Traga mais dois

tshirt11-300x269Dissemos aqui que, depois do 28F, não vislumbramos outra saída para a revogação do AO que não seja a ILC. No entanto, a situação é agora bem mais difícil, até porque entretanto se aproxima a passos largos o fim do prazo de transição: 31 de Dezembro de 2015.

Este prazo, que compreende o final do período de transição previsto no Acordo Ortográfico, é, na prática, a linha que não devemos ultrapassar, sob pena de toda a luta contra o AO deixar de fazer sentido. Nessa data, começará a tornar-se real o argumento que os acordistas nos vendem já hoje como verdadeiro: começará a ser tarde para revogar o AO.

Por razões óbvias, sempre recusámos a divulgação do número total de assinaturas até ao momento. O anúncio de um número baixo seria certamente desmobilizador (e um argumento que podia ser utilizado pelos acordistas). Um número alto poderia ser igualmente desmobilizador, pela razão inversa, criando a falsa sensação de que o problema estaria resolvido.

Neste momento estão recolhidas 14.112 assinaturas válidas. Não é um número alto, mas também não é um número pequeno. Recordamos que se trata de assinaturas EM PAPEL, de cidadãos maiores de 18 anos e recenseados. Num país que perdeu a capacidade de se indignar, a participação cidadã esgota-se rapidamente. Imprimir um formulário, preenchê-lo, metê-lo num envelope e levá-lo ao correio parece estar acima da capacidade de mobilização de muitas pessoas.

Neste contexto, pensarmos que 14.112 cidadãos já o fizeram é para nós um motivo de orgulho. Acima de tudo, 14.112 pessoas representam já uma “massa crítica” considerável. Basta que cada pessoa que subscreveu a ILC angarie a assinatura de mais uma pessoa para que fiquemos muito próximo do objectivo final. E se cada subscritor trouxer duas assinaturas, o objectivo final será alcançado, com uma margem que, esperamos, será suficiente para prevenir o crivo dos serviços administrativos da AR, na validação das assinaturas por amostragem. Na prática são sempre necessárias mais de 35.000 assinaturas e o ideal é que esse número seja ultrapassado — de preferência, largamente ultrapassado.

Assim, no rescaldo do 28F, este é o desafio que lançamos a todos quantos subscreveram a ILC: subscreveu? Traga um amigo também. De preferência, traga dois.

Como sempre dissemos, esta ILC está, verdadeiramente, nas mãos dos seus subscritores.

Mãos à obra.

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16 comentários

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    • Jorge Pacheco de Oliveira on 12 Março, 2014 at 17:11
    • Responder

    Já assinei há cerca de quatro anos. É possível verificar se a minha carta foi recebida ? A quem devo contactar para o efeito ?

    1. @ Jorge Pacheco de Oliveira: uma vez que não há qualquer espécie de tratamento de dados (apenas uma numeração sequencial), não temos como verificar. No entanto, o mais natural é que tenha chegado sem problemas. Obrigada pelo seu cuidado!

    • Rocío on 12 Março, 2014 at 17:32
    • Responder

    Só tenho pena de não poder assinar pelo facto de ser estrangeira mas, vocês sabem, têm todo o meu apoio. É preciso revogar de vez o AO90. Portugueses, acordem!

