“Quantas assinaturas temos?” Primeiros números

susbscricao_manuscritaImaginem uma pilha de folhas A4 com dois metros de altura. Imaginem que a cada folha correspondem, no mínimo, quinze dados diferentes, entre texto, números e campos alfa-numéricos.

Como? — perguntarão — não é só o nome, nº de BI e número de eleitor?

De facto, não é só isso. A cada subscrição corresponde um número de série, o nome completo, o sexo do subscritor (um dado estatístico que não é irrelevante, ao contrário do que poderão pensar), o tipo de cartão de identificação, o número desse cartão, a data de nascimento do subscritor (caso conste), o número de eleitor, freguesia e concelho de recenseamento, a data de subscrição, o número da operação de levantamento de dados, o código do operador responsável pelo levantamento, o número da caixa onde se encontra a subscrição (ou o nome do respectivo ficheiro, quanto às recebidas por email), a indicação do suporte da subscrição (digitalizada ou em papel) e dois campos para observações (endereço de email ou postal, dúvidas, erros, anotações várias).

Contas por alto e de cabeça, isto dá algo como 225.000 dados a recolher. Se tomarmos como média 80 caracteres por subscrição chegamos à bonita soma de 18 milhões de teclas premidas nos computadores onde está a ser feito o levantamento.

Foi esta a informação que nos propusemos recolher, na sequência das novas regras para as ILC aprovadas pela Assembleia da República em Julho passado. E foi o que começámos a fazer depois de actualizado o nosso processo junto da Comissão Nacional de Protecção de Dados, tal como anunciámos no dia 21 de Agosto.

E tudo isto para quê?

Por uma razão muito simples: a instalação de um inédito formulário online para a subscrição da ILC obriga-nos a ter, na ponta dos dedos, a lista completa dos cidadãos que subscreveram e subscrevem ainda a ILC-AO em papel — de contrário, seria impossível sabermos se cada nova subscrição online é de facto uma nova subscrição ou se é apenas alguém que, inadvertidamente, está a duplicar a sua própria subscrição em papel. Esta era, de facto, uma etapa inevitável.

Já sabíamos que iria ser morosa. Só não imaginámos até que ponto, havendo tantas pessoas envolvidas, cada qual com sua vida pessoal, seu emprego, sua família, seus problemas particulares e seu próprio tempo livre… ou falta dele.

Esta é uma empreitada que já mobilizou nove voluntários e, mesmo assim, está ainda por concluir. Pessoalmente, penitencio-me por não ter sabido medir a enormidade do trabalho que nos esperava — e os inúmeros obstáculos de toda a ordem que tínhamos, temos e teremos ainda pela frente.

O tempo que nos tem tomado esta tarefa não é, de forma alguma, tempo perdido para a luta contra o AO… mas esse mesmo tempo não chega para tudo — o que significa que há outras tarefas essenciais que ficam por fazer ou atrasadas. Como não é humanamente possível esticar as 24 horas do dia nem recolher dados com a mão direita e escrever “posts” com a esquerda, em simultâneo, alguma coisa passa necessariamente para segundo plano. Enquanto estamos a recolher dados não escrevemos textos, não divulgamos a Causa, não angariamos novos subscritores, não podemos, em suma, estar no terreno tanto e tão activamente como seria necessário.

E enquanto isto… o AO alastra, espalha-se pelos órgãos do Estado como as metástases de um cancro num ser vivo, instala-se insidiosa e violentamente, continua a promover o caos na Comunicação Social, infecta as escolas, estupidifica professores e estudantes, ameaça funcionários públicos, polui mesmo até as ruas.

Já se anuncia a mais que previsível Comissão de Revisão do AO que pretende pôr-nos a todos a escrever numa língua de contrabando — Portugal passará a ser o único país do mundo em que, para escrevermos uma palavra, teremos de saber como se pronuncia essa mesma palavra noutro país.

Também por isso entendemos que não podemos esperar mais, quanto a este pormaior das subscrições. Mesmo sem termos ainda os resultados definitivos, publicamos hoje os primeiros números relativos às subscrições da ILC em papel.

Assim que possível, colocaremos na coluna da direita, junto ao calendário, uma espécie de contador com quatro quantitativos: o maior corresponderá ao total das subscrições já processadas; o número seguinte será o da contabilização das subscrições que, por uma razão ou por outra, tiveram de ser invalidadas; a seguir, em destaque, teremos o total já apurado de assinaturas validadas; por fim, um último número no painel representará o número de subscrições em papel que, por estimativa, falta ainda processar.

Será algo como isto, correspondente à data de hoje, 1 de Dezembro de 2016:

Já processadas: 10687
Invalidadas: 184

Validadas: 10503

A processar (est.): 3928

Este pequeno painel irá sendo periodicamente actualizado (e corrigido, se necessário), consoante os dados que faltam forem recolhidos e processados. Quando esse processamento estiver completo — acreditamos que já não falte muito mais tempo — poderemos então fazer duas coisas: por um lado, dar resposta a todas as pessoas que nos perguntam se já subscreveram a ILC. Por outro lado, poderemos finalmente somar às subscrições em papel as subscrições via formulário que forem efectivamente novas subscrições. Mas isto já serão “outros quinhentos”, como se costuma dizer.

Desde já vos deixo um alerta: o ritmo de subscrições tem mesmo de aumentar exponencialmente, em papel e sobretudo via Internet, para que possamos ultrapassar efectivamente o número mítico de 20.000 assinaturas. Volto por isso a pedir a todos os subscritores que se associem à divulgação desta vossa Iniciativa. Pela parte que me toca, estou a enviar e-mails personalizados a toda a gente da minha lista de contactos. Peço-vos que façam o mesmo. Esta ILC é vossa. Não podemos cruzar os braços e ficar à espera de que ela cresça por si mesma.

E pronto, aqui está então a resposta para a célebre pergunta “quantas assinaturas temos“.

Rui Valente

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