O apagão

Provedor do Telespectador – RTP Aconselho vivamente a lerem os Termos e Condições da utilização desta página. A página não será uma plataforma para os telespectadores anti-acordo nem será um elemento de contestação de leis já aprovadas como é o Acordo Ortográfico.

01.09.11, c. 23:15 h

Glória Saraiva Tudo o que aqui foi postado, por mim, foi propositadamente apagado, ou é alguma “loucura” do FB? É que não consigo visionar todos os comentários que foram sendo tecidos durante esta tarde.
Não sendo um problema do FB,
considero PURA E CRUA CENSURA.

João Pedro Graça Acabo de (re)ler os “termos e condições” da página.
«A RTP reserva o direito de remover os comentários que, designadamente:

• Sejam considerados ofensivos e provocadores;
• Sejam racistas, homofóbicos, sexualmente explícitos e abusivos;
• Contenham linguagem passível de ofender;
• Passíveis de serem ilegais ou que promovam actividades ilegais;
• Promoção de serviços comerciais;
• Sugiram a existência de um perfil falso ou usurpação de identidade;
• Incluam contactos – números de telefone, endereços e correio electrónico;
• Descrevam e promovam actividades que ponham em causa o bem-estar dos outros;
• Sejam considerados SPAM (posts com a mesma mensagem, colocadas diversas vezes);
• Não tenham, repetidamente, qualquer relação com o tema da página;»

Sr. Provedor, de novo com o devido respeito, permita-me que lhe coloque uma questão: em qual ou quais destas categorias se inserem os meus comentários (e os de outras pessoas) sobre o acordo ortográfico?
Antecipadamente grato pelo esclarecimento.

Glória Saraiva Parece que o Provedor não aguenta qualquer reparo, então porque a existência desta página?
Até ver, censura por trazer à liça, um assunto, que como qualquer outro assunto criado pelo Homem, não PODERÁ SER DADO COMO ENCERRADO, nunca , nunca.
Tudo tem de Direito ao contraditório, tudo. E o assunto foi tratado com urbanidade.
Este assunto não ficará por aqui, sinto-me lesada nos meus
DIREITOS !

Joao Roque Dias Voltamos ao lápis azul, senhor Provedor? Ou resolveu não deixar encerrado esse miserável capítulo da nossa história?

João Pedro Graça Antecipando desde já, porque nenhuma outra alínea poderá nem mesmo remota ou vagamente ser aplicada aos meus comentários que V. Exa. apagou, que a ser o caso da que refere «Passíveis de serem ilegais ou que promovam actividades ilegais», e atendendo a que V. Exa. continua a referir a “lei que está em vigor”, referindo-se ao AO90, devo dizer, na qualidade de subscritor da ILC pela revogação do “acordo ortográfico”, que não existe a mais ínfima ilegalidade no exercício de um direito de cidadania previsto na Constituição Portuguesa. Aliás, não existe tal em vários direitos constitucionais, a começar pelo direito à liberdade de expressão e pensamento e a acabar na própria promoção de uma iniciativa legislativa que tem por vista liquidar uma lei que nem sequer é lei nenhuma.

Manuela Carneiro Em nenhum comentário dos leitores vi faltarem com o respeito a alguém. Se estamos numa democracia o cidadão tem o direito e dever de dar a sua opinião.A RTP não é património do País? como vocês que a dirigem querem ser os “donos” dela?

Paulo Ramires O que se está aqui é passar é vergonhoso para a liberdade de expressão e para a Democracia, desde quando expressar-se uma opinião (criticando o AO) é ilegal neste país ? Só de for na Coreia do Norte e mesmo assim duvido.

Estes são alguns dos comentários que não foram apagados (até este momento) pelo Provedor do Telespectador da RTP, em resposta a uma pergunta que ele próprio tinha colocado e que também apagou posteriormente, referindo-se ao acordo ortográfico: «Provedor do Telespectador – RTP wrote: “Já agora: o assunto a discutir seria este? Ou seria outro?”» (publicado cerca das 19:42 de ontem, dia 1).

Um dos comentários apagados mas do qual felizmente recebemos cópia foi este:
«Glória Saraiva also commented on Provedor do Telespectador – RTP’s status.
Glória wrote: “Este assunto, caro Provedor, parece-me premente! Saudações!“» (publicado cerca das 19:45 de ontem, dia 1).

Comentários para quê?

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O AO90 no Correio da Manhã

Discurso directo

“Acordo Ortográfico é completamente inútil”

Inês Pedrosa, escritora, fala sobre o novo Acordo Ortográfico, esperando continuar a escrever segundo a antiga grafia

Por:Rui Pedro Vieira

Correio da Manhã –É contra a aplicação do novo Acordo Ortográfico?
Inês Pedrosa – A minha discordância profunda deve-se ao facto de aquilo que o move, que é uma suposta unificação ortográfica, na verdade não se verificar. É uma coisa ignorante. No termo ‘recepção’, por exemplo, à luz do novo acordo perde-se o ‘p’, mas os brasileiros mantêm–no porque o lêem.