    • Maria José Abranches on 13 Março, 2014 at 0:00
    • Responder

    Aqui me têm, para continuar convosco esta nossa luta!
    Professora de Português, condenei o AO90 assim que dele tomei conhecimento, aquando da sua publicação no DR. Acreditei depois que ele tivesse morrido, visto que nada se ouvia sobre o assunto. Em Março/Abril de 2008, o tema voltou à ribalta. Estudei melhor a questão e escrevi, em Abril de 2008, um primeiro texto que divulguei e entreguei no gabinete do Presidente da Câmara de Lagos, por entender que o poder local deveria estar mais próximo dos cidadãos. Subscrevi depois a Petição/Manifesto em defesa da língua portuguesa, lançada por Vasco Graça Moura e outros eminentes intelectuais. E continuei a escrever, sempre que possível. Quando tomei conhecimento, pelo jornal “Público”, da existência desta ILC, imediatamente a subscrevi e entrei em contacto com os seus promotores, a quem fui sempre enviando os meus textos e intervenções diversas. Tenho também recolhido e enviado as assinaturas que vou recolhendo, de porta em porta, muitas vezes com a ajuda de amigos e familiares.
    Porque estou agora a dizer tudo isto? Porque quero agradecer a todos os que tornaram possível esta frente de combate, aberta a todos nós, que nos tem mantido unidos e solidários, e que tem sido a vitrina constante e sempre renovada desta luta pela língua de Portugal!
    Continuemos pois, todos juntos, independentemente das nossas convicções políticas ou outras, a divulgar esta Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico e a recolher as assinaturas necessárias. Que o ano em que o país festeja os quarenta anos de Abril e da democracia seja também o ano em que a nossa língua recupere a liberdade e a dignidade perdidas!

    • Jorge Tavares da Silva on 13 Março, 2014 at 13:43
    • Responder

    O presente texto foi objecto de ume aula de Português, para os intérpretes estrangeiros da União Europeia que trabalham a partir do nosso idioma, para uma ou mais das outras 23 linguas oficiais da UE.
    Ouso esperar combater com esta pedrinha o Aborto ortográfico aberrante que nos querem aplicar à força.

    Jorge Tavares da Silva (Ex Funcionário europeu, escritor e conferencista).

    A LÍNGUA NÃO É UMA FERRAMENTA INERTE

    Classificar um idioma, seja ele qual for, na categoria dos objectos criados para trabalhar a matéria, como um vulgar martelo, uma chave de fendas ou um torno, é uma atitude difícil de acatar. A língua, para além do meio de comunicação que é, veícula valores culturais a vários níveis. Do mais evidente, meramente semântico, ao mais profundo – nocional, ou até sensual – talvez menos visível na medida em que integra, designadamente, conceitos económicos, técnicos, culturais e societais. Não menos importante é, certamente, o carácter de alavanca do poder, de que as potências dominantes, “nos tempos áureos do colonialismo”, usaram e abusaram para aplicar os seus imperativos, incluindo religiosos, enquanto elas próprias absorviam expressões, palavras e conceitos das culturas dos povos colonizados.
    Apesar desta constatação, a nível individual estas diversas facetas das línguas são raramente perceptíveis pelos locutores, embora muito permeáveis às influências e susceptíveis de interpenetrações, fontes de riquezas e de diversidades culturais.
    Bem assim, seria pueril e vão defender a pureza de um idioma em virtude de vagas ou indefiníveis classificações de primazia ou de superioridade. Nada há que o possa justificar. Aceitar ou avalisar fonemas ou expressões alheias, por moda ou sonolência intelectual, é igualmente despropositado. A dimensão cultural, o alargamento ou as transladações semânticas e/ou semiológicas das expressões e da comunicação num contexto dado, não podem servir de pretexto para a dilatação de tal ou tal dominante tecnológica na justificação do poder determinante de um grupo de locutores.

    Menos ainda se justifica que a potência económica de uma esfera geopolítica imponha fraseologias e conceitos a outros grupos ou regiões, por fúteis que pareçam para o utente ocasional. Não se trata, de modo algum, de recusar vãmente contribuições inovadoras para uma ou para várias outras culturas. Os séculos passados registaram inúmeras correntes positivas nesse sentido. Por demais, o enriquecimento de um idioma beneficia da permeabilidade do seu “casulo” a conceitos e expressões total ou raramente presentes no acervo próprio, num contexto sociocultural dado. De um modo geral, no tocante às línguas europeias mais usuais, a contribuição técnica ou artística de uma época determinada é concomitante ao enriquecimento linguístico relativo dos seus próprios conceitos, técnicas ou utensílios.
    Sobre este assunto, adaptando os exemplos de Pierre Guiraud, tomo a liberdade de me referir ao seu muito interessante tabalho de divulgação linguística: “Les mots étrangers”. (Que sais-je? n° 1166, PUF, 2e édition, 1971, pgs. 99 e seguintes). Esquematicamente, apresenta em cinco fases emblemáticas o mecanismo que rege o percurso da passagem de uma palavra do idioma de origem ao de chegada, a que junto alguns exemplos:
    1. Adopção da palavra e do objecto: [fr. motard, ingl. software].
    2. Adopção da palavra sem o objecto: [esq. igloo iglu, it. fiorino florim].
    3. Adopção do objecto sem a palavra: [saber-fazer ingl. know-how; macaco(de automóvel) fr. cric].
    4. Aportuguesamento da palavra: [fr. garage garagem, it. spaghétto(i) esparguete].
    5. Aportuguesamento do objecto: [fr. forfaitaire forfetário, it. battuta batuta].
    A estas cinco fases, acrescento uma sexta da minha lavra:
    6. Origens desconhecidas ou criações complexas. [bacalhau, cataplana, faca].

