Goethe Institut, 09.01.2012

As dúvidas persistem e avolumam-se quanto ao AO de 1990: enquanto alguns reclamam uma alegada facilidade fonética e defendem uma necessária evolução da língua, outros sustentam que a plasticidade e história da língua, como organismo vivo em constante auto-criação, não pode erradicar levianamente o que a une às origens latinas.

Por outro lado, a ausência de ratificação pela maioria dos países lusófonos e as diferenças gramaticais que persistem com as outras variantes do português põem em causa a eficácia de uma reforma que pode revelar-se uma porta aberta a todos os atropelos e arbitrariedades, desembocando numa perda estrutural de identidade linguística que, afastando-nos da Europa sem com isso nos aproximar mais do Brasil, poderão causar uma segunda jangada de pedra, muito mais reduzida…

Estarão no debate conhecidos apoiantes e críticos do AO.

Moderação: Teresa Salema

O Goethe-Institut apoia este evento.

[Transcrição do anúncio publicado no site do Goethe Institut. Foto de ILC AO90.]

Perante uma sala completamente cheia — e com a presença em força da nossa ILC — decorreu ontem, dia 9, um encontro promovido pelo Goethe Institut sobre o “acordo ortográfico”: «Conversa com Maria Alzira Seixo, Rui Zink e Vasco Graça Moura». De notar, neste caso referindo apenas algumas das pessoas mais ligadas à ILC, as presenças de Maria do Carmo Vieira, Rui Valente, Paulo Jorge Assunção, Hermínia Castro, Isabel Coutinho Monteiro, João Roque Dias e José Ferrão, entre muitos outros subscritores, apoiantes e militantes não apenas da ILC como da Causa anti-acordista em geral.

Com moderação de Teresa Salema, a conversa decorreu de forma animada (e por vezes emotiva), expondo primeiramente cada um dos três oradores convidados os seus pontos de vista sobre o “acordo ortográfico” de 1990, ao que se seguiu debate com a assistência.

Escusado será dizer que o próprio painel de oradores representa na perfeição (e em proporção) aquilo que, segundo podemos aferir por todos e quaisquer inquéritos ou sondagens disponíveis, a população portuguesa em geral pensa sobre o AO90: 2/3 contra, 1/3 ou a favor ou “assumindo” um vigorosíssimo NIM a respeito do dito. Tanto Vasco Graça Moura como Alzira Seixo, cada qual a seu modo, como é evidente, demonstraram pela sua própria determinação que – ao contrário do que nos pretendem fazer crer os órgãos de comunicação social e as entidades públicas – afinal este “acordo” não é um facto consumado coisíssima nenhuma, que a luta continua, que ainda podemos acabar com ele!

No que foram obviamente (e unanimemente) secundados pela assistência, com todas as intervenções contra e nenhuma delas (pelo menos claramente) a favor do AO90. Como foi o caso das de Paulo Jorge Assunção, jurista, que realçou a total e absoluta ilegalidade deste “acordo”, o qual «tecnicamente, legalmente, logicamente nem sequer está em vigor

Durante a sessão foram distribuídos por uma voluntária imensos impressos de subscrição da ILC, já com envelope selado e tudo, que tiveram imensa aceitação, como é aliás costume, tendo havido mesmo quem levasse consigo diversos exemplares para distribuir por familiares, amigos e colegas.


No final da sessão, a Senhora Professora Alzira Seixo fez questão de subscrever a nossa ILC ali mesmo e não se ficou “apenas” por isso, que já seria muito: aceitou também, à semelhança do que fez o seu “colega” Vasco Graça Moura há já uns tempos, integrar a nossa “galeria” de subscritores, voluntários e apoiantes. O que será feito com a maior urgência possível, é claro, até porque muito nos honra poder contar com tão ilustre apoiante nesta iniciativa cívica. Bem haja, Senhora Professora, pela sua abnegação, pela sua coragem, pela sua extraordinária dedicação à defesa de um património que é de todos.

Uma palavra final de agradecimento e saudação para a organização do evento, a cargo do Goethe Institut, que esteve inexcedível em prestabilidade e simpatia, bem como a todos os presentes e também àqueles que, ou por estarem longe ou por qualquer impedimento, não puderam comparecer mas que nos enviaram mensagens de apoio e incentivo.

Esta conferência foi gravada na íntegra por José Ferrão e por Rui Valente. Logo que editadas e montadas, essas gravações serão também publicadas aqui, no site da ILC, e reproduzidas nas nossas páginas no Facebook.

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1 comentário

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  1. É obvio que o acordo ortografico deve continuar. A lingua é ” uma coisa ” viva. Senão ainda falavamos em Latim. E depois meus amigos Portugal ( intrrinsicamente a lingua), só vai continuar ,mas só através do Brasil, Angola, Moçambique….., . Porque este pequeno rectangulo no ” escanfodós” da Europa têm tendencia a desaparecer. Onde é que eu li mesmo ? que no final deste século vamos ser só cinco milhões. Desculpem lá o ” intrrinsicamente”, não sei escrever correctamente a palavra. Nem me importa. Entenderam não entenderam ? Então meia bola e força…..,

  1. […] a música era outra: a biblioteca do instituto acolhia uma conversa sobre o tema genérico “O mal-estar com o acordo ortográfico“. Entenda-se, o acordo sobre a ortografia portuguesa, não a […]

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