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Abr 08 2017

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A nossa memória colectiva

Nunca gostei de aniversários, a começar pelo meu próprio. Mas, na hora dos “parabéns”, há sempre uma voz amiga que me lembra: pior do que fazer anos é não os fazer…

Com a nossa ILC passa-se mais ou menos o mesmo. Cada ano de luta é mais um ano em que o “acordês” continua a (tentar) instalar-se, mais um ano em que o ensino público continua a ministrar às nossas crianças uma ortografia a-histórica, mais um ano em que a cegueira dos nossos governantes os impede de ver o óbvio: o Acordo Ortográfico é um embuste colossal que não serve para nada de bom.

Infelizmente, os defensores do acordo continuam a confundir, propositadamente, a evolução da Língua (um processo natural que ocorre todos os dias) com a evolução (?) da norma ortográfica em que essa Língua pode ser codificada.

Já disse isto nestas páginas, mas tenho de repetir: para o bem e para o mal, a reforma de 1911 procedeu, pela primeira vez, à FIXAÇÃO de uma norma ortográfica para o Português Europeu. Esta operação só tem de fazer-se uma vez. Fixada a norma, a única coisa que é preciso fazer é tratá-la bem, integrando com cuidado neologismos ou novas acepções para os lemas existentes. Não há melhor forma de preservar a nossa memória colectiva e a transmissão de pensamento entre gerações.

Vejamos um exemplo: em 1975 havia já tantos países a utilizar o papel A4 que a ISO (Organismo Internacional de Padronização) decidiu criar a norma que ainda hoje o regulamenta. Imagine-se o que seria se a ISO se divertisse a mudar, de vez em quando, uma norma que demorou anos a implementar e a fazer o seu caminho. Seria o cAOs…

É contra este cAOs que lutamos. E lembram alguns companheiros: passam hoje sete anos sobre o dia em que se recolheram as primeiras assinaturas em papel para esta Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o “acordo ortográfico”. É a primeira vez, desde que assumi a (tremenda) responsabilidade pela condução da ILC-AO, que se assinala esta data. E, tal como sucede com os meus próprios aniversários, não gosto de o fazer. Mas, tal como sucede quando eu próprio fico um ano mais velho, esta efeméride tem um lado bom — significa que ainda cá estamos. Faz hoje sete anos que lançámos uma frente de luta contra o AO90 que é, no fundo, tão velha quanto o próprio acordo — e que continua a fazer todo o sentido.

O “acordo” ainda não ganhou, nisto estamos todos de acordo. E, enquanto aqui estivermos, não ganhará nunca.

Portanto, muitos parabéns a todos nós — os que não esquecemos.

 

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