Em defesa da ortografia (por João Esperança Barroca)

EM DEFESA DA ORTOGRAFIA
II
Ou o AO 90, os partidos políticos, Tomar e os cidadãos

Como é hábito em Portugal, a discussão sobre o Acordo Ortográfico foi sendo desviada do essencial, com a irracionalidade a invadir o debate. Os contra eram uma cambada de retrógrados, os apoiantes
davamprovas de progressismo. O curioso é que nesta matéria, o sonho imperial
e saloio do cavaquismo linguístico deu as mãos ao deslumbramento
modernaço e igualmente saloio do socratismo.

Ana Cristina Leonardo, autora do livro O Centro do Mundo

No primeiro artigo de opinião, publicado no n.º 4334, em 29 de Junho, abordámos pormenorizadamente o projecto de resolução n.º 1340/XIII/3.ª, de iniciativa do PCP, que recomendava a saída de Portugal do Acordo Ortográfico (AO) de 1990.

Alguns dias depois, em Março, em carta de demissão do cargo de secretário-geral do PSD, Feliciano Barreiras Duarte escrevia nos pontos 6, 8 e 9 dessa carta os excertos que se seguem:
6. Ao mesmo tempo, tenho perfeita consciência, como qualquer observador minimamente atento, de que não sou eu o alvo, mas sim o líder do meu Partido e a sua direcção; por isso ficar seria avolumar o problema e não contribuir nada para a solução.
8. Espero que a minha demissão faça cessar os ataques à direcção do PSD e permita que o Dr. Rui Rio, a quem agradeço a confiança e a amizade, bem como a sua equipa, consigam atingir os objectivos que justamente perseguem, pois isso é o que é o melhor para o País e deve constituir a única preocupação de todos e de qualquer de nós.
10. Não há lugar a arrependimentos: dediquei os melhores anos da minha vida ao PSD e à actividade política e voltaria a fazer o mesmo, pois considero que servir o País é o mais nobre dos deveres.

Verifica-se, pois, que o deputado Feliciano Barreiras Duarte utiliza, nos seus escritos, a grafia anterior ao AO 90 (direcção, objectivos e actividade), mas, na Assembleia da República, vota ao lado dos que defendem a grafia do AO 90, promovendo uma ortografia incoerente e que não respeita a etimologia. Provavelmente, nem ele saberá explicar esta contradição…

Foi (e é) contra o caos ortográfico, que o AO 90 veio potenciar, que a Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico foi lançada há já alguns anos.

Curiosamente, até ao momento há, no nosso concelho, 423 subscritores, distribuídos pelas várias freguesias, com predomínio da freguesia urbana.

O que o leitor certamente não sabe é que Tomar é um dos concelhos mais representados, ficando, em valores absolutos, em 7.º lugar a nível nacional, apenas suplantado por Lisboa, Porto, Sintra, Oeiras, Lagos e Cascais. Se tivermos em conta a população de cada um destes concelhos, concluiremos que os números de Tomar são bastante impressionantes, pois, com excepção de Lagos, todas as outras cidades são grandes centros populacionais.

Coloquemos Tomar no pódio da recolha de assinaturas da Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico (ILCAO). Se ainda não assinou, não deixe de o fazer. Divulgue-a junto dos seus amigos e familiares.

Será, nas palavras sábias de Maria do Carmo Vieira, um acto de resistência contra a mentira e contra a hipocrisia. A Língua Portuguesa, património cultural e artístico, agradecer-lhe-á. Se tiver alguma dúvida acerca desta iniciativa, consulte o sítio oficial da ILC: https://ilcao.com/subscricoes/subscrever/

João Esperança Barroca

(artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de 27 de Julho de 2018)

 

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