– Falha, portanto, o seu principal objectivo…
– Sim. Gastou-se muito tempo e dinheiro para um acordo que não funciona. E era preciso contabilizar isso… Há palavras que perdem a referência ao latim, algo que nos permitia perceber a etimologia. O novo acordo é, no fundo, completamente inútil.

– Mas vai agora ser aplicado nas escolas.
– Sim. Os alunos vão aprender a nova ortografia, e o que vai acontecer é que se vai deitar livros fora e as pessoas vão deixar de saber escrever. Li o texto do acordo e posso dizer que dificulta a compreensão da língua.

– Está habituada a ler à luz das novas regras?
– Não perturba a leitura. Há diferenças. Tenho lido jornais que seguem o novo acordo, mas há um empobrecimento da língua.

[Transcrição integral de artigo publicado no jornal Correio da Manhã de hoje, 02.09.11.]

Literatura: Editoras já aplicam a nova grafia

Acordo à vontade do autor

A maioria dos autores nacionais vai continuar a poder publicar livros à luz da escrita pré-acordo ortográfico. Apesar de muitas obras começarem a chegar às livrarias nas próximas semanas com as novas regras – seguindo também a sua aplicação no novo ano lectivo –, as grandes editoras deixam do lado dos escritores a decisão de aplicarem a nova grafia. E muitos nomes, incluindo António Lobo Antunes, Miguel Sousa Tavares, Inês Pedrosa, Vasco Graça Moura ou Mia Couto, estão contra.

Por: Rui Pedro Vieira

Ao CM, o grupo Leya, que representa os nomes acima citados, assume que “começaram já a sair [livros] de acordo com as novas regras, nomeadamente as traduções de obras estrangeiras”. E, sem avançar nomes, reconhece o regime de excepção: “Quanto às obras de autores de língua portuguesa, a mesma regra se aplicará, embora nestes casos deixemos ao critério dos autores e respeitemos a grafia que entenderem seguir.” Ou seja, a opção deve passar a constar da ficha técnica, explicando–se que o livro em questão segue o acordo ortográfico de 1990.

O CM sabe que entre os defensores da nova grafia estão os escritores José Eduardo Agualusa, Lídia Jorge ou Pepetela.

A posição de colocar do lado dos escritores a hipótese de adoptarem ao novo acordo é transversal a grupos como a Babel, Presença ou Porto Editora. Esta última diz, porém, que “até agora não há autores que tenham mostrado resistência ao acordo”.

Ao CM, o responsável pela comunicação da Porto Editora, Paulo Gonçalves, explica que “a adaptação vai ser progressiva até 2014 e 2015” e que ficarão de fora “os clássicos de carácter histórico cuja ortografia dominante seja antiga”.

[Transcrição integral de artigo publicado no jornal Correio da Manhã de hoje, 02.09.11.]

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É bonito…


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Mas eu cá pronuncio isso…

b) Eliminam-se nos casos em que são invariavelmente mudos nas pronúncias cultas da língua:
ação, acionar, afetivo, aflição, aflito, ato, coleção, coletivo, direção, diretor, exato, objeção;
adoção, adotar, batizar, Egito, ótimo;

[Acordo Ortográfico, Base IV , Das sequências consonânticas, parágrafo 1º – b)

Não virá nenhum mal ao mundo – nem à luta contra o AO90, propriamente dita – que as pessoas se vão recusando a usar o acordês no seu dia-a-dia. Em especial para professores, formadores ou educadores em geral o expediente pode bem resultar sem consequências de maior ou até sem nenhumas.

Em suma, é tudo uma questão de usar as “determinações” e as “regras” do próprio acordo para… não o usar nunca. Bastará para isso passar a pronunciar expressamente as ditas “consoantes mudas” que, por conseguinte, deixarão imediatamente de ser… “mudas”: aCção, direCtor, exaCto, EgiPto, etc.

Assim, eliminando na oralidade (e apenas para o efeito) “os casos em que são invariavelmente mudos”, passará a ser perfeitamente legítimo – e completamente “ao abrigo do AO90” – grafar esses mesmíssimos casos tal e qual como se pronunciam; variavelmente, é certo, ou seja, apenas nós e mais umas quantas pessoas (ninguém saberá ao certo quantas) pronunciarão as tais “consoantes mudas”, mas o caso é que então já não haverá aquele “invariavelmente” a atrapalhar o caso. E note-se que não existe nenhuma lei, determinação ou sequer regra que nos possa impedir de as pronunciar; aliás, como sabemos, há por aí muita gente que pronuncia algumas ou todas elas, sempre ou apenas em algumas ocasiões.
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Vestir a camisola

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