    Estes percursos verificam-se entre vários idiomas, com naturezas múltiplas consoante as épocas e as localizações espaço-temporais. Além disso, é frequente também a coexistência de outros fenómenos, tais como a criação de palavras por via erudita:
    [Cardápio lat. carta+daps (refeição, banquete+lista)], neologismo criado pelo médico e latinista brasileiro António de Castro Lopes, ou por via popular, por decalque fonético [fr. habitacle bitácula, ingl. sleeper chulipa].
    Neste campo, como em muitos outros, a referência única é e deve sempre ser, o Homem (antropos), no seu papel de actor, de espectador, de emissor e de receptor. É igualmente fundamental conhecer o seu próprio idioma e saber aplicar a expressão ou o fonema adequado quando existe, mesmo se se tratar de palavras estrangeiras, integradas pelo processo brevemente exposto.
    Concluo esta lista com a maravilhosa palavra da culinária brasileira:
    [Aristú (estufado irlandês) ingl. irish stew], que tem realmente um sabor especial e é, a meu ver, perfeitamente aceitável.

    No campo das inutilidades ridículas “modernas” aponto para: Chefs, gelataria, cafetaria, champinhons, parental, bouquet, e o mais que corremos o risco de descobrir.

    Palavras persas, árabes, turcas, escandinavas, húngaras, neerlandesas, brasileiras, alemãs, castelhanas, japonesas, galegas, andaluzes, francesas, italianas, maltesas, indianas, inglesas, chinesas, escocesas, etc, são outras tantas pedras preciosas incrustadas na joia que é a língua portuguesa.
    Façamos com que brilhe, tal como as outras, nem mais nem menos, sem todavia perder o seu valor intrínseco, pois nem tudo o que luz é ouro…. E evitemos cair na recente esparrela do Portugueiro e do Brasilês, neologismos de trazer por casa criados ad hoc pelo autor destas linhas.

    JTS

    • Jorge Pacheco de Oliveira on 15 Março, 2014 at 10:27
    • Responder

    Agradeço a HC a resposta, mas fiquei muito desapontado. Uma campanha como esta sem uma cuidad organização, com registo de nomes e de números de BI, peço desculpa pela franqueza, mas parece-me demasiado amadorismo.

    Sem um controlo rigoroso como é que se garante que uma mesma pessoa não assina a ILC duas ou mais vezes ? Partir do princípio que graças a Deus as cartas chegam ao destino é quase infantil. E eu fico na dúvida se estou ou não incluído numa acção em que faço todo o gosto em participar.

    1. @Jorge Pacheco de Oliveira: Percebemos, é claro, o seu ponto de vista. Mas temos um compromisso junto da Comissão Nacional de Protecção de Dados, de não fazer rigorosamente nenhum tratamento de dados. Isso implica não registar nem o nome, nem o BI, nem qualquer outro dado dos subscritores. A verificação será feita pelos serviços da Assembleia da República. No reverso da medalha, somos injustamente acusados de andar a usar os dados das pessoas para outros fins. Enfim, é o possível com os meios de que dispomos (nenhuns).

      http://ilcao.com/?page_id=288#3
      http://ilcao.com/?page_id=288#25

    2. @Jorge Pacheco de Oliveira,

      De facto é admirável o seu espírito de militância, como demonstra amiúde com os seus – por regra – muito rigorosos comentários a matérias diversas, mas, perdoará a minha frontalidade, que espero seja na exacta medida da sua, neste caso as suas observações não têm qualquer fundamento. Esta ILC, como está claramente expresso na nossa página de apresentação, foi lançada e é mantida por «um grupo informal de cidadãos que se mobilizam, enquanto “sociedade civil”, na promoção e defesa da Língua Portuguesa em todas as suas cambiantes culturais nacionais.»

