraria em vigor “após depositados os instrumentos de ratificação de todos os Estados”. E quem foram os três primeiros países a ratificar o Acordo? Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe! Dá que pensar: basta que o Brasil esteja interessado, facilmente arranja mais dois pequenos países para o apoiarem…Com a garantia de que Portugal se apressará a submeter-se!…

 

Note-se ainda que foi também desrespeitado o Artigo 2.º do Acordo, que previa que um ano antes da entrada em vigor do mesmo fosse elaborado “um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa, tão completo quanto desejável e tão normalizador quanto possível, no que se refere às terminologias científicas e técnicas.”

 

Quem tem interesse neste Acordo inúmeras vezes denunciado pelos especialistas como desnecessário, inútil, perigoso e desprestigiante para a nossa língua, português europeu? Porque não é possível fazer ouvir a voz dos portugueses que são contra, e são muitos, criando este clima fictício de aparente unanimidade, em tudo oposto à liberdade de expressão, marca incontornável de qualquer estado democrático?

 

Fico aguardando a vossa resposta, pois espero que respondam, contrariando outra prática muito em voga no nosso país, que é de fazer de contas que ninguém falou…

Os meus cumprimentos,

                                                 Luís Manuel Robert Lopes

 

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100.000 dizem NÃO!

Atendendo a que “Causes” é uma simples “aplicação” (application, ou seja, um programa como qualquer jogo, por exemplo), logo, externa ao Facebook, e sabendo-se que milhares de pessoas bloqueiam todos as “aplicações” ou só aquela, atingir – mesmo assim – cerca de 1/5 dos portugueses que têm conta activa nesta “rede social”, bem, é qualquer coisa.

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Carta aberta à Igreja Católica

Lisboa, 15 de Fevereiro de 2011.

Eminência Reverendíssima,

Após todas as tentativas levadas a cabo por amigos empenhados numa causa de interesse nacional, verifica-se que os portugueses, como em tudo o resto, se encontram adormecidos perante um grave caso de delapidação de um património inalienável, aquele único que, depois da nossa mãe, tem um valor sentimental que suplanta o da bandeira, do hino ou dos juramentos sem alma a que muitos actores sociais têm levado a sociedade a assistir.

A Língua-mãe é uma herança que, passando incólume por todas as modas, assegura a nossa ligação ao passado, transportando-nos, seguros da nossa identidade, onde quer que passemos no mundo. Ler palavras escritas na nossa língua materna devolve-nos a casa onde quer que nos encontremos e põe-nos em contacto com um mundo do qual nenhum português digno desse nome deveria abrir mão.
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Este acordo gráfico é de assinar, sim.

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«a menor das dificuldades»

À semelhança da anterior, também esta reprodução de um “post” publicado ainda nos primórdios da ILC poderá ajudar a entender muita coisa sobre a nossa já longa luta.

No essencial, ressalta também deste texto uma surpreendente actualidade que poderá, se calhar, servir como incentivo acrescido para aquilo que ainda nos espera.


«Ega, em suma, concordava. Do que ele principalmente se convencera, nesses estreitos anos de vida, era da inutilidade do todo o esforço. Não valia a pena dar um passo para alcançar coisa alguma na terra – porque tudo se resolve, como já ensinara o sábio do Eclesiastes, em desilusão e poeira.

– Se me dissessem que ali em baixo estava uma fortuna (…) à minha espera, (..) se eu para lá corresse, eu não apressava o passo… Não! Não saía deste passinho lento, prudente, correcto, seguro, que é o único que se deve ter na vida.

– Nem eu! – acudiu Carlos com uma convicção decisiva.

E ambos retardaram o passo, descendo para a rampa de Santos, como se aquele fosse em verdade o caminho da vida, onde eles, certos de só encontrar ao fim desilusão e poeira, não devessem jamais avançar senão com lentidão e desdém.

(…)

– Espera! – exclamou Ega – Lá vem um «americano», ainda o apanhamos.

– Ainda o apanhamos! Os dois amigos lançaram o passo, largamente. E Carlos, que arrojara o charuto, ia dizendo na aragem fina e fria que lhes cortava a face:

– Que raiva ter esquecido o paiozinho! Enfim, acabou-se. Ao menos assentamos a teoria definitiva da existência. Com efeito, não vale a pena fazer um esforço, correr com ânsia para coisa alguma…

Ega, ao lado, ajuntava, ofegante, atirando as pernas magras:

– Nem para o amor, nem para a glória, nem para o dinheiro, nem para o poder…

A lanterna vermelha do «americano», ao longe, no escuro, parara. E foi em Carlos e em João da Ega uma esperança, outro esforço:

– Ainda o apanhamos!

– Ainda o apanhamos!

De novo a lanterna deslizou, e fugiu. Então, para apanhar o «americano», os dois amigos romperam a correr desesperadamente pela rampa de Santos e pelo Aterro, sob a primeira claridade do luar que subia.»

[in Os Maias, de Eça de Queirós]

” – Ainda o apanhamos!”*

Uma forma relativamente expedita para ainda podermos barrar o abominável disparate que é o Acordo Ortográfico seria a apresentação de uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos junto da Assembleia da República.

Tratar-se-ia, por conseguinte, de submeter à aprovação do Parlamento um documento legal, subscrito por um mínimo de 35.000 cidadãos, com a finalidade de suspender a entrada em vigor do dito Acordo Ortográfico.
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