      Não temos qualquer espécie de “organização” (sindical, político-partidária, empresarial ou outra) por detrás, o que implica não dispormos de quaisquer meios, sejam eles humanos ou materiais. Tudo é feito com base no mais puro (e duro) voluntariado, na medida das possibilidades e disponibilidades de cada qual. Não temos quem faça recolha de dados, por exemplo, e mesmo para isso teríamos de pagar uma licença, junto da CNPD, para abertura do respectivo processo (de acompanhamento); o processo que naquela entidade foi aberto, em meu nome pessoal, ficou isento dessa taxa precisamente porque declarei expressamente não pretender esta iniciativa proceder a qualquer espécie de recolha de dados; e isto, repito, porque não tínhamos no início, como não temos hoje, “pessoal” adstrito tanto a essa como a qualquer outra tarefa de cariz organizativo, administrativo ou logístico. “Isto” é uma iniciativa cívica, repito outra vez, não uma Repartição do Estado ou um escritório seja de que espécie for.

      Quanto ao resto, bem, espero concorde em que não devemos estar aqui a “dar ideias” aos acordistas e seus agentes sabotadores.

      Cumprimentos.

      JPG

    • Manuel Silva on 15 Março, 2014 at 11:17
    • Responder

    Aristú, não. Para ser português tem de ser aristu.
    Com acento no u é espanhol.

    • Jorge Pacheco de Oliveira on 15 Março, 2014 at 15:33
    • Responder

    Caro JPG : Há ocasiões em que ficamos satisfeitos por não ter razão. Em todo o caso a explicação de HC «temos um compromisso junto da Comissão Nacional de Protecção de Dados, de não fazer rigorosamente nenhum tratamento de dados» já tinha sido esclarecedora, embora o meu espírito seja avesso a compromissos como este.
    Cumprimentos
    JPO

    • Jorge Tavares da Silva on 15 Março, 2014 at 15:47
    • Responder

    A Manuel Silva.
    Tem razão, salvo que nunca disse ser uma palavra portuguesa. Consta tal e qual nos registos da língua brasileira.
    JTS

    • Manuel Silva on 15 Março, 2014 at 22:27
    • Responder

    Caro JTS,
    O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras regista aristu. Desconheço o que sejam os registos da língua brasileira.

  1. Seja com ou sem acento (e achei muito interessante todo o comentário de Jorge Tavares da Silva), “aristú” é um exemplo delicioso de como a famosa aproximação à fonética pode resultar em coisas inimagináveis… 🙂

    • Graça Oliveira on 16 Março, 2014 at 11:50
    • Responder

    Peço um esclarecimento: é possível contribuir através de cópia digitalizada do formulário em papel, enviada por correio electrónico para os organizadores (como indicado nas instruções do portal ILC) ou só é válida a contribuição por envio desse formulário por correio postal (como parece sugerir o artigo “Traga mais dois”)?
    Muito obrigada!

    1. Ambas as formas são válidas.

      Cumprimentos.

    • Jorge Tavares da Silva on 16 Março, 2014 at 16:16
    • Responder

    Caro Manuel Silva,

    Os registos a que me refiro são, pela parte que me toca, livros ou manuscritos de cozinha, com grafias e decalques fonéticos vindos em linha directa dos locutores e não dos codificadores. No caso da língua brasileira, pela via que lhe é própria, o peso dos locutores é muito mais importante que o dos codificadores. Penso que HC percebeu a ironia das minhas observações.

    JTS

    JTS

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